Caroline Davis

Ser filha de Éter têm coisas boas.

A melhor de todas é que podemos sempre fazer vento empurrar a vadia chata que odiamos para um poço ( Porque é para isso que as vadias servem: para serem empurradas ). Depois têm a questão de Éter ser o ar brilhante que os deuses inspiram. Filhos de Éter têm todo o brilho desse ar glitteroso. Ou seja, se olharmos por um lado, ser filho de Éter é quase como nascer e jogar purpurina em tudo e todos. Principalmente quando se nasce ruiva.

Mas como a Merida diz: “ Ruivos gostam do seu cabelo indomável. “

Merida, você é a maior mentirosa da Escócia.

A verdade é que cabelo de ruivo chama muito a atenção, principalmente quando está num fundo branco com está sol. E como se não bastasse todo mundo ficar olhando para mim como se eu estivesse pegando fogo, meu cabelo fica fazendo cosplay de balão.

E aí está a parte má de ser filha do deus do ar.

Porque está sempre soprando vento na parte detrás da sua cabeça, porque meu querido ( notem a ironia ) pai julga que eu quero saber sempre da presença do seu “ arzinho “ e vive me jogando vento para a nuca. E como se não bastasse, meu cabelo é naturalmente Bombril!

Bem, perdi tanto tempo falando do ventinho de Éter que nem sequer me apresentei.

Meu nome é Caroline Davis, nasci em Toronto e vim para o Acampamento aos 12 anos depois de um manticora me atacar quando eu estava voltando a casa de um treino de hóquei. Tenho cabelos ruivos compridos e olhos castanhos, sou alta e tenho uma incrível coleção de sardas em todas as partes do corpo. Oh, e tenho um dragão.

A história de como eu consegui o Jura é longa e chata, por isso não vou contar ela. Vamos só dizer que incluí uma meia de manteiga, um vendedor de pipoca e uma fúria que dançava o tango.

- Oi, Jura. — Falei, enquanto pousava o meu arco-e-flecha e entrava no meu clã.

Jura é um grande dragão, com o tamanho suficiente para ocupar várias linhas de um campo de futebol americano. Suas escamas eram douradas e azuis, seus olhos cor de ouro derretido. Cada uma de suas asas têm o dobro do tamanho do corpo, e são cobertas por uma pele parecida com couro e acastanhada.

Lindo e mortal.

O primeiro clã era um hangar de dois andares, com vários quartos organizados ( tirando o meu, que parece que bateu uma grande explosão, mas enfim ) e armários de livros, roupa e restantes objetos pessoais para cada campista, como todos os outros, mas tínhamos alguns ajustes para ajudar os semideuses, como um pequeno jardim do lado de fora para os filhos de Gaia, mesas de maquilhagem para os filhos de Eros, um Cantinho Escuro, conhecido popularmente como “ Cantinho da Depressão “ para os filhos de Tártaro e, claro, um grande ninho para o Jura, no telhado, depois de uma abertura em metal.

Subi as escadas para o ninho, abri a porta e me sentei no pequeno banco de madeira ao lado do ninho.

Jura, meu dragão, levantou vôo e pousou no seu ninho feito de metal e palha, por cima do jardim dos filhos de Gaia, onde vários pedaços de carne sangrenta repousavam. Acho que vi algumas camisetas do Acampamento, mas deixa quieto.

- DAVIIIIIS! — Gritou Natasha, dentro do hangar. Eu já falei o quanto odeio vadias? Sim? E já falei o quanto odeio viver no mesmo clã que uma vadia? Não? Pois falei agora.

- QUE FOI, VADIA?! — Gritei, pontapeando os pedaços de carne para chegar até à abertura que dava para o interior quente do hangar. Natasha estava ao lado de sua cama rosa que agora não estava tão rosa… nem limpa… ou intacta… ou com condições para ter um ser humano deitado lá.

- SEU DRAGÃO VOLTOU A DORMIR NA MINHA CAMA?!

- Não. — Dise eu. — Eu simplesmente dei a ele seus cobertores e lençóis para brincar. E depois embrulhei comida de dragão nela.

Natasha estreitou os olhos, tirando uma mecha de cabelo.

- Este parece o cabelo daquele filho de Nesoi.

- NÃO, NÃO PARECE! — Gritei. — E AGORA VÁ EMBORA EU FAÇO VENTO JOGAR VOCÊ NUM CONCERTO DO RESTART!

Óbvio que, com uma ameaça assim, a vadia foi embora imediatamente, resmungando e me chamando de Água de Salsicha e Ferrugem. Se ela soubesse os nomes que eu lhe chamo, pararia de me chamar nomes ofensivos para ruivos e começaria a chorar.

Suspirei e peguei um dos meus livros favoritos, Cidades de Papel, e me sentei no ninho de Jura lendo enquanto outros campistas do primeiro clã entravam e começavam a falar sobre “ uma desgraça tão terrível que só poderia ser igualada pelo fim do mundo “ e “ da morte de qualquer criatura viva no planeta “.

- Isto é terrível… — Sussurrou Dean, meu irmão favorito ( sqn ) enquanto se sentava a meu lado no ninho. Jura rosnou e ele se colocou de pé.

- Que foi? — Perguntei, sem tirar os olhos da viagem de Quentin, Ben, Radar e Lacey para Nova Iorque. — Acabou o bacon?

- Pior.

- Acabou a pizza?

- Ainda pior.

- Acabou a Nutella?

- Ainda não chegou ao nível de horripilante e catástrofe.

Desviei os olhos do livro durante o tempo suficiente para lançar um olhar de desprezo a Dean.

- Se a comida não acabou, porque está interrompendo minha leitura, otário? — Perguntei, revirando os olhos. — Fale comigo quando for uma questão de importância.

- TÊM UM TUBARÃO BEBÉ NO ACAMPAMENTO!

- Que legal. — Falei, virando uma página.

Nesse momento ouvimos o grito histérico de Natasha no banheiro.

- MAS ESSES FILHOS DA GÓRGONA NÃO ME DEIXAM LER?! — Berrei, pousando o livro delicadamente ao lado dos alforges e da sela de Jura, enquanto me levantava e caminhava até ao banheiro. A porta estava escancarada, e Natasha tinha atirado todos os frascos de champô, condicionador e restantes produtos espalhados pelo chão, água por toda a parte e… um tubarão bebê na banheira.

Gritei, pulando para trás e batendo contra uma garota de cabelos castanhos cacheados e olhos azuis.

- Cuidado por onde anda. — Reclamou a moreninha que pensa que brilha como a ruiva aqui.

- Cuidado… cuidado por onde fica parada. — Falei, estalando os dedos na cara da recalcada.

A morena revirou os olhos.

- Pelo menos eu não sou um saco de sardas.

- PELO MENOS EU NÃO SOU UMA MELANINA AMBULANTE!

- Bitches, shut up, please. — Falou uma ruivinha falsa. Afffs, essas ruivas falsas, achando que chegam no meu calcanhar purpurinado. E acabei de perceber que eu já falei muitos Afffs hoje.

Me virei para o tubarão na banheira e peguei uma espada.

- Okay, se afastem todos. — Anunciei. — Isto podem ser imagens fortes.

- NÃO FAÇA MAL A MEUS BEBÉS! — Berrou a moreninha de olhos azuis.

- Mas é apenas um tubarão, não são seus… bebés todos! — Exclamou uma garota de cabelos e olhos castanhos, entrando no banheiro com mais um grupo de garotos e garotas. MAS O BANHEIRO DO PRIMEIRO CLÃ VIROU A CASA DA TIA JOANA AGORA?!

- ESSA LOUCA NÃO GOSTA DO FREDDIE! — Urrou a Louquinha dos Tubarões. — COMO NÃO PODEM GOSTAR DE MEU FREDDIEZINHO?!

- Não gostando de tubarões, talvez? — Perguntou um garoto de cabelos castanhos que eu reconheci como sendo Arty, um filho da Gaia ( Podem tomar no sentido que quiserem ). A Louquinha dos Tubarões revirou os olhos para ele enquanto retirava o pequeno tubarão da banheira.

- O que… o que essa COISA estava fazendo no nosso banheiro?! — Perguntou um carinha filho de Urano. Vendendo pipoca. O tubarão estava na banheira porque queria treinar para vender pipoca na 25 de Março, ora! Não é uma pergunta ÓBVIA?!

A Louquinha dos Tubarões embalou o tubarão como eu embalo aquele livro muito legal depois de um otário quase o molhar com qualquer tipo de líquido.

- Os tubarões fêmea devoram os filhos quando eles nascem. — Disse ela. — Por isso não posso deixar Freddie sozinho com a Cece. Precisamos de uma nova piscina para ele. De água salgada, de preferência.

- Oh, claro! — Exclamou alguém. — E também devemos lavar ele com água de rosas?!

- Era bom.

Revirei os olhos.

- Bem, infelizmente o Acampamento já gastou fundos para construir uma caverna para meu dragão. — Sorri. — Foi mal, parece que seu tubarão vai ter de ficar com a mamãe.

- Você têm um dragão? — Perguntou uma ruivinha. Essa parecia ruiva natural, mas daquelas ruivinhas melhores amigas da protagonista dos livros, que pulam de arco-íris em arco-íris. Argh, odeio gente que faz cosplay de unicórnio e pula de arco-íris em arco-íris. Não é justo tentarem roubar o emprego dos unicórnios! — Que legal! Eu gosto muito de pandas, mas dragões também são legais! Quando eu era pequena eu sonhava que ia ser uma princesa, e depois um feiticeiro malvado ia me prender numa torre com um dragão, e daí…

Eu meio que desliguei após dez minutos de conversa de arco-íris, ficando apenas piscando, acenando e falando “ uhum “. Por isso, infelizmente, não posso dizer como a conversa acabou ficando….

-... mas o júri do concurso de tortas disse que eu não podia participar com cupcakes!

- O quê? — Perguntou todo mundo no banheiro, acordando de um transe causado pela longa conversa. Até tinha um cara que entrara na banheira e fora dormir para lá.

- Dean, como assim têm um DRAGÃO no seu clã? — Perguntou a garota de cabelos ruivos e falsos.

- É uma longa história. — Respondi, ignorando Dean enquanto ele se preparava para responder. — Tudo começou numa linda tarde de 19 de Julho, às 15:36 em ponto…

- Caroline, Debby pediu apenas para eu explicar se havia um dragão no clã, NÃO como você tinha achado ele. — Resmungou Dean. UI! BICHA LOUCA MAGOADA! CHAMEM AS BICHENTAS E LOUCAS AUTORIDADES DAS BICHAS LOUCAS, PORQUE A BICHA LOUCA DO DEAN FICOU MAGOADA COMN MEU COMENTÁRIO! E, OBVIAMENTE, ISSO VAI AFETAR MINHA VIDA DE TODAS AS MANEIRAS!

- Enfim. — Suspirou uma garota de cabelos negros. — Podemos ver esse dragão?

Revirei os olhos e tirei meu apito para dragões. Sim, eu desenvolvi um apito para dragões, sou um GÉNIO!

Mas, ao contrário dos apitos de cães, que não têm som, os apitos de dragões fazem o som que todos os dragões amam… Uma vadia sofrendo.

- AAAAAAAAH! — A voz de Natasha saiu de meu apito. — SOCORRO! SOCORRO, TÊM UMA ARANHA NA MINHA CAMA! AAAAAAH!

O rosto falso e maquilhado de Natasha ficou vermelho.

- Porque minha voz está aí?

- Porque dragões AMAM ouvir uma vadia sofrendo. — Respondi. — É calmante. Principalmente porque era uma aranha falsa e fui eu que a botei na sua cama.

Natasha rosnou e saiu do clã, pisando duro. Acho que ela têm de pegar o ônibus para Vadia Ville daqui a pouco tempo.

A parede explodiu em pedrinhas, azulejos de banheiro e a banheira virou ao contrário, prendendo o carinha debaixo dela. Ouvimos os gritos afeminados dele e de mais gente quando Jura irrompeu ( Irrompeu, mas que linda palavra, tão chique! ) do buraco da parede.

Estendi os braços e abracei seu pescoço.

- Oi, Jura. — Falei, tirando uma fatia de bacon de meu bolso e jogando para o alto, para ele pegar.

Jura apanhou o bacon com a boca e, depois de o comer, rosnou e soltou uma coluna de fogo. Uma fofura.

Um loirinha com cara de bicha ( Dean não está sozinho ) recuou quando meu dragão se equilibrou nas patas traseiras e abriu as asas.

- Isso é um dragão? — Perguntou ele, tremendo, suando e tendo um ataque cardíaco.

- Uma vassoura é que isto não é. — Respondi, revirando os olhos. — Dragões crescem com facilidade no Alasca, por ter muito espaço, e por isso vamos ter de construir um recinto para o Jura no Acampamento. O ninho dele no primeiro clã está ficando demasiado pequeno.

Afaguei a cabecinha escamosa de meu dragãozinho.

A Louquinha dos Tubarões estalou os dedos na minha cara. OH, ELA NÃO ESTALOU OS DEDOS NA CARA DE UMA RUIVA! VAI ROLAR BA-RRA-CO!

- Olhe aqui, querida, eu dragão já é crescidinho. Meu Freddie é um bebê! Esse monstro pode viver no meio da geleira.

Ofeguei.

- MEU POBRE BEBEZINHO NÃO VAI PARA O MEIO DA GELEIRA! SEU TUBARÃO É QUE VAI PARA LÁ! — Gritei, jogando meu cabelo acobreado para a cara dela. Porque quando uma ruiva joga seu cabelo na cara de alguém, é um sinal gigante dizendo shit just got real!

- Garotas, garotas, não lu… — Começou um instrutor a falar, enquanto entrava pelo buraco da parede.

- THIS IS SPARTA! — Gritei, pegando minha adaga, escondida confortavelmente na minha jaqueta, e ataquei a vadia dos tubarões.

- CAROLINE! CAROLLYN! PAREM! — Urrou Dean, tentando que não nos matássemos. Otário.

Carollyn, a Vadia dos Tubarões, se afastou, limpando um corte que eu lhe fizera na bochecha.

- Tem uma maneira de resolver isto. — Disse ela. — Uma corrida de mascotes. Eu e Tyler. Você e….

- Jura. — Completei. — O nome do vencedor é Jura.

- Você pôs um nome de Ciclo da Herança a seu dragão? — Perguntou a garota de cabelos negros.

Dei de ombros.

- É uma coleção de livros sobre dragões.

- Faz sentido.

A Vadia dos Tubarões bateu palmas nas nossas caras para prestarmos atenção. Sinto cheiro de recalque. Recalque de morena.

- Então é assim: Amanhã, na geleira, depois do almoço.

- A mascote que perder vai ter de ir viver para o banheiro do clã. — Acrescentei.

- O QUÊ?! — Perguntaram todas as pessoas do primeiro e do terceiro clã.

Botei a mão na cara delas, lançando um olhar de desprezo a Carollyn, a Vadia.

- Até ao almoço.

E saí, jogando glitter em tudo e todos.

.

- Só eu que acho que isto não vai correr bem? — Perguntou Bianca, assim que eu coloquei uma sela caseira por cima do dorso de Jura.

- Não é só você. — Suspirou Cat.

Bianca Wrestler e Caitlyn Seafer são minhas melhores amigas no Acampamento. Cat é filha de Hemera, Bianca de Tártaro, e ambas têm cabelos castanhos cacheados.

- Calem a boca. — Mandei, subindo em cima de Jura. — Eu vou fazer as vadias e os manés do terceiro clã chorar.

- Principalmente se o tubarão morder a bunda deles. — Pensou Cat em voz alta. CAT PENSA?! EU ESTOU FICANDO ESTUPIDAMENTE CHOCADA!

Bianca revirou os olhos e me deu um soquinho no braço. Amizade, linda amizade…

- Trate de vencer. Eu não quero partilhar meu banho com um tubarão.

Bufei, enquanto indicava a Jura para levantar vôo até ao lugar da corrida: uma grande extensão de água no meio da geleira, com claques do primeiro e do terceiro por toda a parte segurando cartazes dizendo coisas como: “ TYLER ARRASA “, “ NÓS TEMOS DRAGÕES! “ e ainda um dizendo “ MENDIGO DESESPERDO PROCURA CAIXA DE CARTÃO CONFORTÁVEL NA ZONA DO ALASCA! INTERESSADOS POR FAVOR CONTACTAR A MENDIGOS&CORP “

Eu vou simplesmente fingir que não li isto.

Carollyn estava com Tyler, seu tubarão de bichinha, com água gelada pelos joelhos e com cara de quem estava morrendo de frio. Não posso mentir e dizer que estava melhor, porque não estava: o ar rarefeito que inspiramos quando estamos em cima de um dragão é digno de Quione.

- Pronta para perder? — Perguntou ela, lançando um olhar às garras de Jura.

Sorri, insolente.

- Ia perguntar o mesmo, bitch!

Carollyn torceu o nariz.

- Só eu posso ser inolente!

Joguei o cabelo para trás do ombro, enquanto Mary Rhodes, filha de Ananque, chegava com uma pistola de sinalização para começar a corrida.

- Bem, Srª Insolência, sua posição foi retirada por uma ruiva.

Mary levanta a pistola, soltando um cartucho vazio para o ar e a corrida começa.

Dou um toque a Jura com o calcanhar e ele começa a voar na direção da meta, enquanto eu observo rapidamente o percurso, que contêm obstáculos marítimos e aéreos. Meus obstáculos consistem em blocos de gelo que aparecem desde a água, com buracos para passar com Jura. Os de Carollyn são rochas pontudas que aparecem no seu caminho, sendo impossível passar sem fazer manobras complicadas.

O vento uiva pelos meus ouvidos enquanto me inclino sobre o pescoço de Jura e suas escamas se espetaram no meu queixo de um modo desconfortável.

Tyler e Carollyn estão indo rápido, quase tão rápido como Jura, que se desvia agilmente dos picos de neve, subindo e descendo no ar velozmente. Passámos por um buraco no gelo, rodopiando, e olhei para baixo, para nos ver a ultrapassar Carollyn, que olhou, irritada, para a barriga do meu dragão.

POIS OLHE, VADIA, PORQUE NÃO PODE TER MAIS NADA DE MEU BEBÊZINHO! HUNF!

Soltei uma risada, antes de Jura embater contra uma grande placa de gelo. A curva para a reta final da corrida.

Minhas pernas deixaram a sela e me senti caíndo. Vi Jura rodando sobre a própria cauda, procurando por mim. A lerdeza desse dragão é incrível. Ouvi a torcida do terceiro clã rugir e fiquei com raiva. Então uma coisa prateada saiu de minha camiseta, presa por um cordão a meu pescoço.

Meu apito para dragões.

Levei ele aos lábios e, rapidamente, os gritos de Natasha ecoaram pela geleira. Jura rugiu enquanto descia a toda a velocidade para me pegar.

Abri os braços e as pernas e, quando dei por mim, voltava à boa e velha sela.

- UHU! — Gritei. — CHUPEM ESSA, BITCHES DO TERCEIRO CLÃ! YEAH!

Estreitei os olhos e vi Carollyn, já na reta final, jogando água em todo o mundo enquanto passava. Hora do meu momento de fazer cosplay de Soluço…

Coloquei os pés nos estribos da sela de dragão e puxei para baixo, indicando que estava na altura de fazer qualquer coisa para indicar a Jura que devia descer. Meu dragão se colocou rente à água, na diagonal, e uma onda caiu sobre Carollyn, a obrigando a ir para o outro extrema da geleira. Infelizmente ela continuava à minha frente.

Duas bandeiras vermelhas apareceram a vários metros de nós.

Fitei a filha de Ceto, e nossos olhares se cruzaram com raiva. Dei pequenas palmadas no pescoço de Jura para o apressar.

Vento forte bateu contra a minha cara quando acelerei e, subitamente, meu olhar foi para os cachos de Carollyn. Aprendi uma coisa: que cabelos ruivos e cachos são muitas vezes bombril. E o maior inimigo do bombril é o vento.

Concentrei meus poderes, desviando o vento de minha cara e o colocando todo contra Carollyn, na nuca. Rapidamente, seus olhos azuis ficaram tapados por cabelos e, tentando limpar a vista, sem sucesso, ela começou a espernar por cima de Tyler. O movimento fez ele ir contra um dos obstáculos, e vi a Vadia dos Tubarões mergulhar.

HA!

As bandeiras passaram rapidamente por meus olhos enquanto Jura pousava numa placa de gelo, rugia e deitava uma coluna de fogo para o ar. Snifff, o neném da mamãe está tão crescidinho.

Carollyn saiu do lago, sendo puxada por suas amigas.

- VOCÊ ME JOGOU CABELO NA CARA! — Gritou ela. — VOCÊ TRAPACEOU!

Sorri, cruzei as mãos em frente do corpo e, ainda sorrindo docemente… joguei todo mundo que estava assistindo na geleira.

Ah, eu devia escrever um livro chamado As Vantagens de Ser Filha de Éter. Dean pode ser meu co-autor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.