The Memories Of A Lost Girl
59 This is War. - Part One.
Allynne narra:
Não seria fácil. Não mesmo. Antes de tudo, teriamos de pegar nossas coisas. Nossas armas, e eu teria de mudar de roupa. Era impossivel correr com calça jeans apertada como aquela. E também, teria de colocar as lentes. E um all star, por que por incrivel, eu estava usando uma sapatilha. Adorava sapatilhas, mas preferia mil vezes andar de all star por estar sempre com instinto de guerra (coisa de semi-deusa).
Além de tudo isso, teriamos de esperar o amanhecer. Sair a noite, no escuro que estava, seria impossivel achar qualquer coisa. Na noite anterior, eu tinha dormido na sala. Não sei... Estava vendo um filme com Fred, e acho que adormecemos lá mesmo (eu ainda acho?!?). Hoje eu teria de ir ao meu quarto, por mais que aquele lugar me lembrasse minha mãe.
Subi, meio relutante, não querendo lembrar do passado. Mas fui com um pensamento um tanto positivo. Talvez, quando eu acordasse, depois da luta, eu teria minha mãe comigo de novo. E Julieta também.Entrar naquele quarto de novo, era dificil. Estava repleto de fotos. E quando digo repleto, é repleto mesmo. Tinha fotos de mim com minha mãe, de mim com Liz, fotos de Liz bebê (ela iria querer destrui-las se as visse), fotos de Lily comigo... Fotos de Gina, dos nossos aniversários de seis, sete anos... Fotos dos Harvelle, e fotos apenas minhas. Fotos de mim conjurando meu primeiro feitiço... Fotos minhas com Fred, fotos de mim bebê. Tinha até fotos de quando eu ficava lendo. Cheguei perto do criado-mudo, e abri a gaveta. Estava vazia, por hora. Abri o fundo-falso, cheio de cartas. Procurei uma em particular, e liguei a luz, passando a lê-la.
“Querida Dragão Vermelho,
O que está acontecendo? Por que não respondeu mais minhas cartas? O que está acontecendo ai? Há algo de errado? Sabe, você está diferente ultimamente.
Sei que também não escrevi mais, mas também... Estamos com onze anos agora, eu já recebi a carta de Hogwarts... Acho que você também, embora não tenha me reletado isso ainda...
Eu ando muito ocupada, comprando o material, lendo o livro, ajudando minha mãe... É incrível. Incrível como os tempos mudaram, não é? Antes você me respondia toda semana. Toda semana, nós nos falavam. E embora eu nunca tenha visto seu rosto, e vice-versa, e nem ao menos saiba seu nome de verdade, nós éramos como melhores amigas.
Um dia, acredite, creio que iremos nos encontrar. E talvez, Dragão vermelho, e espero que esse dia chegue logo. Espero te encontrar em Hogwarts, e desculpe pela breve carta.
De uma amiga que espera que você a responda,
H. Strong”
Boas lembranças... Eu nunca respondi aquela carta. Guardei-a. Eu jamais soube quem era H. Strong, e não era um bom momento para relembrar do passado... Lembrar de tudo. Não mesmo. Afastei-me um pouco do criado-mudo, e fiquei observando as fotos que haviam ali. Até... Ouvir um barulho do outro lado do quarto. Virei meu rosto, ainda triste.
Espelhos. Estava repleto deles, rodiando a cama. Eu vi meu rosto repetido mil vezes em um único lugar. Em cima da cama, havia uma coruja. Liesel, minha coruja de estimação.
– Liesel... — Falei, com a voz falhando. Era dificil lembrar quem me dera aquela coruja sem chorar. — O-q.... O que você está fazendo aqui, Liesel? — Minha voz falhava muito, eu não queria chorar... Liesel piou, e logo sobrevoou meu quarto, e saiu pela janela. Estava chovendo... Então, resolvi aproveitar o quão calma estava aquela casa, para tentar dormir.
Dei uma breve olhada no meu quarto, o qual eu dormia quase todos os verões. O qual ninguém havia entrado, a não ser minha mãe, e Fred. Desliguei a luz, e deitei-me na cama confortável e quente. Fechei os olhos, e tentei não pensar em nada.
Pesadelos. Odiava aquilos... Mas agora parecia... Não sei. Eu não costumava ter pesadelos... Não assim. Eu estava dentro do "cativeiro" de minha mãe, e agora, de Julieta. Queria tentar salvá-las, mas não conseguia. Queria gritar... E não conseguia também. Parecia até que eu não estava ali, e na verdade, eu não estava. Julieta estava atônita, querendo arrebentar aquelas "grades", mas não conseguia de modo algum. Minha mãe a observava, olhando-a com aquele olhar maternal que ela tem.
– Não vai adiantar, Julieta... – Ela falou, ouvir a voz dela depois de um ano...
– A senhorta nem tenta fugir! – Falou Julieta, tentando entender. – Por que?
– Se isso for proteger minhas filhas, Julieta, prefiro ficar quieta. Prefiro não fugir. – Ela respondeu. Eu estava chorando... Já.
– Não vai proteger elas de nada. Adam não está brincando, ele só usa você como isca! Ele não vai cumprir a palavra de tentar não tocar nelas. Ele já tentou isso! – Ela levantou a bainha da calça, mostrando uma cicatriz que havia ficado. — Era pra ser ela. Eu quase morri. Sabe, um parque de diversões que ele costumava ir. Fomos lá, eu e Luna, procurar pistas. Havia um monstro lá. Ele tinha vários olhos. Ele quase me matou. E acredite, ele quase conseguiu. – Eu me surpreendi. Eu nem sabia que Julieta tinha cicatrizes daquilo... A face de minha mãe mudou, para uma de preocupação.
– Tente sair, você. Eu de nada poderia ajudar... Eu já estou fraca demais até para lutar, querida Julieta. Não me alimento direito a meses, você não... Você está bem, está pronta para lutar. E de qualquer forma, eu não passaria aqui... — E eu acordei.
O sonho foi muito confuso. Eu não... Eu acordei chorando, assustada, suada. Ouvi Gina me gritando, lá de baixo, me levantei rápidamente, e olhei para minha cama de novo. Ainda chovia...
– ALLY! — A voz dela era de tensão, ela estava nervosa, e tinha muitos motivos pra isso. — ONDE ESTÁ CHAVE DO PORÃO? — A voz dela soava um tanto abafada, já que ela estava lá embaixo.
– NA CAMA! — gritei.
Olhei para o relogio ao lado do criado mudo, e logo vi que horas eram. Seis e meia. Estava quase na hora. Olhei o guarda roupa, procurando uma roupa leve, fácil... e... Meu short jeans, minha meia-fina, all star verde, blusa branca, regata, com pequenos detalhes, e cheia de assinaturas. Vesti-me rápidamente, colocando o medalhão da sorte, que eu não usava a quase sete anos. Peguei a espada de chamas, e o escudo que eu havia arranjado com quatorze anos.
Desci correndo as escadas, e logo vi todo quase todo mundo preparado. Liz e Annie estavam quase identicas, seriam confundiveis se não fosse a cor dos cabelos e dos olhos. Usavam uma roupa exatamente igual, a maquiagem exatamente igual também. Delcroxs estava com os cabelos presos, olhando para a paisagem calma da janela, meio triste. Sua expressão era vazia, e ela estava absorta em pensamentos, usando um colar quase identico ao meu, o que eu não percebi no momento.
Luna conversava com Gina, discutindo sobre o escudo que havia pegado, que não era lá uma coisa muito boa. Seus cabelos pretos estavam soltos,como sempre, e ela usava sapatilha. É, não era uma escolha boa para correr e lutar, já que a sapatilha escapa fácil do pé, mas Luna adorava sapatilhas, e não se discute com Luna Harvelle. Ela estava com um desenho na mão, um desenho de uma cobra. Seus olhos faiscavam. E por um breve momento, poderia jurar que mudaram de castanho para azul, e logo, voltaram a cor original. Assustei-me, claro, mas não liguei.
Gina estava com os cabelos soltos, e uma carga enorme de preocupação em seus olhos calmos e azuis. Ela segurava a sua espada, que hoje, nós sabiamos que havia sido enviada por Hades, a suas filhas. Cada uma havia ganho a sua com onze anos...
Liz e Annie sairam da sala e foram para o jardim, conversar sozinhas. Eu, fiquei parada no meio da sala, olhando pro nada.
Caroline (narradora) narra:
Elizabeth e Annie tinham um plano. A meses tinham. Ninguém, ninguém mesmo sabia o que elas estavam tramando.
– Annie, tem certeza que vai dar certo? — Perguntou Elizabeth, baixinho, quase num sussuro.
– Espero que dê, Liz... Tem que dar certo. — Annie respondeu, no mesmo tom. As duas se entreolharam, e logo deram as mãos.
– Pelos deuses. — Falaram em coro, soltando as mãos, guspindo no chão, e pisando em cima.
O tempo passou devagar, os trinta minutos que faltavam para a procura de Julieta e Lunny pareceram horas infinitas, que nunca iam chegar. Annie e Elizabeth ficaram quietas, sentadas na sacada da casa de veraneio dos Williams. O dia não era muito quente, e por sorte, havia parado de chover. Dentro da casa, alguns usavam "casacos", um deles era Delcroxs.
– Mas... E se el... — Falava Annie, até que ela e Elizabeth viraram o rosto, no mesmo momento.
– O que foi isso? — Falaram juntas, de novo. Elas se levantaram, e foram até a floresta, ouvindo algo.
– Meus ouvidos de loba estão ouvindo muitos, muitos passos. Estão longe, mas... Chegarão logo... — Annie falou. Ia correr, para pegar sua espada e sua varinha, mas Elizabeth deu um grito, fazendo todos sairem de dentro da casa.
– Calma... Calma... Ann? — Ela falou, vendo Annie ficar com os olhos vidrados.
Annie Harvelle narra: Eu estava assustada, ouvia passos, muitos passos, muitos corriam, alguns voavam, outros riam irônicamente. Eu era animaga, e por algum acaso, os ouvidos de loba, minha forma animaga, ficavam em mim até mesmo quando eu não estava transformada. Eu ouvia muito longe, muito longe mesmo.
Mas agora, aquilo estava acontecendo de novo. As visões. Eu não era clarividente, não... Clarividentes não lembravam de sua visão, é. Disso eu sabia.
Eu já tido essa visão... Não como agora, diferente... Antes. Cai no chão, sentada. Olhei para todos, que me rodiavam. Tive forças apenas para dizer.
- Corram. Se separem... Já! — Levantei-me e sai correndo, e todos fizeram isso, indo para direções diferentes.
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