The Mega Walking Dead
4 Capítulo 1.4 - Suicídio
Notas iniciais
Já se passaram 2 semanas desde que montamos o acampamento e nos juntamos ao grupo do Damião. Ao todo somos agora um bando de 10 sobreviventes e desde lá costumamos dividir bem as tarefas entre o pessoal. Liam, Noah e Damião por possuírem mais experiência vão duas vezes na semana ao centro de Atlanta conseguir mantimentos, aliás eles estão lá nesse exato momento. Charlote, Klaus e Ketlen por ainda não terem se adaptado muito bem as frequentes lutas contra os andarilhos, ficam perto das barracas preparando comidas e ajudando na pequena plantação que iniciamos. Em contrapartida, eu, Mona, Beardo e Katiúcia limpamos os arredores do acampamento, matando zumbis e impedindo que pessoas cheguem perto. Sim, pessoas.
Há uns dois dias mais ou menos um grupo de 3 homens, fortes e barbados se aproximou da gente. Fomos amistosos e decidimos integrá-los ao nosso bando, porém, a intenção deles era outra. No meio da noite um deles se levantou, foi na barraca das meninas e tentou estuprar a Ketlen que começou a gritar horrorizada. Nos reunimos e decidimos expulsá-los. O grupo se auto intitulava “desertores”. Desde então ficamos com receio de trazer mais alguém para cá sem antes conhecer bem quem são.
Em Atlanta
Noah – Liam, Damião precisamos encontrar, sobretudo, remédios. Nunca sabemos quando vamos precisar.
Damião – Sim. Mas precisamos ter cuidado. A cidade está cheia de zumbis. Policiais e exército abandonaram tudo aqui. Nem a população ficou.
Noah – A sociedade como conhecíamos caiu. Quem sobreviveu está escondido em algum lugar como nós.
Damião – Veja lá, é uma farmácia, vamos ver se tem algo lá dentro.
Noah – Vamos com cuidado, pode ter um grupo a nossa espreita lá.
No acampamento
Charlote – Ketlen como você está?
Ketlen – Estou bem gente. Apesar da tentativa de estupro.
Klaus – Que barra heim.
Ketlen – Liga não gente. Passou.
Durante as 2 semanas que se passaram Charlote não saiu do acampamento por medo de ter que enfrentar e matar zumbis.
Klaus – Charlote, parece até que você desistiu de encontrar seu irmão.
Charlote – Nunca diga isso Klaus. Eu vou achar o Travis, tenho certeza de que ele está vivo.
Klaus – Você precisa vencer esse seu medo de zumbis. Cade aquela garota sonhadora que queria viajar o mundo todo que eu conhecia quando eramos crianças?
Charlote – Aquela garota morreu Klaus. Junto com os meus pais. Sinto muito.
Klaus – Você precisa ter forças para continuar. Estou aqui contigo, não se esqueça.
Charlote – Obrigada, mas tudo o que eu queria agora é que as coisas voltassem a ser como eram antes.
Por mais que alguns não demonstrem, o desejo de todos é o mesmo da Charlote. Mas, infelizmente nada mais será como era anteriormente.
Eu, Mona, Beardo e Katiúcia continuamos a limpar o perímetro ao redor do acampamento.
Mona – Podemos parar para descansar um pouco, já limpamos uma grande área. O que acham?
A maneira como a Mona liderava o grupo, o jeito sublime que ela tratava as pessoas e a beleza singular que só ela possui são apenas uns dos fatores que fizeram eu me apaixonar por ela. Sim, eu gosto da Mona desde quando éramos crianças. Mas nunca tive coragem de contar nada. Ela sempre foi a garota popular, extrovertida e eu o nerd solitário que só tinha a ela como colega de classe. Tudo bem que ultimamente eu tenha perdido um pouco da nerdisse mas ainda assim nunca tive a ousadia de me declarar para ela. Até porque eu sei que um toco por parte dela seria inevitável.
Beardo – Podemos parar um pouco sim.
Katiúcia – Estou exausta gente.
Eu – Beardo, Katiúcia, vocês ainda não disseram como conheceram e se juntaram a Ketlen e ao Damião.
Mona – É verdade.
Beardo – Bom, eu e a Ketlen já nos conhecíamos do trabalho. Quando tudo começou a desandar e os zumbis invadiram a cidade nos dois encontramos a Katiúcia ferida na rua, pedindo ajuda.
Katiúcia – Foi tenso gente. Tinham muitos assaltantes e gente surtando nas ruas. Era um caos.
Beardo – Nós três fomos então para o parque da cidade e encontramos o Damião que estava indo para a escola do Liam e do Noah. Mas chegando lá já estava tudo tomado e então vagamos por aí até encontrar vocês.
Mona – Caraca, história de vida.
Katiúcia – Você e o Dérick ainda tem esperança de encontrar seus pais já que a casa de vocês estava vazia?
Mona – Quem sabe. Eu nunca vou perder as esperanças mas eu já me preparo para o pior.
Essa história de que a minha casa estava vazia é apenas meia verdade. No meio tempo em que estava todo mundo na casa da Mona eu fui até a minha e a cena que encontrei lá foi uma das piores possíveis que alguém pode ver. Meu pai tinha uma arma em casa, calibre 38, minha mãe não gostava muito mas ele tinha por medidas de precaução e um apocalypse zumbi parece ser a melhor hora para utilizá-la.
Ao entrar em casa vi meus pais mortos e a arma do meu pai na mão dele. Ele atirou na minha mãe e depois em si mesmo. Naquele momento fiquei paralisado e não pude acreditar no que vi. Por que não lutar e simplesmente entregar tudo assim? Fui ao quarto do meu irmão caçula e o vi transformado em zumbi e ao lado dele um zumbi morto. Pude então entender tudo e naquele momento não quis compartilhar nada com ninguém. Voltei a casa da Mona e disse a todos que meus pais tinham sumido, era mais fácil do que ter que explicar tudo a eles. Ainda choro toda noite antes de dormir ao relembrar de tudo o que vi.
Em Atlanta
Noah – Vamos levar o máximo de remédio que pudermos.
Damião – Ainda bem que a farmácia estava vazia.
Noah – Liam porque você fica sempre quieto assim?
Damião – Deixa ele Noah. Me ajuda a pegar esses medicamentos aqui.
Nesse momento a porta da farmácia se abre e entra um grupo de pessoas fortemente armada. Noah, Liam e Damião ficam cercados.
No acampamento
Ketlen aproveita que Charlote está cuidando da plantação e chama Klaus para uma conversa.
Ketlen – Klaus?
Klaus – Oi Ketlen, algum problema?
Ketlen – Não, é só que eu acho legal o jeito que você trata a Charlote. Quando você pretende contar para ela?
Klaus – Contar? Contar o que exatamente?
Ketlen – Deixa de bobeira né Klaus, todo mundo já percebeu que você é afim dela. Será que você não percebe que agora é exatamente a hora de investir nela. Ela está carente e precisando de alguém. Eu vi o jeito que ela olha pra você. Deixa eu te contar um segredo de mulher, ela também é afim de você.
Klaus – Será? Eu tenho tanto medo de estragar tudo.
Ketlen – Arma alguma coisa legal para vocês, um piqui-nique quem sabe. Tenho certeza de que ela vai gostar.
Klaus –Pode ser. Obrigado pelos conselhos Ketlen, pode deixar que eu vou pensar em alguma coisa sim.
Ketlen – De nada, precisando estou aqui.
Depois do devido descanso, o grupo de limpeza voltou a vasculhar os arredores do acampamento e sem percebemos já estava ficando de noite.
Mona – Eu pensei que fossemos amigos.
Eu – Como assim Mona? Nós somos.
Mona – Então porque você não me contou o que houve na sua casa?
Eu – Na minha casa?
Mona – Derick, eu vi você chorando quando saiu da sua casa. Tenho certeza de que se ela realmente estivesse vazia você não iria chorar.
Eu – Claro que iria.
Mona – Derick, não minta pra mim. Eu esperei duas semanas, respeitei seu tempo mas eu vejo que você chora toda noite antes de dormir. Me diz, aconteceu algo?
Eu – Você reparou em mim esse tempo todo Mona?
Mona – Sim, reparei. Vamos aproveitar que o Beardo e a Katiúcia foram pegar mais lenhas e me diga o que está acontecendo.
Naquele momento eu conheci um lado completamente diferente da mulher que eu amava a tanto tempo. Um lado sensível, carinhoso e ainda por cima preocupado comigo. Me diz como não se apaixonar?
Eu – Mona, a verdade é que meus pais estavam lá dentro da minha casa. Eu os encontrei mortos. Eles e meu irmão caçula. Meu irmão foi atacado por um zumbi e morreu e meus pais não aguentaram o que viram e se mataram.
Como uma criança eu comecei a chorar e a Mona me abraçou muito forte, de modo que consegui sentir seu coração batendo acelerado junto ao meu.
Mona – Eu sinto muito Derick. De verdade. Olha esse bilhete que eu encontrei na minha casa. Eu também escondi de todos e não disse a ninguém.
Eu – Mas o que é isso Mona?
Mona – Exatamente o que está escrito Derick. Meus pais também se mataram. O corpo deles não estava lá em casa então acho que eles se jogaram na frente de algum zumbi na rua. Morro de medo de encontrar com eles revividos. Não sei se teria força para matá-los.
Eu – Eu sinto muito Mona.
Nesse momento nos abraçamos novamente e o Beardo e a Katiúcia voltam cheios de madeira para nos esquentarmos na fogueira de mais tarde. De volta ao acampamento ficamos espantados ao percebermos que Damião, Liam e Noah ainda não voltaram de Atlanta.
Eu – Como assim eles ainda não voltaram?
Klaus – Eles não deram nenhuma notícia.
Charlote – Estou começando a ficar preocupada com eles.
Ketlen – Eles são safos gentes, estão bem com certeza.
Beardo – E se eles ficaram encurralados por uma horda de zumbis?
Katiúcia – Ou pior ainda e se encontraram pessoas más?
Mona – Gente por favor, vamos manter a calma e o pensamento positivo.
Ao término da fala de Mona dois carros invadem nosso acampamento e Liam, Noah e Damião saem de dentro deles. Em seguida eles nos apresentam o pessoal que encontraram em Atlanta e como em um milagre mostram Travis, vivo e como membro do grupo que conheceram na cidade.
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