The Life Sounds Better With You
4 Capítulo 5
Phillip:
Já era noite, e os meninos chegaram, o Dustin e a minha prima se olhavam, isso me incomodou um pouco, mas depois de um tempo nem ligava mais. Nós bebemos muito. Eu, Francis, David e até o Roberto estávamos bêbados, rimos muito, fizemos muitas bobagens. Mas caímos no sono.
Dustin:
– Novinhos... – falei rindo.
– É, estou preocupada com os pais deles, vamos ligar e falar que estão dormindo aqui? – disse Elizabeth.
– Fale que foram na minha casa, eles sabem que os pais do Phillip viajaram. Vamos mandar mensagens.
Nós mandamos arrumamos colchões na sala e o quarto de hospedes que era para Elizabeth.
Rimos muito deles, tive que levar eles dormindo para suas camas.
– Agora que conseguimos, o que vamos fazer? – falei.
– Que tal assistir um filme na sala de cima?
– Claro.
Nós começamos a ver 'PS eu te amo', ela começou a chorar, e se apoiou no meu ombro. No final do filme rolou um clima e começamos a nos beijar.
– Você quer dormir comigo no quarto? Mas nada pode acontecer.
– Adoraria – logo disse – prometo, não faremos nada.
– Não vamos cometer o mesmo erro duas vezes – ela disse e continuamos a nos beijar, e depois fomos dormir, e como prometido, sem nada de mais.
Katelyn:
Se sentir como uma alma rodeando o planeta terra não era uma sensação nova para mim. Eu já estive tão acostumada a ser ignorada por todos que às vezes até ignorava meus próprios pensamentos. Era sempre a mesma coisa: Chegar em casa e ver meu pai com reclamações pra cima de mim, falando coisas e gritando no meu ouvido quase cuspindo em meu rosto. Minha mãe sempre a idiota de sempre, mais preocupada com sua filhinha que vestia rosa, sempre tinha o cabelo perfeitamente arrumada e se comportava como uma dama... Na frente dela. Estava farta daqui e não via a hora de sair daquela casa.
– KATELYN DESCE AQUI AGORA – ouvi a voz irritantemente grossa do meu pai me chamar.
– O QUE? — Falei trincando os dentes.
– OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM A BLUSA DA SUA IRMÃ, NÃO MANDEI SEPARAR AS ROUPAS BRANCAS DAS COLORIDAS.
– E EU FIZ ISSO – ele estava muito bravo, provavelmente estressado por causa do trabalho, e iria descontar toda sua raiva em mim.
– NÃO FEZ NÃO – disse minha irmã chorando – MEU VESTIDO, OLHA COMO ESTÁ.
– Compra outro – Disse revirando os olhos e indo direto para o meu quarto, mas meu pai me puxou.
– Volta aqui.
– O QUE FOI CARALHO?
– DIMINUI O TOM COMIGO – disse ele me dando um tapa no rosto.
– FILHO DA PUTA, EU TE ODEIO, TE ODEIO. QUERIA VOCÊ MORTO, OUVIU? MORTO – Não era certo fazer aquilo, mas milhares de vezes que fui tratada como escrava naquela casa me fizeram sentir esse ódio e essa vontade enorme de matá-lo–CANSEI DE VOCÊ, VERME– gritei, me virando, indo para o meu quarto.
– O QUE PENSA QUE ESTA FAZENDO? – Disse ele me empurrando e depois me dando um chute na barriga me fazendo cair de cabeça no chão – ME RESPEITE – falou ele segurando do meu braço e me balançando – QUEM PENSA QUE É?
– ISSO, BATA EM MIM! PARA EU GRITAR DE DOR COMO DA ULTIMA VEZ, E ENTÃO FAZER COM QUE A GENTE SE MUDE OUTRA VEZ! VOCÊ É DOENTE, BATER NA PROPRIA FILHA? ACHA ISSO NORMAL? POIS NÃO É. ESTÁ ERRADO, EU ODEIO VOCÊ, FICAR NO MESMO LUGAR QUE VOCÊ JÁ É UM CASTIGO PARA MIM! – ele estava ali, me ouvindo e bufando de raiva – E SABE? PRA MIM CHEGA! – falei me soltando da mão dele que estava apertando meu braço e fui em direção a porta de casa.
Sai correndo de casa sem olhar pra atrás. Continuei correndo enquanto ouvia a voz de fundo do meu pai. Por sorte um ônibus vinha passando e eu corri para pega-lo, sorte que sempre ando com dinheiro.
Sentei-me rindo da situação e coloquei meus fones de ouvido que estava no bolso da minha jaqueta. Parei na casa do Phillip, eu sabia que seus pais tinham viajado e que não teria problema eu dormir lá.
No interfone atendeu uma mulher:
– Alo?
– Aqui é a casa do Phillip Henderson?
– Sim, entre! – eu vi uma menina ali na frente – o que você quer?
– Ver o Phillip.
– Ele esta bêbado, dormindo. Só amanhã! Eu sou a prima dele, eu posso te ajudar?
– Eu acabei de sair de casa, e eu queria dormir aqui, mas acho que não dá.
– Entre, tem lugar para ti!
Ela me mostrou o quarto do Phillip.
– Pode dormir aqui – ela pegou uma roupa – use isso para dormir.
– Obrigada.
– De nada e boa noite – ela disse, e atrás dela eu vi o Dustin, que entrava no quarto junto com ela.
Era uma cena estranha, já que eu não conhecia o Phillip direito, e os garotos eu só tinha visto na sala.
Isso não importava também. Comecei a chorar quando imaginei como seria voltar a minha casa outra vez. Como o meu pai faz da minha vida um inferno, minha mãe finge que nada está acontecendo, ela só se importa com ela mesma, trai meu pai e gasta todo dinheiro dele com roupas, bolsas, sapatos... Minha irmã mais velha, que se faz de santa na frente dele, que é o orgulho do papai porque tira as melhores notas, não tem nada anotado em sua fixa escolar, mas que na realidade, é uma vagabunda que manda os garotos fazerem seus trabalhos, lições de casa em troca de beijos e amassos, cola em todas as provas, mas nunca é pega no ato! Meu irmão mais novo, de 13 anos, que está naquela fase cheia dos hormônios e que quer fazer tudo o que der na cabeça, e meu pai deixa, ele é o único filho homem, o menino que meu pai sempre quis ter. Meu irmão não gosta de tudo isso que está acontecendo comigo, ele sempre bate na porta do meu quarto quando acontece alguma briga, nós ficamos deitados na cama, e enquanto eu choro, ele fica mexendo no meu cabelo, não fala nada porque não sabe como reagir a isso, mas sempre fica ao meu lado. Quando meu pai me bate, eu sempre vou para o meu quarto chorar, me corto no banheiro, e escrevo tudo que estou sentindo em uma folha, e jogo na minha caixa dos sentimento (uma coisa que eu inventei para tentar aliviar a dor que sinto), me deito na cama chorando e ouvindo uma musica de consolação, que sei que não ajudará em nada. Quando são duas horas da manhã, e todos já estão dormindo, meu irmão vem bater na minha porta, ele entra e vou correndo abraça-lo, fico ali chorando e ele não fala uma palavra, mas seu abraço diz tudo o que ele sente em relação a isso.
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