- É aqui... – falou de cabeça baixa. -...O motel mais perto é aqui.

- obrigada. – desci do carro e entrei no motel. Pedi um quarto e quando ia em direção à ele o Gerard apareceu. – já que está aqui... – disse abrindo a porta do quarto que eu ia ficar. –...Avisa ao Josh onde estou, por favor.

- ok. – respondeu ele.

- ta. – entramos no quarto que não era lá grande coisa. Era pequeno e tinha uma péssima decoração. – nossa! Não sabia que era tão horrível assim... – disse pra mim mesma.

- Senhora Rose...Eu tenho uma coisa pra te falar. – e eu me virei pra ele.

- sim? – quando olhei pro menino, ele parecia assustado, chegava a tremer. – Gerard, o que houve? Está se sentindo bem? – disse me aproximando dele e o tocando no ombro.

- é que... É que... – e olhou nervoso pra minha mão em seu ombro que eu retirei percebendo que isso fez o nervosismo dele aumentar. — Na verdade eu...Eu sou "quase" virgem. – disse o menino nervoso.

- o que? – e comecei a rir depois de tanto nervosismo. – mas... – e ele me cortou falando sem parar.

- olha, eu sei que você é bem mais experiente, mas eu prometo fazer o melhor...

- Gerard, espera aí. Calma. Eu não vou transar com você.

- não? – e fez cara de desapontado.

- claro que não.

- então...? – e olhou em volta indicando o motel.

- eu só pedi uma carona. Queria fugir de casa.

- eu pensei que...

- pensou errado. Eu nunca que ia fazer isso com você. Ficou louco? Você ainda é uma criança.

- criança? Eu tenho vinte e dois anos.

- ainda é uma criança. – repeti. – eu tenho o dobro da sua idade.

- entendi...Olha, aquela historia de ser quase virgem é tudo mentira, eu inventei. – e eu comecei a rir.

- ok. Eu finjo que não ouvi. Está bom assim? – perguntei rindo.

- ta.

- muito obrigado. E não esqueça de avisar ao meu filho, ta bom? — e abri a porta do quarto pra ele sair.

- eu vi tudo. – disse ele antes de sair.

- viu tudo o que?

- eu vi o que seu marido fez com você. Por que não diz ao Josh o que está acontecendo? Ele sempre fala nos pais com admiração. Ele não sabe de nada, não é?

- não. – disse de cabeça baixa.

- conta pra ele, Rose. Ele é seu filho, tenho certeza que ele não vai se chatear quando você pedir o divórcio se souber tudo que acontece entre você e seu marido.

- eu não vou pedir o divórcio. Eu nunca falei isso.

- e vai agüentar isso até quando? – perguntou ele me olhando preocupado. – vi como ele bateu em você e como você ficou. Teve sorte hoje por que te salvei, e depois? Quem vai te salvar? — eu olhei boquiaberta sem saber o que responder.

As lágrimas voltaram a rolar no meu rosto. Ele tinha razão. A única saída disso tudo era me separar do meu marido. Era tudo que eu menos queria pra minha vida.

Mais tarde meu filho apareceu no motel com seu amigo. Eu pedi que Gerard nos deixasse a sós. Eu tinha que conversar sério com o Josh, ele devia saber de tudo.

- mãe o que houve? – perguntou Josh me abraçando quando comecei a chorar.

- filho...

- o meu pai está péssimo. Ele disse que você estava alterada e o agrediu. Por que fez isso mãe?

- eu o agredi? Ele disse isso?

- por que fez isso com ele? O pai sempre faz tudo por você. Eu não entendo.

- meu filho, o seu pai ele...Ele me agrediu e se não fosse pelo Gerard...

- é mentira mãe. – disse me cortando. – é mentira isso que a senhora está dizendo. O meu pai não fez nada. É sempre você quem começa a cobrar dele. Eu vejo como meu pai te trata e ele sempre foi uma boa pessoa com você.

- josh... – não estava acreditando no que ele estava me dizendo. — pergunte ao seu amigo.

- e o que vai adiantar? Não sei se combinou com ele.

- filho...Não...Olha, eu...

- volta pra casa mãe. Para com essa palhaçada e volta. Por favor, pelo meu pai e por mim. Volte. Eu tenho certeza que o pai vai te perdoar e vocês vão dar um jeito de ficar às boas novamente. Vocês sempre foram um casal exemplo pra mim. — As coisas se inverteram de uma maneira que eu não tinha nem palavras pra retrucar.

Alguns minutos depois estávamos no carro, Gerard, Josh e eu sozinha no banco traseiro. Estava calada por fora, mas gritando por dentro. Estava fazendo aquilo contra minha vontade. Tudo pelo meu filho e a felicidade dele. Quando chegamos em casa, Brian nos esperava na porta. Meu filho saiu do carro primeiro pra abrir a porta do carro pra mim.

- obrigado por tudo Gerard. – agradeci ao menino.

- mas Rose, eu não entendo por que... – e ele se calou quando Josh abriu a porta do carro.

- tchau Gerard. – desci do carro e fiquei ao lado de Josh que se despediu do Gerard que foi embora com o carro.

Andamos em direção ao Brian, Josh com a mão no meu ombro. Quando chegamos próximos a ele Josh abraçou seu pai e entrou pra casa. Ficamos só ele e eu do lado de fora. Eu fiquei de cabeça baixa sem coragem de encará-lo.