The Love Competition
2 Two
Notas iniciais
O caminho para a Associação foi de silêncio, minha mãe estava animada com tudo isso, o que não a julgo pois escolher entre sua filha se tornar uma princesa ou morrer por não cumprir com seus deveres como cidadã, ela com certeza escolheria a primeira opção com êxito, mas isso não significa que vou concordar com toda essa história.
Chegamos na Associação depois de meia hora de viagem de ônibus e alguns minutos à pé, em frente ao portão estava cheio de garotas bem vestidas e repletas de maquiagem.
— Bonnie! — uma voz doce e familiar me chamou atenção, procurei pela multidão de garotas a minha frente o rosto da dona da voz familiar — Aqui — gritou acenando com a mão.
Mamãe e eu corremos em direção à voz e a silhueta familiar, que ao me aproximar me recebeu de braços abertos.
— Josette — sorri ao abraçar a mesma.
— Nossa você está linda Bonnie.
— Não tanto quanto você Jô.
— Não seja modesta Bonnie — ela sorriu — se fosse assim meu irmão não teria olhos para você.
Josette é tão linda quanto seu irmão gêmeo, possuí olhos azuis e cabelos pretos iguais aos de Kai, os conheço desde pequena para saber o suficiente de cada um, sei que ela tem grande talento para cuidar de ferimentos e artesanatos, já o Kai ele gosta de encrencas mas só as arranjam quando algum de nós, digo todos os bruxos pobres de nossa cidade, precisa de ajuda.
— Bonnie querida — sussurrou ao me abraçar — vocês estão tão lindas, tenho tanto orgulho por meu filho ter escolhido você, ultimamente ele vem guardado dinheiro, acho que ele está juntando para o casamento.
Senti meu rosto corar, não sou boa em lidar com elogios, principalmente quando ele vem da sua futura sogra. Mas lembrar do momento em que ele estava quase me pedindo em casamento me deixava feliz, lutava até mesmo para segurar o sorriso grande que o meu rosto queria esbanjar.
— Obrigada senhorita Parker — sorri tentando demonstrar controle da minha felicidade.
— Ainda são muito jovens para casarem — minha mãe respondeu com um falso sorriso no rosto.
Sabia o que aquilo significava, por mais que minha mãe gostasse da dona Stacy o objetivo dela era ver sua filha casada com um príncipe, não com "qualquer" um, mesmo que eu não fosse a favor.
— Nunca é tarde para o amor — Josette falou com um sorriso apaixonado.
A fila andava e eu mal percebia, só conseguia pensar em duas coisas: Kai e Casamento. Caminhei até o guichê, que falava loucamente confirmando minha idade, nome e outras coisas do tipo, prossegui entre o corredor até mais uma fila que teria que enfrentar, mal percebi quem estava a minha frente.
— Pensando no meu irmão né?
— Tá tão na cara assim?
— Muito na cara, então, ele fez o pedido?
— Não... — antes que respondesse a chamaram para fotografar.
Esperei alguns minutos, Jô comprimentou com um sorriso no rosto ao sair e logo me chamaram. A sala era um pouco pequena, mas era o suficiente para que coubesse eu e o fotógrafo estranho, ele pediu para que eu me ajeitasse. Balancei meu cabelo, o baguncei com a mão tentando deixar ele pelo menos um pouco agradável como o de minha irmã.
Sorri de uma forma que nem eu mesma esperava, sabia exatamente quem era o dono daquela sorriso, e com certeza eu podia ser considerada a garota mais feliz.
Chegamos em casa bem mais tarde do que o planejado, eu e mamãe corremos imediatamente para cozinha, pois sabíamos que éramos as únicas que realmente cozinhávamos, bom, eu tentava mas pelo menos não colocava fogo na casa como meu pai e meus irmãos. Andávamos pela cozinha pequena as pressas, logo meu irmão mais velho chegaria e com certeza reclamaria por está morrendo de fome, se dependesse de mim já o teria posto em seu lugar a muito tempo, mas a desculpa de meus pais é que ele trabalha demais o dia todo só com pão e água no estômago e por isso quando chega em casa precisa comer bastante, mal eles sabem que meu irmão passa mais tempo namorando do que trabalhando.
Servimos o jantar no mesmo instante que James chegou.
— Eaí pirralha, preparada para não ser selecionada? — brincou passando a mão pelo minha cabeça.
— Ah, James não enche — bebo um gole de suco — vai procurar uma namorada que você ganha mais — o provoquei.
— Não comecem! — mamãe ordenou, fazendo todos silenciar.
— Onde está papai?
— Ocupado. — respondeu séria.
A manhã do segundo dia pós foto foi difícil para acorda, já que passei a maior parte da noite pensando em algo que pudesse fazer para o Kai, pensei em milhares de coisas desde um jantar a um presente, descartei o presente pois não tinha dinheiro para comprar. Ultimamente os trabalhos vinha só diminuindo, eu era encarregada de dançar e as vezes cantar em espetáculos, quando conseguíamos, pois se tornou algo muito raro, minha irmã cuidava da limpeza do local, meu pai consertava coisas e o James, fazia o de sempre.
— Hey maninha, acorda — Mere me cutucava.
— Vocês estão com uma mania muito feia de me acordarem cedo — resmunguei.
— Acorda logo dorminhoca, já estão preparando a praça para dizerem quem daqui foi escolhida.
— O QUÊ? — me sentei na mesma hora — Is... Isso só não era para acontecer semana que vem?
— Era, mas parece que o rei resolveu mudar algumas coisas.
— Está querendo dizer que, quem for selecionada terá que ir hoje mesmo para o palácio? — suspirei — ainda bem que não tenho chances de ser escolhida — sorri.
— A pessoa terá uma semana em casa para se preparar, e é claro que você tem chance — levantou da cama e caminhou em direção ao armário.
— Bom, se quando fui fotografar estava repleto de garotas bonitas, principalmente a Jô, com certeza uma delas será escolhida, porque até mesmo eu não quero competir e muito menos me tornar uma princesa mimada.
— Bonnie para com isso! — jogou uma calça e uma blusa em meu rosto — Você é linda e uma coroa não vai mudar o que você é, agora se arrume logo antes que a mamãe venha e te puxe pela orelha — saiu batendo a porta com força.
Terminei de me arrumar rápido, prendi meu cabelo em rabo de cavalo, não podia usar maquiagem pois as poucas que tinha era para caso um milagre acontecesse e alguém nos contratasse para show o que só acontecia em época de Natal e Ano Novo.
Desci as escadas e todos até mesmo James me esperavam, mamãe principalmente estava com expressão de impaciente.
— Até que fim, temos que correr, vai começar em alguns minutos, vamos.
A praça estava lotada, todas as garotas muito bem vestidas, o que estranhei pois nós bruxos somos considerados tão inúteis quanto os humanos e isso nos transformava em inferiores a todos os outros seres exceto os humanos, isso nos impossibilitava de ter dinheiro para gastar com roupas ou caprichos, mesmo que pequenos, os poucos bruxos que tinham dinheiro suficiente era os que trabalhavam para a realeza, pois estes eram considerados "fortes", já que a mãe natureza a cada geração enfraqueceu os bruxos deixando poucos com possibilidade de poderes "maiores".
Uma tela enorme transmitia a imagem de Daron Eifleyr, um homem moreno com cabelos escuros e barba por fazer. Ele terminava de falar sobre o país quando nos posicionamos entre a multidão.
— E agora vamos dizer quais foram as jovens sortudas que disputarão o coração do príncipe Damon Salvatore — ele encara os papéis por alguns segundos — Serena Celia van der Woodsen, Lunósia, Vampira...
Já no terceiro nome deixei de prestar atenção, principalmente por ver o homem com quem vou casar ao lado de sua gêmea e seus irmãos mais novos, assim que me viu ele piscou. Todos do nada começaram a se exaltar exceto algumas garotas que me olhavam de cara feia, pulavam de alegria me balançavam iguais loucos, olhei para os cantos procurando conforto familiar porém eles também estavam pulando, me virei para a tela e dei de cara com a minha foto.
— Bonnie, você conseguiu — gritavam.
Minha cabeça girava, uma mistura de raiva e tristeza, corri de volta para a casa me afastando cada vez mais da multidão. Entrei na casa fechando a porta tentando tornar o barulho da rua mais abafado, olhei fixamente para o tapete senti uma lágrima cair, quanto mais fitava mais quente o mesma ficava de repente o fogo cresceu sobre o tapete e eu não sabia como apagar, não me desesperei simplesmente abaixei a cabeça sobre meus joelho e chorei, ser escolhida para muitos significava ter poder, ser da realeza mesmo que tenha que competir contra outras 19 garotas, mas isso tudo para mim significava falta de liberdade, ser oferecida como em um ritual de garotas ingênuas.
— Bonnie, você está maluca? — gritou Kai absorvendo um pouco do meu poder e apagando o fogo — estava querendo se matar?
— Agora tenho mais motivos ainda para morrer, porque quando a mamãe ver o tapete assim, vai ficar louca — sussurrei e ele riu.
— Bon, eu sei que você não queria isso, mas pense, pelo menos você não será obrigada a ficar lá, assim que começar as eliminações você pode sair. — sentou-se ao meu lado, contornando seu braço pela minhas costas.
— O problema é que eu não queria isso, não queria sequer tirar a foto, sei que minha vida após isso tudo vai mudar.
— Falando em foto, nossa você estava linda, nunca a vi sorrir daquele jeito pensei até que estava animada para participar.
— Eu estava pensando em você quando tirei a foto — mergulhei minha cabeça sobre seu peito.
— Hmm, bom saber que eu causo essas reações em você — me apertou contra seu corpo.
— Ah, e... e sobre o anel... queria — mais uma vez minha mãe nos interrompeu, parece até que ela tem um radar.
— Bonnie você está bem? abra a porta querida — gritou batendo na porta enquanto Kai me ajudava a me levantar.
— Acho melhor falarmos disso depois — sussurrou abrindo a porta.
Assim que abriu minha mãe correu para me abraçar, sendo seguida pelo meu pai e meus irmãos.
— Mãe, eu tô bem — ela analisava meu corpo procurando ferimentos.
— Os vizinhos falaram que viram fumaça sair da casa.
— Quando cheguei o tapete estava pegando fogo, mas consegui apagar absorvendo um pouco do poder da Bonnie.
Existem três tipos de bruxos os naturais, que sua magia vem da natureza, os que precisam absorver de outros para poder usaremos poderes por tempo determinado e os bruxos híbridos, que são vampiros e bruxos ao mesmo tempo, porém as famílias originais Salvatore e Mikaelson na última guerra se encarregaram de matar todos, para a surpresa com ajuda de bruxos naturais, mas são raros aqueles que conseguem se tornar os dois mas para não arriscar por serem seres bastantes fortes, a realeza separa por raças sendo assim um vampiro não pode se casar com uma bruxa ou com um humano desde que o mesmo seja da realeza, o rei Giuseppe se casou com uma bruxa que para a sua felicidade não continuou bruxa na transição para vampira.
— Venha, tenho que conversar com você — mamãe me puxou pela as escadas até o meu quarto, fechou a porta do mesmo e sentou-se comigo na cama — Desde quando seus poderes apareceram? — perguntou séria.
— Ah...Hm... Acho que assim que fiz 16 anos, ainda não os controlo muito bem.
— Mais alguém sabe deles?
Pensei por um tempo — Só o Kai, mas ele não contou e nem contará a ninguém.
— Tudo bem, esse segredo ficará só com a gente, quando for para o palácio não os use, ok?
— Mas porque eu não posso usar? Afinal sou uma bruxa.
— Você não é só uma bruxa Bonnie, você é uma Bennett só por ter esse nome você já corre um risco grande — suspirou — Sua avó antes de morrer disse que um dos meus filhos teria grandes poderes, mas também correrá grandes perigos.
— O QUE? — Me levantei irritada — Isso não significa que eu serei a filha super poderosa que a vovó preveu, ainda tem a Meredith, o James e o Isaac — suspirei fundo — Você tem sempre essa mania de me encher de deveres, fez isso quando me obrigou a aceitar a seleção e está fazendo isso agora.
— Bonnie! — Gritou — fique calma.
— Não mamãe, nós Bennett não temos poder nenhum, olha para você e o papai, porque não conseguem sequer fazer uma pena voar por muito tempo?
— É você tem razão, mas se os Bennett não tem poder algum, te pergunto porque tudo no quarto está flutuando? — Me virou pondo as mãos em meu ombro para olhar cada coisa que tinha no meu quarto flutuar — Nós temos poder sim Bonnie, infelizmente nem todos tem, mas tá escrito na história que tiraram de nós, que uma Bennett nascerá com todos os poderes de sua geração e seus ancestrais, e creio que é você, minha linda — finalizou com um sorriso um tanto preocupante.
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