The Maru's Life

"Tudo começou quando minha mãe resolveu me mudar de escola, dessa vez ela falava de um tipo de escola diferente... Segundo ela: um internato, mas que não ficava na minha cidade. Antes disso, minha vida não era como de todas as outras crianças... Posso afirmar que sempre me senti infeliz sabendo disso. Continuando... Estranho, mas minha mãe realmente queria me mandar pra lá. Eu sei não muito bem por que, mas comecei até a desconfiar que ela queria se livrar de mim. Bom, vamos tentar não pensar dessa forma, certo? Nunca vou saber se era o que ela pretendia.”

– Falta pouco para eu ser transferido para aquele internato... — Levantou um pouco o rosto, conseguindo ver sua imagem refletida no registro de mental. Suspirou fundo. — ...não sei porque... Não estou com bons pressentimentos. Tsc... — Balançou a cabeça negativamente, respigando as paredes transparentes do box do banheiro com as gotas d'água que pingavam de seus cabelos grandes e pretos. Ao mesmo tempo o gostaria de esquecer as bilhões de preocupações que tinha.
– Deve ser coisa da minha mente... Não tem nada para que achar que vai dar errado. Pensando dessa forma vai dá mesmo. — Sussurrou para se mesmo enquanto fechava o registro.

"Eu sabia, tinha total certeza, que algo estava prestes a acontecer. Porém não fui capaz de evitar nada... Acho que me sinto um fracasso por isso... Quem sabe eu não tivesse sido mais feliz se tudo isso fosse evitado."

– Filho! Saia logo desse banho! O jantar está pronto!
– ... Estava quase esquecido que hora do jantar... — Após sair do banheiro, não se preocupou com a demora para se vestir, nem estava com fome mesmo. Não queria que o tempo passasse rápido, afinal... Faltava pouco para ser transferido. Era isso o que menos queria.

"Meu nome é Maru... Só não digo o segundo nome porque não vai interessar tanto assim. Enfim, como eu ia dizendo: meu nome é Maru e eu tenho total certeza que vir para esse colégio foi a pior coisa que me aconteceu. "

– Maru, depois que jantar vá dormir. Esta tarde já, e acho que vamos adiantar sua ida para o novo colégio. — Falava a mãe do garoto enquanto dava uma garfada em um delicioso prato e feito por ela daquela vez. Afinal, a mãe de Maru não tinha tanta paciência para fazer almoço ou jantar.
– O que?! Mas mãe! Eu nem queria ir para aquela porcaria de colégio, internato, tanto faz! — Exclamou o garoto, levantando-se um pouco, queria protestar sua ida, mas sua mãe era que nem um juiz, continuava tendo total poder sobre ele.

– NÃO GRITE NA MESA MARU! SENTE-SE AGORA! — Bateu na mesa de raiva. Maru pôde respirar fundo com uma imensa vontade de chorar, mas não de tristeza, de raiva mesmo, talvez de fato não conseguisse o que queria daquela forma. Não tinha como evitar a ida para lá, tinha? — Sente-se para terminar de comer...e vá direto dormir. Sem mas.

"Minha mãe sempre foi tão conservadora... E de uma forma tão exagerada. Já meu pai...que pai? Não adiantava falar nada, ele fingia como se eu não existisse. Mas enfim. Er... Certo, até um pouco antes da minha partida... Posso garantir que não me arrependo de ter tido cabelo grande, mas não imaginava que implicariam tanto com isso. Depois eu explico, deixe-me chegar nesta parte."

Semanas se passavam rápidas e cada vez mais Maru conseguia ver-se despedindo de sua mãe, enquanto acenava para trás, com medo de olhar a casa distanciando. E quem era sua mãe? Uma mulher solteira, que bebia noite e dia por estar arrependida do que fez. O pai de Maru o desprezava porque o mesmo não foi fruto de seu relacionamento com a mãe dele. Pelo contrário: ele foi traído, por isso que pouco ligava para o filho de consideração, se é que considerava.

Até que, depois de uma semana ou outra, o dia chegou. Arrumou as malas com as roupas adequadas e com alguns suprimentos para viajem até o local onde ia estudar. Algumas horas se passaram e lá se vai Maru que não conseguia negar que estava nervoso, afinal era um novo ano em uma nova escola, claro que não era fácil acreditar que havia sido transferido para uma escola, tudo bem até aí, mas para outra cidade! Não chegava a ser um pouco absurdo isso? Principalmente sabendo que teria que dormir, comer, "viver" naquela escola.

"A viagem não fora tão longa quanto eu esperava, de fato não foi. Deu para acabar com todo o lanche que eu tinha trazido comigo. Suspirei fundo e desci do ônibus que me trazia, ainda lembro bem, por nome, das pessoas que vi primeiramente e as que vi depois, melhor dizendo, os outros transferidos. Eram muitos e alguns desses apenas estava "retornado" para o internado. Eu tinha percebido que se conheciam pelos altos abraços e coisas assim. Mas um deles em particular...cismou comigo, de forma que talvez soubesse que eu era um novato, exatamente por ser o mais diferente dali, afinal, tinha cabelo grande e os outros meninos não. O rapaz era forte, alto, loiro, que parecia um badboy porradeiro... Ele era meus problemas."

O garoto desceu do ônibus devagar, sem pressa alguma, parecia estar tão tranquilo quanto alguém que acaba de fazer uma prova e sabe que foi bem nessa. Ou então, mais tranquilo que águas correntes. Embora, de fato, não era isso que acontecia. Seu coração batia forte, acelerando-se instantaneamente apenas ao pisar naquele chão pouco plano. Não tinha como não ficar nervoso naquela ocasião, estava agora em outra escola, não conhecia ninguém e ainda mais: conseguia perceber olhares estranhos sobre si. Sabe lá o porquê de olhares, não havia nada de errado consigo, certo?


Passou o olhar em todos ali presentes, podendo perceber que era o único que tinha, pelo menos, uma aparência diferente. E foi pensando nisso que abriu um sorriso largo, afinal sempre diziam que ser diferente é legal, não é? Deu alguns passos firmes, enfim passando do portão e entrando no estabelecimento, que mais parecia um acampamento se visse de alguns ângulos. Maru não tinha pressa alguma, estava mais confiante com sua hipótese que ser diferente é legal e que, com isso, todos o achariam legal e assim toda sua vida de completa solidão acabaria.

"Tudo o que eu pensava era um engano; todas as minhas falhas hipóteses; ou qualquer outra ideia que envolvia a minha felicidade. Foi engano desde o primeiro dia. No fundo eu sabia que aquilo tudo de ir para um internato em outra cidade era roubada. Mas eu não imaginava que estava indo diretamente ao pesadelo de minha vida."

Suspirou fundo e lá estava a porta de entrada para o “colégio” novo. Não estava na hora da aula, dava para olhar por fora antes. Passou a vista a sua volta: havia tantos tipos de pessoas; umas brincavam de futebol; outras apenas conversavam ou ficavam caladas, mas sempre em um grupo de amigos.

– Certo, acho que estou pronto. — Assim, calmamente começou a andar em direção a porta. Tudo parecia calmo demais, ou pouco normal demais. Maru caminhava sem muitas preocupações, quando uma bola parou perto de seu pé. — Hm? — Dever ter rolado até ali. Ele se abaixou, pegou-a e procurou por alguns segundos de onde tinha vindo a bola e logo um grupo de pessoas sem aproximavam. Maru abriu um sorriso estendendo a bola na direção deles, porém, na mesma hora, eles pararam. Começaram cochichar algo, pareciam até estar decidindo quem ia lá pegar a bola com o garoto novato estranho. Dito e feito, um menininho loiro foi empurrado e esse caminhou vagarosamente chegando a ficar a um metro de distância de Maru. Ele esticou-se um pouco e com muito medo pegou a bola, mas antes que fosse embora, Maru pronunciou-se: — Oi, eu posso brincar com vocês depois da aula? — Sorriu. O menininho loiro não virou-se completamente para ele, abraçado a bola disse algo em voz baixa: — E-Eu não sei... Ele n-não vai gostar....

"Depois de ver aquela expressão no rosto do menino que pegou a bola e perceber o quanto estava assustado, eu sabia que estava no meio de um campo minado, aquele internato era um campo minado, e meu primeiro passo foi um erro certeiro. Pensar que eu apenas queria brincar e fazer amigos."

– Quem não vai gostar? — Maru perguntou, antes de mesmo de receber a resposta o menino viu algo, provavelmente atrás de si, que o assustou. Apenas pôde vê-lo correr para perto do pessoal do grupo. — Que estranho... — Deu de ombros e voltou a andar. Segurou nas alças da bolsa e continuou o percurso até a porta da escola. "Será que eu disse algo de errado? Mas apenas perguntei se podia brincar..." Pensou. Pela primeira vez Maru questionou-se porque não estava sendo diferente, não era para estar se sentindo assim, tão...receoso com cada passo que dava. Fitava o chão, perdido em pensamentos e de cabeça baixa. Qualquer um que visse ia pensar que era uma isolado qualquer, embora realmente fosse isso mas não queria ser. Encolheu um pouco os ombros suspirando fundo.

E de repente: — Ei garoto!! — Uma voz masculina vinda de atrás e logo um braço pesado passou por cima de seus ombros, o trazendo para perto do sujeito. — Você é o novato, não é? — Maru virou um pouco a cabeça em direção ao que falava, meio confuso e mal conseguindo o responder. O sujeito falou novamente. — O pessoal estava comentando sobre você. — Ele riu estranhamente e continuou. — Me chamo David! David Ness! E você cara? — O rapaz era alto, cabelos loiros, meio lisos e bagunçados. Ele tinha olhos quase azuis escuros e um largo sorriso no rosto. — M-Me chamo Maru... — Disse meio timidamente. — Maru? Que nome estranho cara... E esses seus cabelos grandes? Parece uma menina. — Ele riu baixo. — Você é veio de outro lugar Maru?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.