The Light of Dawn
2 A Primeira Luz
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Por quase três eras ela vagou sem rumo através de Arda. Viu as primeiras formas serem criadas pelas canções dos Ainur, acompanhou o despertar dos filhos de Ilúvatar na Terra Média, marchou contra Melkor – o senhor dos Ainur – e até mesmo contra Sauron, seu aprendiz. Suas desventuras faziam parte da maior canção contada, cujos pergaminhos jaziam guardados no acervo de Rivendell. Ainda assim, em nenhum deles constava a existência do Condado.
Era pequeno, peculiar e perdido entre as florestas de Eriador, onde poucos eram capazes de alcançá-lo e, na maior parte das vezes, tratavam-se apenas de errantes que desfrutavam da inospitalidade dos ilustres moradores locais: os hobbits. A grande verdade é que você jamais poderia encontrar em todo o Condado um habitante que apreciasse viajantes, aventuras ou parentes. Pois, de acordo com eles, os três eram precursores de problemas e — como talvez você deva saber — hobbits odeiam problemas.
Mais uma porta fechada e ela havia perdido as contas de quantas vezes aquilo ocorrera nas últimas três horas. O cajado foi empurrado mais uma vez contra a madeira, batendo três vezes consecutivas até que o hobbit tornou a abrir a porta: A tez vermelha e enrugada indicava que a paciência do senhor se esgotara nas últimas duas tentativas. — Eu já lhe disse que o Sr. Bolseiro nada tem com anões ou magos! — Os olhos do velho recairam sobre as orelhas proeminentes da mulher e ele meneeou a cabeça. Ela não parecia do tipo que traria problemas e — mesmo se o fizesse — não seria para ele. O dedo foi apontado na direção oposta, no monte mais alto de Bolsão. — Lá no alto! Agora deixe-me em paz. — O hobbit fechou sua porta pela última vez.
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Fazia algum tempo que os anões se encontravam dispostos em torno da mesa jantar do Sr. Bolseiro. As canecas pareciam jamais esvaziar à medida que o debate se tornava exaltado a cada momento. Os mais velhos discutiam sobre a possível presença dos irmãos de terras longínquas naquela que seria a comitiva para reaver sua terra natal enquanto os jovens pareciam preocupados demais em exibir as glórias de suas aventuras por Arda.
— Não haverá ajuda, Gandalf. — Concluiu Balin, repuxando a barba ao mesmo tempo em que observava os trejeitos despreocupados do mago. — Seremos os treze e isso não bastará para derrotar Smaug e retomar Erebor. — O terrível havia dominado Erebor em seu auge. Contam as histórias que o aroma do ouro dos anões o atraíra diretamente para o coração da Montanha Solitária. Muitos morreram naquele dia e outros incontáveis vagaram sem rumo pelas Terras Ermas, esperando que algum dia a fumaça desaparecesse.
— Meu caro Balin, você desconsidera a presença de nosso ladrão e até mesmo a minha? — O mago tragou mais uma vez o cachimbo Churchwarden antes de encarar a porta por longos instantes: Os dois membros restantes estavam atrasados e isso o estava deixando tão impaciente quanto Balin.
— Jamais! — Respondeu o anão, afagando a própria barba com as mãos espalmadas a fim de se livrar de alguns pedaços de queijo que inevitavelmente havia sido aderidos. — Você disse que teríamos um ladrão e disse ainda que teríamos um bardo conosco, mas tudo o que eu vejo é um hobbit preocupado com sua louça e uma cadeira vazia.
Gandalf entreabriu a boca para retrucar, mas três batidas foram o suficiente para que as palavras sumissem de sua garganta, bem como o burburinho da Sala de Jantar fosse completamente cessado. — Meu querido Bilbo, você se importaria de abrir a porta? — O cachimbo foi escondido entre as vestes e o mago se ergueu, desferindo alguns passos em direção a porta.
O hobbit estava nervoso com toda a situação: A casa fora invadida, a dispensa esvaziada e ele sequer havia se deparado com as pegadas de lama em seu corredor. — Claro! Eu já tenho… — O dedo foi apontado para o alto, o olhar percorreu a mesa até ser voltado para o Cinzento. — Doze anões. Acredito que mais um não fará diferença alguma! — E abriu a porta com o semblante desgostoso que exibira durante as últimas quatro horas.
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A ser continuado...
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