Acordei com o Gerard me olhando na cama. Sorri querendo ser gentil, mas na verdade não estava muito bem.

- está melhor?

- um pouco.

- quer que eu lhe prepare alguma coisa? Um chá, por exemplo.

- não, obrigada. Estou sem fome. – sentei na cama e olhei em volta refletindo mais uma vez sobre àquela relação.

- o que foi? – ele se sentou e começou a beijar minha costa.

- acho que devemos discutir nossa relação.

- o que está havendo? – e me olhou assustado.

- não dá mais, Gerard.

- o que não dá mais?

- a gente. Acabou.

- por que está dizendo isso? Por causa do seu filho?

- não é só isso.

- então o que?

- isso é errado.

- por que? O que tem de errado duas pessoas se amarem?

- duas pessoas se amarem? Nada. Mas um amor entre uma mulher e um garoto que tem idade pra ser seu filho, isso tem e muito.

- ainda dá importância pra isso?

- dou, Gerard. Eu dou sim. Eu não agüento mais sair ao seu lado e receber olhares maldosos. Até os vizinhos não me cumprimentam mais. Agora meu filho não quer mais saber de mim. Estou sendo julgada das piores maneiras possíveis.

- você disse que não ligava pra essas coisas, que o que importava era a gente. O que houve com você? Mudou de idéia de um dia pro outro.

- eu disse aquilo, mas estava me enganado. Eu me importo sim, de verdade. Apesar de te amar, eu não agüento mais essa situação. – Gerard me deu as costas e levou a mão na testa ficando pensativo. – me desculpa. – eu toquei nele, mas ele tirou minha mão dele estupidamente.

- você tem certeza disso que está dizendo? – eu olhei com medo da resposta que daria. – não, por que se você tiver certeza de que é isso que você quer eu passo por aquela porta e nunca mais volto, ouviu bem? Eu nunca mais volto. E então? É isso que você quer?

- é Gerard. É isso sim.

- ok, agora fale isso que acabou de dizer olhando pra mim. – disse sério com uma das mãos na cintura. – olhe pra mim e confirme.

- eu... – e olhei nos olhos dele, não tinha coragem, mas eu tinha que fazer aquilo. – eu estou certa de que é isso que eu quero. Não quero mais ficar com você. Quero que vá embora pra sempre da minha vida. – dito isso abaixei a cabeça sem coragem de olhá-lo novamente.

- se é isso que você quer... – e catou sua roupa do chão e saiu do quarto batendo a porta furioso.

Eu comecei a chorar descontrolada. Estava deixando o homem da minha vida sair pela porta. Poderia ser aquela a ultima vez que eu o visse depois daquelas palavras. Me levantei e corri pra janela e lá estava ele vestindo sua camisa enquanto ia furioso pro seu carro que estava estacionado em frente à minha casa. Ele virou e olhou pra janela do quarto e eu me escondi. Quando voltei a olhar ele já estava ligando o carro. Joguei um beijo de despedida pra ele. Estava sofrendo com aquela escolha, mas era a mais sensata até agora.

Quatro meses depois...Dias atuais...

- e o que está sentindo agora? – perguntou Sarah me examinando.

- dor. Muita dor. – respondi desolada.

- você tem que ir ao médico.

- não.

- quer continuar sofrendo desse jeito? E o se o que você tiver for grave? Já está aí deitada há dias que nem uma morta.

- você não me entende, Sarah. Eu sinto dor, mas é uma dor abstrata. É dor de amor.

- amor...Entendi. – e ela me olhou com dó. – é pelo...

- o Gerard. – e mais lagrimas brotaram dos meus olhos. – faz tanto tempo que ele se foi, mas aqui dentro... – e coloquei a mão no meu peito. -...Aqui dentro ainda dói, Sarah.

- eu sei como deve estar se sentindo.

- o que eu posso fazer por você, amiga? Em?

- nada. A não ser que você me traga ele de volta.

- acho isso impossível.

- eu sei que é... – e levantei chorosa do sofá e olhei pela janela afora. Olhei a arvore que ficava em frente a minha casa e as folhas que dela caiam enchendo o jardim da frente de folhas secas, formando um montinho. Fazia tempo que eu não limpava o jardim. – ele nunca mais voltou...Cumpriu o que havia dito. Ele falou sério e eu não acreditei.

- Rose, não esqueça que foi você mesma que disse pra ele ir e nunca mais voltar. Você pensou o que?

- eu sei que a culpa foi minha. Eu sei...Mas não levei tão a sério as palavras dele. Pensei que ele fosse voltar como um garoto apaixonado volta atrás de sua namorada, mas agora vejo que ele cresceu. Agora ele é um homem e os homens não choram por amor, os homens são insensíveis e se levarem um chute na bunda eles arrumam outra no dia seguinte. – olhei novamente pra rua e estava deserta.

- vem cá, vem. – me virei e Sarah me abraçou.

- eu não ganhei nada de bom terminando com ele. As pessoas continuam me julgando, continuam me evitando...

- esquece elas. São uns bandos de desocupadas.

- ai Deus! Nunca imaginei que perder alguém doesse tanto. Já não lembrava mais disso desde que o pai do Josh morreu.

- calma. – e ela tentava me consolar. Mas tudo era em vão, o meu remédio era ele, Gerard.