The Meaning of Love
2 Mudanças

A vida em Iwagakure não foi de toda ruim, sua família tratou de treinar Liluth de forma bruta para que aprimorasse o máximo possível seu keikeigenkai; o qual fazia ela ficar mais forte quando recebia danos, mas que era extremamente difícil de controlar e não a tornava invencível em momento algum, na verdade, se não soubessem usar, todo aquele poder se voltava contra ela, explicando o fracasso de seus ancestrais. Com o tempo e os treinos brutos, a garota passou a se sentir confortável com a dor. Mesmo que seu pai tenha passado dos limites a obrigando a treinar mesmo que de madrugada.
Liluth havia perdido sua mãe há seis anos. O choque foi tão grande que ficou quase um ano hospitalizada. Mas não se lembrava como havia a perdido e só se lembrava de um urso de pelúcia manchado por sangue no chão. Quando tentava se recordar, sua cabeça doía muito mas a pior dor era no seu braço. Não sabia explicar porquê mas quando tentava se lembrar sentia dor muscular que parecia a única coisa que ainda a ligava pro que aconteceu. A vida com seu pai era moderada, pois era difícil ter uma relação com alguém que só a cobrava bons resultados nas missões e todo dia a submetia à treinos.
A garota cria uma espécie de bola de água em volta de uma mão e exala o gás explosivo; ela acende e a água ao evaporar cria um vapor denso e mortal. Para distrair ou mesmo atacar inimigos, ela enche balões de gás e atira fogo neles para causar explosões controladas. É capaz de manipular o fogo e criar rajadas de médio alcance. E por todo o seu potencial, se destacou em sua equipe e foi selecionada finalmente para o exame chunin.
Druven e Keryth eram de sua equipe. A equipe 5 de Iwagakure, e ambos os dois parceiros tinham o elemento terra presentes em seus históricos. Druven era um rapaz de cabelos negros e médios e olhos âmbar, sua personalidade era a mais reservada possível, o que fazia Keryth o provocar sempre que tinha a oportunidade. Keryth, por sua vez, era um jovem de cabelos platinados e olhos cinzentos com uma cicatriz no olho direito; sua personalidade era hostil pois provocar era seu passatempo preferido. Mas os três, mesmo com todas as suas diferenças, sabiam trabalhar em equipe.
A viagem para Konohagakure foi mais rápida que o previsto, tiveram que sair três dias adiantados para o rumo que tinham, e mesmo assim só conseguiram avistar a vila depois de muito andar.
Konoha tinha um clima agradável. Não era nem muito quente, e nem chegava perto do frio que vinha do oeste. Parecia uma boa vila para se viver, dentro do possível pelo menos.
A garota lembrou-se das palavras de seu progenitor: "Não use suas habilidades a não ser que seja nas provas, pois estará dando vantagem ao oponente de ler suas ações em batalha". Isso deveria ser algo que seu sensei, Hamachi, deveria dizer, mas acabou que ele era tão quieto quanto Druven. O seu pai fazia ela treinar mais do que seu próprio sensei, o que era meio estranho, mas para passar um tempo com ele, ela sempre aceitou, pois só via ele nas horas dos treinos, e sentia falta se sua figura paterna, principalmente por não ter uma mãe ao seu lado pra fazê-la companhia.
Os jovens não tardaram em visitar Konoha. O comércio era bem maior do que a do seu país, e parece que Konoha fazia jus à todos os elogios que a eram entregues. A vila era no mínimo aconchegante. Como um cobertor em um dia frio.
— Parece que essa vila tem muito a nos oferecer — Keryth comentou de modo passageiro. — E as coisas ficarão melhores quando derrotamos os novatos desse ano.
— Está muito confiante, deveria baixar a bola — Liluth comentou. Por mais que o jovem tivesse talentos natos, sua exibição poderia ser a ele sua perdição, e não é o que ela, sua parceira de equipe, desejava.
— Se não está confiante em suas habilidades, não deveria ter considerado participar do exame, Liluth — seu tom de voz continha um escárnio ácido, mas que pelo incrível que pareça, não a provocou. Druven normalmente era o que se irritava com o garoto, ela se acostumou e com o tempo parou de dar importância para o que ele dizia em sarcasmo puro.
Passaram o resto do dia em aposentos que lhe foram oferecidos como boas vindas. Liluth ficou em um quarto separado, longe dos meninos. Teve um bom tempo pra refletir e comentar consigo mesma sobre sua decisão de participar do exame. E chegou a conclusão de que tomou a escolha certa e que já havia amadurecido o suficiente pra isso.
Incomodava-a pensar que não tinha suas lembranças preciosas de seu passado, de suas brincadeiras preferidas da infância ou a imagem de sua mãe cuidando dela após ralar o joelho. E foi pensando em todos esses detalhes que ela pegou no sono e teve um sonho conturbado envolvendo sua mãe. Apesar de ter perdido suas memórias de quase sua vida inteira, sabia o rosto de sua mãe pelas fotografias que tinha e carregava consigo para todo lado. No sonho, estava no meio de uma multidão com sua mãe, mas alguém passou entre as duas e as separaram, e ao acontecer a separação, Liluth não conseguia mais ver a mulher. Procurava por todos os cantos, mas era como se ela tivesse sumido. E então começou a ouvir vozes debochadas a dizendo "A culpa foi sua", "Podia tê-la salvado", "Você é a culpada". E ao acordar no dia seguinte, sentiu uma carga emocional muito forte que fez seu peito doer. Tentou o controle de sua respiração para se acalmar, mas só conseguiu o feito depois de alguns minutos.
Depois de se arrumar, foi se encontrar com seu grupo. Prontos para encontrarem a classe onde teria a primeira etapa do exame. Quando encontraram a sala viram dois grupos discutindo. E perceberam que o número da sala não passava de um genjutsu e que estavam no andar errado. Ignorando o diálogo entre os outros garotos, que pelas bandanas pertenciam àquela vila, foram até o andar correto sem pressa alguma.
Druven parecia ansioso, e para tranqüilizá-lo, a garota colocou a mão em seu ombro e disse um simples "Vai ficar tudo bem", o que o fez assentir e retomar sua boa postura.
A primeira etapa do exame era uma prova escrita, depois de Ibiki anunciar o início da prova, Liluth passou a ler as questões da prova. Era estranho... As questões eram difíceis demais para um genin. E embora confiasse na inteligência de seus parceiros, começou a se preocupar um pouco. Foi quando se lembrou das regras do teste ditadas pelo Ibiki. Ele repetiu e repetiu sobre ser proibido colar e havia outros ninjas observando os candidatos atentamente. Fora que perder apenas dois pontos se fosse pego colando ao invés de ser desclassificado não fazia sentido. Foi quando se deu conta do que realmente o teste queria: brincar com suas mentes e fazê-los entrar em desespero, Ibiki era como a fama já dizia: um homem que entendia a mente humana.
Era isso! A intenção da prova era colar. Mostrar suas habilidades em extrair informações do inimigo. Foi quando Liluth colocou sua bandana em sua mesa e criou uma bola de água em cima de um dos participantes, vendo as respostas pelo reflexo da água através da bandana que estava em sua mesa. Copiou tudo o que pôde e transformou a água em um gás não tóxico quando terminou. Ao reparar nos seus parceiros de equipe que estavam em diferentes cantos da sala, percebeu por seus sorrisos ladinos que também tinham conseguido extrair informações.
Foi quando chegaram na décima questão da prova, o que levantou grande curiosidade da garota."O que tem a nos desafiar agora, Ibiki?", pensou em divertimento.
— Todos vocês passaram — ele falou, pegando todos de surpresa, até mesmo Osako.
— O que está dizendo? E a décima pergunta? — uma garota loira ao seu lado perguntou indignada.
— A escolha de ficar era o décimo desafio. Eu testei a determinação de vocês. Então independente do resultado da prova, quem ficou, passou.
— Então está dizendo que as nove questões foram inúteis? — outro garoto, com um cachorro acomodado em sua cabeça, indagou em outro canto da sala.
— Não foram inúteis — falou determinado. — Estava testando a forma de extração de informações de cada um de vocês. Muitas vezes, para não perdermos amigos em batalhas, precisamos saber informações de nossos oponentes — disse por último. — Mais alguma coisa a dizer, Inuzuka?
— Hum... — ele se sentou, indignado.
— É, eu sempre soube disso! Você nunca me enganou! — um garoto loiro de vestimenta alaranjada gritou de forma hostil. Era impressionante... Seria possível ele realmente ter descoberto desde o começo? Ou talvez ele só não quisesse diminuir seu ego... Pode até ser.
De repente a janela da sala foi quebrada e surgiu uma mulher que falou para Ibiki que tinha muitos participantes e que ele havia pegado leve, algo que ela afirmou não fazer.
Para seguirem ela pro próximo desafio que os encarava, todos se levantaram e foram pro fundo da sala. A rosada estava ao lado de uma fileira de cadeiras esperando sua equipe a encontrar quando sentiu uma presença arrepiante se aproximar dela. Era uma sensação estranha. Uma sensação maligna. Foi quando seus olhos se viraram pro lado e enxergaram um garoto de cabelos vermelhos que parou de andar para encará-la.
— Você... — ele proferiu, deixando-a curiosa.
— O que tem eu? — seus olhos se abriram mais em confusão, foi quando ele demonstrou sentir dor de cabeça e a empurrou tirando-a de seu caminho.
— Liluth! — Druven se aproximou ajudando-a a se levantar. — Que cara mais louco. Quer que eu tire satisfação com ele?
— Não. Se formos enfrentá-lo, que seja dentro do exame — respondeu sensatamente.
O ruivo antes de sair voltou a encará-la, ele parecia meio espantado, mas logo fechou o punho e voltou a uma expressão negativa de falta de interesse. Liluth não soube porquê sentiu algo diferente por aquele garoto, mas uma coisa estava clara: Ainda iriam se ver em batalha, isso estava cristalino para a jovem.
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