The Mirror

1 01: The Aislin Mansion


~Misticfary, 1846~

- Nós vamos morar aqui?
A voz de Duvessa Aislin tinha um tom de surpresa misturado com incredulidade.
A garota observava a casa. Uma grande construção antiga coberta por histórias e lendas ainda mais antigas do que se pode imaginar.
Um gramado verde e extenso cobria as redondezas da casa, assim como árvores e um caminho de terra. Ao lado, outra construção se erguia. Pequena e até um pouco bonita. Uma estufa, cheia de plantas mortas e, mais uma vez, velhas.
Ambas as damas que se encontravam no local, vestiam longos vestidos armados e caros, joias de todos os tipos. Ambas de uma beleza magnífica e hipnotizantes de se olhar.
O cocheiro descia as malas da carruagem branca em detalhes dourados e, às empilhava cuidadosamente ao lado da mesma.
- É uma herança, Duvessa! — A mãe repreendeu. A mulher se virou para a casa e sorriu maliciosamente. — E, nunca se recusa uma herança.
Ambas subiram os degraus que levavam à grande e pesada, porta de entrada.
A senhora pegou a chave em seu vestido. Uma chave decorada em ramos de metal prateado. Colocou na fechadura e girou.
As portas se abriram com um rangido. Um bafo quente e cheirando a coisa velha saiu de dentro, recebendo as damas. Duvessa torceu o nariz enquanto entravam.
Uma sala redonda e grande. Móveis cobertos com panos brancos enormes e empoeirados. Um escada exageradamente longa que um dia deve ter sido maravilhosa — Pensou Duvessa — Encontrava-se no meio do cômodo. Havia poeira nas janelas e cheiro de mofo no ar.
Duvessa caminhou lentamente até algo coberto por um pano. Puxou o tecido e uma camada de pó se ergueu e a garota tossiu.
Um criado mudo de mogno com uma gaveta com um puxador em forma de um botão de rosa. Mas, o que lhe chamou a atenção, foi uma caixinha redonda e de madeira polida. Ou, apenas o símbolo gravado em cima dela. Um lua crescente e uma estrela em sua ponta.
Soltou o pano de suas mãos e pegou a caixa. Observou cada detalhe, da madeira ao símbolo que ela nunca vira na vida antes. Mas, Divessa sentia que o conhecia de algum lugar. Talvez, tivesse visto em um sonho.
- Duvessa? — A mãe chamou outra vez, com certa irritação. Virou-se para a filha. — Duvessa!
- Ah... O que? Desculpe. — Disse a garota voltando-se para a mãe.
- Está me escutando? — A mulher falou rígida.
- Desculpe, não. — Duvessa fez uma pausa e depois mostrou a caixa para a mãe. — A senhora já viu esse símbolo em algum lugar?
- Que símbolo.... — A dama calou-se.
Seu olhar pousou na lua e na estrela gravadas na madeira. Claro que reconhecia o símbolo. Mas, não podia revelar o que fez de tudo para esconder a anos. Duvessa ainda não estava pronta para saber a verdade sobre quem realmente é. Voltou os olhos para a filha e secamente disse:
- Não. Nunca vi.
- É lindo! — Duvessa analisou novamente o símbolo. Antes não, mas, agora, tinha certeza de que já vira isso em algum outro lugar. Em um sonho. — Pode parecer loucura, mas, sonhei com ele.
- Quando? — A senhora quis saber. Sua voz tinha uma mistura de medo e aflição.
- Eu não... Sei direito. — A filha respondeu vendo a expressão da mãe. — Está bem?
- Estou. Estou sim. — A mulher respondeu e virou-se para evitar o olhar da garota.
A porta se abriu outra vez revelando o cocheiro com as malas. Um homem magro e branco com seu paletó preto e cabelos brancos.
- Madame Cora?
- Sim, Frederic? — A mulher respondeu.
- Onde posso deixar suas malas?
- Em um dos quartos, lá em cima. — Cora disse com seu tom seco e costumeiro de sempre. Virou-se para a filha novamente. — Vamos?
Duvessa alternou os olhares entre a mãe e a escada. Não tinha a mínima vontade de subir e ver mais cômodos empoeirados e parecendo que são assombrados. Suspirou.
- Tem certeza de quer morar aqui mamãe? — A garota perguntou. Cora virou-se para a escada, com as mãos repousadas á frente, na saia do vestido e começou a subir os degraus.
- Absoluta. Afinal é uma mansão Aislin. Uma herança. — Ela fez uma pausa. — E, como eu disse antes, nunca recusamos uma herança, Duvessa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.