The Lost Godess
6 Capítulo 5 - Histórias de Acampamento
Notas iniciais
- O que você estava fazendo atrás do Empire States? – perguntou Quíron.
- Bem, eu… O Pégaso me levou até lá.
Senhor D ergueu os olhos e pareceu surpreso; mas assim que se recuperou abriu um sorriso.
- Estávamos esperando você Elaine, seu pai Zeus disse que você viria.
Aquelas palavras foram um choque para Anne – Elaine, como fosse.
Analisando a frase: “Estávamos esperando você”. Eles realmente estavam esperando por ela? Então por que eles não foram atrás dela quando ela precisou de ajuda? E por que motivo eles estariam esperando por ela?
“Elaine”. Então esse era seu nome? Elaine? Porque Syrena não dissera a ela logo na primeira vez que elas se viram?
“Seu pai Zeus disse que você viria”. Seu pai era Zeus? Se seu pai era mesmo o deus dos deuses seria possível que ele não fosse capaz de encontra-la e leva-la para casa em segurança? E como ele sabia que ela estava a caminho do acampamento?
Ela se sentiu tonta. Perguntas demais.
Ninguém disse nada. Os quatro – Matthew, Nathan, Senhor D e Quíron – ficaram a encarando.
Ela queria fazer todas aquelas perguntas em voz alta, mas ao contrário, tudo o que ela conseguiu dizer foi:
- Olá Dionísio.
E então ela se deu conta do que dissera. Aquele homem – Senhor D – podia mesmo ser Dionísio? O Deus do vinho em um acampamento para semideuses? Muito irônico.
Ele sorriu.
- Olá semideusa – disse ele, e deu uma risada muito sarcástica.
- Matthew e Nathan, vocês podem nos dar licença por alguns minutos? – pediu Quíron.
Os meninos assentiram e saíram da Casa Grande.
Quíron apontou uma cadeira à Elaine, e ela se sentou.
- Vinho? – perguntou Senhor D, e uma taça de vinho apareceu na mesa logo na frente de Elaine. – Coca-Cola? Água? Suco de laranja? – ele estalava os dedos cada vez que oferecia alguma coisa, e o copo mudava.
- Coca-Cola – disse Elaine.
- Bem, Elaine… — disse Quíron hesitante. – Você pode nos contar como chegou aqui?
Senhor D cruzou as mãos embaixo do queixo.
- Essa sim vai ser uma história interessante.
Elaine ignorou.
- Eu acordei em um deserto… Lee Vining na Califórnia; acho. Fui acordada pelo Pégaso. O Pégaso. E depois… — ela quase contou que esteve com Syrena, mas a menina disse que não deveria estar ali, se Elaine contasse, ela teria problemas. – Peg me levou para o Empire States quando eu disse para ele me levar para casa. E eu encontrei Nathan e Matthew – ela também omitiu o fato de que os dois tentavam roubar o Pégaso. – e eles disseram que eu era uma semideusa e que deveria vir para cá.
- E você está sem memória – concluiu Quíron.
- Como você sabe?
- Como Dionísio disse, nós fomos avisados que você viria.
- Meu pai é mesmo Zeus?
Quíron assentiu.
- Eu tenho milhões de perguntas pra vocês – disse Elaine.
- E, como você deve saber, nós não temos permissão para revelar nada a você.
- Não é verdade D, nós podemos dizer alguma coisa.
Elaine respirou fundo.
- Se vocês sabiam que eu viria, por que não foram atrás de mim quando precisei de ajuda?
- Não temos permissão para responder isso. Próxima pergunta?
- Por que motivo vocês estariam esperando por mim?
- Próxima pergunta – disse Dionísio.
- Por que eu estou sem memória?
- Isso está acima da sua capacidade de raciocínio. Próxima?
Elaine percebeu que aquela conversa não ajudaria em nada. Ela afundou o rosto nas mãos e suspirou.
- Já posso ir embora? – perguntou.
- O chalé um está aberto. Se estabeleça.
- Eu não pretendo ficar por muito tempo – disse ela e se virou.
- Elaine – chamou Quíron.
Ela olhou.
- Se arrume para o jantar. Você parece faminta.
Ela assentiu e foi na direção do chalé um, uma grande caixa de mármore branca com colunas em estilo grego e uma porta dupla de ouro.
No chalé ela encontrou tudo o que precisava para um bom banho, e quando saiu do banheiro, uma roupa estava perfeitamente dobrada sobre a cama: jeans claros, a blusa laranja do acampamento e tênis All Star.
- Magia – resmungou Anne.
O chalé tinha uma estátua de Zeus enorme bem no centro, e ela era bem realista. Anne se sentiu olhando para o verdadeiro Zeus.
- Eu sei que você pode me ouvir – disse ela para a estátua. – Por que pai? Por que isso está acontecendo comigo? Por que você não faz nada pra que isso pare? É tão angustiante!
Seus olhos se encheram de lágrimas.
A estátua não respondeu – graças aos Deuses, porque se ela respondesse Anne seria capaz de ter um ataque cardíaco ali mesmo.
Uma trombeta de concha soou no vale e Elaine deduziu que era hora do jantar.
Ela foi apresentada aos campistas e se sentou sozinha na mesa de Zeus. Quando uma fila se formou, ela soube que era hora das oferendas. Ela entrou na fila e jogou um bom pedaço da pizza de quatro queijos na fogueira.
- A Hermes – disse ela, e a fogueira queimou mais forte, soltando um aroma delicioso de grama recém-cortada e terra molhada. Elaine sabia que aqueles aromas faziam parte da sua vida, e que tinham algo a ver com Hermes, e ela sorriu.
Depois do jantar, eles foram para a fogueira, que queimava um pouco mais vermelha que o normal – por conta da animação dos campistas, explicara uma menina de Hefesto.
O chalé de Apolo puxou a cantoria, e eles ficaram um bom tempo cantando, até que as ideias de música acabaram.
Como a fogueira continuava a queimar vermelha, e os campistas pareciam bastante animados, uma menina de Atena se levantou e disse:
- Vamos contar histórias?
O resultado foi imediato. Todos os campistas começaram a conversar animados e a soltar gritos de aprovação.
- Hoje eu vou contar a história! – disse Senhor D, para o espanto de todos. Geralmente ele detestava participar das atividades que envolvessem heróis.
Todos ficaram em silêncio e Senhor D sorriu.
- Eu vou contar pra vocês a lenda da deusa perdida! Essa história foi primeiramente contada por um Oráculo do Espírito de Delfos há muitos e muitos anos atrás; mas todos acreditam que a lenda era na verdade uma profecia, e que mais cedo ou mais tarde pode acabar se concretizando.
Os campistas ficaram animados com a intensidade da narração do Deus do vinho – que por um acaso também é Deus do teatro, e por isso, um ator nato.
- Dionísio, pare – pediu Quíron.
- Quíron, não atrapalhe – pediu Senhor D.
Ele pegou uma lata de Coca Diet de uma bandeja que um sátiro carregava e abriu. Deu um longo gole e continuou:
- Era uma vez uma deusa, fruto de um romance entre um Deus Grego e uma Deusa Romana. Essa Deusa foi muito bem recebida pelos Deuses do Olimpo, apesar de uma deusa literalmente greco-romana ser uma novidade. Seu nome significava luz e seus olhos pareciam refletir a luz das estrelas. Assim foi: a menina seria a Deusa das estrelas. Essa Deusa cresceu, e roubou o coração de um Deus do Olimpo. Os dois estavam apaixonados, e tinham a eternidade pela frente. Mas alguns Deuses não ficaram felizes com a chegada de uma nova Deusa, se sentiram ameaçados por ela, e planejavam roubá-la e aprisiona-la!
Nessa hora a fogueira queimava com chamas roxas de animação e tensão.
- Mas essa Deusa foi salva pela esposa de um dos Deuses que planejavam roubá-la; mas a sua segurança lhe custou sua memória.
Os campistas prenderam a respiração.
- A Deusa achou que se a pequena Deusa crescesse longe de tudo aquilo, e se os Deuses que planejavam fazer mal a ela soubessem que ela estava desaparecida e desistissem; seria muito melhor para a pequena Deusa das estrelas.
Ele parou e deu um longo gole em sua Coca Diet.
- A menina acordou sem memória e sozinha no deserto, sem saber quem era e o que estava fazendo ali.
Elaine sentiu um aperto no coração.
- E diz a lenda, ou profecia, seja como for, que a Deusa teria de encontrar seu caminho ao lado dos amigos sem a ajuda dos Deuses. Se ela conseguisse fazer isso, se provaria digna de ser uma Deusa e teria sua memória de volta. A angústia dos Deuses seria curada e ela iria de volta para a casa que era dela por direito – o Olimpo.
Os campistas ficaram olhando o Senhor D acabar com a sua Coca Diet em dois longos goles.
- Que foi pirralhos? Eu não tenho culpa se a lenda acaba na melhor parte.
Os campistas soltaram um enorme “aaaaaaaaaah” e começaram a sair das arquibancadas aos poucos; mas Elaine não conseguia se mexer.
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