Notas iniciais
Autor: Jonathan Hoffmann (Johny)

Meu nome é Johny, apenas Johny, sem sobrenome, afinal eu vivia em um orfanato desde que eu me lembro.

Eu vivo em um mundo onde é dominado pela magia, todas as pessoas tem poderes mágicos e podem utiliza-los de variadas formas.
Nesse mundo existem vários Deuses, um representando cada elemento conhecido, água, terra, vento, fogo, luz, escuridão, e também existem países representando esses elementos, cada Deus escolhia um Rei para representa-lo em seu respectivo país...

Todos os seres humanos nascem com uma natureza elemental, se, por exemplo, uma pessoa nascer com o elemento vento, ele vai ter que usar magias deste elemento ou neutra. Por algum motivo que eu desconheço, os Deuses entraram em guerra, consequentemente, os países fizeram o mesmo.

Mas, por ironia do destino, eu nasci sem poder mágico algum, ou seja, eu sou o único que não pode usar magia. Por esse motivo, eu era vítima de desprezo, de preconceito, as outras pessoas diziam que eu era fraco, que não viveria muito tempo.

Todas as noites eu chorava, afinal nessa época eu era criança e nenhuma criança resiste a tal sofrimento sem chorar, mas foi com dez anos que um evento fatídico mudou a minha vida.

Na minha infância inteira, eu só tive dois amigos, uma garota chamada Mizuki, que era a única pessoa que falava comigo, como se eu fosse normal, como se eu tivesse poder mágico igual a ela, sempre brincávamos juntos, nos meus momentos de tristeza, ela chegava e, de alguma forma, me fazia voltar a sorrir, é claro que tinha as brigas, mas logo nós voltávamos a brincar, mas, a sua família não concordava com a nossa amizade, acho que devia ser pelo fato de eu não ter poderes mágicos e não ter família também, ela tinha a pele clara, seus cabelos eram um pouco curtos e rosas com uma franja e seus olhos eram totalmente azuis.

O meu outro amigo era Homaru, que por algum motivo, só eu conseguia ver ele, alguns me chamam de louco, mas eu juro que ele é real. Ele tinha uma característica muito estranha, era igual a mim, pele branca, cabelos grandes, arrepiados e com a cor laranja escuro, quase vermelho, a única diferença entre mim e ele, era que ele tinha uma pequena franja que escondia o olho esquerdo, enquanto eu não tinha essa franja. Aparentemente eu e Homaru, tínhamos a mesma personalidade, ele concordava com tudo que eu dizia e fazia, estava sempre comigo, não importava aonde eu fosse, estava lá, para me dar apoio e segurança, era meu melhor amigo.

Com dez anos, as crianças começam a estudar para seguir suas respectivas carreiras, mas como os países estavam, e ainda estão, em guerra, todas as crianças que nasciam após o inicio da guerra, eram recrutadas para o exército do país.

Ah! Esqueci-me de mencionar que nasci no país da Terra, um dos mais fracos e vulneráveis nessa guerra, o nome da cidade onde eu nasci era Aldebaran.

Como todas as crianças da minha idade, eu fui recrutado para o exército, andei em direção ao local de treinamento e me impressionei com o que vi nesse lugar, as crianças eram treinadas para todos os estilos de combate, desde espadas até estilos de luta com os punhos, e magias, apenas baseadas no elemento terra ou neutras.

Quando cheguei lá, me direcionei a pessoa que aparentava ser o mestre daquele lugar, e de fato, era ele mesmo, então eu perguntei para ele:

– Senhor, eu fui recrutado para a guerra, o senhor pode me treinar?

Ele logo me respondeu com uma pergunta:

– Qual o seu nome, garoto?

Eu estranhei a pergunta, mas respondi mesmo assim:

– Meu nome é Johny senhor...

Naquele momento ele se lembrou de que eu não tinha poder mágico, afinal, aparentemente eu era a única pessoa com esse nome no país, em seguida ele começou a rir e eu perguntei gaguejando:

– Por... Por que o senhor e... Está rindo?

– Garoto você acha mesmo que eu vou treinar alguém que não tem poder mágico? Acha mesmo que você vai ser útil nessa guerra? Coloque-se no seu lugar garoto, você não passa de um lixo, um inútil, se você não existisse, não faria nenhuma diferença, agora saia da minha frente que eu tenho muitas coisas para fazer!

Logo depois disso, as pessoas em volta começaram a me ofender, me chamar de lixo, de inútil, sem piedade, sem se importar com o que eu pensava, com o que eu sentia. Nesse momento a minha raiva estava me consumindo, a raiva de dez anos que eu acumulei até agora, estava prestes a explodir, mas ao mesmo tempo em que a raiva me consumia, o medo também, afinal eu era uma criança, não tinha ninguém para me proteger ou apoiar, eu estava completamente sozinho, nunca me senti tão solitário como naquele momento, e quando eu estava prestes a tentar atacar ele sem pensar, apareceu o Homaru (ele sempre aparece do nada), e me disse:

– Johny, não faça nada, se você fazer alguma bobagem, é bem capaz de eles não deixarem você vivo ou humilhar você mais ainda!

Logo, eu falei chorando:

– Mas Homaru, eu não aguento mais isso, eu não quero mais essa vida!

– Johny, confie em mim!

Então, meu primeiro instinto foi correr o máximo que pude, para sair daquele lugar.

O país da terra é pequeno, ele é caracterizado pela grande quantidade de arvores, pelas casas feitas apenas de pedra, pela grande quantidade de cavernas e pela gigante muralha com dez metros de altura que cerca todo o país.

Depois de sair correndo e chorando, eu fui em direção a uma caverna na floresta, que só eu e a Mizuki conhecíamos, ela era um pouco longe do centro da cidade, era o único lugar em que eu tinha paz, longe das pessoas que me maltratavam, longe de tudo e de todos. Dentro da caverna, sentei no chão, e de cabeça baixa, continuei a chorar. Alguns minutos depois, apareceu a Mizuki, que se sentou ao meu lado, eu logo vi que ela estava se sentido mal com tudo que havia acontecido, em seguida ela falou:

– Johny, eu... Eu vi tudo o que aconteceu, e sinto muito, se eu pudesse fazer alguma coisa...

Depois de parar de chorar eu a interrompi dizendo:

– Não há nada que se possa fazer quanto a isso, eu vou embora daqui, não aguento mais esse lugar!

A Mizuki fala com uma expressão triste em seu rosto:

– Mas... Mas você vai me deixar sozinha aqui?

– Mizuki, você pode vim comigo!

– Mas eu não posso deixar a minha família!

– Então não há outro jeito, vou te levar até a cidade e de lá eu irei partir...

– Mas... Mas...

– Eu já me decidi!

Depois disso, nós nos dirigimos até o centro da cidade, mas eu nem imaginava o que ia encontrar lá...



Notas finais
Esta é a minha primeira história (FIC), espero que gostem ^^