P.O.V. Professor Fitz.

Eu nunca tinha recebido uma resposta como a de Hope Mikaelson. Fiquei tão chocado pelo fato dela ter respondido corretamente a minha pergunta que na hora nem notei os detalhes que ela deu. Só depois.

—William Shakespeare roubava erva do diabo da casa vizinha? Como ela saberia uma coisa dessas?

Ela saiu da sala apressada e deixou cair um álbum de fotografias. Comecei a folear o álbum.

Debaixo de cada fotografia havia uma legenda escrita a mão.

—Tia Katherine 1864.

—Tio Stefan e tio Damon 1864.

Algumas eram fotografias de retratos. Comecei a notar que as pessoas das fotografias eram sempre as mesmas.

—Papai e tio Stefan.

—A sua mãe não te ensinou a não mexer no que não é seu?

Ela tomou o álbum das minhas mãos fechando-o e o guardando na bolsa.

Ouvi ela sussurrar:

—Humanos intrometidos. Mau educados.

—Porque está tão irritada por causa de um álbum de fotografias?

—Porque ele é meu e você estava mexendo sem a minha permissão! Isso é invasão de privacidade.

Ela saiu e eu fiquei com essa mesma cara que vocês vêem ai na fotografia.

P.O.V. Hope.

Professor intrometido. Mau educado.

Logo estávamos em aula outra vez e eu estava ouvindo pela milésima vez a história da guerra de secessão. Decidi que eu não iria ouvir mais, ainda mais dessa perspectiva nojenta e erronia.

—Senhorita Mikaelson?!

—Que é?

—Ouviu alguma palavra do que eu disse:

—Não. Eu não preciso dessa droga. Eu tenho parentes que estavam lá quando a guerra de secessão aconteceu e acredite, os seus malditos livros são só um resquício falho do que realmente aconteceu.

—É mesmo?

P.O.V. Professora Carlton.

Eu perguntei:

—É mesmo?

E ela pegou um lápis e enfiou na própria mão arrancando-o depois. Eu vi o ferimento cicatrizar na hora e ela respondeu com ira:

—É. É mesmo.

—O que?

—Você acha que conhece a história, mas você só sabe como termina. Para chegar ao cerne da história deve voltar para o começo. E o meu pai e meus tios são o começo.

P.O.V. Professor Fitz.

Eu estava passando e ouvi a voz dela, ela estava debruçada sob a carteira e disse para a professora olhando nos olhos dela:

—Não se preocupe, agora você vai esquecer o que aconteceu aqui e vai me deixar em paz. Pra todos os efeitos foi só mais uma aula de história chata e monótona como sempre.

Ouvi a professora repetir cada palavra do que ela disse em primeira pessoa e continuar a aula.

Ela deu um sorriso sacana, cruzou as pernas de um jeito provocante e disse:

—Adoro ser eu.

Ela fez o mesmo com o resto da sala, deixando apenas as primas e dois outros alunos de fora. Sendo um deles o filho da diretora.

Quando bateu o sinal Frederick Kingsley falou:

—Você é foda amor. Como fez aquilo?

—Compulsão, manipulação mental, chame como quiser. Geralmente chamamos de compulsão, mas outros chamam de hipnose. É quase a mesma coisa.

—E qual a diferença?

A resposta veio de Connor:

—Quando alguém é compelido a fazer algo, querendo ele ou não ele faz, quando a pessoa está em transe hipnótico geralmente tem certo controle sobre si mesmo.

—Exatamente. Eles querendo ou não eles vão esquecer.

—E a época da caça ás bruxas?

—Tinha que ser muito bom e muito esperto pra pegar uma de verdade, a maioria das pessoas mortas na época da caça ás bruxas eram apenas inocentes.

De repente ela apareceu na minha frente e agarrou no meu pescoço.

—Conte isso pra alguém Ezra Fitzgerald e é um homem morto. Eu nunca gostei de gente intrometida e mal educada.

Com uma única mão ela me içou e eu sou um homem adulto de quarenta quilos!

Ela me soltou, mas me prensou contra a parede e disse:

—Não subestime minha força e muito menos a minha raiva.