The Marriage Proposal
1 Capitulo 1
Notas iniciais
— Sim, claro, pode deixar que eu cuido de tudo — Sakura Haruno respondeu ao telefone, enquanto terminava de escrever, num bloco de notas, as instruções do chefe sobre o caminho até seu chalé nas montanhas.
— Repita o que eu lhe disse — ele ordenou.
— Pegue a Rodovia 66 na direção oeste até a 81. Siga para o norte até a primeira saída. De lá, vá em frente até a segunda saída, que é a da estrada konoha Valley. Quatro quilômetros adiante, haverá uma alameda pavimentada do lado esquerdo. E lá.
— Diga ao portador para prestar atenção para não passar a entrada. E meio escondida. A viagem deve durar uma hora e meia. Ligue-me de volta se houver algum problema.
— Cuidarei de tudo assim que desligarmos.
— Presumo que meu sócio já tenha saído faz tempo...
Sakura sorriu, mas, ao falar, sua voz reassumiu o tom.
— Sim. Ele ligou para konan e disse que não retornaria hoje. O caso foi considerado improcedente.
— Improcedente? — repetiu Itachi Uchiha. — Droga!
Ela lhe forneceu os detalhes.
— Suponho que ele não venha trabalhar amanhã também. — A voz grave vibrou, como o murmúrio baixo de um ceio em uma melodia de Mozart. Era uma voz calma, segura e controlada, como o próprio dono.
Amanhã é sexta-feira — Sakura respondeu. — E segunda é feriado.
— Droga! Havia me esquecido! — Fez-se um breve silêncio. — Você também pode ir embora depois que o portador pegar a pasta. E tire o dia de folga amanhã. Konan pode anotar os recados telefônicos.
— Está bem. Obrigada pela folga. — Ela aguardou por mais instruções com o lápis preparado. Itachi não gostava de ter de repetir o que dizia.
— Isso é tudo. Agora é uma e meia da tarde. Espero que a pasta chegue até as três horas.
Ela olhou o relógio de pulso e adiantou-o em cinco minutos, a fim de acertá-lo com o do patrão.
— Tratarei disso imediatamente.
— Ótimo. Vejo-a na terça-feira.
— Tenha um bom final de semana — disse, antes que ele desligasse.
Talvez fosse pura perda de tempo, mas Sakura insistia em introduzir pequenas gentilezas em suas conversas. Seu patrão era taciturno e economizava palavras. Dava bom-dia de manhã, boa-noite ao ir embora e acrescentava muito pouco entre uma frase e outra. Ela se encarregava da conversa.
Itachi hesitou antes de responder:
— Obrigado. Você também.
A linha telefônica emitiu um som característico, mostrando a Sakura que ele havia desligado. Ela sorriu. As pequenas gentilezas sempre o pegavam de surpresa e pareciam desconcertá-lo. Ora, ele bem que precisava relaxar um pouco de vez em quando. Afinal, sua vida era só trabalho e nenhuma diversão.
Sakura, então, ligou para uma empresa especializada e solicitou um portador. Depois telefonou para outra. E mais outra. Estavam todas com a agenda lotada.
— Todos os departamentos do governo aqui em Tokyo parecem estar querendo limpar a mesa de trabalho antes do feriado — explicou o funcionário de uma das empresas de entrega.
Ela recolocou o fone no gancho e alongou os músculos doloridos das costas. Vinha sentindo essas dores desde o instante em que se levantara da cama, nesse dia. Provavelmente, havia dormido de mau jeito. Ou talvez fosse o fato de estar entrando no último mês de gravidez.
Levantando-se, caminhou até a sala de Itachi e destrancou o arquivo. A pasta permanecia no lugar, exatamente onde ela a colocara no dia anterior. Sakura estranhou. Seu chefe raramente esquecia alguma coisa.
Após pegar os outros papéis de que ele precisava, tornou a trancar o arquivo e a girar o cilindro com a combinação numérica. Em seguida, voltou à própria sala e ligou para mais três empresas que prestam serviços de entrega, antes de desistir.
Ela avaliou a situação. Poderia levar a pasta pessoalmente, já que não tinha nenhum compromisso. Além do mais, adorava dirigir no campo e, nesse dia, estava especialmente inquieta.
Pegando o casaco, a bolsa e a pasta, Sakura dirigiu-se à sala da secretária, a fim de informá-la da mudança de planos.
— Itachi não vai gostar — Konan alertou-a.
A dúvida aumentou-lhe o desconforto. Nunca ouvira falar que Itachi tivesse convidado alguém para ir a seu chalé.
— Bem, ele que me despeça. — Sakura deu de ombros.
Sabia que o patrão não faria isso. Itachi podia não gostar do fato de ela estar grávida, mas não tomaria nenhuma atitude que a prejudicasse. Sabia como as coisas estavam difíceis.
— Hei, espere! — chamou a secretária. —Acabei de ouvir no rádio que uma tempestade está se aproximando. O locutor disse que será a pior deste inverno.
Eu ouvi as notícias do meio-dia. A tempestade deverá ser mais para o norte. Aqui só teremos temperaturas bem baixas à noite ou amanhã cedo. Ficarei bem. Vou direto para lá e volto depressa para casa. Além disso, estou com a picape. — E, acenando, deixou o escritório.
A picape vermelha, com tração nas quatro rodas, havia sido a alegria e o orgulho de seu marido.
Enquanto esperava que o elevador a levasse até a garagem do tranquilo edifício comercial, às margens do rio, em tokyo, Sakura pensou em Sasori. Fazia um ano que ele comprara a picape. Oito meses atrás, Sasori fora promovido a detetive do Esquadrão Antidrogas, e comemoraram o evento com champanhe e muita paixão, à luz de velas. E havia oito meses e três dias que ele fora morto durante o cerco a um traficante. Seis anos de casamento terminados num estalar de dedos.
Às vezes, ela imaginava quanto tempo mais o relacionamento dos dois duraria se ele ainda estivesse vivo. Sasori iluminara a vida de Sakura, após a morte do pai dela, atraindo-a com sua personalidade radiante. Porém, uma pessoa necessita mais do que isso no dia-a-dia. Um casamento precisa de uma chama duradoura, que brilhe durante os altos e baixos da vida diária. Ela tentara dar o equilíbrio necessário ao relacionamento, mas tivera muitas dificuldades. O marido zombava dela, achava suas preocupações exageradas. Ele gostava de emoções fortes, de correr riscos. E, um dia, arriscara-se além dos limites.
Sakura colocou a mão sobre o abdômen. Não haviam planejado filhos. Ficara surpresa quando descobrira que uma nova vida crescia dentro dela. Surpresa, feliz e com medo também. Estava sozinha no mundo, sem parentes para ajudá-la. E um bebê era uma enorme responsabilidade...
O elevador parou. O ar frio da garagem atingiu-a em cheio. Ela fechou melhor o casaco em volta do pescoço e caminhou até a picape.
Sakura ligou o veículo, saiu da garagem e se juntou ao tráfego intenso que ia e vinha do Pentágono, localizado logo à frente. Mais alguns minutos e já se encontrava na estrada, a cem quilômetros por hora. Adorava esses passeios tranquilos pela região.
As montanhas, o vale, o rio, a trilha .
Como nascera em um Estado relativamente novo, ficava encantada por agora viver no local considerado o centro da história . Tão logo ela e o marido, então recém-casados, haviam se mudado para lá, foram conhecer todos os campos de batalhas famosas, os antigos alojamentos de inverno do simplório Exército. Tinham apenas vinte e dois anos, tão cheios de sonhos e esperanças...
Não pôde conter um suspiro. Aos vinte e oito anos, tinha agora muito poucos sonhos para acalentar em seu coração vazio. Os únicos que lhe restavam eram relacionados ao futuro bebê.
Uma rajada de vento forte atingiu a picape. Fustigadas, as árvores na beira da estrada jogaram os galhos para frente e para trás, enquanto nuvens pesadas escureciam toda a área em volta.
Sakura começou a imaginar se a meteorologia estava certa ao prever que a tempestade não atingiria aquela região.
Trinta minutos mais tarde, ela descobriu a resposta.
Os primeiros flocos de neve que atingiram o para-brisa eram grandes e fofos, e chocavam-se contra o vidro silenciosamente. Ela acionou o limpador de para-brisa na velocidade lenta.
Poucos minutos depois, teve de ajustá-lo para que trabalhasse com maior rapidez. Os flocos de neve agora eram menores, porém caíam em maior quantidade. Por sorte, o trânsito contínuo de automóveis impedia que a neve se acumulasse na estrada.
Tentando relaxar, ligou o rádio, a fim de ouvir um pouco de música e, quem sabe, alguma informação sobre o tempo. Não havia motivos para se preocupar, era só um pouco de neve. A picape estava em boas condições e devidamente aparelhada com pneus próprios para enfrentar o mau tempo.
Uma hora e vinte minutos depois, Sakura pegou o acesso para a outra estrada e seguiu em direção norte, satisfeita com a boa velocidade que estava conseguindo manter.
Enquanto cantarolava uma canção, pôs-se a pensar no que faria com o tempo extra no final de semana. Limparia a casa pela manhã e depois terminaria de pintar o berço que havia comprado de segunda mão. Já o lixara, retirando toda a pintura antiga, pois não queria nenhum vestígio da tinta velha à base de chumbo, perto de seu bebê.
Remexeu-se no banco, tentando encontrar uma posição mais confortável, mas parecia impossível.
A sua direita, surgiu uma nova estradinha. Ótimo, essa era a primeira saída, e ela teria de pegar a segunda. Imaginou a que distância ainda estaria de seu destino.
Dez minutos mais tarde, diminuiu a velocidade e fez a conversão à direita. A estrada não era apenas sinuosa, como também se encontrava em péssimo estado de conservação. O departamento de estradas precisava pavimenta-la com urgência, antes que os buracos, as plantas rasteiras e as videiras tomassem completamente o asfalto.
Talvez até enviasse uma carta, decidiu após desviar de mais um buraco e cair em outro, menos visível. Ela gemeu, sentindo uma pontada aguda nas costas.
Dirigia agora a quinze quilômetros por hora. A estrada subia em curvas fechadas, tornando-se cada vez mais estreita até, finalmente, transformar-se em uma só pista. A essa altura já deveria ter encontrado a alameda pavimentada.
Sakura arriscou uma rápida olhada em suas anotações. "Quatro quilômetros adiante, haverá uma alameda pavimentada do lado esquerdo." Itachi dissera que a entrada era meio escondida. Ficou imaginando o que, exatamente, ele quisera dizer com isso.
Com certeza, já percorrera mais de quatro quilômetros dessa estrada e não vira nem uma entrada à direita ou à esquerda. Só podia estar na rodovia errada. Era melhor procurar por um local onde pudesse fazer o retorno.
Demorou pouco para ela descobrir que era mais fácil falar do que fazer. A estrada subia por uma montanha íngreme, e não havia um lugar que Sakura considerasse largo o suficiente para manobrar a picape com segurança. Ela seguiu em frente.
A neve caía intermitente e, açoitada pelo vento forte, rodopiava até juntar-se em pequenos montes nas laterais da estrada. Será que não havia uma pessoa sequer nessa montanha esquecida por Deus?
Cada vez mais desesperada atrás de um local apropriado para fazer a conversão, finalmente optou por uma curva de praticamente noventa graus e parou. Com muito cuidado, encostou o veículo o mais perto possível da ribanceira, acionou a tração nas quatros rodas e deu marcha a ré. Em seguida, foi para a frente, virando a direção o máximo possível. Depois de três manobras como essa, Sakura conseguiu fazer a volta.
Ela despiu o casaco e enxugou o suor do rosto. Então, com um suspiro profundo, soltou o freio e iniciou a descida. A neve cobria completamente o rastro dos pneus, portanto ninguém saberia que havia passado por ali e não poderiam procurá-la caso se perdesse.
Só então ocorreu-lhe que talvez devesse ter telefonado para Itachi, avisando-o de que levaria os documentos.
Os pneus derraparam numa curva mais fechada. Ela virou a direção com força na direção oposta, ficando frente a frente com as árvores que contornavam a beira da estrada. Os pneus da picape aderiram novamente. Virando outra vez a direção, reiniciou a curva, rezando para que dessa vez o veículo não derrapasse.
O suor brotava de seus poros e secava em sua face, fazendo-a sentir-se, ao mesmo tempo, pegajosa e com frio. A temperatura caía, e a tempestade estava piorando. Finalmente, chegou ao local onde tinha virado à direita. Sakura deu uma olhada no relógio e gemeu em voz alta. A viagem já durava duas horas, e ainda não chegara a seu destino. Talvez fosse melhor voltar para casa enquanto as estradas ainda estavam em condições de tráfego...
Uma dor estranha a atingiu. Começou como uma pontada na parte baixa da coluna, para em seguida envolvê-la por completo. Ela sufocou um grito e colocou a mão sob a barriga. Levou quase um minuto até que a dor passasse. Sakura ficou ali sentada, aturdida. Parecia que alguém a havia imobilizado e apertado com força suas vísceras.
Com as mãos trêmulas, prosseguiu viagem até que, um quilômetro e meio adiante, foi novamente forçada a parar. Freando bruscamente, parou a picape no meio da pista, sem nem ao menos reparar se havia ou não outro carro vindo pela estrada. Pousou a cabeça no encosto do banco e abraçou o ventre com as mãos, enquanto outra contração a atingia. Dessa vez, não conseguiu conter um gemido. A dor fora mais forte. Sakura sentia-se pesada e sem forças quando, finalmente, tudo terminou.
De uma coisa ela estava certa: precisava encontrar logo o chalé. Se as contrações não eram um alarme falso de parto, então necessitaria de ajuda imediata.
Com esse pensamento em mente, engatou a marcha e seguiu em frente.
Quando estava prestes a ficar desesperada, viu uma placa indicativa: "konoha Valley". Graças a Deus!, pensou.
O chalé de Itachi ficava a quatro quilômetros dali. Ela fez a volta, zerou o marcador de quilometragem e dirigiu novamente pela estradinha, aliviada por estar chegando ao fim daquela extenuante viagem.
Alguns minutos mais tarde, deparou-se com uma descida em curva e, consultando o marcador, notou que já havia percorrido a distância necessária para encontrar a alameda que levava ao chalé. Procurou, portanto, a estrada à esquerda.
Itachi dissera a verdade. A entrada era difícil de ser encontrada. A alameda só podia ser vista quando já se estava quase passando por ela. Sakura deu uma guinada para a esquerda e, automaticamente, pisou no freio. Por um segundo, achou que conseguiria. Deveria ter adivinhado. O destino não estava a seu favor. Os pneus de trás foram os primeiros a derrapar. Em seguida, foram os dianteiros. A picape foi escorregando' pela pista até cair numa vala rasa, como se estivesse patinando no gelo. Com um chiado estridente, bateu em um poste telefônico e, por fim, parou.
Sakura não conseguiu se mexer. Uma nova e forte contração fez com que se agarrasse à direção. Tentou lembrar-se de como deveria respirar, entretanto as instruções simplesmente desapareceram de sua mente. Procurou manter-se firme e esperou que a dor passasse. Um minuto e vinte segundos. Não estava um pouco demorado demais para um alarme falso? Não podia ser... Não podia estar dando à luz um mês antes do esperado, em uma estrada no meio do nada e durante uma tempestade de neve. Isso não podia estar acontecendo!
Ela tirou o pé do freio e acelerou bem devagar. O veículo deu um pequeno tranco, mas não saiu do lugar. Sakura mordeu o lábio e tentou novamente. Os pneus giraram em falso, incapazes de aderir ao solo coberto de neve.
Vestindo o casaco e as luvas, saiu do carro, a fim de avaliar melhor a situação. Seu coração bateu descompassado. A picape estava atolada na lama até o eixo.
Bem, pelo menos uma coisa tinha a seu favor: sabia agora que estava no caminho certo. Ao derrapar, derrubara uma haste de madeira, que ficara semi-enterrada na lama, sob o veículo. Ao lado, havia uma caixa de correspondência onde se lia: "Itachi Uchiha", em letras de forma. Sakura endireitou a haste e recolocou a caixa no lugar, usando uma pedra para martelar, até que estivesse fixada com firmeza.
Deu uma olhada nas roupas que estava usando. Ainda bem que vestira calça de lã e, quanto aos sapatos, sempre guardava um par de botas de neve no carro, durante os meses de inverno, para uma eventual necessidade. E esta parecia ser uma dessas ocasiões, pois teria de ir caminhando até o chalé de Itachi e, então, de lá, poderia chamar um guincho para desatolar a picape.
Após vestir as botas sobre os sapatos, colocou um gorro de lã, que lhe cobria as orelhas, fechou o casaco até o último botão e pendurou a bolsa em um dos ombros. Com a pasta na outra mão, trancou a picape e iniciou a caminhada. Com a sorte que estava nesse dia, provavelmente o chalé ficaria a uns quinze quilômetros da estrada.
Quase vinte minutos depois, ainda não vira uma casa sequer.
Ah, o que não daria para avistar uma chaminé exalando fumaça, como um sinal de boas-vindas!
Uma nova contração obrigou-a a parar e, assim, com as mãos sobre os joelhos, semi-agachada, esperou que a dor passasse. Se realmente já estava em trabalho de parto, caminhar só apressaria as coisas.
Pobre bebê! Com todo esse azar, acabaria nascendo em um banco de neve. Era como dizia o ditado: "Se não fosse pela má sorte, eu não teria sorte alguma". Ela riu alto, e o som de sua voz pareceu por demais estridente. Não podia deixar-se levar pela histeria. Precisava manter-se calma, pois a vida de seu filho dependia dela. E quem mais haveria de ajudá-la? Ninguém. Mas, ficaria bem, só tinha de continuar a andar... As palavras ecoavam em seu cérebro a cada novo passo. Tentou concentrar-se no movimento dos pés, um à frente do outro, um de cada vez. Não podia esquecer de procurar o chalé. Passar reto seria uma tolice... mais do que ter empreendido aquela viagem, em primeiro lugar.
O cheiro de fumaça foi o que lhe chamou a atenção. Ela parou e aspirou o ar, como um animal da floresta, tentando encontrar o caminho. A neve caía sobre ela e os pinheiros a sua volta. Tudo o que podia ouvir era o som da própria respiração. Imaginou-se completamente só, a última pessoa na face da Terra. O silêncio do bosque tornava a fantasia quase real. Com um arrepio, forçou-se a continuar a caminhada, seguindo, dessa vez, o aroma de madeira queimada.
Finalmente, chegou a uma clareira, e ali estava a casa. Sakura parou, boquiaberta. Não era, de modo algum, o simples chalé que havia imaginado. Painéis de vidro elevavam-se em direção ao ponto mais alto do telhado, formando uma espiral, enquanto que a imensa porta de madeira mais parecia saída de um castelo medieval. O andar inferior fora construído de pedras e o superior, de vigas de madeira. Da chaminé, também de pedras, saía a fumaça acinzentada que lhe servira de orientação no bosque.
Ela subiu alguns degraus e bateu a aldrava de bronze que pendia no meio da porta maciça. Cinco segundos depois, a porta foi aberta. Seu chefe a encarou, carrancudo.
— Olá — disse ela, tentando parecer despreocupada. Porém, assim que lhe estendeu a pasta, mais uma contração fez com que se encolhesse toda.
— O que foi? — indagou Itachi, ainda aturdido com sua presença.
Era difícil falar com os dentes cerrados.
— Acho que o bebê está nascendo.
— Meu Deus! — ele exclamou, colocando a pasta no chão.
— Ele é esperto em ficar lá no céu, porque hoje aqui em baixo está uma noite terrível!
Sob as circunstâncias, até que ela não achou a piada ruim, porém seu chefe não moveu um só músculo. Assim que a dor diminuiu, Sakura endireitou o corpo, embora as pernas ainda estivessem trêmulas.
Num movimento rápido, Itachi pegou-a no colo e a carregou para dentro, como um herói de romance. Fraca demais para protestar contra o comportamento incomum, ela apoiou o rosto nos ombros largos. O calor do corpo dele a fazia perceber quanto estava gelada, e os olhos frios, quanto não era bem-vinda.
— Vou descansar só um minutinho e depois irei embora — ela afirmou.
Itachi fechou a porta com o pé, enquanto uma expressão indecifrável tornava seu rosto sombrio.
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