The Last Storm (A Última Tempestade)
14 Capítulo 14 - Você Ainda Me Ama?
Notas iniciais
Enjoy...
Ele não precisava continuar a frase. Dimitri acabou com a distância entre nós em um segundo. Suas mãos estavam em minha cintura no outro. Encarei seu rosto sorrindente, mas ao mesmo tempo, determinado.
Eu não sabia o que fazer. Meu impulso inicial, era sair correndo dali. Mas algo em seus olhos me mantiveram exatamente no mesmo lugar. Prendi minha respiraçaõ, enquanto seu rosto se aproximava centímetros do meu.
A realidade me atingiu.
Estavamos em um salão lotado de pessoas, inclusive meus pais e meus melhores amigos. O que Dimitri estava pensando? O que ele achou que estava fazendo? Ele havia me dado um fora. Foi ele que me queria fora da sua vida.
Esses pensamentos, derrepente estavam em conflito com outros. Recentes. Será que ele mudou de opinião? Será que ele ainda me ama?
No último instante eu me esquivei dele, virando o rosto e voltando a respirar. Dimitri encostou seus lábios demoradamente em minha bochecha. Depositando um beijo ali. Meu coração batia frenético no peito, como se quisesse sair pela minha boca. Dimitri seguiu seus lábios até a minha orelha.
–Me desculpa... — ele me apertou mais contra seu corpo. — Me desculpa — Sua voz era triste e urgente no meu ouvido.
Um nó na minha garganta se formou e eu comecei a procurar por ar frenéticamente. Por que? Por que sempre comigo? Por que Dimitri havia virado Strigoi, justo quando estavamos fazendo planos juntos? Por que ele não me amava mais, mesmo depois de tudo o que fiz por ele? Por que ele estava fazendo isso comigo agora?
A pressão dessas perguntas era imensa na minha cabeça, e antes que eu pudesse me controlar, estava correndo em direção a porta de vidro, me despreendendo do seu aperto. Senti alguns olhares em cima de mim, mas eu não podia parar. Eu precisava correr e tinha que respirar.
Quando eu finalmente encontrei a porta e a abri, uma brisa gelada veio em minha direção. Eu corri para a noite.
Eu corri até não poder mais. Eu rasguei pelo impecável vestido quando trombei com uma árvore. Mas, eu não me importava.
Quando cansei de correr, sentei na grama fria e tirei os sapatos, que estavam me matando. Logo em seguida, ouvi passos atrás de mim, se aproximando. Um cheiro de pós barba que eu conhecia bem, tomou conta do meu nariz. Eu não precisei virar para ver quem era. Eu sabia.
–Vai embora — eu disse sem me virar.
Dimitri concerteza me ouviu, mas ignorou meus protestos.
–Não vou não — Ele foi mais longe do que eu esperava, sentando ao meu lado na grama. O olhei espantada.
–Vai sujar seu terno camarada — disse no meio das lágrimas que caiam frenéticamente pelos meus olhos.
–Eu não me importo — ele deu de ombros. — Não pretendo voltar para lá mesmo. — Dimitri não me olhava. Ele estava encarando o céu estrelado.
–Eu... eu não sei o que dizer... — Comecei a encarar o mesmo céu.
–Então não diga nada — Ele me lançou um olhar rápido, e para o meu total espanto ele sorriu. Um sorriso tímido, mas mesmo assim ainda era um sorriso.
Depois de um longo tempo, eu encontrei minha voz.
–Dimitri eu... — Comecei a falar, mas ele me interrompeu.
–Sabe Roza... — ele usou meu apelido russo denovo. — Eu até consigo entender você. E é por esse motivo, que tomei a decisão de não te importunar denovo.
Meu coração gelou. eu não conseguia definir, o que passava na minha mente e na dele, naquele momento. Sim, era obvio que era melhor mantermos distância e ignorarmos isso. Mas, senti uma urgência terrível em escutar o que ele tinha para falar.
–Mas você não conseguiu? — Arrisquei uma resposta sem ainda olha-lo.
–Exatamente — Ele se aproximou mais de mim e eu tremi.
–Roza olha pra mim — Dimitri tocou meu queixo e me fez olhar para seus olhos castanhos, que eu tanto amava. — Eu sei que você ainda me odeia, que ainda está muito magoada comigo pelo que houve no passado, mas eu.... — ele desviou o olhar, embora ainda segurasse firmemente meu queixo, com seus dedos quentes. — Eu ainda acho que pode dar certo. — Ele voltou a me olhar e meu mundo desabou. — Me perdoa por favor... — Sua voz morreu, e a minha também.
Toda a barreira que eu havia criado, em um ano longe dele. Todo o trabalho minucioso que eu havia feito, estava terminado. Tudo jogado fora.
E como se percebendo minha luta interna, Dimitri me beijou.
Era um beijo desesperado e faminto, que contra qualquer resistência, eu lutei. Envolvi meus braços em seu pescoço e o puxei para mim. Seus lábios ainda eram os mesmo que eu havia lembrado. Seu cheiro, era ainda mais excitante, quando seu corpo estava tão perto do meu, desse jeito. Dimitri me empurrou de costas na grama, enquanto ficava sobre mim. Eu sabia que pessoas iriam passar perto de nós, mas eu já não me importava. Só ele importava.
Só nos separamos para pegar fôlego. Dimitri começo a beijar meu rosto sem parar e eu sorri. Era dessa forma que deveria ter sido. Era assim que deveríamos estar.
–Vai me deixar toda babada camarada — Protestei sem vontade, e ele abriu um dos seus mais maravilhosos sorrisos para mim. Só para mim.
–Eu te amo — Dimitri encostou nossos lábios antes de voltar a dizer. — Eu te amo.
–O que? — Meu coração batia frenéticamente no peito e eu tinha certeza, que ele o estava ouvindo.
–Eu te amo Roza — Dimitri me encarava com olhos escuros de desejo e amor. Puxei ele para mais perto de mim e toquei seu cabelo castanho, que caia livremente em meu rosto.
–Quando percebeu isso? — perguntei receosa, mas feliz.
–Eu sempre soube disso — ele tocou meu rosto ainda sorrindo. — Sempre esteve ali.
–Mas você disse.... — tentei relembrar suas palabras de um ano atrás. Dimitri foi mais rápido.
–Mas eu menti... — Dimitri pegou minha palma, e a beijou com carinho. — Eu menti meu amor... — Ele me chamar de meu amor, fez lágrimas começarem a sair dos meus olhos. Lágrimas, que ele prontamente começou a enxugar.
Dimitri voltou a falar derrepente, notando minha expectativa por sua explicação. Ele sentou na grama, e me ajudou a levantar. Quando estava de frente para mim, pegou minhas mãos.
–Roza... quando eu voltei a ser Dhampir... — ele começou a dizer e parou, desviando o olhar para a grama. Eu pude notar dor em sua voz. Senti uma vontade imensa de abraça-lo, mas precisava o deixar esclarecer as coisas primeiro.
–Estou aqui — Apertei suas mãos gentilmente, passando conforto.
Dimitri voltou a olhar para mim. Dessa vez, com um sorriso triste. Respirando fundo, ele prosseguiu.
–Quando eu voltei a ser dhampir Roza, eu não tinha espaço na minha vida para coisas felizes, ou sonhos. Eu fui dominado pela dor. Eu matei Roza. Matei muitas pessoas inocentes por nada — Dimitri encarou suas mãos, como se pudesse ver algo além delas.
Dimitri fechou os olhos, como se estivesse lembrando de algo. — Eu me senti péssimo e infeliz. Eu estava tão infeliz. E se não dosse por Vasília, eu estava em um quarto até hoje.
–Ela te ajudou não é? — sussurei para ele, que sinalizou com a cabeça.
–Sim — ele foi para perto de mim e eu toquei seu braço. — Você não faz idéia do que eu senti quando você partiu.
A menção que ele fez, em relação a minha partida, o havia deixado pior e triste.
–No começo eu achei que deveria ser assim. Que eu deveria deixar você seguir sua vida.... — ele me encarou... — Mas quando eu te vi... Quando você entrou por aquela porta novamente. Eu percebi o quão egoísta eu posso ser. — Ele tocou meu rosto — Eu percebi que eu não poderia mais te deixar ir embora.
Meus olhos estavam lacrimejando violentamente que eu temi começar a soluçar.
–Você me mandou embora, mas eu não queria ir. — Comecei a mecher em seu cabelo novamente. — Eu precisei fazer isso por você, mas eu não queria estar longe.
Como se isso fosse apagar toda a nossa distância, ele me puxou para seu peito tão rápido que eu arfei.
–Não mais! Não Roza, eu não quero! — Dimitri começou a soluçar no meu ombro, e eu pude perceber que ele estava chorando.
–Eu estou aqui — o abracei o mais forte que pude, afanando seu cabelo — Eu não vou mais te deixar. Nunca mais.
–Não vai Roza, por favor — Sua voz era desesperada, e eu senti a urgência de olhar em seus olhos. Afastei-me um pouco dele, mas ele estava relutante em se separar de mim.
–Eu não vou — Disse, enquanto encarava aqueles olhos castanhos cheios de dor. Lágrimas escorriam por eles e eu senti meu peito apertar. — Eu amo você, escutou bem? — Quando dei por mim eu estava chorando denovo. — Eu amo você e não vou te deixar...
Eu sabia o peso daquelas palavras, mas eu não conseguia pensar em algo melhor, ou mais verdadeiro para dizer. Eu o amava, com todo o meu coração, com toda a minha alma. E sim, eu iria segui-lo até o inferno.
Dimitri encostou sua cabeça no meu colo e eu, comecei a mexer em seu cabelo, cantandando uma canção que Lisa costumava cantar para mim, quando eu estava chateada demais.
Aos poucos, eu o vi relaxar em meus braços, mas suas mãos nunca deixaram de me segurar. Algumas pessoas começaram a passar por nós, olhando com curiosidade. Mas Dimitri, ainda continuava ausente a tudo isso, de olhos fechados.
Em certo momento, encostei meus lábios perto da sua orelha e falei.
–O que acha de sairmos daqui? — Ele levantou contra gosto o seu rosto para me olhar.
–Quer voltar para a festa? — Ele me perguntou receoso. Havia lágrimas secas por todo o seu rosto, e visivelmente ele ainda estava arrasado.
–Não, é claro que não — Virei os olhos e apontei meu vestido sujo para ele. Dimitri sorriu para mim. Derrepente me veio na cabeça, que eu não queria deixa-lo.
–Vamos para o meu quarto — Sugeri. Dimitri sorriu aliviado, como se ele estivesse partilhando da mesma opinião que eu, sobre nos separarmos.
Sem precisar de um incentivo extra. Dimitri se levantou e me ajudou em seguida. Seguimos em silêncio até meu dormitório, com apenas nossas mãos entrelaçadas.
Notas finais
Oque acharam?
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