P.O.V. Connor.

Tem alguma coisa nela, alguma coisa enfeitiçante, um mistério. Acho que isso é que me atrai além é claro da sua estonteante beleza.

Começamos a conversar, a passar o intervalo juntos e eu comecei a perceber que Ravenna não era tão boazinha assim. Ela era tão louca, mas tão doce. Era tipo, Oh meu Deus!

Ela era muito seletiva e não gostava de quase ninguém. Ela é a beleza da Afrodite com a loucura da Miley Cyrus e com a agressividade de Ares.

Ravenna era muito intensa com ela era oito ou oitenta. Mas, essa era a graça de estar com ela, até as brigas eram fodas.

—Ravenna?

—O que?

—Eu trouxe pra você.

—Que lindas. Eu adoro vermelho e os espinhos são lindos.

—Os espinhos?

—É claro. A natureza é perfeita, a flor pode não saber se mover, mas a natureza em toda a sua graça lhe deu espinhos para que pudesse se defender.

—Ninguém pensa como você sabia?

—Sabia.

Jered passou e perguntou a Ravenna:

—Não vai comer?

E ela respondeu no mesmo tom de raiva e ironia:

—Você vai?

Ele fez uma cara...

—O que? Pensou que eu não sabia? Eu sou uma Mikaelson imbecil. Sou mais forte e mais velha do que você, não se esqueça.

Quando ela falou aquilo e especialmente o sobrenome, Jered ficou quase transparente.

—Dá mais uma dessa e veremos o que te acontece.

Ela tirou uma garrafinha da bolsa e começou a beber, ela nem respirava.

—O que está bebendo?

Ela parou e disse:

—Suco de beterraba. Faz parte da minha dieta detox.

—Posso experimentar?

—Não.

Dai ela voltou a beber. E eu ri.

Hoje nós pudemos sair andar pelos arredores da escola e decidi levá-la ao meu lugar especial.

—Pra onde vamos?

—Confie em mim vai ser legal, eu vinha aqui sempre que queria ficar sozinho pra pensar.

—Onde? No meio do nada?

—Não. Bem vinda a Catarata Purgatório.

—É lindo.

—Eu adorava brincar aqui quando era moleque, minha mãe quase enfartava.

—Posso imaginar.

Estávamos passando pela ponte quando eu perguntei:

—Posso te perguntar uma coisa?

—Claro. Só não garanto que vai obter uma resposta.

—Você gosta daqui?

—Como assim?

—É que sempre que parece que você está se divertindo, você tem aquele olhar de quem está estudando.

—Eu vim aqui pra isso.

—Não, não esse tipo de estudo. É como se nós fossemos suas cobaias.

—Adoro cobaias.

Ela disse em tom de piada. Mas, então sua voz ficou séria:

—Eu não deixo as pessoas entrarem. Eu não me envolvo, é uma espécie de auto-preservação, porque com a gente quando amamos amamos mesmo e quando dói, dói demais é como cair do Grand Canyon dentro da Catarata Purgatório, ser levada pela correnteza e se afogar sem parar. Quando alguém que eu amo morre é... uma dor insuportável. Me deixar envolver foi o que começou toda essa bagunça em primeiro lugar. Eu aprendi minha lição, eu não vou mais deixar ninguém entrar.

—Eu já devia ter imaginado isso. Claro.

Eu dei um beijo na bochecha dela pegando-a de surpresa.

—Connor! Uau!

—Me desculpe eu não devia ter apressado as coisas.

Ela avançou sob mim e me deu um daqueles beijos de cinema, mas então eu senti a dor.

—Ai. Porque você me mordeu?

Ela se apavorou.

—Eu sinto muito. Eu tenho que ir.

—Não! Não tá tudo bem. Ravenna!

Ela saiu correndo.

—Ravenna espera!

Dai eu não pude deixar de sorrir. Ela me beijou, o que significa que ela me deixou entrar.

P.O.V. Ravenna.

Ai Meu Deus! O gosto do sangue fresco e quente de Connor ainda estava na minha língua. Eu corri o mais depressa que consegui para longe, de volta para o meu quarto onde esvaziei todo o meu estoque.

—Ravenna?! O que aconteceu?

—Eu podia ter machucado ele. Mais um segundo e teria machucado.

—Do que está falando Ravenna?

—Connor. Eu o beijei e o mordi no lábio, o gosto do sangue dele...

—Meu Deus Ravenna!

—Se eu fizesse algo a Connor eu nunca me perdoaria ou o transformasse sem seu consentimento, não conseguiria viver comigo mesma. Nós sempre vamos ter dezesseis anos Alissa. Para sempre, ano após ano a mesma coisa, as mesmas escolas idiotas com os mesmos professores idiotas fingindo ser algo e alguém que não somos sempre!

—Ravenna, é um dom.

—Um dom?! Beber o sangue dos outros pra sobreviver por centenas talvez milhares de anos, sozinha sem nunca ter alguém para partilhar a eternidade, destruindo tudo em que tocamos acha mesmo que isso é um dom?!

—Eu vou ligar para a sua mãe.

—Finalmente eu encontro um cara legal e eu penso, poxa talvez dessa vez seja diferente, quem sabe eu posso finalmente encontrar alguém. Mas, eu o beijei e isso quase o matou.

P.O.V. Alissa.

A minha prima surtou legal, ela está tendo uma crise existencial, esvaziou todo o estoque de bolsas de sangue, quase matou o garoto que ela gosta.

—Ravenna, você precisa aprender a se controlar.

—Estou cansada de me controlar!

Ela partiu pra cima de mim.

—Calma Ravenna! Se é tão importante assim pra você, diz a verdade pra ele.

—Eu era uma garota, uma filha e agora eu sou uma monstra. Eu matei Alexis Hunter. Alexis me olhou nos olhos e implorou por sua vida enquanto eu a estraçalhava, eu tava com tanta raiva dela. E ainda por cima eu joguei a culpa na sua melhor amiga. Mandei uma inocente pra cadeia!

P.O.V. Connor.

No dia seguinte eu a encontrei no corredor, de frente para o seu armário.

—Oi.

—Oi.

—Você não quer falar sobre ontem? Fomos rápido demais? Eu posso ir devagar. Hoje tem o baile de inverno, você quer ir comigo?

Ela estava chorando:

—Olha Connor...

Ela pegou no meu rosto e encostou sua testa na minha.

—Eu amei você, ainda amo e por isso eu não posso fazer isso.

—Isso o que?

—Isso. Nós. Não pode acontecer, eu queria que as coisas fossem diferentes, mas elas são como são e enquanto você for você e eu for eu... não vai rolar. Eu sinto muito, mas estou te fazendo um favor. Por favor, entenda.

—Não. Eu não entendo. Eu te amo.

—Essa é a coisa mais difícil que eu já tive que fazer. Adeus Connor.

Ela se virou e saiu.

P.O.V. Ravenna.

Era uma dor tão grande. Eu só conseguia chorar, escorreguei pela parede e chorei.

—Não. Não. Eu não consigo! Eu não consigo.

—Ravenna? O que aconteceu?

—Dói. Dói demais. Faz parar. Por favor, faz parar!

—Respira fundo Ravenna.

—Não! Dói demais! Por favor faz parar. Faz parar!

P.O.V. Connor.

Eu ouvi ela gritar e fui ajudar, o estado em que ela estava era... não há palavras. Seus lindos cabelos que estavam sempre bem penteados estavam descabelados, seu rosto estava inchado, vermelho, lágrimas escorriam. A prima tentava em vão consolá-la.

—Olha, tem o baile amanhã. Vamos. Eu dispenso o meu par e te levo, vamos eu você e a Hope.

—Não. Vocês devem ir e se divertir.

Ela chorava, chorava e chorava. Aquilo era mais que tristeza, era desespero eu vi nos olhos dela. Aquilo que ela falou sobre doer mais nela do que nos outros não era brincadeira e nem exagero. Ela estava completamente desesperada.

—Agora eu definitivamente vou ligar pra sua mãe.

Logo a mãe de Ravenna apareceu. E ela era uma adolescente da nossa idade.

—Querida, olha eu sei que está doendo. Acredite eu sei como é, mas você tem que respirar fundo.

—Por favor mamãe, faça parar.

—Respira, Ravenna. Respira fundo, você tem que arrumar alguma coisa pra fazer pra distrair a cabeça.

—Trish é inocente e está presa por minha causa.

—Vá a esse baile amanhã. Arrume um par e vá. É uma ordem, ficar assim não vai ajudar em nada. Você só vai ficar remoendo isso.

—Tudo bem. Eu vou ao baile.