The Long and Winding Road

4 Bridge Over Troubled Water


Notas iniciais
✨ Antes de começar o Capítulo 4… Se essa história está tocando seu coração, compartilhe com quem ama romances intensos e deixe seu comentário ao final 💌 Sua opinião é o que mantém The Long and Winding Road viva. Boa leitura 🤍

(Final de agosto, início de setembro de 1959)

O verão começava a perder a força, mas ainda resistia nas tardes longas e douradas que faziam a cidade inteira parecer suspensa entre a juventude e algo que ninguém sabia nomear. A varanda dos Swan estava cheia naquela noite. As duas famílias dividiam o espaço como se fossem uma só — cadeiras de madeira alinhadas, copos de limonada suando sobre a mesa, o cheiro de carne assando no quintal misturado ao riso alto de Emmett.

Carlisle conversava com Charlie sobre o hospital da cidade, os dois homens com aquele respeito silencioso que nasce da admiração mútua. Renée ria de algo que Esme comentava, inclinando-se para tocar o braço da amiga com carinho natural. Havia ali uma harmonia doméstica que fazia tudo parecer seguro demais para ser verdade.

No gramado, os jovens ocupavam o espaço com energia desorganizada. Jasper encostado na cerca, Alice sentada com as pernas cruzadas como uma boneca perfeitamente posicionada, Rosalie com postura impecável mesmo ao ar livre. E Bella — sentada diretamente na grama, de calça jeans e camisa clara, o livro aberto sobre os joelhos, completamente indiferente ao fato de estar cercada por cinco rapazes.

— Você vai acabar criando raiz aí — Jacob Black comentou, chutando levemente o pé dela.

— Ótimo — Bella respondeu sem erguer os olhos. — Assim ninguém me move.

James Platt inclinou-se por cima do ombro dela.

— O que é agora? Outro daqueles livros dramáticos?

— Literatura clássica — ela corrigiu, fechando parcialmente o exemplar de Wuthering Heights. — Algo que exige mais do que três neurônios funcionando ao mesmo tempo.

Paul soltou uma gargalhada curta.

— Você fala como se fosse melhor que a gente.

— Eu não falo. Vocês que se sentem assim.

Emmett aproximou-se com passos pesados, arrancando o livro das mãos dela antes que pudesse impedir.

— Vamos descobrir que tipo de coisa minha irmã anda lendo escondido.

— Emmett Swan, devolve isso.

Ele abriu numa página qualquer e começou a ler em voz alta um trecho intenso entre Cathy e Heathcliff, carregado de emoção e desejo implícito. Não havia detalhes explícitos, mas a intensidade da linguagem bastava para deixar todos desconcertados.

Alice levou a mão à boca.

Rosalie arregalou os olhos.

Paul quase engasgou com a própria risada.

— Isabella! — Emmett fechou o livro abruptamente. — Se o pai sonha que você tá lendo isso, ele te coloca num convento.

— É um romance trágico, não um manual de perdição — Bella rebateu, levantando-se e arrancando o livro de volta.

— Fala de desejo — Jacob comentou, com um meio sorriso.

— Desejo é parte da condição humana — Bella respondeu imediatamente. — Inclusive feminina, caso vocês não saibam.

O silêncio caiu por um segundo.

Paul franziu a testa.

— Lá vem você com essas ideias.

— Que ideias? — ela desafiou. — De que mulheres têm direito a escolher? De que podem decidir se querem casar, ter filhos… ou usar anticoncepcional?

James soltou um assobio baixo.

— Isso é papo perigoso.

— Perigoso pra quem? — ela retrucou.

Edward, que até então observava encostado no tronco da árvore, afastou-se e aproximou-se dela.

— Ela não está errada — disse com calma.

Todos olharam para ele.

— Só porque vocês não estão acostumados a ouvir uma mulher falar assim não significa que ela esteja errada.

Bella cruzou os braços, mas havia algo diferente no olhar dela ao encarar Edward — surpresa misturada com gratidão contida.

Antes que a discussão escalasse, Charlie apareceu na varanda.

— Edward, venha aqui um minuto.

O tom não era severo, mas exigia obediência.

Edward subiu os degraus da varanda, postura ereta quase instintiva.

— Senhor Swan.

Charlie apoiou as mãos na cintura, analisando-o.

— O que você quer com a minha filha?

Edward não hesitou.

— Quero namorá-la oficialmente.

Renée parou no meio da conversa com Esme. Carlisle ergueu levemente as sobrancelhas.

Charlie manteve o silêncio por alguns segundos.

— Você entende que Isabella não é… simples?

— Entendo — Edward respondeu. — É exatamente por isso.

Charlie o observou com mais atenção. Havia ali firmeza, mas também respeito.

— Traga todos de volta antes da meia-noite quando forem ao cinema — disse, tirando dinheiro do bolso. — E mantenha as coisas… apropriadas.

Emmett, que ouvira metade da conversa da escada, gritou:

— Pai, manda a Bella ir de calça!

O comentário ecoou pelo quintal.

Charlie virou-se para a filha.

— Vá de calça, Isabella.

— O quê? — Alice perguntou, chocada.

Rosalie piscou, confusa.

— É para proteger o Edward safadinho aqui — Emmett completou, apontando para o amigo e caindo na gargalhada.

O riso se espalhou imediatamente. Até Jasper deixou escapar um sorriso discreto.

Bella colocou as mãos na cintura.

— Eu sempre uso calça.

— Exatamente — Emmett rebateu, piscando para Edward. — Segurança máxima.

Edward ficou vermelho, mas não desviou o olhar dela.

— Eu não preciso de proteção contra ele — Bella declarou.

— Eu sei — Edward respondeu, baixo o suficiente para que só ela ouvisse.

No dia seguinte, as garotas caminharam pela rua principal. Alice e Rosalie entraram na loja de vestidos, comparando tecidos e cortes. Bella entrou com elas, observou por alguns minutos e saiu com um embrulho diferente nas mãos.

— Outro livro? — Jacob perguntou quando a viu.

— Claro.

Dessa vez ninguém criticou.

Emmett apenas deu de ombros.

— Pelo menos ela é consistente.

Sentaram-se no gramado antes de ir ao cinema quando Jacob lançou a pergunta:

— Qual o sonho de vocês?

Emmett respondeu primeiro.

— Ser militar como o pai. Casar com a Rose. Ter nove filhos.

— Nove não — Rosalie retrucou. — No máximo três.

Risos.

— Quero ser advogado — Jasper disse. — E eu e Alice queremos muitos filhos também.

Alice confirmou com entusiasmo.

— Engenharia — Paul disse. — Dinheiro. Casa grande. Uma esposa em casa.

— Administração — James completou. — E diversão à noite.

Bella revirou os olhos de forma dramática.

— Vocês são previsíveis.

— E você, Cullen? — Jacob provocou.

— Médico — Edward respondeu. — Vida estável. Igual meus pais.

Então todos olharam para Bella.

Ela demorou alguns segundos.

— Quero estudar literatura. Escrever livros. Conhecer o mundo. Morar em Londres. Talvez ser vizinha dos The Beatles.

O rebuliço foi imediato.

— Londres? — Paul quase caiu para trás.

Charlie, que se aproximava, ouviu a última parte.

— Isso é fantasia.

— Não. É plano — Bella respondeu.

Edward apenas a observava como se ela tivesse acabado de revelar um segredo precioso.

No cinema, as luzes se apagaram lentamente.

Bella sentou-se ao lado de Edward, consciente da proximidade, do braço dele roçando o dela.

No meio do filme, ele sussurrou:

— Você realmente iria embora?

— Se fosse preciso.

Ele segurou a mão dela.

— Então eu iria com você.

Ela virou o rosto, surpresa.

— Você não precisa seguir meus sonhos.

— Eu quero.

Na escuridão, ele inclinou-se e a beijou. Não foi impulsivo. Foi decidido.

Como se estivesse escolhendo.

E naquela noite, entre risadas, provocações e promessas sussurradas, o amor deles deixou de ser apenas juvenil.

Passou a ser intenção.