The Little Trickster
2 Filho Ilegítimo
Notas iniciais
Lebanon, Kansas.
Bunker dos Homens das Letras.
Não devia ser nem oito horas da manhã, e Dean Winchester já estava acordado. Ele não dormia muito bem desde que fez a única coisa que poderia fazer quando encontrou o homem – ou seria criatura? – que lhe transferiu um tipo de marca tão penetrante que consumia a sua alma a ponto de transformá-lo em algo que o caçador não queria ser – ou queria, em alguns momentos.
Caim estava morto, e com ele todas as esperanças de tirar a sua “benção” de Dean.
Mas se por um lado, Dean desistia de algum dia se ver livre daquela coisa vermelha no seu braço direito, o seu irmão mais novo, Sam Winchester, não queria ver o irmão voltar a ser um assassino de olhos negros. Todas as noites ele dormia pensando numa forma de ajudar o irmão mais velho, e todas as manhãs, antes do Sol nascer, ele procurava informações nos livros do bunker, e as vezes até na internet. Isso quando não estava procurando um caso.
Na mesa da sala de pesquisas/reuniões só tinha alguns livros velhos, uma xicara de café pela metade e o notebook de Sam. E lá estava ele, sentado de frente para o aparelho, digitando palavras-chaves no google, coisas como “Marca de Caim”, “Remover Tatuagens”, coisas do gênero. Sim, os irmãos já pesquisaram isso várias vezes. Não, eles nunca acharam nada de útil. Mas cada palavra digitada no google levava a mais de 100.000 páginas. Sam tentava se convencer que algum dia finalmente encontraria o que estava procurando.
Dean chegava de forma despreocupada, vendo a cara de sono do irmão mais novo. Ele segurava um prato cheio de panquecas, bacon e mel, com um prato vazio por baixo, onde colocaria os pedaços de panquecas. Assim que ouviu o barulho de prato batendo na mesa, Sam se tocou que o irmão mais velho estava no lugar.
– Bom dia... – cumprimentou, e logo reparou em seu prato, analisando a comida contida nela. – Você sabe que a expectativa de vida de quem come essas coisas no café da manhã é bem curta, né?
Dean encarou o prato, e depois encarou o irmão.
– Sammy, pra um cara que já morreu um monte de vezes, bebeu sangue de demônio, foi possuído por Lúcifer, teve a alma trancafiada no inferno durante mais de um ano com dois arcanjos furiosos e quase morreu por conta de testes divinos, você é bastante fresco em relação a comida. – com o seu jeitão de falar, o mais velho comenta, em mais uma das milhares de discussões que eles tinham sobre comida.
– Tudo bem, mas não venha me chamar quando começar a ter problemas do coração por conta da comida. – Sam respondeu, olhando para o notebook, tomando mais um pouco de café, algo que Dean reparou.
– Tudo bem, Mr. Cafeina... – ele deu uma garfada numa das panquecas, colocando-as no outro prato, cortando um pedaço para por na boca. – Encontrou algum caso para nós ou só está num momento intimo com a Rachel RoXXX?
– Quem? – Sam virou o rosto para o irmão, semicerrando os olhos.
– Você sabe, aquela atriz... – Dean se embolou nas palavras. Como explicar, ou melhor, admitir sobre as tantas atrizes pornôs que ele conhecia? – Enfim, não é nada demais. – Sam soltou uma risada rápida, deixando o mais velho com cara de bunda. – O que encontrou?
– Ah... – o Alce também ficava um pouco sem-jeito. Sabia que tocar no assunto da Marca traria a tona uma discussão desnecessária no momento. Ele então foi rápido e deu uma atualizada num site de notícias da região. Rolou os olhos pelas notícias antes que o irmão pudesse perguntar algo novamente, até que encontrou algo. – Oh...
– O que foi? – Dean perguntou, enquanto Sam clicava na notícia.
– Um fenômeno estranho aconteceu em Des Moines. Uma noite até então comum e sem nuvens, e de repente começou a chover frenéticamente, com direitos a ventania e alguns raios, o que ocasionou num rápido apagão... Ah, isso só num único quarteirão. – Sam descreveu rapidamente a notícia.
– E quanto tempo durou esse fenômeno?
– Alguns minutos apenas. – o mais novo respondeu. – Ah, escuta essa: parece que um dos vizinhos relatou que viu uma luz emanando de uma dos apartamentos, como se ela tivesse vida própria.
– Anjos? – Dean matou a charada, sabendo que Sam pensava a mesma coisa.
– Espera um segundo... – Sam apertou em uma notícia relacionada a primeira, enquanto Dean continuava saboreando suas panquecas com bacon. – Parece que houveram duas mortes naquele apartamento. Dois homens usando terno e gravata. E... – uma pausa para terminar de ler a notícia. – Dois desenhos de asas encontrados no chão.
– Ai cita algum sobretudo cafona? – Dean pergunta, e Sam nega com a cabeça. – Bom, então até onde sabemos nosso amigo Cas está inteiro. Mas, em nome do trabalho, que tal eu terminar de comer e a gente dar uma passada lá e ver o que houve? Temos a tarde livre, e não encontramos nada faz o que? Dez dias?
– É, tudo bem... – Sam diz, mas não tem muita convicção nas suas palavras, bem ao contrário do mais velho, que se empolga com a ideia de tirar o atraso. Vendo que ambos não tiveram a mesma reação, o homem de cabelos curtos o encarou, analisando sua face.
– Você está bem? – Dean perguntou.
– Estou, só... Não tenho dormido muito bem. – O mais novo mentiu, mas sabia que o irmão desconfiaria dos seus verdadeiros motivos.
– Tudo bem... Nós saimos em meia-hora. – Dean avisou, voltando a comer a sua panqueca, enquanto Sam, apenas por curiosidade, pesquisava o que era Rachel RoXXX no Google, meneando com a cabeça ao ver as imagens da mulher.
Des Moines, Iowa.
Seis horas depois...
A viagem de Kansas para Iowa não demorou mais do que uma parte da manhã e uma parte menor da tarde. Já estavam usando seus ternos e gravatas, por conta das roupas usadas pelos agentes do FBI. Se não tivessem a cabeça boa, acabariam acreditando serem agentes de verdade, de tantas as vezes que mostraram aqueles distintivos falsos para alguém.
Quando chegaram em frente ao apartamento, o Impala 67 parava na calçada, enquanto os dois irmãos, agora agentes Osborne e Rhoads, saiam do carro, indo em direção ao apartamento, que se encontrava num daqueles bairros que mais parecia com os que eram encontrados em seriados como Todo Mundo Odeia o Chris: pequeno, porém bem “familiar”.
Subiram a escada do apartamento, chegando ao segundo andar, vendo que haviam entradas para duas casas. Uma porta estava trancada, e a outra estava aberta, cheias de peritos e policiais lá dentro. Sam e Dean apresentaram os seus crachás na porta, e o homem que bloqueava a passagem, um homem negro de cabelo curtinho, mais ou menos da altura de Dean, liberava a entrada, dando liberdade para os dois passarem.
Eles caminhavam pela sala, e quando perguntaram pelo delegado, um dos peritos apontou para o corredor indicou a porta a direita. Não demorou muito para eles encontrarem o homem responsável pelo caso: um homem velho, na faixa dos cinquenta, com bigode de português, a cara tão gorda quanto a sua pança, parecendo o Pops Racer — pai do Speed Racer.
– Boa tarde, delegado Jenkins. – Sam cumprimentou o homem. – Somos os agentes Osbourne e Rhoads. – os dois mostraram os distintivos.
– Boa tarde, senhores. Eu acabei de ligar para o FBI, como chegaram aqui tão rápido? – o gordinho perguntou.
– Estavamos perto daqui, terminando de solucionar um outro caso, e então... Aqui estamos. – Dean respondeu, sorrindo para o homem. Era fácil inventar desculpas daquele tipo depois de mais de dez anos fingindo-se de várias coisas. Agente, jornalista, professor, padre... A lista era enorme. – Então, em que podemos ajudá-los?
– Bom, dois homens foram mortos essa noite, aqui nesse quarto. Um com um corte de arma branca no coração, e o outro na cabeça. E antes de embora, o assassino pintou essas asas no chão. – Dean e Sam se olharam rapidamente, enquanto o delegado comentava sobre o crime. — Suspeitamos fortemente do último morador do lugar, já que ele está desaparecido, e ninguém consegue contatá-lo.
– Qual o nome dele? – Sam perguntou.
– Os vizinhos achavam que era Vincent Mancini, mas não conseguimos achar nada na delegacia. – o delegado August Jenkins respondeu.
– Vincent Mancini? De onde eu conheço esse nome? – Dean pensou, coçando a cabeça.
– E como esse garoto era? Ele demonstrava algum comportamento agressivo? – perguntou Sam, voltando ao foco do assunto.
– Pelo que o vizinho da frente e dono do lugar disse, ele era um garoto tranquilo. Vivia o dia inteiro em casa, não trazia ninguém para cá, não causava nenhum tipo de problemas e não aparentava ser um psicopata. Mas como adivinhar essas coisas?
Dean, que estava com uma cara de quem tentava se lembrar de onde ouviu aquele nome, voltava a falar.
– Pera ai... – ele continuou com aquela expressão no rosto, e Sam e o delegado encararam-o. De repente Dean estalou os dedos. – O Poderoso Chefão III!
– O que? – Sam e o delegado perguntaram.
– Vincent Mancini, filho ilegítimo do Sonny e sobrinho do Michael. – Dean explicou. – Ele assume o sobrenome da família no final do filme.
– Eu sei quem é, Dean. – Sam respondeu, e então os três se olharam.
– Bem, as coisas ficaram mais complicadas agora. Não temos nem fotos nem informações concretas sobre esse garoto.
Dean e Sam saiam do apartamento e iam direto para o corredor. Precisavam de um minuto a sós para resumirem tudo que sabiam naquele momento sobre o caso.
– Então o Rebel Bieber mata dois anjos e depois vai embora de casa? – Dean pergunta.
– Talvez ele não seja tão inteligente assim, mas agora... Como ele conseguiu matar dois anjos? – questionou Sam, passando a mão pelos fios de cabelo. – Mesmo que ele tivesse a adaga, como ele...
– Talvez ele seja um daqueles super-prodígios do inferno que encontramos a alguns anos atrás.
– Um anticristo. – Era assim que alguns anjos chamavam os raros filhos de humanos com demônios. Eles eram criaturas poderosas a ponto de transformarem anjos em bonecos... Então porque matá-los se ele poderia simplesmente fugir?
Era essa a pergunta deles.
– Tudo bem. Você tenta descobrir mais informaçõe sobre esse garoto e eu vou fazer algumas perguntas pro proprietário do apartamento. – Dean soltou, entregando a chave da sua Baby para o irmão.
Tava na hora de investigar esse caso mais a fundo.
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