The Lucky Ones
1 Prólogo
Notas iniciais
Consigo lembrar claramente a primeira vez que coloquei os olhos nele. Acho que eu devia ter uns sete anos e vários quilos a mais. Eu e Lucy tínhamos ido parar na sala da diretora por ter colocado tachinhas na cadeira do Sr. Morris.
Ok, na verdade eu fiz isso, Lucy só deu cobertura. E fala sério, quando se tem sete anos, essa é a última palavra em diversão. Nem as séries da Disney podem pagar comédias assim.
Mas enfim, eu a arrastei junto porque, convenhamos, ninguém quer ir pra sala da diretora sozinha. A velha falou por umas duas horas sobre "deve-se respeitar os mais velhos", "você não pode espetar professores" e "o Sr. Morris tem uma saúde frágil e podia ter quebrado a bacia".
Claro, como se isso não fosse uma coisa boa. Mas aparentemente ter um professor com menos de cem anos é impossível.
Enfim, como já havia tocado o sinal do fim das aulas quando ela nos dispensou, ficamos ali esperando por nossas caronas (no meu caso, minha mãe; no caso de Lucy, seu irmão mais velho). Foi quando eu o vi pela primeira vez, correndo pela grama pra nos encontrar. Não devia ter mais de dez anos, e confesso que não era assim muito atraente. O tipo de garoto que tem a cabeça maior que o corpo e as orelhas maiores que a cabeça, sabe? Lembro que trocávamos algumas palavras ocasionalmente, mas ele sempre foi do tipo fechado. Os outros irmãos de Lucy eram bem mais acolhedores. Aliás, toda a família Pevensie era acolhedora. Tirando aquele espécime em particular.
E isso me faz pensar: como as coisas podem ter mudado tanto? Quer dizer, eu sei que a puberdade é uma coisa engraçada e tudo mais, mas não consigo entender como sentimentos se tranformam de antipatia a... Bom, a amor? A amizade? A qualquer coisa que eu não consigo definir e nem parar de sentir?
E esse foi só o início da história. Pode ter certeza, ela podee vai piorar.
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