The Magic In me
24 O Que O Futuro Reserva
Tinham-se passado alguns dias sem noticias, até que por fim, Declan irrompeu pelo laboratório de Julian, sobressaltando o professor e os seus amigos
:- Já não de bate á porta? – Luka perguntou de sobrancelha erguida
:- Não tenho tempo para as tuas baboseiras, lobisomem! –Sem sequer olhar Luka, atirou um velho livro para os pés de Julian – Acredito que isso lhe pertence. Tenho de ir!
:- Ir onde? – Sam perguntou aproximando-se
:-Como eu te disse, assim que Lana der pela falta do livro, pela minha falta…
:- Agradeço por te arriscares por nós… – Sam admitiu
:- Não é só por vocês que faço, faço por todos os inocentes aos quais tirei a vida. Não sei o que planeias fazer com esse livro mas… se salvar a vida de muita gente a minha morte não será vão.
:- Farei os possíveis, mas não para te honrar, continuas a ser o Filho da puta que matou a minha melhor amiga
Ele acenou
:- Não esperava que me perdoasses. Tenho de ir. Ela deve estar a minha procura. Se fosse a vocês despacha-me também quase que aposto que ela vai passar por cá a procura do livro. Lana não é parva nenhuma, juntando os planos falhados a vocês estarem sempre um passo á frente dela, não é difícil adivinhar onde ele veio parar.
:- Obrigada – Sam disse acenando
Julian suspirou pegando o objectos aos seus pés e depois virou-se para o vampiro
:- Boa sorte – disse-lhe antes desde desaparecer pela porta quase tão rápido como tinha entrado.
:- Então vamos fazer isso? – Luka perguntou olhando Julian que folheava o livro
:- Não esse é o plano? Preciso de alguns ingredientes. Vai demorar um tempo.
:- Vou ligar ao Jesse
:- Porque raio precisamos dele?
:- Luka! – Sam suspirou – Ele é um de nós, devia estar aqui
:- Certo… um de nós…
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*** Alguns Dias Antes***
Ele ainda não a tinha perdoado, não completamente, mas era de esperar depois dela o ter deixado sem uma palavra, ter sumido durante mais de uma semana sem dar noticias e pior de tudo, ter posto a vida dela em perigo, sem que ele tivesse a mínima ideia do que se estava a passar, sem que a pudesse ter acompanhado e ajudado como sempre fizera desde que se conheceram.
Deixou-se cair pesadamente em cima da cama com um suspiro, ele era o único amigo tinha e vê-lo assim magoado e ressentido com ela, custava-lhe mais do que queria admitir.
Fechou os olhos tentando encontrar alguma paz mas isso não aconteceu, ao invés, uma dor aguda fez sentir em toda a sua cabeça, quase que como se pedaços de vidros aguçados se espetassem em todo o seu cérebro. Logo de seguida, uma imagem, quase que como um filme a desenrolar-se dentro da sua própria mente.
Um laboratório, ela conhecia-o já tinha estado lá, era o laboratório do professor, mesas, armários tinham sido arrastados para um canto, havia um círculo feito com pó negro no meio sala, a volta do mesmo encontravam-se Sam, Luka, Julian e outro tipo qualquer que ela nunca tinha visto, era um feitiço, e Sloan podia sentir que quem quer que fosse que lhe tinha enviado aquela mensagem não queria que ele se realiza-se.
Levantou-se de um pulo ainda sentindo a cabeça a latejar, tinha de ir ter com Sam, agora! Mal teve tempo de pensar em mais alguma coisas, pois viu Zeke parado na ombreira da porta observando-a com expressão preocupada
:- Outra visão? – Perguntou-lhe cauteloso, ainda queria castiga-la pelo que lhe tinha feito passar quando desapareceu
:- Sim! Tenho de ir! Ela precisa de mim!
:- Mmm… — Zeke limitou-se a dizer andando para dentro do quarto, sentando num cadeira perto da porta e cruzando as pernas enquanto a observava – Quem é ela?
:- Sam…
:- Sam… a escolhida? – Tentou conter o entusiasmo mas não foi capaz
:- Essa mesma… Olha, Zeke, desculpa por ter desaparecido sem avisar e ter-te deixado preocupado! Agora anda lá, tenho de parar um feitiço perigoso e só tu me podes ajudar. Ponho-te a par de tudo no caminho!
:- Mmm – Repetiu, depois levantou-se com um sorriso radiante – Pensei que nunca mais pedias!
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:- Então está tudo pronto? – Sam perguntou
:- Sim –o professor acenou– Todos á volta do circulo – Luka, Sam e Jesse (que entretanto tinha chegado) assim obedeceram – Podemos começar. Este é tempo o passado – Julian ergueu um ampulheta e colocou-a no meio do circulo, este é o tempo intermédio – continuou colocando o seu relógio de pulso no circulo ao lado da ampulheta – e este é o tempo presente e futuro… – desta vez ele pareceu um pouco perdido com o que fazer, então inesperadamente colocou telemóvel que mostrava apenas o screensaver de um relógio brilhante ao lado dos outros objectos
:- O telemóvel? – Luka ergueu a sobrancelha
:- Precisava de um dispositivo usado para ver as horas no tempo que corre, admito que é pouco inconvencional mas huh… continuando. Podes ir daqui – o professor apontou a ampulheta – Aqui – apontou o telemóvel – mas o intermédio nunca pode ser viajado. Está apenas lá, o intermédio é a parte que muda quando tu mudas o passado, é por isso que o feitiço só pode ser usado para nos transportar para séculos passados, se pudéssemos ir ao intermédio, se pudéssemos viajar para qualquer tempo, muitos de nós o fariam e o mundo como conhecemos estaria sempre a mudar sem que nós sequer déssemos por isso. Este feitiço só pode ser usado pela mesma pessoa uma vez. E só pode ser realizado de cem em cem anos, por isso se falhares…
:- Não há como voltar atrás – Sam acenou – sem pressão
: — Tens a certeza que o queres fazer?
:- Tenho.
:- Uma vez no passado, tens de encontrar a Kaya e cumprir a tua missão, tens 12 horas para o fazer, ao fim dessas 12 horas serás trazida para o presente, quer tenhas conseguido o teu objectivo ou não. Dêem as mãos.
:- Espere! Porque esse período de tempo?
:- Porque como eu disse, este feitiço só pode ser usado de Cem em Cem anos, e uma única vez pela mesma pessoa, estás a usa-lo agora por isso não poderias usa-lo para regressar, logo tenho de certa forma “programar” o feitiço para que ele te traga de volta. É como comprar um bilhete de viagem com ida e volta. Agora deem as mãos.
:- Não vou dar-lhe a mão! – Luka protestou referindo-se a Jesse
: — Para de ser um bebé chorão! – Jesse agarrou a mão do lobisomem
:- Bebé chorão? Eu mostro-te…
:- Parem com isso, agora! Minha mãe! – Sam repreendeu depois olhou o professor – Continue!
:- Okay… – Lançou aos dois rapazes em olhar de quem não tem tempo ou paciência para aquele tipo de queixumes idiotas e depois pegando um pequeno saco de pano ele retirou de lá de dentro o mesmo pó negro que formava o circulo, mantendo na mão com o punho fechado. Proferindo algumas palavras numa língua desconhecida, Julian entrou para dentro de círculo, parando em frente a Sam, com a palma da mão virada para cima, soprou o pó no centro da mesma, este começou a brilhar, formando uma luz que envolveu a feiticeira e no segundo seguinte a porta abriu de rompante.
Sloan entrou correndo seguida de um homem alto de roupa berrante
:- A festa acabou! – O desconhecido disse, e essa foi a ultima coisa que Sam viu antes de aterrar nos bosques desconhecidos, do tempo desconhecido.
Passando :
:- Mas que raio?! – Sam olhou á volta mas era tarde demais, ela estava já no passado, Sloan tinha entando de rompante mesmo antes dela ser transportada para ali, isso levava-a a crer que a loira tinha tido algum tipo de visão…. O que não era uma conclusão muito boa, e se a missão dela fosse impedir o feitiço? E se tivesse visto alguma consequência horrível da alteração do curso do tempo? Não, talvez fosse outra coisa, talvez Lana achasse os seus amigos enquanto procurava o livro… Não se podia preocupar com isso agora… estava decidida a completar a sua tarefa e se essa fosse a razão pela qual Sloan tinha tido uma das suas visões, bom… lidaria com isso quando voltasse.
Olhando á volta, tentou lembrar-se do que tinha visto no passado de Declan, eram aqueles mesmo bosques, ela tinha certeza! Agora só teria de conseguir encontrar a pequena cabana de Kaya o mais depressa possível, com sorte, chegaria lá antes de escurecer, afinal, naquele tempo não havia electricidade ou outra modernice que a ajudasse a orientar-se na escuridão, respirando fundo, reparou num pequeno rio por entre as árvores, o rio onde Declan estava deitado antes da feiticeira o encontrar, Sam andou até ao mesmo, respirando fundo ela decidiu seguir em frente, pelo curso do rio sem ter certeza, no entanto se essa era a direcção correta.
Presente:
:- Sloan! Que fazes aqui? – Luka perguntou confuso
Ela ainda abriu a boca para responder mas o desconhecido que a acompanhava cortou-lhe a palavra
:- Quem faz as perguntas aqui sou eu, que raio vocês acabaram de fazer?!
:- Isso diz-te respeito, porque?
No segundo seguinte o estranho estava na sua frente, a escassos centímetros dele, sorrindo-lhe
:- Okay , vamos tentar fazer isto de modo educado… Lobisomem , ameaçou – Luka riu na cara dele, aquela figura… era alto, magro, tinha cabelos loiros que lhe caiam pelos ombros, uma camisa berrante que mais parecia o estofo de um sofá antigo e usava maquilhavam que fazia com as suas pálpebras brilhassem de um tom cinza
:- Que vais faz—Não conseguiu acabar , o outro já o pegava pela garganta com uma só mão, mostrando-se dotado de uma força incrível
:- Estava a tentar ser simpático! – Comentou
:- Zeke! – Sloan chamou – Deixo-o, ele é um dos bons!
O loiro observou Luka de alto a baixo antes de o soltar fazendo-o cair de joelhos no chão
:- Tens a certeza? Porque isto não parece o tipo de magia que os tipos bons fazem… Agora… vou pedir de novo educadamente, podem me explicar o que isto significa?
:- Pessoal, eu tive uma visão, quem quer que seja que as envie para mim não queria que isto acontece, queriam que eu impedisse o feitiço! Tem de dizer ao Zeke o que fizeram!
:- É um feitiço do tempo – Julian olhou Zeke mostrando-lhe que não tinha medo dele
:- Um feitiço do tempo?
:- Sam vai ao passado, fazer com que Deliah não deixe os seus poderes no livro.
:- Alterando o passado?
:- Eu sei que é perigoso, mas ela achou ser a única saída
:- Pois bem, estou certo que você sabe que nunca se deve alterar seja o que for no passado, não essa uma regra de ouro?
:- Ela só queria salvar-nos a todos
:- Ela não vai salvar ninguém, alias, ela muito capaz de nos matar a todos ou a Sloan não teria tido aquela visão. Agora, desfaça o feitiço e traga-a de volta
:- Não posso fazer isso
Zeke parou na frente dele
:- Não estou a brincar e não gosto de magoar os mais fracos, mas não quer dizer que não o faça… – ameaçou
:- Não tenho medo de ti – Julian afirmou, olhos azuis fitando o outro – Eu não posso desfazer o feitiço
:- Bom, então temos um problema
:- Toca-lhe, e eu arranco-te os dentes – Luka disse tomando a sua forma metade-Lobo-metade-homem
:- Ele fala – Zeke virou-se para ele – não estou aqui para magoar ninguém!
:- Mas se tiver de ser… – desta vez foi Jesse que falou apontando-lhe a besta
:- Pessoal! Ninguém tem de magoar ninguém, vamos com calma! – Sloan pediu mas já Zeke fazia um gesto com a mão, movendo a mesma numa expressão de quase repulsa, fazendo com que Jesse voasse pela sala fora, e fosse embater contra a parede de trás com um estrondo
:- Odeio mesmo quando eles me apontam armas…
:- Parem! – Julian gritou surpreendendo todos, não tinha tempo para brigas idiotas! Não tendo em conta quer todos pareciam estar do mesmo lado e aquilo tudo não passar de um grande e idiota mal-entendido – Não entendes? Não há maneira de parar o feitiço! Não há! Uma fez feito não pode ser desfeito, só nos resta esperar!
Zeke virou-se para ele de novo e suspirou
:-Pensavam mesmo que estavam a fazer o bem… erro de principiante – andou até ao centro da sala sentando-se na mesa de metal – Pois bem temos de fazer algo, pois a visão da Sloan leva a querer que nada de bom vai sair disto…
:- Tu és o Zeke, certo? – perguntou fitando-o e sentindo-se ainda irritado pelas atitudes do outro
:- Em carne e osso
:- Bom, segundo a Sloan contou a Sam, tu és um feiticeiro, um dos poucos que ainda resta… de certo tens poderes suficientes para reverter o feitiço
Zeke entortou a cabeça para o lado como um cachorrinho a ouvir um som pela primeira vez, os seus olhos azuis fitaram Luka por uns segundos, depois limitou-se a encolher os ombros andando até Jesse – Nada que eu possa fazer, docinho, ouviste o que sábio disse – Olhou Julian – Desculpa, querido, não apanhei o teu nome…
:-Julian… — o professor respondeu um pouco incerto
:- Isso, bom, ouviste o que o Julian disse, o feitiço não pode ser desfeito, e mesmo que pudesse, a meu ver corríamos o risco da Sam ficar presa naquele tempo para sempre – Estendeu a mão Jesse que ainda continuava deitado no chão, atordoado – Desculpa … não devia deixar a raiva tomar conta mim, estou a trabalhar nisso… — Jesse empurrou a mão dele para longe levantando-se sozinho, era orgulhoso de mais para aceitar ajuda e para admitir que uma figura como aquela o tinha deixo KO em questão de segundos.
:- É difícil este aqui, huh? – Zeke comentou andando de novo e voltando a sentar-se na mesa de metal – Então qual é plano? O que fazemos?
Julian abanou a cabeça
:- Temo que não há nada que possamos fazer, Sam tem 12 horas para voltar, 12 horas para achar Kaya e evitar que Deliah deite as mãos ao livro.
:- Então... esperamos ? – Sloan quis saber
:-Esperamos – O professor acenou – E esperamos também que ela não faça o que quer que seja que tu vieste aqui impedir
Sloan colocou a mão no ombro dele
:- Parece-me que ela já o fez…
Passando:
Andando durante o que lhe pareceram largas horas, Sam chegou por fim a uma pequena cabana no meio dos bosques, batendo a porta, suspirou de alivio, por fim tinha conseguido encontrar Kaya! 12 horas não era muito tempo e o relógio estava a contar… para não falar no facto de que Sloan aparecera sem lhe dar tempo de entender o que a tinha levado lá, a duvida pairava na sua mente, quase como que grudando-se bem no fundo do seu cérebro.
A porta abriu-se revelando uma mulher de pele morena e cabelos encaracolados, negros, a porta estava aberta o suficiente para que Sam pudesse ver um feixe de luz fraca espreitar por trás dela, provavelmente a luz de uma vela.
:- Kaya! – Sam sorriu, feliz por a sua caminhada ter chegado ao fim e ela ter completado a primeira parte da da sua missão: achar Kaya.
A outra olhou-a com uma expressão confusa estampada no rosto
:- Quem és tu? Que vestimentas são essas? Que queres de mim?
Sam olhou para si mesma e suspirou
:- Okay, isto vai ser uma longa e muito estranha conversa… Posso entrar?
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