The Magic In me
32 O Meu Verdadeiro Eu
:- Bom, acho que posso começar do inicio… — Aura sentou-se na única cadeira presente naquela sala, na verdade era mais um cadeirão confortável de cabedal vermelho – Há muito tempo atrás eu era outra pessoa… quase literalmente, respondia por outro nome, vivia outra vida. Como já deves ter entendido eu não sou uma pessoa comum...
:- Referes-te aquela coisa de cheirar os recém-chegados? Mal notei… — Sam comentou com ironia :- Certo… bom, eu sou uma lobisomen… não foi algo que nasceu comigo, foi mordida e “infectada”. Estava a perder o controle, ataquei a minha família durante uma lua cheia e quase os matei a todos – fitou o chão revelando que ainda sentia vergonha desses eventos do passado – Fugi. Não podia ficar perto deles sabendo que mais tarde ou mais cedo os acabaria por matar. Encontrei uma alcateia e eles acolheram-me… alguns dos membros acreditavam que tinham um destino a cumprir, o destino de salvar o mundo – riu um pouco como se essa fosse a ideia mais descabida de sempre – Seja como for eles eram boas pessoas :- Porque não estás mais com eles? Quer dizer, foste embora simplesmente por eles viverem de acordo com a profecia? :- Não…como eu disse eles eram boas pessoas, tornaram-se a minha segunda família,a até me apaixonei, mas um dia… uma noite de lua cheia, perdi o controle de novo, sai, a besta dento de mim estava a comandar e queria sangue. Encontrei uma família, esta mesma família onde estou inserida agora, na altura o grupo não era tão grande como hoje, nem de longe. Encontrei-os e ataquei-os… estava prestes a matar um deles quando entendi aquilo que estava a fazer, fui por fim capaz de domar o animal, mas era tarde demais, não era eu a única a seguir o rasto deles, não era a única fora do controle… ela entrou pela janela, provavelmente seguiu me, estava louca, fora de si devido á lua… atacou os e acabou aquilo que eu tinha começado :- Então e tu? Não tinhas já domado a besta? Porque não tentas-te para-la? :- Não conseguia mover-me, não conseguia fazer nada! Uma parte de mim queria ajuda-la, outra queria para-la e então fiquei ali até que ela tinha terminado e os restantes membros da comunidade de caçadores regressaram... Mataram-na naquele instante, iam matar-me a mim, não sei porque mas um deles, Paul, ele viu algo em mim, talvez o facto de eu não oferecer resistência, entendeu que a outra loba tinha agido sozinha, embora não tenha sido completamente verdade :- Contaste-lhes? O que realmente aconteceu? :- É claro que sim! – Mostrou-se quase ofendida com aquela pergunta – Fui mantida numa jaula, tal como o animal que sou, até me aprender a controlar, depois… tornei-me num deles… Tenho vivido como caçadora desde esse dia, vendo a nossa casa, a nossa comunidade crescer a cada dia – Sorriu orgulhosa :- E a alcateia? A que acolheu? :- Eles pensam que estou morta. Paul e os outros há muito tentavam matar aquela loba, sabiam que era louca e também sabiam que ela vivia sozinha, já tinha ferido e morto bastante gente, mas eles também sabiam que eu tinha “uma família” de lobisomens a minha procura, então… mutilaram o corpo dela de forma a não ser reconhecida, esfregaram nela o meu cheiro para que pensassem ser eu. Acho que até hoje todos eles pensam que estou morta. :- Meu Deus! – Sam tapou a boca espantada, atordoada com o que acabara de ouvir – Tu és ela! Keira! :- Como é que tu…? :- O nome Luka diz-te alguma coisa? :- Luka – Aura levantou-se de um pulo – é claro! eu deveria saber! Ele treinava todos os dias, com o nariz enfiado nos livros porque sabia que um dia teria de ajudar a escolhida… como foi possível não pensar que tu soubesses sobre mim? :- Ele pensa que estás morta! :- Assim como todos os outros… :- Como foste capaz?! Como foste capaz de deixa-lo todo este tempo a sofrer pela morte de alguém que amava?! Quando tu estavas aí vivinha da silva a viver a grande! :- Não entendes… :- Não! – Sam gritou sem se preocupar com quem pudesse ouvir ou até vir em auxílio de Keira – Tu é que não entendes! Não entendes o quanto a tua suposta morte o afectou, não entendes que ele se fechou completamente para o amor porque não queria sofrer, não entendes o quanto isso o mudou! – riu irónica – Ele pensava que o amor magoa quando se perde alguém para sempre, na verdade magoa seja de que maneira for, afinal tu estás aqui e ele continua e continuará quebrado! :- Eu nunca quis magoa-lo, mas não podia simplesmente virar as costas depois de me terem poupado a vida, de me terem ajudado a controlar! :- A alcateia do Luka fez o mesmo por ti e no entanto não te pareces mostrar tão preocupada assim com eles! Se ao menos tu tivesses uma pequena ideia do que ele sofreu pensado que tinhas morrido! :- Eu sofri também! Pensas que não o amava!? – os olhos dela tornaram-se vermelhos de raiva e um rugido fez se ouvir, isto no entanto não assustou Sam minimamente, pelo contrario, a feiticeira aproximou-se ainda mais, ficando apenas a escassos centímetros da outra :- Se o amasses terias feito tudo para voltar para ele, ou no mínimo para que ele soubesse que ainda estavas viva. Se o amasses não o fazias sofrer como sofreu, não deixavas que ele se transforma-se naquilo que é hoje e tudo por tua culpa, porque és egoísta e fraca! O Amor não uma conquista pessoal, é sacrifício!
:- Falas como se soubesses, como se estivesses estado lá com ele! Pelo que sei a tua… situação é bem recente! Sam agarrou o braço da outra, deixando que a raiva tomasse conta dela :- Sei porque eu o senti! — Aura abriu os olhos de espanto, vendo que Sam se recusava a larga-la e que pela primeira vez a sua força sobre-humana lhe falhava, das veias da feiticeira uma luz vermelho-escura brilhou, correndo-lhe na corrente sanguínea, depois a mesma luz espalhou-se para as pontas dos seus dedos sendo transferida para o braço da loira, esta caiu de joelhos enquanto lágrimas caiam do seu rosto – Agora tu também o sentes… — Afastou-se olhando a outra com desdém :- O que me fizeste?! :- Fiz-te sentir a dor dele. ************************************************************** Jesse entrou no pequeno escritório, vendo Cheif por detrás da secretária, tinham-se passado dois anos desde que ficara gravemente ferido na luta contra um demónio que aterrorizava uma cidade inteira, e fora salvo pela comunidade de Cheif, (de seu nome verdadeiro Rodney). Foi acolhido e tratado como um deles, na verdade ele era um deles, todos lutavam pelo menos fim, com o objectivo de salvar aqueles que não se podiam salvar a eles mesmos. Rodney, era apelidado de Chief por ser ele quem tomava as rédeas da “Família”, ele quem decidia quem ia, quem ficava, que distribuía pelos seus membros tarefas, casos. Era um homem rígido, gostava de regras e de quem as seguia. Mas era também carinhoso e empático. Uma mistura estranha que funcionava na perfeição para alguém que tinha como tarefa liderar tanta gente, gente com feitios e defeitos tão diferentes. :- Jesse … — Sorriu-lhe de forma aberta, girando na cadeira de escritório com rodas, tinha algumas rugas da idade, olhos claros e cabelos completamente grisalhos :- Cheif, é bom vê-lo de novo. :- É bom ver que ainda estás de pé – o mais velho sorriu de novo :- Temos de falar :- Assim sei – Rodney acenou – já ouvi o porque de teres vindo aqui. :- As noticiam viajam rápido… :- Colt. Fez questão de me por a par antes de te deixar entrar :- É claro – Jesse riu um pouco :- Então… qual é o plano? Tens de ter um plano, certo? :- Bom na verdade, sim. Mas duvido que lhe vá agradar :- Dispara :- Bom, as ruas estão a ficar inundadas de seres sobrenaturais devido a noite premente, eu sei de fonte segura que só vai piorar… O meu plano é mandar os seus homens combater os vampiros etc que infestam cada canto e matam tudo o que mexe. :- Os meus homens? Segundo sei tens uma feiticeira do teu lado – Rodney levantou-se e andou até a janela no canto da sala – A mais poderosa feiticeira dos últimos tempos, alias , a única capaz de parar toda esta merda de confusão – Virou-se para Jesse, escutando com toda a atenção o que ele tinha para lhe propor :- Certo, e por isso mesmo é que preciso dos seus homens para domar os seres mais fracos. Sam , eu e os mais forte iremos concentrar nos em achar Lana e trava-la. :- Então os meus homens vão servir de distracção? De isco? :- Não conseguimos lutar esta guerra sozinhos! Debruçando-se sob a secretaria, ele olhou Jesse nos olhos :- Tens a noção que estás a mandar todos eles para uma missão suicida? :- Sim. E alguém de o fazer. Há pessoas lá fora a morrer a cada minuto que passa! Se usarmos a nossa maior arma com as ameaças mais pequenas vamos gasta-la antes do tempo e precisamos que Sam tinha toda a energia possível quando for enfrentar Lana! :- Então estás a mandar os mais fracos lutar contra os mais fracos e a guardar os mais poderosos para enfrentar os seus iguais, não sei o que pensar desse plano, embora justo, deves concordar que a Lana irá fazer o mesmo… :- Por isso preciso dos seus homens! Se estivermos a lutar nas ruas não temos como enfrentar a bruxa, e eu não posso simplesmente cruzar os braços enquanto pessoas inocentes morrem! :- Mas não é isso exactamente que estás a fazer? A mandar os meus homens para morte enquanto tu ficas de braços cruzados a espera da melhor altura para agir? Jesse suspirou, é claro que sentia remorsos de mandar aqueles caçadores para a luta, sabia que muitos deles eram novos e não apresentariam qualquer ameaça para o inimigo, não iriam sobreviver nem cinco minutos lá fora. Também tinha feito amigos ali, da última vez que lá estivera e custava-lhe sentir que os estava a trair, de certa forma. Mas alguém tinha de fazer alguma coisa! Caso contrario muita mais gente iria morrer. :- Talvez, — admitiu por fim, olhando Rodney – Mas será que você tem outra solução? – o outro permaneceu calado – Bem me parecia… Rodney deixou-se cair pesadamente na cadeira e seguindo o exemplo do homem mais novo, suspirou também :- Mandá-los-ei lutar nas ruas, proteger e salvar o máximo de pessoas possível, mas tu tens de prometer que não iram morrer em vão! :- Prometo que tanto eu como Sam e os restantes faremos todos os possíveis para parar a Lana. :- Pois bem, vamos – levantou-se de novo andando para a porta :- Você também bem? :- O capitão afunda sempre junto com o navio.************************************************************* Mais algumas horas se passaram até que Jesse, Sam, Rodney e Aura chegassem por fim ao laboratório do professor. Lá fora as coisas pioravam de figura quase de hora a hora, a noite permanecia e arrastava cá para fora seres que até então só existiam no imaginário da maioria do comum dos mortais. :- A porta está aberta! – Sam anunciou com urgência, correndo para o lado de dentro adivinhando o pior, olhou á volta, uma vez já no interior do laboratório um aperto tomou conta do seu coração, o cenário era quase de guerra, armários partidos, mesas viradas do avesso, frascos de poções partidos pelo chão… :- Professor? – chamou mas não obteve resposta – Professor Morrison?! – Silencio – Julian! :- Sam cuidado! – Jesse gritou pegando a sua arma e apontando-a rapidamente a um volto que corria na direcção da rapariga.
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