The Last Year.

3 03- Maria Joaquina.


Notas iniciais
Espero que gostem.

03- Maria Joaquina.

Assim que eu entrei no prédio, relembro de todos os momentos que passei aqui. Estava tudo estranhamente igual, e sem nenhum sinal de tempo, nem parecia ser um prédio com mais de 10 anos. Subi os degraus sem nenhuma animação, vi alguns rostos que reconheci, mas ninguém que era da minha antiga classe, o que é ótimo.

Bati na porta da diretoria, e pra minha surpresa quem saiu de lá foi uma pessoa que eu conhecia muito bem, professora Helena.

–Maria Joaquina? Nossa, a quanto tempo eu não te vejo!

–Pois é, professora. -Disse dando um abraço nela, sorri, ela foi a única pessoa que senti falta. -Poderia me dizer aonde está a diretora?

–Você está olhando pra ela.

–Você? Sério? E a diretora Olívia?

–Ela estava doente, sabe. Decidiu se aposentar e ir viajar pelo mundo, ela sempre quis fazer isso.

–Hum, imagino. Acho que estou meio atrasada, eu queria saber que sala eu fiquei, e se tem como alguém me acompanhar até lá, por favor.

–Sempre educada, bom, eu mesma te levo lá. Você tem sorte, vai ficar com as mesmas pessoas daquele ano.

E meu azar cada vez me surpreende mais. Palmas pra ele, minha gente!

O sinal tocou assim que saímos da direção, as pessoas corriam pelos corredores. Fomos para o andar de cima, que eu nunca tinha ido, nem sabia que existia, devem ter construído depois que fui embora. Ela parou em frente a última porta do corredor, e bateu. Assim que a porta se abriu, mostrando o professor, ela entrou e me puxou para dentro.

Se tem uma coisa que aprendi é que nunca se deve abaixar o rosto pra ninguém, sustentei o meu olhar firmemente mesmo estando morrendo de vergonha por dentro, e olhei para cada rosto conhecido, a maioria estava em choque ou tinha um pouco de desprezo no olhar.

–Acredito que a maioria de vocês já conheçam Maria Joaquina, ela voltou para o Brasil e vai estudar com vocês esse ano.

Dei um sorriso de lado quando olhei para a última pessoa, Daniel. Talvez a professora Helena não tenha sido a única pessoa de que senti falta. Admito que senti falta desses cabelos bagunçados, dos doces olhos castanhos, e da covinha irresistível do Zapata, e claro que eu ainda tenho que zuar o sobrenome dele. E toda vez, eu me lembro daquele dia, o dia que eu mais gostei de zuar esse sobrenome.

Flashback on

Foi no meu último mês no Brasil, tínhamos uns 11 anos e estávamos na praça, eu estava sentada do lado dele sorrindo e passando a mão no seus cabelos bagunçados, estávamos esperando o resto da patrulha para nossa nova ''aventura'', ainda não sei se fomos cedo demais ou todos eles estavam atrasados demais, eu sei que estávamos sozinhos e eu aproveitei cada segundo.

–Eu já disse que o seu sobrenome é o mais estranho de todos, certo?

–Sim, você já disse Maria.

–E eu vou dizer de novo, e vou continuar dizendo sempre, Zapata.

–E eu acho melhor você parar.

–Se não o que, Zapata?

Eu disse rindo, ele fez um olhar desafiante e deu um sorrisinho de lado, mostrando as suas covinhas perfeitas.

–Se não talvez eu tenha que fazer você calar a boca. -Arqueei minha sobrancelha direita e olhei pra ele, dizendo. -E como você pretende fazer isso, Zapata?

–Talvez assim. -E ele me beijou, meu primeiro beijo, nosso primeiro beijo, o melhor beijo de todos, o mais inesquecível beijo de todos. O beijo que eu nunca pude esquecer.

Flashback off

Notas finais
E ai, o que acharam? O gif é uma ajuda para imaginar o momento do primeiro beijo deles.