Reiji Sakamaki estava cada vez mais sem vontade de lidar com seus irmãos.

Já não tinha paciência com Yui, ou com os outros cinco vampiros de sua família.

E cada vez mais seu desgosto de lidar com tudo aumentava, já que sentia que ninguém valorizava o que ele fazia.

— Eu mantenho essa mansão de pé, eu que faço tudo funcionar mas alguém sequer me agradece? Não! Sou obrigado a isso? Não! O que deveria fazer isso só quer dormir e montar nas minhas costas! Um dia dou um basta nisso! -bradava para si mesmo.

Então pensava nas palavras de Ylena e ficava confuso. Passou tantos anos tentando obter a aprovação do pai que não sabia como viver de outra forma. Se não vivesse assim com que propósito ia viver? O que faria?

Esse era seu dilema.

"O que eu vou fazer da minha vida? Para que eu estou vivo? Qual é meu propósito?"

(...)

"Os órgãos da Beatrice estão em você."

"Os órgãos da Beatrice estão em você."

"Os órgãos da Beatrice estão em você."

A voz de Byron se repetia na mente de Ylena sem parar.

Ela não sabia o que fazer com tal informação.

"Byron o que você tá planejando?"

Ela pensou enquanto andava a esmo e sem querer flagrou Ayato sugando o sangue de Yui numa posição um tanto quanto íntima.

"Que falta de elegância! Levasse ela para o quarto!".

Ylena já tinha aprendido como funcionava a pequena disputa pelo sangue da loirinha sem sal e nem tempero.

Todos bebiam um pouco. Podia -se até dizer que ela sentia um pouco de desejo, por que embora ela não soubesse a mordida tinha uma pequena dose de hormônios que visavam deixar a vítima mais "acesa" e assim além de melhorar o gosto do sangue tornava a mordida viciante. Ela iria cada vez mais querer ter dentes cravando a sua carne.

Mas quando se tratava de Ayato não era apenas por causa da mordida. Ylena percebeu isso. Ela o queria. De verdade. E ele a queria também. Não só como alimento. Não só de forma carnal. Ele queria mais e ela também.

Os próprios ainda não tinham percebido o quanto aquilo estava indo longe.

A inexperiência de ambos os fazia cegos ao que acontecia.

"Talvez seja tarde demais para viver isso depois!", ela pensou.

E ficou um pouco triste.

"Esses dois encontraram algo valoroso e nem percebem! Ficam de joguinhos e o tempo é inclemente. Passa. Se eu tivesse sentimentos tão intensos por alguém me lançaria com tudo! Um vampiro não encontra sempre alguém para amar!"

E ficou um pouco chateada.

"Talvez eu nunca encontre alguém para amar."

(...)

—Senhorita Ylena? Telefone do Senhor Byron para você.

— Obrigada.

Assim que o criado saiu ela pôs o fone no ouvido.

— Diga.

— Falta pouco. Falta muito pouco. Você vai sair daí. Me aguarde.

— Byron o que você está fazendo?

— Nada que não tenha feito antes. Ou quase isso.

Ela se arrepiou pensando em todas as experiências que mais pareciam um filme de terror de Byron.

— Cuidado.

— Você também. Quem está no olho do furacão é você.

— Eu vou ser forte Byron.

— E eu também Ylena. Prometo que logo vai acabar.

(...)

Reiji viu a expressão tensa de Ylena.

— Pensei que ficaria melhor ao conversar com seu criador.

—Senhor Sakamaki, eu fico feliz de ter conversado com Byron mas... estou um pouco preocupada.

— Com o que?

— Seja lá o que seu pai tenha pedido para ele fazer... Não é bom. Eu sinto isso.

Ele também não era do tipo que pensava que o pai tinha boas intenções.

— Estou com medo. -confessou, quase em um susurro, sem acreditar que revelou algo tão íntimo.

E Reiji também não gostava do que quer que fosse planejado pelo pai.

— Me diga Ylena. Meu tio gostaria de uma visita?

Ela ficou surpresa, mal acreditando no que ouviu.

— Byron adoraria conhecer você e o seu irmão Reiji. São o que restou a Beatrice. -"Além de mim", refletiu ela, mas não planejava contar para Reiji algo tão importante.

— Então vamos lá.

Ela não entendeu.

— Desculpe, vamos onde?

— Nós vamos até ele. Quero conhecer meu tio e ver o que meu pai está tramando! Pegue suas coisas, vamos imediatamente.