Notas iniciais
Estão gostando meninas? Rose e Dimitri bailando hahahaha =)

Acordei no dia seguinte com uma batida na minha porta.
–Malditos idiotas! — eu xingava sem ver quem era. Lancei um olhar para o relógio e vi que ainda eram quatro horas da tarde. Cedo para o horário vampiro.


Chutei longe meu travesseiro e não me dei nem ao trabalho de colocar uma roupa, por cima da minha camiseta de dormir que ganhei de Christian. Segui para a porta, usando meias. Passei em frente ao espelho, mas tive medo de me olhar. Christian havia me dado a camiseta, no meu último aniversário. Claro, eu também fiquei bem surpresa com seu presente. Velhos hábitos nunca mudavam. Ainda mais, os irônicos.


Parei na porta e girei a maçaneta. Era Dimitri.Ele me encarava sorridente e ao mesmo tempo brincalhão. Seus olhos pararam no meu cabelo. Lembrei do estrago que deveria estar parecendo. Talvez, se eu tivesse sorte, ele pensaria que eu tinha sido atropelada por um caminhão.


Pedi que ele entrasse. Eu estava sem humor para receber fofocas a essa hora no corredor. Ele me olhou cauteloso, como se quisesse ter certeza do meu pedido. Dimitri entrou somente quando eu cerrei os olhos para ele.


Quando ele já estava dentro, fiz sinal para que sentasse na cadeira de frente para minha cama, que eu havia colocado recentemente. Dimitri encarou todo o processo em silêncio. Quando ele sentou, apenas ficou me observando. Resolvi levantar. Algo parecia errado.


Eu quase gritei quando olhei o meu reflexo no espelho.

–Jesus camarada — comecei a tentar baixar o cabelo frenéticamente. Escutei uma risada abafada perto de mim — Não ria merda — tentei ficar o mais séria possível, mas sem sucesso. Peguei um prendendo na primeira gaveta e amarrei minha juba.


Voltei a sentar na cama de pernas cruzadas. Só me toquei que eu ainda estava de pijama, quando percebi os olhos de Dimitri em mim. Ele estava olhando para minhas pernas expostas. Nervosa, soltei um comentário.


–Hey não me olhe como se você nunca tivesse visto isso — Falei tão rápido que não medi minhas palavras. Foi minha vez de corar violentamente, enquanto ele apenas me olhava. Dessa vez com intensidade demais para o meu gosto.


Sabe quando você esquece o assunto inicial? Não que eu tivesse algo para falar, mas eu havia esquecido tudo e até mais, enquanto ele me olhava. Uma onda de frio e calor passou por mim ao mesmo tempo. Dimitri tinha a placa PERIGO na testa dele, percebi.


Tentando voltar ao normal e ignorar isso, me forcei a falar.

–Então camarada — tossi um pouco — O que o traz aqui essa hora? — perguntei cedo demais. Só agora eu havia notado suas roupas largas.


–Eu vim para ensaiar — ele também pareceu empurrar seus sentimentos. Voltamos aos negócios. A essa altura do campeonato, eu já tinha cobrido minhas pernas nuas com o cobertor.


–Aé — ergui uma sobrancelha. — Mas essa hora? — perguntei confusa. Dimitri sorriu timidamente.


–Eu pensei que talvez você tivesse coisas para fazer mais tarde. — ele deu de ombros — Como comprar vestidos e essas coisas.


Ele quase pareceu sem graça. Quase.

–Bom isso não é total mentira — o encarei concordando. — Eu acho que vou ter que resolver depois a coisa da roupa também.


Ele me olhava em silêncio com expectativa.

–Bom... — comecei olhando ao meu redor em busca de idéia de roupas — Me dê um minuto. — Ignorei novamente seu olhar em mim e levantei. Abri meu guarda-roupas e saquei um top preto e um par de calças de balé, também pretas. Fui para o banheiro me trocar.


Quando voltei, segui com Dimitri para o salão de dança. Como eu havia previsto, estava fechado. Fomos juntos, buscar a chave com os outros guardiões de plantão. Recebemos olhares especulativos de todas as formas possíveis. Tentei ignorar isso e Dimitri fez o mesmo. Fizemos grande parte do trajeto sem falar muito. O silêncio sempre foi normal para nós dois.


Dimitri ligou a música, e tentamos imitar os passos do dia anterior. O começo foi desastroso, mas depois de uma hora e meia mais ou menos, estavamos com menos ferimentos nos pés. Nesse ponto, eu dei um crédito para Dimitri. Ele quase não pisava no meu pé. Embora sua coordenação fosse tão falha quanto a minha, ele ainda conseguia manter a graça que só ele tinha. Já eu, pisava toda a hora em seu pé. Em um determinado momento, ele me encarou pensativo, e eu, tive a nítida impressão, que se passava pela cabeça dele se isso era uma espécie de troco.


Quando terminamos o cd pela vigéssima vez, decidimos dar uma pausa. Meus pés doiam e eu estava faminta. Graças a Deus, já estava no horário do café da manhã. Reunimos tudo e Dimitri começou a fechar a porta. Eu me encolhi na minha blusa de moletom.


Comecei a seguir em direção ao refeitório, quando percebi que Dimitri me seguia. Ou melhor, estava andando lado a lado comigo. Eu não podia ignorar que isso ainda me perturbava.


Encontramos Lisa e Christian no refeitório. Eles estavam com roupas similares as nossas, e abriram uma cara de espanto, misturado com curiosidade para nós. E um belo dia eramos ex amantes, em outro quase nos matamos e em outro, eramos "amigos". Virei os olhos.


Nos aproximamos da mesa deles, e tentei sentar o mais longe de Dimitri o possível, mas ele não facilitou. Era uma mesa redonda. Dimitri estava quase colado na cadeira comigo. Eu cheguei a pensar o que será que ele queria com isso, mas ignorei. Sim, eu estava preocupada com coisas maiores no momento. Uma sombra da conversa com Benta voltou a minha mente.


Lancei um olhar rápido para Dimitri, que estava pedindo dois donuts para mim e um café para ele. Eu queria protestar que não precisava disso, mas o olhar que Lisa me deu, me fez permanecer quieta.


"Ele esta te agradecendo pela ajuda com a dança " — Ela disse na minha mente. Como ela sabia do nosso plano de dança, eu desconhecia, mas ela estava do lado dele percebi.


Logo meus pedidos chegaram e não fiz questão de roubar um donnuts do prato de Dimitri, recem colocado na mesa. Ele ergueu uma sobrancelha pra mim e sorriu. Deus por que ele tinha que sorrir dessa forma? Derrepente a idéia de que, talvez ele estivesse tentando ser meu amigo me deixou preocupada.


Será que eu me contentaria com isso? Meus hormônios diziam que não, nesse exato momento. A proximidade era absurda. Estavamos quase nos tocando. Tossi derrepente engasgando.


Lisa começou a rir baixinho e eu percebi que era para mim.

"Você está quase babando" — Ela disse na minha cabeça e eu me senti corar. Deus, que vergonha.


Dimitri e Christian pareceram nem notar. Eles estavam conversando sobre os fracassos nas aulas de dança. Minha sorte. Comi o outro donuts e me despedi deles, indo em direção ao meu próprio quarto. Antes de eu sair, Lisa havia me dito que debaixo da minha porta, havia um catálogo de vestidos para madrinhas. Virei os olhos.