The Last Storm (A Última Tempestade)
3 Capítulo 3 - Revelações
Notas iniciais
–Tudo bem Srta. Hathaway? — A voz tímida de Benta, uma das empregadas da casa, me chamou a atenção quando entrei na cozinha. Benta era humada e suas rugas no rosto já demonstravam a idade avançada. Ela era mais baixa do que eu, em meus um e sessenta e oito, e seu corpo era bem gorducho.
–Estou bem obrigada — lhe lancei um sorriso tímido e segui em direção a pia. Eu gostava de Benta.
–A Srta me parece um pouco abatida. — Antes que eu desse por mim, Benta estava me oferecendo um pote de doce. — Eu sei que é seu favorito — ela piscou para mim e eu não pude evitar sorrir. — Coma logo antes de Christian veja.
Dei uma generosa colherada no conteúdo, quando os olhos da mulher fitaram os meus ansiosos e pensativos. Levei a colher a boca, mas a encarei franzindo a testa.
–Desembucha Benta — levei outra colher a boca, mas ela apenas me olhava. Parecia ver além da minha alma.
–É apenas estranho — ela disse depois de uma longa pausa. Ela continuava a me lançar um olhar que me dava arrepios.
–O que é estranho? — Ótimo. Ela havia me feito desistir do doce e puxar uma cadeira para sentar. Lembrei-me do que Christian havia me contado, em uma das vezes que estávamos falando sobre os empregados e sistema de segurança da casa.
"Sabe Rose...A Benta me dá calafrios as vezes" — Christian murmurou.Estávamos sentados de frente para a lareira. Já se passará muito tempo da hora de dormir dos humanos.
"O que diabos você quer dizer com isso?" — Empurrei os pensamentos de Dimitri da minha cabeça, e me concentrei em seu rosto pálido de olhos azuis.Ele riu sem humor. "Sabe... Castilhe me disse que esse foi um dos motivos de Benta estar desempregada" — ele virou os olhos.
"O que Eddie tem haver com isso?" — Franzi o cenho. Eddie estava mais próximo de nós, do que qualquer outro. Ele e Mia meio que estavam tendo um envolvimento não muito profissional há alguns meses. Novamente, empurrei minha linha de lamentações da vida amorosa dos outros, e me concentrei em Christian, que agora olhava a lareira.
"Anda desembucha" — Falei um pouco alto demais e logo, me xinguei mentalmente.
"Ah Rose — ele virou os olhos — Eles dizem que ela é uma bruxa"
O olhei espantada:
"Uma o que?"
"Uma bruxa" — ele repetiu contra gosto. — "E o pior. Dizem que ela preveu o acidente que matou a mãe de Mia lembra?"
Eu não gostava dessas coisas místicas. Sempre odiara o fato de que alguém pudesse prever o meu futuro ou algo assim. Mas tenho que adminitir, que depois daquela velha rainha do vermelho acertou sobre mim e Dimitri, e principalmente, sobre o lance da grande perda dele, eu resolvi dar algum crédito. Mesmo que muito contra gosto
"E o que ela disse?"
Foi a vez de Christian me olhar espantado. — "Rose, desde quando você acredita nessa porcaria sobrenatural?" — Ele falou de um jeito, que parecia que iria cair em gargalhadas a qualquer momento.
"Hey tocha" — virei os olhos — "Não é como se fosse eu que estava a um minuto falando que uma velha me causava calafrios."
Christian riu. Mas antes que pudessemos continuar, fomos interrompido por outros guardiões.
Voltando para o mundo real, pisquei algumas vezes, antes de voltar meu olhar para Benta. Ela ainda me encarava de uma forma, que eu não aguentei mais esperar.
–O que você vê? — A naturalidade e ao mesmo tempo, urgência da minha pergunta haviam a pego desprevenida.
–Eu não vejo nada — Ela desviou seu olhar de mim, e virou para a pia da cozinha.
–Benta eu sei que você vê algo, então por favor, me diga o que é — Tentei soar gentil e calma, mas o timbre da minha voz relatava exatamente, a repulsa e nervoso que eu sentia.
A mulher ainda me olhava, como se decidindo falar ou não. Suspirei alto.
–Eu vejo uma guerra — Olhei para Benta, que agora encarava a parede atrás de mim.
–Que tipo de guerra? — Era tudo muito complicado de entender. Eu já devia esperar isso.
Benta voltou a me olhar.
–Uma criança Rose. — Era uma das poucas vezes, que ela me chamara pelo meu primeiro nome.
–O que tem a criança? — Eu me peguei curiosa demais e quase histérica. — De quem é essa criança? — Segurei a mulher pelos braços. Não havia me tocado, até que ela encarou meus dedos firmes em seu pulso rechonchudo.
–Me desculpe — A soltei sem graça.
–Proteja a criança Rose — Benta me lançou um olhar assombrado. — Você pode contar com ele para te ajudar. Ele nunca vai te deixar.
–Do que você está falando? — Eu me perdi tanto naquela conversa maluca e desconexa, que demorei a sentir uma mão tocar meu braço. Eu estava apertando novamente o pulso de Benta, que me olhava de uma forma bem assustada.
–Rose o que está acontecendo?! — Foi a voz de Andreas, outro guardião, que me tirou do meu transe louco.
Demorei um segundo para me recompor. Soltei o braço de Benta e pedi desculpas a ela. Ela assentiu atordoada e eu segui Andreas pelo corredor.
–O que diabos houve lá dentro Hathaway? — Ele me olhou de lado enquanto caminhávamos. Eu não queria olhar para ele. Muito menos, explicar meus motivos sinistros. Tudo bem que tecnicamente eu e ele éramos amigos, mas eu ainda não queria contar certas coisas a ele.
–Nada demais — virei os olhos e ele deu de ombros.
Era isso que eu gostava em Andreas. Ele nunca me pressionava demais. Agradeci mentalmente pela amizade dele, e com um breve aceno de cabeça , me despedi dele que ia para fora da propriedade.
Eu mal pisei no tapete felpudo da sala, quando Christian me interrompeu.
–Liz quer falar com você — ele me empurrou o aparelho telefônico tapando o bocal. Peguei o aparelho de sua mão, derrepente me esquecendo da conversa desastrosa que acabará de ter na cozinha.
–Liz? — pergunteu receosa
–Rose? — ela parecia tão receosa quanto eu. Uma idéia maluca me passou pela cabeça. Talvez ela estivesse tendo certeza que era realmente eu no telefone.
–Sou eu sim — Sorri para Christian que cruzava as penas ansiosamente na minha frente. — Senti saudade.
–Oh eu também Rose — eu quase pude apalpar pela nossa ligação, o alívio e a felicidade de falar comigo, em sua voz.
–Como estão as coisas ai? — Tentei desviar o foco principal da conversa.
–Está tudo ótimo aqui Rose — ela pausou para sorrir, eu apostava. — Estão terminando os preparativos para minha festa de noivado.
Eu sabia que ela iria insistir na minha tortura.
–Hum hum — foi só o que consegui dizer.
–Você vem não é? — Ela estava definitivamente cautelosa. Para alguém que tinha tomado bolo diversas vezes no ano e tivesse visto sua melhor amiga resolvendo tirar férias, bem quando ela vira passar uma semana com seu namorado aqui. Ela estava reagindo muito bem.
–Liz você sabe que é um risco desnecessário — tentei argumentar de olhos fechados. — Você tem a sua irmã ai para te ajudar com tudo. — Joguei baixo. Eu sabia que estava jogando baixo. Mesmo assim, eu tentava soar confiante e feliz.
Acabou sendo um total fracasso.
–Eu não quero saber! — Lisa aumentou significamente seu tom de voz no telefone. — Você vem Rosemarie Hathaway, ou eu vou te buscar ai e nem tente fugir de mim! — Ela afiou sua voz mais ainda e eu não pude deixar de rir da minha desgraça.
Querendo ver Dimitri ou não, eu não poderia fazer isso com ela. Lisa estava fazendo planos para seu casamento e eu não iria estar presente? Justo eu?
Engolindo meu maldito orgulho e sem saer ao certo como eu comecei isso. Soltei:
–Eu vou Lisa — pausei e pude ouvir seus pulos de alegria.
–Você não sabe o quanto estou feliz em ouvir isso — Sua voz estava trêmula e eu senti minha certeza vacilar. — Eu achei que você não se importava mais comigo. — Eu percebi que ela começara a chorar.
–Hey! não precisa chorar Liz — virei os olhos querendo conforta-la. -u já disse que vou não disse? — soei mais otimista dessa vez, e ela fungou do outro lado. — Então eu vou.. e apropósito...- lancei um olhar para Christian que agora, sorria vitorioso. — Vou desligar logo, por que tenho uma mala para arrumar okay? — ela concordou e eu passei o telefone para Christian.
Eu estava ferrada.
Fui para o quarto, me xingando mentalmente
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