The Last Wish
1 Capítulo 1
Notas iniciais
_Já vai. – Gritei pela milésima vez. Quem em sã consciência vai à casa de uma pessoa às seis horas da manha, de um sábado, e fica tocando a campainha feito um louco? _Já vai!! – Gritei mais uma vez, já perdendo o pingo de paciência que eu tinha e indo abrir a merda da porta. Juro que se não fosse nada importante, ou alguém importante, eu mataria!!
_Mais que demora! – Sah falou adentrado o pequeno apartamento, e passando direto por mim, sem nem ao menos agradecer, se eu soubesse teria deixado-a dormindo no corredor mesmo. E indo direto para o banheiro. _Porque você demorou tanto? – Perguntou, gritando lá de dentro. E me fazendo imaginar o que ela estava fazendo lá, enquanto puxava papo comigo. Herg... o pensamento me dava náuseas.
_Talvez porque eu estava dormindo?! – Gritei também, indo para cozinha e abrindo a geladeira para pegar um copo de água. _E cadê a sua chave?
_Esqueci na casa do Harry. – Falou já atrás de mim. Tomei um susto, não só pelo fato de ela já estar atrás de mim, mais por o que ela disse. Como assim ela esqueceu a chave na casa do Harry?! Como assim na casa do Harry?! Eles não tinham brigado, e ela o odiava agora?! Percebendo meu momento “Não entendo”.
Sarah respondeu minhas perguntas silenciosas.
_Você não entende, Larissa? – Lógico que não! Mas não falei nada, porque eu sabia que era só uma pergunta retrógrada, e eu tinha certeza que a Sah me explicaria melhor. _Eu não fui lá para ver o Harry, eu fui lá porque o Tom ta morando uns tempos com ele.
_E o que o Tom tem haver com essa historia? – Perguntei mais uma vez, ainda mais perdida. Ela me lançou um olhar daqueles “não seja burra”. E eu não pude deixar de ficar surpresa. _Eu não acredito que você dormiu com o Tom! Ainda mais na casa do Harry!
_E daí?! – Ela exclamou dando de ombros.
_Como e daí, Sarah?! Ele era seu namorado, e ainda te ama! – Falei, me arrependendo logo em seguida.
_Não diga que ele me ama, Larissa! Você sabe muito bem o que ele me fez! – Pediu. A encarei por um momento e vi toda a dor que ela sentia em seus olhos. Quando fiz menção de abraçá-la, ela se afastou, deixando-me lá, parada com os braços estendidos. Abaixei-os.
_Pensei que você já tivesse me perdoado. – Disse um pouco mais baixo, segurando forte as lagrimas que já queria escorrer, não deixaria Sah me ver chorando. Não queria parecer à coitadinha na frente dela.
_Eu perdoei, mas eu não esqueci! E quando você me fala essas coisas, eu me lembro, e isso machuca. – Sah tentou me explicar deixando uma lagrima escorrer por seu rosto. Não tinha percebido que ela também se segurava para não chorar, querendo demonstra que era forte, nos duas sabíamos que não éramos. _Não vamos mais falar disso. Vou tomar banho e dormir, estou cansada. – E saiu da sala. Deixando-me sozinha com meus pensamentos e culpa. Respirei fundo, e me sentei no sofá, pegando o telefone logo em seguida. Digitei o numero já tão conhecido por mim. Levei o telefone à orelha e esperei ate ser atendida. Não demorou muito, no segundo toque já fui respondida.
_Já soube? – Perguntou. Fiz que sim com a cabeça, mesmo sabendo que ele não poderia ver, mas tendo a certeza que ele já sabia que a resposta seria essa. Ficamos em um minuto de silencio. Aqueles silêncios de apoio que as pessoas sempre costumam fazer quando descobri que alguém morreu.
_Como você esta? – Eu estava muito preocupada com ele. Harry é meu melhor amigo. E mesmo que a Sah não acredita-se, ele ainda a amava. E muito. Chegava a ser idiota eu perguntar isso. Como eu reagiria se o meu melhor amigo dormisse com minha ex-namorada. Sente um aperto no coração. Não era pena que eu sentia de Harry, eu apenas me acostumei a sentir o mesmo que ele sentia, e naquele momento eu estava me sentindo traída.
_Nada bem. – Respondeu um pouco mais baixo do que de costume. Odiava-me por vê-lo assim. Ainda mais sabendo que a culpa era toda minha. Toda e exclusiva minha. Como podia existir alguém tão mesquinha quanto eu? _E pare de se culpar!
_Não estava me culpando. – Disse um pouco rápido de mais, denunciando que eu estava sim me culpando. Respirei fundo e falei mais uma vez, agora tentando parecer sincera. _Juro não estava!
_Porque você faz isso Lari? Eu nunca culpei você, então porque você se culpa? – Harry não se enganaria tão facilmente, ele me conhecia bem o bastante para saber que eu estava mentindo. Nunca descobri o truque dele, como ele sabia que eu não estava falando a verdade. Acho que o fato de ele me conhecer desde sempre ajudava bastante.
_Talvez porque eu seja a culpada. – Respondi. Dando-me por vencida, nunca conseguiria enganar Harry mesmo, então porque não dizer a verdade logo de uma vez?!
_Não me arrependo do que eu fiz! – Ele disse tentando amenizar a minha dor.
_Talvez se você me culpasse, ou se arrependesse, eu me sentiria melhor.
_Pare com isso Lari. – Pediu. Harry é um bom amigo. Bom ate de mais, não merecia sua amizade. Eu só trouxe dor para sua vida. _Olha eu tenho que desligar. Te vejo hoje a tarde? Para ver a casa. – Concordei e desligamos logo em seguida.
***
_Então o que acha da nossa casa? – Perguntou com os olhinhos brilhando. Esperando ansiosamente por uma resposta minha. Olhei ao redor mais uma vez, visualizando tudo, tentando ao máximo guardar esse momento na minha cabeça, a primeira vez que eu vim ver minha casa, a primeira vez que eu tinha entrado nela.
_Ela é linda Harry, e é bem espaçosa. Acho ela perfeita. – Respondi tão feliz quanto ele estava. Batendo palmas feito uma criança, e rindo feito boba.
_Ótimo, então será essa! – Exclamou. Beijou minha testa e disse que não demoraria. Iria só acertar a compra com a vendedora que nos olhava um pouco afastada, dando-nos privacidade. Concordei. Enquanto Harry resolvia as papeladas da compra da nossa casa, eu resolvi fazer uma excursão por ela. Não estava brincando quando disse que a casa era espaçosa. Ela tinha quatro suítes, dois banheiros um no andar de cima e outro no andar de baixo. Uma sala, sala de jantar, cozinha, um escritório, e uma sala grande ao lado dele, que me perguntei o porquê de ela existir. A casa parecia um castelo, aqueles de contos de princesas que minha mãe costumava ler para mim quando eu era criança e estava preste a dormir, e o que mais me encantava era o jardim, que tinha uma piscina incrivelmente linda. _Que tal fazermos uma festa?! Poderíamos fazer um churrasco. Dougie iria adorar isso, do jeito que ele adora comer. – Falou rindo de sua própria piada sem graça. Abraçando-me por traz e encostando seu queixo em meu ombro direito.
_Você acha que seria legal fazer uma festa, Harry? Sendo que todos os nossos amigos nos odeiam? – Perguntei. Harry abraçou-me mais fortemente. Talvez pensando que assim ele poderia me proteger. Que em seus braços eu estaria segura, de tudo e todos. Ate do ódio daqueles que um dia nos amaram.
_Dougie não odeia a gente, Lari. – Olhei para ele com uma sobrancelha levantada, ele se corrigiu. _Ok. Dougie não me odeia. Mas é só porque ele não sabe da historia toda.
_Ninguém pode saber Harry! – Exclamei, já nervosa. Apertando suas mãos que estavam pousadas em minha barriga, pedindo com um aperto que ele nunca contasse o meu segredo, que ninguém nunca poderia saber. Bastava apenas ele, somente ele me entenderia.
_Eu não vou contar para ninguém Larissa! Acalma-se. – Respirei fundo tentando fazer o que ele me pediu. Acalmar-me seria extremamente difícil, mais não impossível.
_Certo, faremos essa festa, mais não fique triste depois, se nenhum dos nossos amigos vier. – Ele concordou. Harry não entendia. Dougie poderia ate o ter perdoado, mais o Dougie não estava tão envolvido assim naquela historia. E Sah poderia também ter ate me perdoado, mais foi só porque ela tem um grande coração. Ate agora eu não sei como ela pode me perdoar. O que eu fiz foi horrível. Lembrei-me daquela manha, o que ela havia me dito na cozinha. Que ela não gostava de ser lembrada do que eu fizera. Como ela suportava morar com alguém como eu, como ela poderia se esquecer se eu estava sempre lá para lembrá-la? Tinha que sair o mais rápido possível daquela casa, já havia tirado muita coisa da Sarah, não poderia tirar seu sossego também.
_Vamos Jantar? Estou morrendo de fome! – Concordei. Despedimo-nos da vendedora, agradecendo pela rapidez que ela havia conseguido a casa para nos. Antes de sair ela avisou que poderíamos nos mudar amanha mesmo. Que ótimo, não via a hora de sair lá de casa. Não porque eu não gostasse de lá. Só acho que a Sarah merece uma colega de quarto melhor do que eu. _Se incomodaria se forcemos ao Mcdonalds?
_Não. Na verdade estou morrendo de vontade de comer um BigMc. – Disse sorrindo. Harry sorrio também, não sei se foi da forma que falei, parecendo uma criança, ou do fato que eu concordei de irmos para lá.
***
Enquanto eu esperava Harry, já sentada na mesa. Fiquei pensando na minha vida. Em como ela podia ter mudado tanto em apenas um mês. Costumávamos vim todos juntos aqui para esse mesmo Mcdonalds. Sentávamos todos reunidos, e ficávamos jogando batatinhas uns nos outros, rindo das piadas idiotas do Danny, e tirando sarro do namoro meloso do Harry com a Sarah. Nossa vida era simples e divertida. Cheia de companheirismo, nosso lema era “Amizade acima de tudo”. Chega a ser contraditório o fato de ter sido eu que escolhi o lema, afinal foi eu quem destruiu tudo. Sem perceber deixei escorrer algumas lagrimas, logo as enxuguei. Não queria que Harry me visse chorando. Mas quando procurei por ele, e o encontrei, vi que estava olhando para mim. Parecia tão triste por ter me visto chorar. Dei um sorrisinho amarelo, e abaixei a cabeça, me amaldiçoando por ter sido fraca, me amaldiçoando por existir.
_Não faça isso, Lari! Já disse que não a culpo. – Falou, me abraçando de lado.
_Mais eu me culpo Harry. – Odiava isso em Harry. Porque ele não deixava eu arcar com as minhas conseqüências?! Porque não deixava eu ficar me atormentando? De vez enquanto eu tinha que mexer nessa ferida, para mostrar-me o quanto ela ainda estava viva em mim. Não sou masoquista, só não queria nunca esquecer o que eu tinha feito. Não merecia a compaixão de Harry. Não merecia nem Harry, para falar a verdade.
_Não deveria, você também não tem culpa. – Como ele poderia dizer isso?! Ou pior, como ele poderia dizer isso com tanta convicção, tanta certeza?! Invés de discordar dele, fiquei em silencio. Não queria discutir. Harry sentou-se ao meu lado, colocando minha comida a minha frente. Peguei minha caixinha, abri, peguei um guardanapo e com ele tirei meu hambúrguer de dentro da caixa. Dando uma mordida logo em seguida e me sujando todinha com o molho especial. Era impossível comer um BigMac sem me sujar.
_Não sei como você ainda consegui comer isso! Já faz quantos anos que você só pede BigMac? – Perguntou Harry, tentando mudar de assunto. Sorri de lado.
_Não sei. Uns quatro, talvez. – Falei dando de ombros.
_Quatro anos?! Como você ainda consegue comer isso? – Perguntou, visivelmente chocado.
_É um BigMac Harry! – Expliquei. Mas Harry ainda estava com a mesma expressão. Então tentei explicar melhor. _Não tem como se enjoar do BigMac, Harry. Ele é perfeito! – Uma pequena pausa para mais uma mordida. _Aliais eu te conheço a minha vida toda e não me enjoei de você. E olha que um BigMac é muito mais gostoso do que um McJudd. – Falei de boca cheia, rindo logo em seguida da cara de incrédulo de Harry.
_Valeu pela consideração, Lari!- Eu não disse mais nada, só continuei lá rindo. Harry sabia que eu estava só brincando. Olhei para frente, e me arrependi no mesmo instante. Dougie, Tom, Sah e Danny estavam entrando no local, indo direto para o balcão fazer o pedido. Engasguei-me. Harry se levantou desesperado, gritando para eu levantar os braços e batendo nas minhas costas. Chamando toda a atenção do lugar para a nossa mesa. Inclusive a dos nossos amigos!
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