Notas iniciais
nem, se que atrasei de novo, sinto muito. então vamos lá ah antes q eu esqueça, pessoas q invisíveis espero que vocês dê a sua opinião tbém e.e sei q é chato fica falando isso e tal... mas é isso, vamos ao capitulo

Itachi andava de um lado para o outro na sala de seu apartamento de cobertura na cidade. Ele parou por um instante, fixou os olhos no berço e pôs-se a caminhar novamente.

— Coragem — disse a si mesmo. Ferira os sentimentos de Sakura sem motivo algum. Nenhum motivo mesmo! Pre­cisava pedir-lhe desculpas.

Ele fechou os olhos e massageou a nuca. Sentia como se uma caldeira estivesse pronta a explodir dentro de sua ca­beça. Dirigiu-se à cozinha e engoliu duas aspirinas com um copo de suco. Tornou a encher o copo e encostou-se na pia, imaginando se Sakura já estaria acordada.

Era provável. Os bebês costumavam acordar bem cedo.

Não podia compreender o que estava acontecendo. Sem­pre via mulheres com bebês, e isso nunca o incomodara. Mas o fato de ver Sakura com o filho causava-lhe uma dor inexplicável.

O fim de semana na casa da montanha dera início a uma batalha dentro dele. Antes, sua vida era perfeita. Bem, não exatamente perfeita, mas, com certeza, era uma vida tranquila.

Retornando à sala de estar, voltou a andar de um lado para o outro. O sol já estava alto, espalhando seu calor radiante pelo mundo. As cerejeiras resplandeciam cheias de brotos, que logo floresceriam. Então ele lembrou que aquele era o primeiro dia de primavera.

Não havia como fugir da própria consciência. Tinha de se desculpar com Sakura pelas palavras duras do dia anterior.

Ele agarrou a chave do carro e o berço que, silenciosamente o acusava da indescritível brutalidade, e caminhou em di­reção à porta.

Havia pouco trânsito naquela manhã de sábado, e ele chegou ao prédio dela em dez minutos. No elevador, ensaiou o que dizer.

Ao sair, encontrou o mesmo casal de vizinhos que o vira chegar com Sakura e o filho no mês anterior. Olharam-no, espantados, ao vê-lo outra vez com o berço nos braços. Com certeza, pensavam que o filho era dele e que se recusara a se casar com a mãe.

A imagem de Sakura, com os cabelos escuros espalhados sobre o travesseiro, a coragem sobrepujando o medo en­quanto lhe dizia o que fazer durante o parto, tomou conta de sua mente. Ali estava outra faceta estranha daquele fim de semana. Ele a desejara.

Quando a vira deitada em sua cama, o desejo brotara em seu corpo, como um fluxo de lava quente. Mesmo nos momentos de maior dor, quando uma contração lhe tirava o fôlego, ela parecia linda a seus olhos, linda e desejável, o epíteto da feminilidade.

O problema era que continuava desejando-a. Quando en­trara no escritório e a encontrara com o bebê nos braços, todo o desejo contido voltara a atormentá-lo. Queria deitar-se com ela. Não necessariamente fazer amor, embora a idéia fosse muito tentadora. Queria, principalmente, abraçar Sakura e o bebê, e... cuidar deles? Viver com eles?

Algum instinto básico fora despertado dentro dele, e agora Itachi não sabia como fazê-lo adormecer novamente.

Emoções diversas misturavam-se em seu interior. Culpa, por exemplo. Sakura e o filho estavam sozinhos no mundo, e ele agira como um carrasco. Precisava desculpar-se.

Tocou a campainha, e o som ecoou dentro do apartamento. Já estava quase indo embora, quando ouviu o barulho da chave girando na fechadura.

Assim que ela abriu a porta, Itachi tomou consciência de que Sakura estivera parada o tempo todo do outro lado, observando-o pelo olho mágico e decidindo se deveria ou não deixá-lo entrar.

—Você esqueceu o berço — ele falou, fitando a massa de cabelos rosas, preso em um rabo-de-cavalo, a blusa solta no corpo, a calça comprida, chegando até o esmalte cor-de-rosa que ela usava nas unhas dos pés. Sakura estava descalça e parecia uma menina.

No entanto, ele sabia, da maneira mais inequívoca possível, que ela era uma mulher. E uma mulher muito desejável.

Ora, o que estava pensando? Não tinha a menor intenção de se envolver com uma mulher. Não tinha intenção de se envolver com ninguém! Não tinha nada a oferecer a uma mulher, não desde que...

— Ele pertence a você. — Ela não o convidou a entrar.

— Poderia me servir uma xícara de café?

Uma expressão de surpresa surgiu no olhar de Sakura. Dando um passo atrás, ela permitiu que Itachi entrasse.

Após fechar a porta, Sakura lhe indicou o caminho. Ele colocou o berço no chão da sala e seguiu-a até a cozinha.

— Gosto de sua casa — ele disse, sentando-se à mesa. Janelas duplas abriam-se em direção ao sul. Prateleiras de vidro eram suspensas por um trabalho artesanal de macramé e pendiam do teto a sua frente. Vasos de flores enfei­tavam as prateleiras, adicionando um colorido agradável às paredes brancas e aos armários de pinho. O piso era ornado com tapetes de linóleo bege, salpicado em tons de verde, amarelo, azul e vermelho. O apartamento era bem decorado e confortável.

— Por que veio até aqui? — Ela se sentou na frente dele e lhe entregou uma caneca de café:

— Para me desculpar por meu comportamento de ontem.
Itachi esperou para ver como ela reagiria. Sakura nem mesmo piscou.

Continua irritada, ele pensou.

— Espero que volte a falar comigo na segunda-feira, senão teremos de nos comunicar por intermédio de Konan. — Ele sorriu.

Sakura permaneceu séria.

— Não estarei no escritório na segunda-feira. Itachi sentiu uma pontada de aflição.

— Por quê?

— Você me despediu. — Ela fez um gesto em direção ao jornal aberto sobre a mesa. — Já estou procurando outro emprego.

Ele teve de se controlar para não bater a caneca com força sobre a mesa.

— Eu não a mandei embora. Por que eu despediria a melhor assistente que já tive?

— Por eu ter levado Seiji para o escritório. — Ela sus­tentou o olhar dele corajosamente. Sua mão, entretanto, tremia ao levar a caneca aos lábios. — Você disse que não queria tornar a nos ver.

— Eu disse isso? — Não recordava exatamente o que dissera, mas, com certeza, não se esquecera da visão do seio desnudo. Naquele momento, desejara estender a mão e tocá-lo.

— Sim — ela respondeu friamente. — Foi exatamente isso que falou.

Itachi forçou-se a desviar o olhar da parte da frente da blusa de Sakura e fitou-a nos olhos. Ela não o perdoaria com facilidade.

— Desculpe-me, não foi isso o que eu quis dizer. Fiquei... surpreso ao vê-la com o menino.

O olhar cético que ela lhe enviou o fez corar até as orelhas.

— Pelo jeito, este será um ano cheio de surpresas — ela murmurou, desviando o olhar para a janela.

— Espero vê-la de volta ao escritório na segunda-feira — Itachi falou, com firmeza.

— Eu não irei. A creche ainda não aceita Seiji.

— Leve-o com você. — Ele mesmo não acreditou no que acabara de dizer.

Os olhos verdes demonstraram espanto. Itachi tentou sorrir.

—Também estou chocado com o que eu disse. Mas acho que vai dar certo. Pode levar o bebê com você durante o tempo que quiser, até que ele comece a engatinhar.

— Esta falando sério?

— Sim

— Mas você odeia crianças!

Ele a olhou, surpreso.

— Claro que não! Você só me pegou num mau dia.

Como podia explicar algo que ele mesmo não compreen­dia? Vê-la segurando o filho com amor e carinho abrira uma ferida que não gostaria nunca mais de ver exposta.

— Você e Seiji me fizeram lembrar de coisas que eu preferia esquecer.

— Oh, Itachi, sinto muito!

A doçura em sua voz o fez imaginar até onde ela iria para confortá-lo, e até onde ele a deixaria ir.

Quando Sakura murmurou outras palavras de conforto, ele notou que aquela voz, da qual gostara desde o pri­meiro momento que ouvira, fazia-o sentir-se calmo, quente, confortável.

—Já faz muito tempo — Itachi informou.

— Mas ainda machuca. A dor parece nunca nos deixar completamente, não é? Ainda resta o arrependimento por todas as coisas que poderiam ter sido feitas e a culpa por aquelas que não deveriam ter acontecido.

Era inacreditável ouvi-la dar voz às mais profundas dú­vidas que o atormentavam.

— Sim, ainda resta a culpa — ele repetiu, quebrando o silêncio que se seguiu.

— Temos de aprender a deixar a culpa de lado também. Devemos nos libertar do que não faz mais sentido.

— Você conseguiu? — Ele não pôde evitar o tom cínico na voz.

— Acho que sim. Dar a luz a Seiji ajudou muito. Não sinto mais aquele vazio dentro de mim.

— A dor não lhe incomoda mais?

—Não é mais insuportável como antes.

Ele bebericou o café e refletiu sobre o que ela dissera. O vazio, que também o atormentava havia muito tempo, agora parecia mais suportável. Ele suspirou profundam ente. Só o tique-taque do relógio preenchia o silêncio que se ins­talara na cozinha. Paz. Sim, era parte do que sentia quando se encontrava ao lado de Sakura.

— Sua presença me acalma — ele confessou. — Senti isso na primeira entrevista.

Ela pareceu satisfeita.

— Foi por isso que me contratou?

— Não, você é inteligente, e suas referências eram ótimas. Para falar a verdade, seu antigo patrão disse que poria o filho policial atrás de mim se eu não a tratasse bem.

Ela riu.

— O filho dele trabalhou com meu marido. Fiquei muito contente quando você me contratou, após o sr.Yamato ter se aposentado. Ele me contou que você era um dos melhores advogados que já conhecera.

— E, então, vai continuar a trabalhar em meu escritório?

— Se você desejar... A tensão se desfez.

— É o que quero.

O estômago de Itachi roncou, ele não havia comido nada no café da manhã.

—Que tal algumas panquecas? — ela perguntou.
Itachi hesitou, consciente de que deveria ir embora. Po­rém, desejava ficar.

— Está bem, é uma boa idéia.

Enquanto Sakura preparava o desjejum, conversaram so­bre assuntos gerais. As mulheres que ele conhecia não sa­biam cozinhar. Quando necessário, contratavam um serviço de bufê. Uma das coisas que apreciava em sua casa nas montanhas era poder preparar a própria comida. Refeições simples para uma alma simples.

Sakura lançou-lhe um olhar de soslaio.

— Do que está sorrindo?

— Da vida — ele respondeu.

— Incomoda-se em me explicar?

Ela levou os pratos até a mesa e colocou as panquecas na frente dele. Em seguida, voltou ao fogão. Itachi re­parou nas curvas suaves dos quadris de Sakura, marcadas pela calça justa.

— Quando eu era criança, os domingos lá em casa eram uma festa. Meus pais sempre convidavam alguns de seus amigos artistas para almoçar conosco. Ficávamos todos na cozinha conversando e ajudando a fazer a comida. Já havia me esquecido de quanto apreciava aqueles dias de domingo.

— Então também tem coisas boas para lembrar? — Ela lhe lançou um sorriso encorajador.

— Sim, muito boas. — Ele pensou nos dias que passara com Keiko a seu lado e em quanto a mãe dele perguntara sobre quando planejavam ter um filho. — Minha mãe adora bebês. Provavelmente, se pudesse, iria lhe dar milhões de conselhos sobre como criar Seiji.

— Ela sabe que foi você quem fez o parto?

Só então Itachi notou que Sakura ainda se sentia emba­raçada com o fato. Ele não estava constrangido, e sim ir­ritado com as noites agitadas que vinha experimentando desde aquele final de semana e com o sonho recorrente, onde chegava em casa e encontrava Stacy em sua cama. A diferença é que no sonho ela abria os braços para ele, convidando-o a compartilhar o leito.

Sakura olhava-o, curiosa. Ele não respondera à pergunta.

— Não, porém mencionei que você teve um menino.
Ele aguardou pela dor que as lembranças do passado lhe trariam. Mas eram outras memórias que agora preenchiam seus pensamentos: Sakura segurando sua mão em busca de apoio, Seiji agarrando seu dedo e tentando sugá-lo...

Sakura ficou em silêncio, para que ele pudesse pensar no passado. A psicóloga da polícia lhe dissera que era preciso reviver as coisas boas e deixar o resto ir embora. Ela con­seguira superar essa fase, mas o fato de ter dado à luz uma criança a ajudara muito. Itachi, por sua vez, não tivera esse conforto.

Ela voltou a ler o jornal, enquanto terminavam a refeição. Que alívio saber que não precisaria procurar outro emprego! Realmente gostava do que fazia no escritório de advocacia. Pouco depois, levantou o rosto e viu que Itachi a observava. Mais uma vez, pensou ter visto o desejo expresso nos olhos negros. Não, não era imaginação...

— Itachi — sussurrou, num protesto. Ou seria uma súplica?

Ele piscou os olhos, e, no momento seguinte, a expressão de desejo dissipou-se.

— Sim?

Ela o encarou, confusa. Será que ele não percebera?

—Não é nada — respondeu.

Inquieta, ligou o rádio, tentando preencher o silêncio que se estabelecera entre eles. A bonita melodia encheu o am­biente. Parecia combinar com seu estado de espírito, com a inquietação que ela sentia, pelos desejos que não ousava expressar.

Caminhou até a janela e contemplou o pequeno parque do outro lado da rua. Desde a nevasca, o tempo vinha se mantendo quente e firme. Cada novo dia de sol trazia-lhe uma nova esperança. Ela fechou os olhos e lutou contra a melancolia.

Quando, finalmente, voltou-se para Itachi surpreendeu-se, ao reconhecer a enorme tristeza estampada no rosto másculo.

—Itachi?

—Beethoven, não é? — Ele deu um meio sorriso.

—Sonata ao luar. É uma de minhas favoritas. — Não mencionou que a paixão transmitida pela música capturava sua alma, fazendo-a ansiar por algo mais do que a existência cotidiana. Sentia falta de alguma coisa...

Itachi se pôs em pé, como se tivesse decidido, subita­mente, ir embora. Em Vez disso, foi postar-se ao lado dela, na janela.

— Uma vez conheci uma pessoa que também adorava essa música.

O coração de Sakura pareceu dar um pulo dentro do peito. Ele estava compartilhando um pequeno pedaço de seu pas­sado com ela. Instintivamente, sabia que Itachi falava de uma mulher e que a amara. O que teria acontecido com ela? Sakura não ousava perguntar.

O que houve em seguida deixou-a ainda mais surpresa. Ele passou a mão pelos sedosos cabelos castanhos de Sakura.

— Ela se parecia muito com você. Cálida, adorável e...
Quando se interrompeu, consciente de que falara demais, Sakura ficou desapontada. Havia menos de dois palmos de distância entre eles. Um só passo e poderiam se tocar.

O calor que emanava do corpo másculo parecia acariciá-la. Ela deu um longo suspiro, que pareceu fundir-se com a música.

Itachi retirou a mão dos cabelos rosas e passou o dedo pelo canto da boca macia. Ela permaneceu imóvel, enquanto ele explorava seus lábios, enviando correntes de eletricidade por todo seu corpo.

Então, ele abaixou a mão e, devagar, inclinou a cabeça e encostou os lábios nos dela, num toque tão leve e suave quanto o de um beija-flor à procura de néctar.

Mil sensações diferentes a atormentaram ao mesmo tempo. Algumas doces, outras dolorosas, todas, porém, exigentes.

— E melhor pedir que eu saia — ele murmurou.

— Não.

Ela pôs a mão na nuca de Itachi e ficou na ponta dos pés para alcançar os lábios dele. Pousou um beijo leve na boca carnuda. Um beijo que a fez ansiar por mais, e um desejo urgente tomou conta dela. Aproximou-se ainda mais, procurando instintivamente o calor do corpo forte e rígido. Ele era como o sol, irradiando calor.

— Você me faz sentir viva novamente — sussurrou, depositando pequenos beijos no rosto másculo, sentindo a ten­são crescente nos músculos da mandíbula e do pescoço dele. Notou que Itachi travava uma luta interna.

— E você me deixa louco — ele confessou, com voz rouca. Então, segurou-a com ambas as mãos pelos ombros, impedindo-a de chegar mais perto.

— Sabe o que está fazendo? — indagou, com a voz car­regada de desejo.

—Não.

A sinceridade de Sakura excitou-o ainda mais. Ele a olhou durante um longo instante, então falou:

— Se acontecer algo entre nós, será apenas sexo, está claro?

Ela tentou pensar, controlar o próprio impulso, mas era impossível. Uma parte dela, forte e insistente, queria ab­sorver o calor maravilhoso que o corpo dele exalava. A outra parte queria entregar-se a ele, a fim de que o vazio que lhe causava tanta dor pudesse ser preenchido e apaziguado.

Não sabia como expressar tais sensações em palavras. Sabia, apenas, que ele agora precisava tanto de seu toque quanto ela de seu calor.

— E, para você, está bem claro? — ela perguntou, imaginando se ele compreendia as próprias necessidades ou se, por
negá-las por tanto tempo, não conseguia mais reconhecê-las.

Ela inclinou a cabeça para trás, procurando identificar a expressão nos olhos sombrios.

— Muito claro.

Ele a encarou como se as respostas para suas dúvidas estivessem guardadas nas profundezas dos olhos verdes. O coração de Sakura batia descompassado, e seu corpo todo tremia enquanto esperava que Itachi desse o próximo pas­so. Naquele instante, ela soube que, seja lá o que houvesse entre eles, seria algo muito mais forte que um desejo mo­mentâneo e que havia esperado por isso toda sua vida.

As mãos de Itachi correram pelos braços dela até chegar aos pulsos, então passaram pela cintura e subiram até en­contrar os seios voluptuosos.

Sakura deu um gemido e apertou o rosto contra o peito másculo. Fazia tanto tempo desde que ela experimentara pela última vez as delícias de uma paixão, que se deixara levar sem se preocupar com responsabilidades e cobranças.

— Somos dois loucos — ele afirmou, ao inclinar o rosto e depositar um beijo úmido na base do pescoço dela.

E, no momento seguinte, ele a envolveu em um abraço. Sakura agarrou-se trêmula aos ombros fortes, e Itachi a puxou para mais perto, acomodando cada canto, cada ângulo de seu corpo ao dela.

Seus lábios se encontraram, mas dessa vez não foi um beijo tímido, hesitante. A língua dele explorava a boca de Sakura com intimidade, exigindo da parte dela a mesma en­trega e paixão. Todo desejo reprimido eclodiu naquele beijo, e Sakura soube que, mais do que o encontro de dois corpos ansiosos, aquele era o encontro de duas almas.

A doçura com que ela se entregava provocou em Itachi uma explosão de fogo e paixão. Por um momento, ele tam­bém se entregou, depois, com um movimento súbito, afas­tou-a ligeiramente.

Ficaram ali abraçados, as respirações entrecortadas preenchendo o silêncio e testemunhando os desejos não satisfeitos.

— Itachi — ela murmurou.

A voz suave despertou-lhe novamente a volúpia. Parecia impossível afastar-se de Sakura. Precisava dela como do ar que respirava.

— Não — ele disse, com a voz rouca, cheia de luxúria e
desejo.

Um sorriso escapou dos lábios de Sakura. Ela inspirou fundo e os seios fartos e macios acariciaram o peito de Itachi.

Procurando se afastar, ela deu um passo para trás. Em seguida, escorregou as mãos pelo peito forte e, então, dei­xou-as cair ao lado do corpo. Os olhos verdes, termômetro de suas paixões, mostravam seu desapontamento.

Itachi apertava as mãos nervosamente, procurando con­trolar a vontade de beijá-la mais uma vez. Ele também deu um passo atrás e colocou ambas as mãos nos bolsos da calça jeans.

— Sinto muito — ele falou. A dor de cabeça retornara. — Isso não devia ter acontecido.

— Deve ter sido por causa do que passamos juntos no fim de semana nas montanhas — ela tentou encontrar uma explicação.

—Será mesmo? — O tom de voz sarcástico erguia uma barreira de defesa contra os sentimentos que ele não que­ria admitir. Se fossem continuar a trabalhar juntos, teria de encontrar uma maneira de não ficar mais a sós com a assistente.

—Pessoas que enfrentam juntas uma crise geralmente acabam se sentindo mais próximas — Sakura concluiu.

A seriedade dela, tão doce e repleta de boa-fé, fez Itachi envergonhar-se de seu cinismo.

— Tenho de ir — ele falou e virou-se para sair.
Sakura acompanhou-o até a porta.

Itachi a olhou fixamente antes de partir, aborrecido por razões que ele mesmo não conseguia explicar.

— Eu deveria ter imaginado que isto poderia acontecer. Sua voz, seu sorriso, sua alegria... estava tudo ali em minha frente. Você é real, e eu a quero — ele disse de repente.

— Sinto o mesmo...

— Não é para concordar comigo. — Sentia-se selvagem, prestes a explodir. Ele precisava sair dali.

—Desculpe-me.

— O mais estranho é que eu não havia percebido isso até hoje de manhã. Durante o parto, vê-la em minha cama despertou-me o desejo de possuí-la, mas não era uma coisa real. Agora, com você aqui... — Ele meneou a cabeça, sem entender os próprios sentimentos. Então, virou-se e foi embora.

Durante todo o caminho, não conseguiu esquecer a ima­gem dos olhos verdes, que pareciam enxergar sua alma. Não gostava da sensação, sentia-se como se estivesse en­curralado, sem ter para onde fugir.

Pior, não tivera a menor vontade de afastar-se dos braços de Sakura. Fora arrebatado pela música e pelo bater frenético de seus corações.

O desejo quente, doce e urgente tomou conta de seu corpo.

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Itachi bocejou preguiçosamente e acomodou-se numa das cadeiras do pátio da casa de seus pais. Tivera uma péssima noite. Era o aniversário de sua mãe, e ele viera almoçar e trazer-lhe uma pulseira de ouro de presente. Ela a usava agora, junto com os brincos de diamantes que o marido havia lhe dado.

— Então, o que acham? — ela perguntou, dando uma última pincelada de tinta branca na tela que pintava. Afas­tou-se ligeiramente e olhou, ansiosa, para os dois homens.

— Muito interessante — o marido elogiou-a.
Itachi estudou o quadro.

—Gosto da maneira como retratou o estábulo, assim meio inclinado para o lado.

—Oh, está inclinado? — Ela se aproximou, examinando melhor o trabalho.

—Quem sabe se você usasse os óculos... — O pai de Itachi riu.

—Já tentei usá-los, mas o mundo me pareceu surrealista, cheio de linhas rígidas e cores bem definidas. Prefiro ver tudo enevoado, é mais romântico. — Ela começou a limpar os pincéis e a palheta. — Como está Sakura e o bebê? — perguntou ao filho, mudando de assunto.

Como a mãe esperasse mais algum comentário, ele prosseguiu:

— Quase não nos vemos. Temos muito trabalho no escritório.

— Falei com Konan na sexta-feira. Itachi ficou tenso.

— Ela me contou que Sakura deu à luz em sua casa durante a nevasca!

Como uma criança pega fazendo traquinagens, ele foi obrigado a contar toda a história. Falou do modo mais con­ciso e rápido possível.

— Então, vocês ficaram presos pela neve durante três dias?
Ele sabia que a mãe não se contentaria até conhecer todos os detalhes.

—De quinta à noite até sábado pela manhã, quando a estrada foi liberada.

—Sei... — ela murmurou, lançando um olhar significativo ao marido.

—Não aconteceu nada de mais — Itachi insistiu, com modéstia.

— Lembro quando levei sua mãe ao hospital, para dar à luz você — o pai interveio, com um sorriso nostálgico. — Foi durante um concerto para levantar fundos para o pro­grama de bolsas de estudos da orquestra sinfônica. Ela se recusou a sair antes do intervalo.

—Recordo que você ficou muito irritado, querido, mas eu não podia simplesmente me levantar no meio de um concerto. Seria muita falta de educação!

Os dois homens trocaram um olhar e caíram na risada. Ela olhou de um para o outro, e o cenho franzido atenuou-se, transformando-se numa expressão repleta de afeição.

—Estou pensando em tomar aulas de arco e flecha — ela informou, mudando de assunto novamente. — Como uma daquelas divindades gregas. Como era mesmo o nome?

—Diana, a caçadora — respondeu Itachi.

—Não essa, aquele outro...

—Cupido também era arqueiro — o marido falou.

— Esse mesmo! — Ela bateu palmas, excitada.
Durante todos esses anos, Itachi fora testemunha dos sorrisos carinhosos trocados pelos pais, evidenciando toda uma vida de companheirismo e amor. Sentiu como se uma flecha penetrasse seu coração. Seus pais compartilhavam uma relação maravilhosa, e ficava feliz por eles. Isso não queria dizer que queria o mesmo para si.

O rosto de Sakura surgiu em sua mente. Seu sorriso encorajador ao dizer-lhe que se lembrasse dos bons tempos e deixasse as tristezas para trás. Não era assim tão fácil...

Então, recordou-se de como fora fácil tomá-la nos braços, beijá-la e receber toda a doçura que ela oferecia em troca. Conseguira esquecer o passado naqueles momentos insen­satos que passara nos braços dela.

Ele se pôs em pé, inquieto com as emoções que teima­vam em reviver em seu peito. Não gostava disso. Paixão... amor... tudo fazia parte do passado, e ele não queria se lembrar disso.

— Já vai embora? Ainda é cedo! — a mãe disse.

Só então notou que estava parado no meio do pátio, com os punhos fechados, parecendo pronto para uma briga.

— Sim — respondeu, procurando parecer menos tenso. — Tenho de estudar um caso, antes de ir para o tribunal amanhã. Obrigado pelo almoço. — Ele beijou a mãe no rosto e apertou a mão do pai, antes de partir.

Ao dirigir de volta para casa, deu-se conta de que quem não o conhecesse bem diria que estava fugindo. Fugindo de uma mulher e um bebê? Ora, imagine!

Notas finais
bem, espero q tenha ficado bom ^^ comentem pf ah tenho uma ideia de fazer outra historia, e queria q vocês votassem Ino e Gaara? Hinata e naruto? Tenten e Neji? ou outro ? mas q seja personagens do naruto