Notas iniciais
Demorei porque estou em época de provas finais, não sei se vai ser sempre assim, mas boa leitura.

Vários paraquedas foram jogados pelos guardas do avião, todos no chão, junto com uma mochila, cada jogador foi pegando um, até não sobrar nenhum.

– Na mochila, possui duas garrafas de água e um pouco de pão para comer. O resto do alimento conseguirão pela sobrevivência, só ajudando nisso já é ser muito bom. Junto dos alimentos, na mochila, vocês encontrarão um mapa da floresta, a faca inicial que o jogo possui e uma lanterna.

Enquanto ouviam a explicação, cada um conferiam se na mochila tudo estava ali.

– Vocês tem perguntas? — O homem da tela perguntou, sua máscara de hóquei deixava ele com uma aparência mais assustadora, provavelmente isso era proposital e também para deixar difícil de identificá-lo.

Um menino levantou a mão. Era o brasileiro, Pedro.

– Por que está fazendo isso conosco?

– Pedro, é muito legal de ver as pessoas conversando comigo, muito bem! Porque vocês são injustos consigo mesmo! Vocês possuem uma ótima vida e rejeitam ela, reclamam dela, não pensam nos outros! E nem pensarão mais nos outros, pois eu tirei o direito de vocês fazerem isso! Tirei o direito de vocês viverem! Apenas um sairá vivo daqui e mesmo saindo vivo daqui, o trauma será enorme. É como se todos vocês estivessem mortos. Bem vindos ao Inferno.

O menino ficou quieto. Ele não tinha mais o que dizer. Pedro era o tipo de menino animado e para a sua família, de classe média, ele era a alegria de lá. Sua mãe o apoiava em tudo e aí surgiu o primeiro medo de Pedro: O medo de nunca mais poder ver a sua mãe, sem dar um aviso. A última imagem de sua casa, era a mãe sorrindo para ele e o desejando sorte. Ele tinha vontade de chorar, mas não ali.

8 minutos se passaram, em 2 minutos eles pulariam do avião.

– Últimas perguntas? — O mesmo homem perguntou.

– O que acontecerá com os familiares de quem morrer? — Franklin, dos Estados Unidos, perguntou.

– Eles irão se calar e não ficarão bravos. Se ficarem, vocês se verão mais cedo do que parece. — Dava para ouvir uma risada alta, irritante.

Franklin cerrou os punhos.

A porta do avião começou a se abrir, já estava ruim de ouvir o que o homem dizia. Apenas dava para entender uma coisa.

– Quando estiverem se aproximando da região, apertem o botão vermelho e o paraquedas irá abrir!

Deu o tempo. Alguns pularam de primeira, outros demoraram um pouco mais. O último, Aaron, se negou a pular, mas logo pulou porque se não seria morto sem tentar.

Era ali que tudo começaria de verdade.

O vento estava forte, era de manhã. Cerca de 10 horas da manhã. Este vento acabou levando a competidora Alice, da Austrália, para uma área rochosa.

– Isso é tão chato... — A menina bocejou e pegou a sua mochila, viu a faca e a jogou para cima, pegando ela no ar e segurando na mão de maneira pronta para caso sofresse um ataque. — Quem sou eu querendo enganar alguém? Apesar de estar tão confiante, posso morrer à qualquer hora e essa morte não tem um Restart. Essa morte será eterna. — A menina suspirou, passou de leve a mão pelos seus braços, que não estavam cobertos, já que Alice usava uma blusa com mangas curta e não havia levado uma jaqueta, ou algo do tipo. A sua sorte era que usava calça jeans e que o frio afetaria ela um pouco menos.

Antes de começar a andar, pegou o mapa e se sentou um pouco em uma parte das áreas rochosas. Olhou bem o mapa. Ela estava longe das moradias que normalmente poderiam possuir itens interessantes para ela. Nas áreas rochosas, era mais comum se encontrar pequenos lagos, para tomar banho e limpar as roupas, assim como cavernas que são ruins para dormir, mas boas para esconderijos, por causa da escuridão.

O jogo dera uma lanterna para cada um. Alice pegou a lanterna e logo viu, que era a lanterna feita a pilha e assim como no jogo virtual, depois de um tempo, ela seria inútil. Como se tratava de um perigo real, a menina decidiu economizar a pilha da lanterna e só usar quando preciso.

Se Alice havia parado nas áreas rochosas, do outro lado do mapa, das áreas aonde o foco eram as florestas, foi para aonde o inglês Wesley foi levado. Ao cair contra uma árvore, ele se soltou com pressa. Estava com medo. Desesperado. Na escola, Wesley era tratado como um invisível, mas sempre era o primeiro na hora de sofrer agressões. Seus pais não se importavam, porque não agüentavam mais ver o filho em um jogo. E nem veriam mais. Wesley tinha certeza que morreria.

Todo o seu lado estratégico, todo seu lado seco e nada sentimental, acabou quando ele chegou ali. Por que logo ele? Por ele ser um bom jogador? Por que não outra pessoa? Era tudo tão confuso para o menino, que era o mais novo dali, com apenas seus 14 anos,sendo um prodígio no jogo e ganhando de jogadores de até 40 anos. Por que a vida escolheu para ele ser castigado em um lugar tão cruel?

– Por favor... — As palavras soaram como um suspiro. O suspiro se elevou, a virar um grito. — Eu não fiz nada pra vocês! Eu sou só um adolescente! — Sua voz soava com raiva, deu um cuspe no chão. — Me tirem daqui! Eu não quero mais ser um campeão! Que eu seja um perdedor, mas sou muito novo para morrer! — Após essas últimas palavras, deu um chute em um galho de uma árvore caído ao chão.

Logo, percebeu a sua burrice. Pegou a mochila e se escondeu pela floresta, para ver se alguém aparecia. Mas e se aparecesse? O que ele faria? Nem ele sabia.

5 minutos. Ninguém. Decidiu esperar mais um tempo, enquanto já segurava a sua faca, após ter pego da sua mochila.

10 minutos. Ouviu passos rápidos e um rapaz apareceu. Apesar de não saber quem era, Wesley percebeu que não venceria ele com facilidade. Era o japonês Makoto.

Makoto suava um pouco, provavelmente havia corrido por causa do grito de Wesley. Olhando para o chão, Makoto viu o galho de árvore quebrado. Ainda de manhã, era difícil não conseguir ver algo. Mas Wesley estava muito bem escondido, no meio de várias árvores. Parte do chão coberto de folhas da floresta estava mais baixo, como se fosse pegadas. E realmente eram. Os passos nervosos de Wesley fizeram aquilo. O jogador japonês estava prestes a descobrir aonde Wesley estava.

Sacou a sua faca e a segurou, se aproximando com cautela. Ele sabia que alguém estava escondido bem ali.

– Se você gosta de viver, saia de trás dessas árvores, com as mãos na cabeça e com a faca no chão. A sua mochila também fica. — Makoto disse com calma, sua voz mostrava que não tinha medo de quem estava ali. Wesley sabia que iria morrer ali, mas não queria aquilo.

Com calma, o inglês se levantou, mostrou a faca para Makoto e a atirou no chão. Ele sabia que se tentasse jogar contra o rapaz, seria uma tentativa inútil de matar alguém, já que ele morreria logo em seguida. Colocou as mãos na cabeça e apontou com a cabeça para a mochila no chão.

– Está tudo aí. Mas por favor, me deixe vivo. — Wesley pediu, sua voz estava fraca, estava se segurando para não chorar.

– Certo. Vou te dar uma segunda chance. — Makoto apontou para uma saída da floresta, uma direção reta. — Corra o mais rápido que puder. Você ficará sem armas e sem suprimentos. Se é realmente um bom jogador, conseguirá se virar. Se eu te encontrar novamente, não terei piedade e te matarei.

Um sorriso se abriu no rosto de Wesley, de esperança. Ele agradeceu e correu, para longe. Assim que Makoto perdeu a sua visão, retirou tudo da mochila de Raul e passou para a dele. Ficou com uma faca na mão direita e a outra, presa à calça que usava. O jogo sorria para ele vencer.

Makoto segurou a faca com força, ele estava com raiva.'' Matar uma pessoa não é tão fácil como é em um jogo... Eu fui fraco agora.'' Ele pensou.

Um pouco distante dali, mas não muito, era capaz de encontrar um lago. Neste lago, a coreana Park Min Young lavava o cabelo, com cautela, para ter a certeza de que não havia ninguém por perto. A menina era boa em usar arco e flecha. Ela era uma especialista na arma e normalmente, no jogo online, após 3 mortes, armas como arco e rifle de assalto começavam a aparecer. Ela tinha que pegar o arco. Que poderia ser mais perigoso, pelo fato de não fazer barulho algum. Sem falar que um dos problemas dessas armas, seria a munição. Arcos são mais fáceis, armas como rifles, revólveres, pistolas, chegam a ser mais difíceis de conseguir munição.

Dizem que todo jogador possui uma característica geral. Park Min Young possuía várias. Sua precisão, sua paciência, sua confiança e seu modo de persuadir as pessoas, faziam dela uma jogadora capaz de conseguir o que quisesse.

Logo de começo, ninguém queria arriscar começar o jogo. Não só pela esperança de conseguirem sair dali sem matar ninguém, mas também pelo fato de ninguém querer arriscar.

Mas alguns já estavam prontos. A canadense Isabela via se a sua faca era realmente afiada. De longe, ela conseguia ver alguém. Era um menino, com o cabelo jogado para frente e uma falha atrás do cabelo. A menina não sabia, mas ele era o estadunidense Franklin Brown.

Segurando a sua faca, ela começou a andar furtivamente em direção ao menino. Chegou atrás dele. No momento que ia colocar a faca em seu pescoço, o estadunidense se abaixou e desviou.

– Regra número 01 para um jogo de sobrevivência: Nunca subestime seu inimigo. — Dito isso, o rapaz se levantou e sacou a sua faca. — Se apenas um pode viver, esse alguém terá que ser eu. Me desculpe. — Quando foi acertar a faca no braço direito de Isabela, ela deu uma rasteira em Franklin. O menino não esperava por isso e caiu no chão.

Aproveitando isso, Isabela pulou em cima dele e com a faca, foi em direção a garganta do menino novamente, mas ele segurou o braço dela que manuseava a faca.

– Sabe... Vendo você assim de perto... Até que você é bonita. Que tal um beijo e esquecemos disso tudo e nós dois continuamos vivos? — Franklin riu, não era do seu tipo fazer piadas, mas ele sabia que ele tinha grandes chances de perder na luta agora. A menina era muito forte.

– Muito engraçado. Essas são suas últimas palavras? — A menina se soltou da mão do estadunidense, já mais fraco por causa da exaustão. Apesar de um bom reflexo, ele se cansava rapidamente. A menina mirou no olho do garoto dessa vez e ela jogou a faca.

Para sua surpresa, o menino desviou, mandando a cabeça para o lado e a faca caiu no chão. Franklin voltou a cabeça para o lugar aonde estava, fazendo com que a faca ficasse embaixo da sua cabeça.

– Agora você está desarmada. Só pode me matar se for pra me matar sendo espancado. Mas isso te cansaria muito e meus gritos trariam alguém para cá. E você morreria junto. Isso virou uma faca de dois gumes. O que você fará? — Um sorriso confiante surgiu no rosto de Franklin e Isabela percebeu a sua precipitação e seu erro.

Ela lembrou do que o mesmo menino disse: '' Regra número 01 para um jogo de sobrevivência: Nunca subestime seu inimigo. '' Ela havia quebrado essa regra e poderia ser a primeira a morrer com isso.

– Se decidiu? — Franklin disse novamente, pressionando ela. Ele queria deixá-la nervosa e estava conseguindo. Quando a menina ia socá-lo no rosto, ele conseguiu se soltar do peso da menina e a chutou para longe, logo segurou a faca da menina.

A menina deu um gemido ao cair contra o chão, o chute de Franklin havia sido muito forte.

– Eu estou bravo. Só saio daqui com você morta. — Ele estava com dores nas costas, porque ele também havia caído com tudo no chão. Correu em direção à menina e deu um soco em seu rosto, que começou a sangrar.

Um sorriso perverso surgiu no rosto de Franklin.

– Você que quis fazer graça, por que fez isso? Não reconhece um perigo de longe? — Apenas Franklin falava, a menina continuava quieta.

– Por trás de todo valentão, existe um calcanhar de Aquiles. — Isabela mencionou sobre Aquiles, no qual Franklin conhecia muito bem, ele amava conhecimentos gerais.

– Está perdendo seu tempo e sua vida querendo encontrar esse meu calcanhar de Aquiles. — Quando ele foi socá-la novamente, a menina segurou com dificuldade o punho de Franklin. — Ainda tem força? — O estadunidense suspirou, com raiva. — Vamos lá, estou com pressa!

Com a sua força restante, Isabela gritou. O grito ecoou pelo caminho da floresta e Franklin foi dominado pelo desespero.

– Você é idiota? — Franklin se levantou, mas voltou, Ele não sabia o que fazer. '' Vamos Franklin, pense. '' até mesmo os seus pensamentos estavam confusos.

Passos eram ouvidos. Esses passos aumentavam o barulho, com freqüência. Seja quem for, estava se aproximando. Se Franklin matasse Isabela, ele morreria em seguida. Mas quem estava vindo, poderia matar Isabela. Franklin começou a correr para o mais longe possível, sem olhar para trás, com apenas uma faca e outra jogada no chão, ainda perto de Isabela.

'' Viver é mais importante do que matar '' Ele pensou. Não decidiu saber quem estava chegando.

Isabela com certeza estava morta. Se não fosse pelo fato do jogador que a encontrou fosse o francês Raul Bitencourt.

A canadense estava desmaiada, seus ferimentos eram muitos e ela não havia agüentado ficar acordada, provavelmente. Ele viu seus machucados e a colocou em suas costas, começando a carregá-la.

– Aonde eu fui parar? — Raul resmungava em um tom de voz baixa.

Raul era um ótimo jogador, inteligente e forte. Mas ele era uma pessoa muito boa e não podia ver alguém machucado. Ele chegou até um lugar com uma sombra da árvore. O Sol forte estava se abrindo. Ele colocou a menina embaixo da sombra e a observou por um momento. Ela era linda. Mas tinha outras coisas para se preocupar.

'' Que lugar é esse? Estamos perto da onde? Nada foi explicado... Quem era aquele homem? Como vou dormir sabendo que posso morrer amanhã? '' Todas essas perguntas passaram pelo pensamento de Raul. Mas ele decidiu ficar ao lado da menina. Ele confiava nas pessoas, esse era seu ponto fraco. Ele era muito ingênuo.

Após meia hora, a menina acordou.

– Você está bem? — Raul perguntou, colocando a mão na testa da menina, tentando ver se ela estava doente. Ele não era uma pessoa boa para cuidar das outras, apesar de tentar.

A visão de Isabela ainda estava borrada, mas começou a enxergar melhor e viu o francês.

– Qual o seu nome? — Isabela perguntou.

– Raul Bittencourt, França. E o seu?

– Isabela Zilles, Canadá. Você vai me matar?

– Não sou uma ameaça. E você?

– Também não.

Ali se formara a única coisa que o jogo não queria. Uma aliança temporária.

Notas finais
Vejo vocês logo, até mais.