Passaram-se alguns dias e nada de Luka, é certo que ele tinha dito que lhe ia dar algum tempo para pensar, mas ela já tinha pensado tudo, já tinha aceite o seu destino, se é que se podia chamar de destino. Sam sabia o que tinha de fazer, por muito louco que tudo aquilo parecesse.

Mas agora, sem Luka, sem lobos que viram homem, ou será que é o contrario? Seja como for, desde que ele “desapareceu”, a vida dela tinha voltado ao normal, tirando Lana que a continuava a ignorar e agir de forma estranha, ainda assim, normal. Nada de magia, seres de outro mundo. E ela estava a gostar daquela normalidade, talvez tudo aquilo fosse um sonho marado e ela pudesse por fim respirar e esquecer.

Quem lhe dera ter essa sorte…

Sam suspirou e então algo, ou melhor alguém chamou a sua atenção, um rapaz alto, de cabelos encaracolados castanhos claros, havia algo nele, algo que ela não conseguia explicar, um sentimento não propriamente bom, mas não propriamente mau, embora dito sentimento a deixasse com um arrepio na espinha.

Ela observou-o durante vários minutos, vendo então que ele se juntava a Lana, colocando o braço sob o ombro dela, é claro.

Talvez ele fosse um dos seus aliados, Sam nunca tinha visto aquele rapaz antes, Lana nunca tinha mencionado nenhum interesse amoroso desde que o seu Ex a tinha deixado para se juntar de novo com a Ex dele, muito telenovela… Ela estava perdida em pensamentos quando alguém lhe tocou no ombro fazendo com que ela se vira-se

:- Sam, — O professor Morrison sorriu

:- Professor Morrion… está tudo bem?

:- Oh sim, só queria agradecer-te, pelo outro dia, segui o teu concelho e fui ver o meu médico, ele disse que poderá ter sido cansaço ou uma simples quebra de tensão, sei que foi um incidente deveras estranho e deve ter-te deixado meio assustada…

:- A quem o diz… — Susan observou de novo Lana com o rapaz mistério, depois então voltando-se para o professor – Estou feliz por estar por estar bem, não se preocupe comigo. E Não tem nada que agradecer – Ela sorriu

:- Bom, de qualquer maneira. Obrigado pela atenção – Ele acenou afirmativamente com a cabeça e afastou-se.

Quando se virou para a frente, de novo, Sam deu de caras com Lana que lhe sorria abertamente

:- Olá Sammy

:- Lana…

:- Não pude deixar de reparar como nos olhavas – Ela acenou com a cabeça em direcção ao rapaz com quem estivera anteriormente – O nome dele é Declan, uma nova adição para a equipa se é que me entendes – ela riu – Eu sei de tudo, Sammy, eu sei de tudo desde aquela noite na praia, eu sei que a Kaya te escolheu, por isso ela apareceu naquela alucinação. Ela é doida se pensa que desta vez pode parar-me! – ela disse ameaçadoramente

:- Pois bem parece-me que isso me cabe a mim, não é verdade?Derrotar-te, pois eu também sei de tudo, Deliah, eu sei que não és mais a minha amiga, tomaste conta do corpo dela e eu não vou descansar enquanto não te expulsar! — A outra deu uma gargalhada

:- Estás enganada, a Lana ainda está aqui, consigo senti-la bem lá no fundo, e todas as memorias dela – Ela tocou na própria cabeça – ainda aqui. Todos os sentimentos? – Tocou no peito – ainda aqui. Mas a vontade de ter poder, de ser forte, supera tudo isso, é esse o segredo, a sede de poder dela, é isso que me permite estar no comando!

:- Eu vou dar cabo de ti!

:- Tu e mais quantos? Estás sozinha, não vejo o teu guardião contigo – ela fez um sorriso sádico – Pergunto-me onde estará – Aproximou-se mais, ficando apenas a meros centímetros de Sam – Na verdade… eu ouvi dizer que ele não é assim tão forte – riu

:- Que lhe fizeste?

:- Eu? Nada… — Riu de novo, aproximando-se ainda mais de forma a poder sussurrar ao ouvido da outra jovem – Ouvi dizer que ele ganiu como um cachorrinho...

Sam sentiu a raiva crescer dentro de si, enquanto Lana se afastava rindo ainda mais alto.

Ela tinha de fazer algo! Lana tinha magoado Luka, não havia duvida disso, e sem ele, Sam estaria perdida, ela não fazia ideia de como lidar com os próprios poderes sem alguém para a guiar, e se ele estivesse morto? Não o via fazia dias!

Sem pensar duas vezes, Sam, começou a correr para a saída, não sabia onde, mas sabia que tinha de achar o seu guardião

:- Sam! – Mila chamou agarrando-lhe o braço enquanto ela tentava passar por si – Que se passa?

:- Não posso falar agora, tenho de ir!

:- Estás bem…?

:- Sim, apenas… Apenas fica longe da Lana, eu prometo que te explico! – sem mais demoras, Sam puxou o próprio braço fazendo com que a outra a larga-se e afastou-se, deixando a ruiva confusa a olha-la.

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:- Luka! – Sam chamou andando pelo bosque, não sabia nada sobre ele, para além do facto de ele ser um lobisomem e o seu guardião, não sabia onde ele morava, que profissão tinha, nada… sentia-se perdida, talvez mais perdida que o seu perdido guardião, o único local que lhe pareceu lógico o suficiente para o procurar, era ali, o bosque onde se tinham conhecido.

Um uivo cortou o ar, fazendo Sam quase pular de susto

:- Luka! – ela repetiu agora mais motivada, agora mais esperançosa, Sam correu em direcção ao som, que agora vinha em intervalos de alguns segundos.

Foi guiada então a uma casa abandonada e degradada bem no centro da vegetação, era uma pequena cabana de madeira que a fez lembrar a cabana de um filme de terror que ela vira há muito tempo atrás num canal de filmes clássicos.

Não tardou muito até que visse o sangue na entrada da porta, porta essa que na verdade já nem existia, a jovem deu um passo cuidadoso em frente, não só por uma possível ameaça nas redondezas mas também pelo facto que os tacos de madeira do chão estavam podres e a ultima coisa que ela precisava era de um tornozelo magoado.

Olhar o chão, no entanto provou-se uma tarefa importante pois assim ajudou-a a encontrar ou melhor, seguir a única pista que tivera até então, o rasto sangue.

Por fim, ela encontrou-o, o lobo, deitado a um canto do que seria anteriormente uma lareira, sem se mexer, Sam correu até ele, então reparando num enorme rasgo na barriga do animal, ela sabia que aquele era o Luka, não fosse pela mancha cinzenta no seu peito, cuja pelagem agora se misturava com o vermelho do sangue, ela podia senti-lo, talvez fosse a ligação Guardião-Escolhida, mas ela sabia que era ele.

Ajoelhando-se na sua frente, Sam pousou a mão sob o seu lombo

:- Luka?- Ela suspirou baixinho acariciando a sua cabeça –Por favor, por favor diz me que estas bem! – Ele abriu por fim os olhos, mostrando uma expressão triste, mas não havia mais nada que ele pudesse dizer pois os lobos não falam e ele não tinha energia suficiente para voltar a sua forma humana –Há quanto tempo estás aqui? Estás a perder muito sangue! Tenho de … não podes…- então ela lembrou-se do que tinha acontecido com o Professor Morrison , como ela o tinha trazido de volta a vida, sem pensar duas vezes pousou a mão sobre o coração de Luka e fechou os olhos – vá lá , por favor resulta, por favor!

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:- Então, está tratado? O guardião está morto? – Lana perguntou andando até Declan, este acenou afirmativamente com a cabeça – Porque, eu vou ficar muito chateada se ele tiver sobrevivido – Ela fitou o rapaz e ele pode sentir que bastava a bruxa querer ele virava pó

:- Ele está morto, não tens nada com que te preocupar.

:- Óptimo. Até porque sem guardião, Sam nunca saberá como usar os seus poderes. O significa que a nossa vida será mesmo muito facilitada – A loira sorriu alegremente

:- Tenho uma pergunta… — Declan hesitou olhando-a , ela estava parada bem ali na sua frente, ameaçadoramente próxima – Se o problema é a Sam aprender a usar os seus poderes porque não a matas logo a ela e problema resolvido? Quer dizer seria bem mais fácil matar um humano do que matar um lobisomem…

A fúria tomou conta de Lana, sem qualquer aviso, ela movimentou a sua mão evocando qualquer tipo de força invisível que projectou o rapaz contra a parede, este caiu então no chão, tentando recuperar do ataque inesperado, mas já a bruxa “caia” sobre ele, puxando-o para cima pelo pescoço e elevando-o no ar

:- Deixa a Sam em paz! Eu dito as regras, quando eu a quiser morta, eu mesma a mato! – atirou então Declan para longe como se ele se tratasse de uma boneca de trapos – Agora, com o Guardião fora do caminho ainda temos o Neutro… bom tecnicamente ele não é um Neutro mas…

:- O Neutro? – Declan perguntou enquanto se levantava e levava a mão a própria garganta

:- Sim, o idiota que sem soube guardar o livro decentemente! – Ela riu- Mas isso foi um ponto para nós. Não o quero vivo pois sei que é muito bem capaz de meter o nariz e tentar ajudar Sam… Mas tudo a seu tempo… — Disse com um risada sádica.

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Sam olhou o seu braço vendo então que nada estava a acontecer, nada de luz miraculosa, nada de Luka curado, ela estava perdida! E ele estaria morto dentro de minutos se não conseguisse fazer nada

:- Anda lá, Sam, tens de te concentrar, tens de fazer algo! – Fechando os olhos, ela tentou focar toda a energia em curar o lobisomem foi então que uma voz se fez ouvir

:- Não vai resultar, não desta vez

Sam temeu o pior, virando-se então para trás ela viu o rosto familiar e inesperado observando os dois

:- Mas que?

:- Não há tempo para explicar — Disse abanando negativamente a cabeça –Fica aqui, a minha carrinha não está longe. Certifica-te que os dois estão em segurança, eu sei como salva-lo! – Sem mais uma palavra, dirigiu-se a saída deixando Sam confusa, parecia que de cada vez que ela estava a conseguir entender melhor os eventos, aparecia algo novo para a despistar.

Não demorou até voltar, o lobo foi colocado na parte de trás da carrinha e Sam sentou-se no banco ao lado do condutor, ainda em silêncio e com a cabeça a roda, não só de confusão mas também de preocupação por Luka.

Os olhos azuis passaram da estrada para ela, depois para a estrada de novo enquanto um pequeno sorriso lhe adornava o canto dos lábios.

:- Suponho que estejas surpreendida por me ver aqui, mas não temos muito tempo, explicarei tudo assim que possível, agora temos de tratar dele, quanto mais tempo ele passa ferido na forma de lobo, mais fraco fica

:- Como é que…?

:- Sei sobre lobisomens? É uma longa história. Eu estou a par de tudo do que tem acontecido, mas creio que prioridade agora seja tira-lo daqui e com alguma sorte salva-lo – Sam apenas acenou

:- Para onde o levamos?

:- Para o meu laboratório, tenho de examina-lo para saber porque o factor de cura não está a funcionar

:- Factor de cura?

:- Explicarei tudo assim que ele estiver a salvo – O professor Morrison disse, acelerando então a carrinha.