Notas iniciais
Boa tarde, galera o/ O quarto capítulo pra vocês, aproveitem, deixem comentários, criticas etc. Queremos saber o que estão achando u.u

Por mais que Emma quisesse dormir, ela não conseguia, se fechasse os olhos era capaz de ver novamente a rua do Brooklyn toda manchada de vermelho e preto, sentia sua pele queimar, sabia bem que nenhuma dessas dores era real agora e que estava fisicamente bem, exceto é claro pela enxaqueca insistente. Virou de lado na cama e fechou os olhos, tentando ignorar as imagens, era ridículo isso, ela era uma caçadora de sombras, devia estar acostumada a isso, mesmo nunca tendo visto nada parecido, o pior de tudo foi que ela gritou como uma menininha a se ver coberta de sangue lyncan.
–Emma, está acordada querida? –mesmo sem abrir os olhos, ela tinha sido capaz de escutar Isabelle chegando, seus saltos a denunciavam.
–Estou sim Izzi. –falou a garota sentando-se a cama, sem muito esforço. –Como foi de viajem?
–Cansativo como sempre, Rose falou que se machucou hoje, como está?
–Vou sobreviver.
Era inevitável sorrir de canto para a Izzi, sempre que fazia esse tipo de pergunta, Emma não gostava muito de ser tratada como criança, mas nunca reclamava disso. De todas as pessoas que conhecia, apenas os mais velhos a chamavam de Izzi, Emma pegara essa mania do pai e como Isabelle nunca reclamou, acabou a mantendo.
Ela se levantou, batendo os saltos altos no chão sem a menor falta de classe e trouxe um copo de agua para a garota. Emma o pegou e bebeu em poucas goladas.
–Pode sair assim que quiser, vou subir e me instalar, logo depois vamos ter uma conversa um pouco complicada.
Emma não teve muito tempo para contestar, já que Izzi já saía da enfermaria, então simplesmente se levantou e trocou suas roupas sujas por limpas, claro depois de um banho bem demorado, quando se sentiu devidamente limpa saiu a procura da parabatai.
Parecia que o calor do Brooklyn havia migrado para Manhatan, enquanto acariciava as costas do gato manhoso, pedindo informações sobre a Rose, Emma se vangloriou por ter colocado uma camiseta simples e calças finas de sarja, ela detestava com todas as forças o calor. Como era de se esperar o gato a levou para a biblioteca, não pode segurar a risada quando chegou lá e foi recompensada com um pano molhado na cara. Rose estava esfregando o chão com tamanha vontade que Emma podia jurar que Rose pensava que sua vida dependia disso.
–Já parece bem o suficiente, que tal me ajudar? –falou com as bochechas ficando rosadas, como sempre acontecia quando ficava com raiva.
–Claro, está limpando o que? –respondeu caminhando até um balde e lavando o pano.
–A meleca que os corpos que estavam aqui deixaram.
–Eles explodiram também? –caminhou até a mesa e começou a limpá-la.
Rose assentiu e caminhou para o outro lado, voltando ao seu “esfregue o chão ou morra”. Gween entrou correndo e chutando o balde que estava próximo aos pés de Emma, controlando a intensa vontade de chutar a cara da garota, Emma se abaixou e limpou a água. Como sempre ninguém via a pirralha demoníaca em ação.
Até que não havia muito a fazer pela biblioteca aquele momento, em poucos minutos tudo estava terminado e Emma finalmente livre da pirralha, ela e a Rose seguiram para a sala de treinos como era de costume, ainda mais que nenhuma das duas queria almoçar, depois da revigorante dose de gosma de demônio na cara durante horas.
Emma sempre gostou mais de lutas no ar, saltava de viga em viga, enquanto sua parabatai treinava arremeços. Emma tinha herdado de seu pai o sangue de anjo geneticamente alterado, ou seja, ela era capaz de fazer algumas coisas anormais, apesar de sempre parecer abusivamente cansada depois disso. Um dos motivos por ela dormir tanto.
Saltou e caiu de pé a frente de Rose, como se um queda de 8 metros fosse a coisa mais normal do mundo. As duas riram e buscaram as espadas e começaram um treino leve de ataque e defesa, sempre era um pouco, as vezes muito, difícil para uma lutar contra a outra, a sincronia das duas era perfeita, ao ponto de quebrarem laminas comuns quando as cruzavam.
No meio de uma finta de Emma a porta foi aberta em um estrondo e a pirralha demoníaca aparece no batente gritando as duas.
–Emma! Rosalyn! Mamãe quer ver as duas na estufa agora.
Trocaram olhares e largaram as espadas, saindo logo em seguida para a estufa, um fato sobre Isabelle é que nunca se deve fazê-la esperar.

Sempre que ouvia "Mamãe quer ver vocês agora" Rose já sentia que viria alguma coisa séria. E não foi dessa vez que essa intuição falhou. Não demorou muito para que chegassem na estufa, Isabelle estava de pé podando um pequeno bonsai, mas sua expressão indicava uma certa apreensão. Nem precisou que lhe chamassem para que ela se virasse para as garotas.
– Meninas, sei que o dia de vocês foi cansativo. Mas tenho uma notícia bem... Desagradável para contar. — Ela indicou a pequena escadinha em espiral coberta por uma camada de hera e trepadeiras, e elas sentaram-se em degraus baixos.
Isabelle suspirou pesadamente, e olhou em especial para Emma.
– Sinto muito que fique sabendo dessa forma, querida... Mas é melhor do que não saber... Eu... Estive em Idris, e fiquei sabendo da noticia, então retornei o mais breve possivel para lhe contar. Sua mãe, Clary... — Isabelle hesitou um pouco, respirou fundo e prosseguiu. — Sua mãe foi encontrada morta a alguns dias, em Londres.
Não foi nem preciso olhar para Emma para que Rose soubesse de sua reação de choque, e ela sabia também que Emma iria agora para a fase de negação.
– Não, Izzi... Meus pais estavam em Londres? Não não... Me disseram que estariam em Idris.
– Emma, preste atenção ok? Sua mãe estava desaparecida a alguns dias, e agora encontraram seu corpo em Londres... Fui até lá para verificar a situação...
– Estavam em Londres e não me avisaram? Poxa, que legal.
– Emma...
– Não, Rose. — Ela virou-se para Isabelle. — Por que diabos ninguém me avisou de nada? Ein?? — Ela começou a levantar o tom de voz. — Estavam em Londres, minha mãe estava desaparecida, e ninguém me deu uma droga de uma notícia! — Ela já dizia levantando.
– Olhe como fala, Emma... Ninguém aqui quer gritar.
– Emma, por favor, se acalme!
– Como vou me acalmar?! Não tive uma maldita notícia de meus pais, e agora me vêm com essa de que minha mãe foi achada em Londres! Morta!
– Mas isso foi a pedido de seu pai, Emma! Ele mesmo está em estado de choque e não queria ter você se preocupando e se atrapalhando por causa disso!
– E daí?! Isso não é jus... to...
Emma então parou e prestou atenção no que Isabelle disse.
– Papai... Co-como ele está..?
– Ele não está nada bem. Não sai, não fala com ninguém, não recebe ninguém... Pelo menos, foi o que me disseram.
Emma estremeceu e sentou-se de novo, se abraçando e baixando o olhar. Rose e o Anjo sabiam o quanto essa menina detestava chorar.
– E soube do estado do corpo...?
– Eu realmente não queria contar, mas é injusto que não saiba os detalhes...
– Eu aguento.
– Disseram-me até que os que encontraram passaram mal... Estava cheio de talhos e escaras, até meio esverdeado por causa de veneno de demônio... E com alguns pedaços da carne faltando, dando indicios de mordidas...
Rose já esperando outro surto de sua amiga sentou-se ao seu lado e a abraçou. A menina já começava a soluçar pelo choro.
– M-mas que dro-ga... De d-dia... — Ver Emma naquele estado feria Rose. Mas tudo o que ela poderia fazer a partir daí seria continuar ao lado dela, e não sair por um minuto. Conhecia Emma bem o suficiente para saber que ou ela desabaria ou faria alguma besteira.
Isabelle aproximou-se das meninas e deu um beijo de sentido um tanto maternal na testa de Emma.
– Realmente sinto muito, querida... Acho que já tivemos drama o suficiente para um dia. Rose, por que não a leva para o quarto?
– Sim, mãe...
Emma estava terrível, como seria de se esperar após noticias assim. Quando passaram por Gwen, nem mesmo ela provocou Emma. A garota era o capeta, mas não era cruel. Rose a levou para o quarto, onde sentou-se na cama com ela, e Emma abraçou Rose, caindo finalmente no choro, mas não era um choro alto e histérico, Emma era forte demais para isso. Rose sentia o desespero no choro silencioso cujos sons mais altos eram seus soluços, e tudo que ela pode fazer era mantê-la aconchegada e reconfortada em um abraço até ela finalmente se cansar e apagar no sono.