The Little Wolf
11 QUATRO
Notas iniciais
- Joe... o que vai fazer agora ? – já tinha comido o sanduíche, apenas estávamos sentados em minha cama encostados na parede.
- Para falar a verdade eu não sei... até eu tirar o pó da casa vai demorar, e apareceu um imprevisto. – ele olhou para mim.
- Desculpe... – fiquei sem graça e desviei meu rosto.
- Meiko, eu não quero te assustar mas... aquele espírito que vi mais cedo... ele parece ter uma fixação por você. – minha espinha gelou por completo e comecei a tremer.
- ... Ele está aqui... ? – olhei assustada para Joe e sem notar, abracei fortemente seu braço.
- Não, apenas queria saber o que tinha acontecido para você ficar desse jeito. – ele olhou para o seu braço que estava sendo esmagado. Assim que notei soltei rapidamente.
- Sinto muito. É uma longa história sabe... Acho que não vá querer ouvir.
- Bem, agora quem manda que horas vou entrar sou eu, tenho todo o tempo do mundo. – ele sorriu, e correspondi da mesma maneira.
Eu lhe contei toda a história, desde o começo das aulas que conheci o Shin até o massacre de Wolf. As expressões que ele fazia era de um leve espanto, mas quando estava acabando ele ficou apaixonado pelo banho de sangue que parecia uma criancinha viciada em violência, de certa forma, ele tinha gostado do Shin, mas quando contei que ele era meu namorado e que naquele momento uma modelo importada estaria nos braços dele, Joe ficou sério.
- E o pior... – eu abaixei a cabeça lentamente.
- E o pior...? O que é Meiko ? – ele notou como estava e colocou seu braço em volta de mim.
- É que estou grávida desse homem. – não tive coragem de olhar a expressão dele, sei que comecei a chorar e que ele tinha me abraçado.
- Calma Meiko... vai ficar tudo bem... – Joe apesar de não ter cara de amigável, era muito gentil, ele fazia carinho em mim, isso me acalmou bastante.
- Joe.. o que vou fazer com o bebê ? Não posso abortar, já fui bastante machucada e sei que não quero machucar ninguém. Não posso doá-lo, e se ninguém nunca adotar ele ? Ele vai crescer sem família !
- Já pensou em ficar com a criança ?
Eu fiquei em silêncio, olhando para seus olhos azuis enquanto os meus transbordavam lágrimas.
- Não posso... – desviei meu olhar para meu travesseiro, queria muito deitar nele e chorar.
- Por quê ?
- Eu já devo ser um incômodo para minha avó. Se eu trouxer uma criança para cá deve causar mais problemas à ela. E eu sei que ela já está bem idosa para isso, não sei se agüentaria. E quando eu contei para ela que estava grávida... ela teve um ataque e ficou em coma.
- Sabe Meiko, se fosse você, eu ia até a casa desse cara chamado Shin e ia lavar a roupa suja. Ia perguntar quem é a idiota que tenta roubar ele para si, se ele aceita realmente você estar grávida e se vai ajudá-la. – eu dei um risinho, Joe sério era fofo e era uma gracinha.
- Eu já tentei mas, toda vez que tento falar com ele, a canadense não deixa.
- EU CONSEGUI !! – uma pessoa gritou na janela e se jogou para dentro do meu quarto.
- Kurumi ?! – eu e Joe nos assustamos com aquela coisa preta que havia entrado. Kurumi estava vestida toda de preto e com o cabelo preso.
- Meiko ! Eu entrei na casa do... – ela olhou para o Joe e ficou paralisada – Quem é a pessoa sedução sentada do seu lado Meiko ? Tá tentando fazer ciúmes no Shin ?
- Não Kurumi, ele é um antigo amigo meu, Joe.
- Muito prazer. – a pessoa de cabelos escuros pegou a mão da Kurumi e a beijou.
- O prazer é meu, gracinha. – ela ficou sorrindo feito boba.
- Então Kurumi... – disse meio alto – O que conseguiu ?
- Ah sim, como dizia, consegui entrar na casa do Shin ! Eu entrei por uma janela que parecia ser do 2º andar. Tinha um corredor longo e muitas portas. Então, eu vi o Shin, mas quando ele me olhou, não era o Shin ! Ele tinha um rosto maduro demais para ser aquela anta patagônica. Sei que ele me olhou estranhamente e ficamos parados no lugar, até que eu pulei em cima dele e tampei a boca dele e disse que vinha em paz, menos para o Shin. Ele ficou sendo meu refém.
- Você ameaçou ele com uma arma ?! – eu gritei, aquela menina concerteza não era normal.
- Não, não, apenas disse que se ele falasse algo sobre aquilo ia amaldiçoar ele. Mas deixa eu acabar de contar ! Eu perguntei aonde estava o Shin, e ele disse que tinha saído com a bruxa.Isso foi bom que não atrapalhou o meu plano.
- Que seria ? – estava com medo do que ela fosse responder.
- Shiu, shiu, deixa eu acabar de contar menina ! Sua impaciente. Eu perguntei para a versão mais velha do Shin qual era o quarto dele. Então eu fui até a porta e...
- E... ? – odiava esse suspense idiota que ela fazia.
- Eu preguei um número quatro na porta dele ! MUAHAHAHA ! Como sou má !
- E o que isso faz ? – fiquei séria, ela invadiu a casa de um rico pra estragar a porta, meu Deus, vai atrapalhar tanto a vida dele.
- Nunca ouviu falar de que no Japão não há o quarto número quatro ?
- Como assim ? – Joe tinha se interessado.
- No Japão, uma das pronúncias de quatro é ‘Shi’. Isso significa morte, por isso em alguns hospitais ouhotéis não há o quarto ou o andar com esse número.
- Bastante interessante, não é Meiko ? – ele disse radiante para mim.
- VOCÊ QUER MATAR O SHIN ?! – esses hormônios de grávida fazia eu gritar muito.
- Não, só amaldiçoá-lo, bobinha. – ela ficava sorrindo quando dizia.
- Por favor Kurumi, amanhã, vá para lá e se desculpe por assustar o Shizuke, e fala para ele tirar isso da porta dele, sim ? – já vi que teria de cuidar de dois bebês, o do Wolf, e a Kurumi.
- Ah, então o lindo chama Shizuke é... ? – os olhos dela brilharam.
- Por favor, não me cause mais problemas menina.
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