The Light's Path

2 A fã número 1 do meu melhor amigo explode


Notas iniciais
Boa tardeee. Estava tentando achar as folhas soltas, e descobri que acabei perdendo as que continham o primeiro e o segundo capítulo então demorei um pouco para colocar as ideas no papel...Espero que gostem, esse é quando a história realmente começa.
Boa leitura!

Esse ano foi meio estranho. Mais estranho que o normal, quero dizer.

Eu fiz...um amigo.

Veja bem, as crianças do Orfanato não gostam muito de mim, e já falei das garotas da escola. Mas com Jack foi imediato.

Ele era sempre o garoto esquecido, orfão, sei lá. Não existem muitos garotos no orfanato, na verdade. E não tenho a menor ideia de como aceitaram ele na escola de meninas. E não foi o mais estranho.

Ficamos na detenção uma vez e eu fui a única pessoa com quem ele conversou.

Flashback on

– Você é a garota Blood, não é? – ele me cutucou.

O professor estava dormindo, como sempre. Algumas garotas ficavam brincando e pulando pela sala, algumas mais velhas conversavam no celular, mas eu preferia terminar o dever de casa. Com o trabalho que eu, com toda a certeza, seria castigada à fazer quando voltasse ao orfanato, eu não teria tempo para terminar as as tarefas. E aí seria mais uma detenção, e o ciclo se repetiria.

– Meu nome é Eleanor. – eu respondi, séria. Eu odiava o apelido, e vindo da boca desse estranho, não fazia nada melhor.

– Sou Jack. Jack Ripper.

– Ripper? – eu gargalhei com a piada, sem poder me conter. Foi a vez dele ficar sério. – Não é brincadeira?

– Não uh...minha mãe é meio excêntrica. – Ele não pareceu se incomodar muito depois que eu parei de rir. Era quase como se ele estivesse acostumado, ao contrário de mim, é claro.

– Ah...você não parece ter 11 anos.

– Isso é porque eu não tenho. Eu tenho 13.

Claro, alguns eram burros. Mas ele não parecia ser burro. Ele era alto, mais alto do que qualquer garoto que eu já tinha visto, seus cabelos pareciam ser um pouco rebeldes mas de algum modo ele conseguiu os pentear para trás. Eram quase dourados, e os seus olhos eram muito verdes. Acho que o seu único defeito aparente era uma cicatriz no seu rosto, mas nem por isso ele era menos bonito. Para falar a verdade, ele parecia mais um ator de TV do que um estudante burro que decidiu falar comigo.

– Mas...espera...porque você está aqui? Quer dizer, você é um menino...

– Eu...hum...eh?

Ele parecia um pouco confuso, mas sua expressão de confusão não durou muito – ao contrário da minha, que só piorou quando ele estalou os dedos, olhando para o professor. No mesmo momento, o sinal para a próxima aula tocou e ele saiu correndo, junto com as garotas.

Flashback off

Não, ele não me explicou o que aconteceu depois disso, mas eu descobri que Jack tinha um efeito estranho nas pessoas e não me preocupei em perguntar nada depois que ele se aproximou de mim novamente. Ele virou um bom amigo, um estranho, mas legal amigo. Meu único amigo.

De qualquer jeito, alguns meses já haviam se passado e estávamos nos últimos dias de aula. E...estou na detenção de novo. (Longa história e não importante no momento.)

A professora Montgomery me mandou limpar a sua sala. Sob sua supervisão, claro. Ela ensinava latim. Eu detestava a matéria. Mesmo que minhas notas não fossem tão ruins, por causa da dislexia, eu errava a maioria dos nomes gregos e as conjugações.

A srta. Montgomery deveria ser a única das professoras que eu tive que realmente mereciam o ‘senhorita’. Falando sério, ela é uma daquelas professoras que não deveriam ser professoras. Duas razões: ela parecia aquelas modelos de lingerie, com seios enormes, cabelos lindos e dentes perfeitos. E ela sempre parecia arrumar um jeito de me ferrar.

A diretora James tem outro modo de olhar as coisas: ela sempre diz que a Srta. Montgomery vê um lado meu que eu ainda não conheço, e que tenho um talento para a matéria, e que ela queria me ajudar a melhorar esse talento. Não, eu não tenho talento nenhum, como já citei.

A modelo-professora entrou no meio do ano escolar, fazendo todos caírem de amor por ela – todos menos Jack e eu. Ele era indiferente à ela (muito diferente dela, que disfarçadamente babava por ele, seu aluno favorito) e eu era um pouco teimosa, mesmo que ela fosse sempre gentil quando eu errava o verbo mais óbvio que poderia existir.

Cheguei à sala dela às 3 horas, depois da aula de música.

– Está atrasada, querida. – “Cinco minutos a mais do combinado”, eu pensei, mas fiquei calada enquanto entrava e tentava me fazer confortável em frente à ela. – Você achou que eu não te pegaria?

– Não senhora. – seja o que for que ela falava, achei melhor concordar.

– Agora, minha querida...

De repente, seu corpo ficou diferente. Eu tentava não olhar muito para a sua protuberancia, mas era quase impossível não perceber que ela tinha se tornado mais branca que eu jamais fora. Seu rosto também, e os olhos eram mais vermelhos que o batom que ela usava. Os dentes estavam mais brancos que nunca, mas já não eram tão perfeitos .

– Srta. Montgomery? – tentei parecer mais calma do que estava, mas minha voz estava tremendo, então eu não podia confiar muito nisso.

A vampira rugiu e se aproximou lentamente de mim. Me esquivei, mas ela me empurrou de volta para a parede. Eu não conseguia me mover – minha professora era um vampiro. Eu não gostava dela, e tinha certeza que ela não gostava de mim, mas não imaginava que algo tão hollywoodiano poderia acontecer.

– Vai se arrepender antes de controntar os deuses, garota! Vou até fazer uma exceção para você! – ela falou, com um grunhido que parecia ter sido uma gargalhada, enquanto passava uma unha pelo meu pescoço.

Eu pude sentir uma gota de sangue descer, e vi ela lamber os lábios vermelhos, e estremeci. Fechei os olhos com força, assim talvez, eu não sentisse dor enquanto ela drenava o meu corpo. Mas não houve dor, ou ataque. Apenas um zunido e um guincho de terror.

– Ellie! – ouvi a voz conhecida de meu amigo, o que me fez abrir os olhos e despertar do transe.

Ele estava ao meu lado, olhando para a sua fã numero um. A srta. Montgomery parecia realmente chocada enquanto olhava para nós, e ela arfava – provavelmente com o esforço que fez andando com uma perna metálica para se esquivar de uma flecha cor de bronze ao seu lado. Sua mão apertava sua cintura, e enquanto eu tentava descobrir se ela havia sido atingida ou não, ela explodiu. Simplesmente explodiu.

O estrondo foi alto, e as chamas da explosão nos jogaram do outro lado da sala. Quando Jack me soltou e nos levantamos, tudo o que eu pude ver era algumas cadeiras em fogo, um punhado de areia cinzenta e o cheiro de carne podre tomando a sala.

– Está tudo bem com você? – meu amigo perguntou preocupado e nervoso, ele arfava um pouco.

– Sim, eu...acho. O que era isso? – perguntei, ainda horrorrizada.

– Ela...serve à Hécate... – ele murmurou. Eu nunca tinha visto ele desse jeito.

– A deusa da magia? – franzi o cenho, olhando para ele e ignorando o crepitar da madeira ao nosso lado.

Mas de repente, veio tão rápido na minha cabeça que eu me surpreendi.

– As vampiras de Hécate? Emp...

– Não fale isso! Agora que eles sabem vai ser pior. Agora que ela sabe...Eu devia ter me tocado...

Agora que eu prestara atenção, Jack tinha um pequeno arco nas mãos e uma mochila grande, daquelas de acampamento, nas costas.

– O que diabos está acontecendo? – eu quase gani, mas meu amigo continuou calmo como quase nunca ele ficava.

– Temos que sair daqui. Agora.

Antes que eu pudesse responder, a professora Sebert entrou na sala correndo. Ela era uma moça linda, gentil e prestativa. Diferente da professora Montgomery, ela parecia realmente boa, não exagerada. Tinha os cabelos vermelhos, geralmente presos em um coque, mas agora ela os tinha soltos e cobertos de rosas. O vestido era rosa, coberto de flores, que pareciam vivas. O cabelo dela também parecia irradiar poder...mas isso poderia ser a luz do pequeno incêndio que criamos, claro.

“Isso é tudo um sonho. Bem louco.”

– Jackson, eu não pude impedir, me desculpe. Depois do garoto Lokhart...

– Tudo bem, Euterpe. Você precisa cuidar da Névoa. E avisar Quíron.

– Esconda esse arco, menino. E pegue isso.

Ela estendeu a mão e deu um saco e uma bolsinha para ele. No saco existiam várias moedas de ouro e duas garrafas muito grandes. Na bolsinha, uma coisa parecida com pudim. A mulher pareceu ver que eu estava confusa, e se apressou a explicar.

– Néctar e ambrosia, só usem se estiverem gravemente feridos. Uma das garrafas é água, as moedas são dracmas de ouro. Os dólares estão na mochila de Jackson. – Ela falou um pouco mais rápido do que eu poderia acompanhar, e tão rapidamente, Jack guardou os objetos dentro da sua mochila. – Me encontrem lá fora.

– O que é tudo isso?

Ela saiu apressada, sem ao menos notar que eu tinha feito uma pergunta. Eu bufei, e Jack suspirou ao me ouvir.

– Confia em mim? – sua voz foi abafada pelo alarme de incêndio, mas pude ouvi-lo perfeitamente.

– Sei lá...você me salvou da emp...sua fã com presas.

Ele sorriu – o que queria dizer que ele não estava zangado e que em outra situação teria gargalhado – e colocou a mochila nas costas, pegando minha mão. Senti minhas orelhas queimarem, e esperava que elas não estivessem literalmente em fogo enquanto ele me puxava para fora da sala.

Pegamos a escada e descemos para a entrada do Orfanato. A professora Sebert – Euterpe, ou sei lá – estava com a diretora James. Elas discutiam algo baixo, como se Euterpe convencesse a diretora de algo. E como se não tivesse acontecido nada, e como se um incêndio não estivesse acontecendo, a mais velha se afastou e a ruiva correu até nós.

– Arrumei uma carona para vocês. – ela falou, assim que se aproximou o suficiente para sussurrar.

– Quem? – Jack perguntou logo, não tão preocupado em sussurrar quanto a outra.

– Humanos. Não sabem de nada.

– Ah. – eu falei, mas fui ignorada, claro.

– É uma pequena carona até a Georgia.

– É o suficiente. Obrigada, Euterpe. – Ele sorria um pouco, e ela também retribuiu o sorriso e teria sido um concurso de sorrisos se eu não tivesse atrapalhado.

– Suficiente? Georgia? Olá? – Só então eles me perceberam e Jack piscou algumas vezes, levemente apertando minha mão como se estivesse acordando.

– Criança, vocês vão para Long Island. — A ruiva foi mais rápida que ele em me responder, mas apenas conseguiu me deixar mais confusa.

– Nova York? O que tem lá?

– Acampamento Meio-Sangue, é claro! – Jack falou, como se fosse óbvio.

Notas finais
E aí, reviews?