The Lost Demigod - Fic Interativa
19 Enfim o fim... Ou um novo começo?
Notas iniciais
Pov. Rachel
Assim que Harry cortou minhas as correntes comecei a correr. Pedras de mais de vinte quilos começaram a cair em volta de mim, eu ouvia os gritos dos monstros e semideuses que estavam do lado de Minos enquanto tentavam se esquivar daquelas rochas enormes. Tive pena deles. Meus amigos corriam como eu, Corallyn se desvencilhara da horda de monstros que a cercava e puxava Minos pelo braço, Harry carregava Milene com os braço passado atrás de dos ombros da garota e puder ver Mary e Josh correndo a poucos metros de mim com resto de uma rede de bronze celestial presos em duas pernas e Luna e Dílis correndo perto de seus tornozelos. De onde Hades eles vieram??
Olhei para meus pés enquanto corria e tomei um susto.
– Rachaduras! – gritei para os outros – O chão está se desfazendo!
Era verdade, atrás de mim um enorme precipício se abria engolindo rochas, monstros e semideuses se uma vez só.
Minhas pernas doíam, eu estava perdendo o ritmo.
– Rachel! – ouvi o grito de Mary ao longe – Se abaixe!
Bem a tempo, uma lança passou zunindo por cima de minha cabeça. Samantha estava logo atrás de mim, brandindo uma espada com ódio.
– Você vai morrer Rachel! E não tem nada que possa fazer! – ela gritou, eu parei, não ia deixar aquela traidora fazer pouco com a minha cara – Eu posso até morrer, mas você vem junto!
A filha de Quione avançou coma espada levantada, girei minha baqueta no ar a tempo de bloquear se ataque. Samantha avançava, eu bloqueava, ela fez um floreio e passou a espada por debaixo de meus pés, eu saltei e ela gritou. Eu havia aterrissado bem em cima de sua mão direita, provavelmente a quebrando-a.
– Você vai pagar por isso! – a garota gritou, mas eu a ignorei e saí em disparada a tempo de ver Samantha Frost cair do precipício com um urro horrível.
Vi meus amigos correndo metros á frente e apertei o passo. Eu estava indo o mais rápido que eu podia, e aquilo foi um erro, devia estar indo ainda mais rápido.
Com um puxão, caí para trás e bati com minha cabeça em uma pedra. Atordoada, levei minha mão á nuca, ela voltou com sangue.
Droga, pensei, eu não posso morrer assim.
Tentei me levantar, mas notei que havia algo de errado.
As correntes.
Uma pedra do tamanho de uma motocicleta havia caído bem em cima da ponta da corrente quebrada que prendia meu braço direito. Eu estava presa.
– SOCORRO! – gritei em pânico, enquanto tentava puxar a corrente – ALGUÉM ME AJUDE!!
Tudo pareceu acontecer em câmera lenta, o chão sob meus pés rachou ainda mais, eu puxava a corrente com toda a minha força e rezei mentalmente a todos os deuses que conseguia me lembrar o nome, mas eu estava perdida. Não tinha escapatória.
Olhei para o precipício que avançava em minha direção, eu tinha que me livrar daquelas correntes.
De repente, não havia mais chão sob meus pés e eu estava caindo, caindo...
Fechei meus olhos a espera do impacto, eu não sabia o que encontraria no fundo, mas não sobreviveria a queda.
Pov. Milene
– NÃO! Eu tenho que voltar! VOLTE! – eu gritava tentando fazer que Harry voltasse atrás, eu não podia deixar Perseu. Ele tinha que estar em algum lugar! – PERSEEEEEU!
Usei todo meu peso para fazer o filho de Poseidon me soltar e saí tropeçando/correndo/ caindo olhando a minha volta e chamando meu gato.
– PERSEEEU! – gritei mais uma vez. Graças aos deuses eu vi um pequeno animalzinho preto perto do trono de Samantha – PERSEEU! AQUI!
Meu gato começou a saltar de pedra em pedra com uma agilidade incrível, vindo em minha direção.
– Milene! Nós temos que ir! Esse lugar está indo abaixo! – Harry puxou meu braço, mas eu resisti
– Eu tenho que buscar meu gato, Harry. Não posso deixar ele aqui! – respondi gritando, para que Harry ouvisse.
– Então temos um problema. – ele me encarou – Porque eu também não posso te deixar aqui. PERSEEEEU!
Sorri com a ideia de Harry estar me ajudando, mas logo me concentrei no que eu deveria fazer.
– PERSEEEEEEEEU! – gritei pela última vez e meu gato deu um enorme salto, acabando em meus braços – Vamos!
Apoiei-me em Harry e nós dois voltamos a correr com Perseu em meus braços.
Pov. Rachel
Quinze foram os segundos que fiquei no ar antes de perceber que não estava mais caindo. Senti braços me segurando e ouvi o barulho suave de asas batendo, primeiramente achei que eu tivesse morrido, mas quando abri os olhos, minha visão era bem real.
Eu estava no precipício, mas eu já não caía mais, estava nos braços de Miguel.
É claro, numa situação normal eu teria dado um belo tapa em qualquer pessoa que se atravesse me segurar daquele jeito, mas aquilo não era uma situação normal. Agarrei-me no pescoço do filho de Thanatos com toda a minha força. Eu tremia.
– Calma, você não vai cair... – ele disse naquela voz calma de sempre, notei que ele não estava com seus óculos escuros e que olhava fixamente para frente.
Tentei murmurar um “obrigada”, mas não consegui, estava paralisada, as correntes em meus braços balançavam e se chocavam, fazendo um barulho irritante de metal.
Eu não conseguia ouvir o que acontecia em volta de nós, só via as rochas caindo o chão desabando... Mal percebi quando desmaiei de exaustão.
Pov. Miguel
Quando finalmente pousei eu estava exatamente no mesmo corredor que eu e Charlotte havíamos andado, a diferença era simples, agora estávamos todos lá, Rachel estava desmaiada nos meus braços e a passagem para frente estava obstruída por uma enorme pilha de pedras.
– Finalmente, acabou. – Alana murmurou, aliviada e ofegante, apoiada nos joelhos.
– Nem tanto. – a raiva na voz de Ethan chegou a me assustar, o filho de Zeus estava ajoelhado no chão ao lado de Milene que parecia abalada enquanto acariciava seu gato preto, este, todo sujo de poeira e terra. Percebi que na verdade havia mais um semideus entre nós. Parado bem ao lado da irmã, Danniel Noturno.
O eidolon sumira, Minos se fora, os olhos de Danniel e Corallyn Noturno estavam exatamente iguais, negros com estrelas brilhantes.
– Dan! – ouvi o grito de Felícia e tive que desviar quando um furacão ruivo passou por mim e abraçou o garoto com força. Danniel pareceu um pouco desconfortável.
– Lice? – sua voz era totalmente diferente da de Minos, era a voz de um cara normal de 16 anos e não a de um rei com mais de mil – Meus Deuses! É você!
Pov. Danniel
Encarei Felícia. Fazia muito tempo que eu não a via, obviamente um holograma não contava. Ela não tinha mudado quase nada em seis anos, é claro, com exceção do fato de ela agora ser pelo menos um dez centímetros mais baixa que eu e...
– De onde vocês se conhecem??? – Corallyn exclamou confusa – Não vai me dizer que ela é a...?
– Ruivinha? – completei, sorrindo – Sim, ela é a ruivinha.
Corallyn pareceu ficar irada, pelo jeito Felícia não deveria ter contado para ela...
– Di Immortales! Eu estava tão preocupada eu... – Minha irmã estava chorando? Antes que eu pudesse falar qualquer coisa sobre isso Corallyn se virou para Felícia – Por que não disse antes?
– É que eu meio que... – começou Felícia, mas eu a interrompi.
– Eu pedi para ela não contar. Você nunca foi lá muito fã da Felícia quando era menor, se você descobrisse... Entende? – até que aquilo era meio verdade – Senti sua falta Cad. – ri e minha irmã revirou os olhos com a mudança repentina de assunto – E agora, como saímos daqui?
– Deixa comigo. – uma garota de cabelo escuro e repicado falou – Sou filha de Hades. É só darem as mãos e... – a expressão da garota mudou de alívio para pânico – Cadê o Thomas??
Pov. Alana
– Cadê meu irmão?? Onde e-ele.. Ele estava aqui! Ele estava... – Angelina estava à beira de um colapso, ela chorava e arrancava pedras na barreira que se formara no corredor como louca, mas não havia volta – E-ele estava bem do meu lado ele estava...
– Logo atrás da Rachel. – completou Jenna, de cabeça baixa – O chão se abriu e ele foi engolido... Ele está...?
– Morto. – Giovanna estava abalada, chorava enquanto observava Angelina – Nós temos que ir Angel ele...
– NÃO! Ele tem que estar vivo ele TEM que estar! – gritou a filha de Atena – E a Sophia? Onde ela está?
– A Sophia ela... – Mary parecia abalada quando começou a falar, seus olhos se encheram de lágrimas rapidamente – Não sobreviveu. Tinha uma ponte e... – antes que a filha de Afrodite terminasse Josh a abraçou e Mary começou a soluçar.
– Mas o Thomas ele não pode ter... – os joelhos de Angelina pareceram enfraquecer e a filha de Atena caiu no chão.
Fiz o que era certo, segurei a mão de Charlotte e minha irmã entendeu, segurou a mão de Felícia, que segurou a de Danniel e assim por diante até chegar a Giovanna, então toquei no ombro de Angelina e tudo ficou negro.
***
Pov. Mary
Logo estávamos rodeados por um bando de filhos de Apolo. Eles levaram Rachel, Milene, Corallyn e Danniel para a enfermaria e cuidaram dos arranhões e cortes do resto de nós, fiquei feliz por encontrar minhas meias-irmãs, especialmente Piper, que me dera tantas dicas (mesmo que eu não tenha seguido nenhuma delas).
– Vocês foram muito bem. Estou muito feliz que estejam de volta. – minha irmã deu um abraço triplo em mim, Jenna e Rachel – Primeira missão, hein?
– É... – respondi triste.
– Na fogueira vocês irão queimar suas mortalhas, não se atrasem. – e ela foi dar parabéns para os outros deixando um silêncio mortal para trás.
– E agora? – Jenna perguntou, mordendo o lábio inferior.
– Vamos voltar a ser o que nós um dia fomos? – sugeriu Rachel, incerta.
– Não, vamos viver como pudermos com tudo o que já aconteceu. – respondi e minhas irmãs assentiram, nós três estávamos chorando.
Pov. Josh
– Josh! – fui atingido por uma massa de cabelos loiros e abri um sorriso enorme – Meus deuses! Eu estava tão preocupada! Will vai ficar tão feliz!
– Ei, calma aí... Eu acabei de voltar de uma missão potencialmente suicida, quero descansar! – soltei minha irmã e ela me encarou, ainda sorrindo, seus olhos estavam marejados.
– É claro que está cansado! Está tão magro! Venha, eu te levo pro chalé. – Ashley tinha um sorriso lindo, fiquei feliz por vê-lo de novo – Peter! Anda logo! Estamos indo para o chalé!
Olhei para trás, meu irmão conversava com Alana, que parecia meio triste. Para falar a verdade, todos nós estávamos e eu falaria sobre isso com Ash assim que chegasse ao chalé.
Pov. Angelina
Eu estava com raiva de Alana por ter me tirado daquele lugar, mas Thomas tinha morrido e eu tinha que conviver com isso. O problema foi quando Rachel Camilla, a gêmea de Thomas, apareceu.
– Como assim ele... – a garota começou a chorar e espernear, xingando a todos em alto e bom som em todas as línguas que conhecia – E-ele não pode! Ele era meu irmão! Seu bando de filhos de uma harpia! Por que não ajudaram ele??
– Rachel, eu sinto muito é que... – começou Mary, mas a filha de Afrodite levou um belo tapa.
– Ele era meu irmão! Ele não... Ele não pode... – Rachel Camilla se sentou na grama abraçando os joelhos e começou a chorar abertamente, seus soluços eram de cortar o coração. Lembrei que eu havia feito quase a mesma coisa há somente alguns minutos atrás.
Aproximei-me de minha meia-irmã e me sentei ao lado dela, lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto e eu só consegui dizer uma coisa:
– Eu gostava do Thomas, ele também é meu irmão, entende? – Rachel Camilla parou de chorar de repente e me encarou, os olhos vermelhos de tanto chorar.
– S-seu irmão?
– Aham... Também sou filha de Atena. – respondi e a garota me abraçou. Eu retribuí o abraço, eu sabia o quanto ela precisava daquilo.
Pov. Charlotte
Eu não estava no menor clima de festa quando entrei no meu chalé com Alana. Meus irmãos e irmãs me parabenizaram, me deram tapinhas nas costas e me abraçaram. Eu retribuía os gestos com pequenos sorrisos amarelos e simples “hum” ou “aham”. Naquele momento a única coisa que eu queria fazer era deitar no meu beliche e dormir por um século.
Contei as pessoas que nós havíamos perdido. Samantha, Sophia e Thomas. Parece pouco falando assim, mas a morte de três pessoas pode acabar com o emocional de muita gente. Eu vira como Angelina havia reagido com a morte de Thomas, eu vira o modo como Mary estava quando começou a falar de Sophia. Ninguém falara de Samantha, ela morrera como traidora, ponto final.
Subi em meu beliche e fiquei encarando o teto. Logo meus irmãos me dispersaram e eu pude tentar dormir em paz. Eu digo “tentar” já que eu nunca que conseguiria dormir naquelas condições.
Pov. Felícia
Milena me deu um abraço assim que entrei no chalé. Dílis chiou com o susto e correu para longe em direção à floresta do acampamento.
– Meus deuses! Você voltou! – minha irmã estava muito feliz, mas eu não conseguia abrir nenhum sorriso.
– Os outros já estão aí dentro? – perguntei, minha voz saiu totalmente sem emoção.
– Bem... Sim? – Milena não parecia muito confiante. Adentrei o chalé e dei de cara com Trevor, o mais velho de meu chalé.
– Como foi a missão? – ele perguntou, não respondi, somente avancei e fui para meu beliche.
– O que há com ela? – ouvi minha outra irmã, Harriet, perguntar baixinho para Milena. Eu não aguentei.
– O QUE HÁ COMIGO??? – gritei, irritada – Nada, só o fato DE DUAS PESSOAS TEREM MORRIDO! Tudo isso por conta dessa missão idiota!
Virei para o lado, chorando de raiva e fechei os olhos, rezando para conseguir dormir.
~~~~~3 horas depois~~~~~
Pov. Ethan
Eu estava ali, sentado ao lado da maca de Milene por sei lá quanto tempo. Enquanto os filhos de Apolo passavam voando carregando ataduras, curativos e remédios. Quando finalmente deixaram Milene em paz, o machucado na panturrilha da minha irmã não passava de um corte coberto de ataduras.
– Ethan? – levantei os olhos, Jenna estava parada em pé perto da cama.
– Sim?
– Ela vai melhorar?
– Aham. Eles já tiraram todo o veneno, logo ela vai acordar. Só vai precisar aqui até lá e ela já poderá sair andando. – respondi sem muitos rodeios, voltando os olhos para Milene.
– Mas isso é bom. Não está feliz? – a filha de Afrodite se sentou ao meu lado.
– Como eu posso ficar feliz com tudo aquilo que aconteceu? – Jenna engoliu em seco e baixou os olhos, pude ver que eles estavam molhados.
– Sei disso, sei disso... Só vim aqui para ver como vocês estavam... – ela ameaçou levantar, mas eu segurei se braço.
– Desculpe, acho que eu estou meio irritado.
– Tudo bem, eu entendo. Sei que é difícil conviver com isso. Só fico pensando em como vai ser daqui para frente... – Jenna deu um pequeno sorriso torto, eu não podia mentir, ela era bonita – Ah! Quase ia me esquecendo! Tome. Tomei a liberdade de fazer seu prato, não podia deixar você ficar sem comer.
A filha de Afrodite me entregou uma marmita e eu agradeci. Logo depois ela foi embora, sem não antes sussurrar um pequeno “de nada”.
De repente me lembrei do cristal. Eu não sabia exatamente a razão deu eu lembrar dele justo naquele momento, mas eu o tirei do bolso de meu casaco. Estava exatamente igual a quando Angelina o achara, eu tinha que quebra-lo.
Levantei-me e ergui o cristal acima da minha cabeça, ele imediatamente se tornou um prato, como acontecera com Narcysa. Respirei fundo, e joguei o cristal no chão, ele quebrou com quase nenhum ruído e logo a “sombra” do carro onde minha irmã morrera se materizou.
As cenas passaram rapidamente, Cato ajudando minha mãe a sair do carro, os dois me segurando enquanto eu gritava que deveríamos ir atrás de minha irmã... Doía ver tudo aquilo como um espectador e não poder fazer nada. Minha irmã se fora há muito tempo. Eu tinha que seguir em frente.
Pov. Miguel
Pelo jeito enquanto eu estava em missão haviam construído um chalé para mim. Era negro com detalhes em bronze celestial e acima da porta haviam duas asas negras esculpidas em ferro estígio. O interior era até confortável, os beliches eram de madeira negra, mas toda a roupa de cama era branca.
Eu fiquei sentado em um beliche qualquer por um bom tempo antes da concha soar indicar a hora do jantar.
Pov. Harry
A fogueira estava meio indecisa naquele dia. Vagava entre o roxo escuro e o dourado. Sentar debaixo na bandeira de Poseidon nunca foi tão ridículo.
Percy estava junto com sua namorada, Annabeth, a garota parecia muito abalada com a perda de Thomas. Eu estava sozinho.
– Olá. – ouvi uma voz fraca as minhas costas, me virei e Milene se sentou ao meu lado – Como vai?
– Bem agora que se que você está andando. – dei um pequeno sorriso ela retribuiu e apoiou sua cabeça em meu ombro, seu gato se deitou em meu colo.
– Quando eu acordei o Ethan estava no pé da cama. – Milene parecia um pouco triste.
– Os filhos de Apolo não me deixaram entrar na enfermaria. – respondi, era verdade.
– Entendo... Pronto para queimar sua mortalha?
– Acho que sim. – Milene deu um pequeno sorriso e se virou para mim.
– No final a missão até que foi boa para mim.
– Por quê? – perguntei curioso
– Eu fui deixada com três meses de vida na porta de um orfanato em Manhattan, Harry. Minha única companhia eram meus livros... Mas agora, eu tenho você. – sorri com as palavras dela, Perseu soltou um miado e Milene logo completou sua fala – É claro, eu também tinha Perseu.
Gargalhamos juntos e então eu me lembrei da cena na caverna e parei de rir na hora. A expressão de Milene quando percebeu que Perseu não estava por perto invadiu minha mente e a garota deve ter percebido.
– Sabe, eu tenho uma razão. – olhei para a filha de Zeus, tristeza brilhava em seus olhos verde-azuis, ela parecia ter lido meus pensamentos – Perseu não é só um bicho de estimação para mim.
– Sei disso, eles nunca são. – ri, mas a expressão de Milene permaneceu séria.
– Harry, Perseu... Ele é... Como a Corallyn e o Danniel. Ele é meu protetor e parte de minha alma. – eu não entendi a princípio, era muita informação. Encarei Milene por alguns segundos e ela assentiu enquanto Perseu foi para o colo da dona – Você viu como eu quase nunca me separo dele. Perseu é a razão de eu ainda estar viva, Harry, se ele morrer... Eu morro.
Suas palavras me atingiram como um raio, e olha que eu não tive nenhuma intenção com o trocadilho. Olhei para o gato, que estava deitado no colo de Milene de um jeito preguiçoso e divertido de ver, imaginar que aquele gato com o nome do meu irmão era o protetor da garota que eu gostava era quase absurdo.
– Você tá falando sério?
– É claro que estou cérebro-de-peixe! Acha mesmo que eu brincaria com essas coisas?
Eu ia responder, mas então notei o apelido no qual ela me chamara.
– Cérebro-de-peixe? Sério? Não foi a Corallyn que tinha inventado isso?
– É, ela mesma. Eu não sou muito boa com apelidos, sabe? – Milene olhou para mim, rindo.
Nos beijamos ali mesmo, nem ligando para quem veria ou não, mas de repente uma voz conhecida veio de trás de mim.
– CAHAM. Se eu não estiver atrapalhando os pombinhos... – Rachel Camilla estava parada bem atrás de nós com cara de desgosto e parecia impaciente – Quíron está chamando vocês.
Pov. Narradora
Quíron pediu silêncio, todos os semideuses que participaram (ou acompanharam) a missão estavam logo atrás dele, esperando serem chamados para queimar as mortalhas que tinham sido entregues a eles.
As três filhas de Afrodite estavam lado a lado. A mortalha de Mary era rosa, para o desgosto da garota, com desenhos de pombas brancas, a de Jenna era parecida, só que azul, já a de Rachel era branca com desenhos de rosas.
Do lado direito de Rachel estava Felícia, sua mortalha era toda verde, com desenhos de trevos de quatro folhas, a de Charlotte, ao seu lado, azul um desenho de um caduceu sem cobras (talvez referente ao medo dela), já a mortalha de Alana, que estava ao lado de Charlotte, era quase idêntica, mas o caduceu possuía cobras.
Ao lado de Alana, estava Milene, com sua mortalha confeccionada pelo chalé de Atena, toda branca com desenhos de nuvens prateadas e raios dourados.
Ao lado da filha de Zeus estavam Giovanna, Corallyn, Narcysa e Angelina com suas mortalhas, a de Giovanna, negra com desenhos de caveiras, a de Corallyn, negra com estrelas prateadas, a de Narcysa, pérola com desenhos de pessoas aladas, e a de Angelina, cinza-clara com desenhos de corujas de todos os tipos. Todas as garotas estavam paradas do lado esquerdo de Quíron.
Os garotos, do lado direito estavam igualmente dispostos. Logan, com sua mortalha vermelho-sangue com o desenho tosco de uma moto, Ethan, com sua mortalha cinza com desenhos de raios dourados confeccionada, assim como a de sua irmã, pelo chalé de Atena, Peter, com sua mortalha dourada com um sol desenhado e prateado, Josh, com sua mortalha também dourada com um desenho de um arco e flecha marrom, Miguel, com sua mortalha negra com um desenho de duas asas acinzentadas, Colin, com sua mortalha roxo-escura com o desenho de duas tochas acesas, e por fim, Harry, com sua mortalha verde-mar com desenhos de tridentes azuis.
Quíron bateu os cascos no chão e pediu silêncio.
– Semideuses! Atenção! Esse grupo de nada mais, nada menos, que vinte pessoas voltou de uma missão perigosíssima hoje, eles merecem os parabéns! – aplausos por parte dos outros campistas foram ouvidos – Porém, eles passaram por muito antes de chegarem aqui, inclusive pela perda de três semideuses, Sophia Lavedell, filha de Éolo... – pode se ver uma pequena lágrima escorrendo pela face de Mary ao ouvir o nome da garota – Thomas Hernadez, filho de Atena... – todo o chalé da deusa da sabedoria pareceu se juntar em um só, as garotas choravam e os irmãos tentavam acalmá-las com tapinhas nas costas e palavras de incentivo – E por fim, Samantha Frost, filha de Quione.
A fogueira foi tomada por um silêncio mortal ao ouvir o nome da traidora, mas Harry rapidamente quebrou o silêncio, se pondo ao lado de Quíron.
– Há mais uma semideusa que perdeu a vida e merece ser lembrada. – todos os campistas encararam o filho de Poseidon, confusos – Layla Jean Trout, filha de Aristeu, eu não a conhecia bem, mas foi ela que me soltou de minha cela e a Milene, eu devo minha vida a ela. – Milene logo se pôs ao lado do garoto, dando ênfase em suas palavras.
Quíron deu um pequeno sorriso de compaixão, assim como a garota.
– É claro, e Layla Jean Trout, filha de Aristeu. – o centauro completou, sorrindo – A nossa oráculo, Rachel E. Dare também deseja dar sua palavra. – Quíron deu alguns passos para trás e a oráculo se adiantou:
– Dou meus parabéns aos semideuses da missão e os admiro pela coragem. Devo agora chama-los a queimar suas mortalhas, em sinal de triunfo, e se sentarem em baixo das bandeiras de seus chalés.
Pov. Ethan
Milene e Harry foram os primeiros a jogar as mortalhas na fogueira, mas logo chegou a minha vez. Respirei fundo, mas quando ia jogar a mortalha nas chamas, alguém segurou meu braço.
– Desculpe pelo jeito que falei com você mais cedo. – Ethan estava bem ao meu lado e soltou meu braço no momento em que olhei para ele.
– Tudo bem, sei como foi difícil ter visto a Milene daquele jeito... – mordi o lábio – No três? – perguntei, me referindo a nossas mortalhas.
– No três. – ele assentiu
– Certo. 1... 2... 3! – jogamos as mortalhas ao mesmo tempo, dei um suspiro de alívio, finalmente tudo aquilo acabara.
Pov. Felícia
Fui a última a jogar minha mortalha na fogueira. Logo me sentei novamente embaixo da bandeira de Tique enquanto eu via os outros rindo, chorando e conversando a minha volta.
– Entediada? – tomei um susto ao notar que Danniel tinha se sentado ao meu lado.
– Mais ou menos. – respondi – Já queimou sua mortalha?
– Eu não tenho mortalha, lembra? Passei a maior parte da missão com prisioneiro. – Dan deu um daqueles sorrisos travessos e idiotas que eu lembrava de quando éramos menores – O que acha de darmos uma volta?
– Você não acha que vão notar nossa falta? – perguntei, forçando um sorriso.
– E daí?– eu realmente estava sentindo falta do Dan. Ele tomou minha mão e saímos escondidos.
***
– Eu realmente senti sua falta Lice. – lá estávamos nós, sentados na beira do lago, com os pés descalços na água, conversando sobre coisas que haviam acontecido há seis anos.
– Minha falta? Você sumiu no meu feriado favorito! – o encarei, rindo.
– Não foi minha culpa! Meu pai teve que fazer uma viagem de última hora, não teve como avisar! Vamos lá, eu tinha oito anos! – Danniel gargalhou e eu o acompanhei, sentia falta de rir com ele.
– Eu também senti sua falta apesar de tudo... – comentei e o olhei para ele, as estrelas em seus olhos pareciam brilhar ainda mais durante a noite, dava até para ver o reflexo da lua neles.
– Eu achava que você não tinha mudado nada... Acho que me enganei. – me aproximei dele, sorrindo.
– Você também mudou muito. Me lembro que você era mais baixo que eu... – gargalhei e ele se aproximou ainda mais.
– Senti sua falta, Felícia. – ele me beijou. A última coisa que poderia acontecer comigo, Felícia Luckyheart, aconteceu. Eu realmente estava beijando Danniel Noturno.
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