The Last Storm (A Última Tempestade)
20 Capítulo 20 - Sombras
Notas iniciais
O caminho de volta, demorou mais do que nós esperavamos. Houve um tumulto no aeroporto naquele dia, por causa de uma tempestade de neve. Por pouco, não voltamos para a Corte.
Já era quase final da tarde, quando chegamos em casa. Christian estava mal humorado como sempre, mas ignorei isso. Tiramos as malas do carro e os empregados vieram nos ajudar. Eu não vi Benta. Merda. Era uma ótima oportunidade para falar com ela, sobre as coisas malucas que ela havia dito antes de eu partir.
Christian entrou correndo na casa e seguiu para seu quarto, alegando estar caindo de sono. Eu peguei minhas malas e fui arrumar as coisas no meu quarto, antes de anoitecer, quando eu teria que ajudar na vigia da casa. Joguei a mala na cama e comecei a tirar a roupa pesada de neve, enquanto encarava a janela. Estava bem frio lá fora, e logo o sol iria se pôr.
Desci mais tarde e senti um cheiro de comida vindo da cozinha. Encontrei Christian e um guardião ao lado dele, Andreas. Busquei com os olhos, Benta mas não a encontrei em lugar algum.
–Quando vocês vão casar? — A voz de Andreas me tirou da minha busca inútil.
–Eu ainda não sei — dei de ombros. — Acabamos de ficar noivos.
–Como vai ser? — eu sabia o que Andreas queria dizer. Como iria ser a proteção dos dois moroi, quando eu e Dimitri estivessemos dividindo o mesmo teto com eles.
–Vai ficar tudo bem — respondi sem fazer um segundo comentário. Eu também pensava nisso.
–Lisa disse que isso ia acabar acontecendo. — Christian lançou um olhar rápido, em minha direção. Isso explicava talvez, seu olhar ligeiro no meu anel, quando eu cheguei.
–E você Ozera? — tentei suavizar o tema. — Gostou?
Christian riu de leve.
–Eu acho que eu também esperava por isso.
–Eu acho que só eu pareceu não esperar por isso. — Dei de ombros e nós rimos.
–Quer jantar Srta. Hathaway? — Uma empregada me chamou a atenção. Era Matilde. Eu nem havia a notado lá.
–Eu quero sim, mas pode deixar que eu mesmo pego. — Eles eram empregados de Christian, e por mais que fossem humanos não eram meus empregados. Fui pegando o prato da mão dela, para em seguida enxe-lo de sopa de legumes. Sentei da mesa para comer com ele. Andreas estava nos observando.
–Falou com Liz? — Tentei ser casual. Quando Christian estava nesse humor, era melhor evitar conversar.
–Sim — ele respondeu, quase me ignorando, me mostrando seu aparelho celular. Eles estavam se comunicando por torpedos.
–Você está bem? — perguntei enquanto pegava um pedaço de pão. Eu estava com fome novamente. Eu sempre comi demais, mas estava me assustando já. Eu havia comido uma caixa de chocolates não fazia nem uma hora. Christian notou isso, depois do meu segundo prato de sopa.
–Você está comendo bem em Hathaway — ele disse rindo.
–Estou com fome — dei de ombros
–Se eu não te conhecesse, eu poderia jurar que..... — ele foi interrompido, quando Benta entrou no cômodo. Ela não ficou surpresa quando nos viu. Benta vestia pesadas roupas de inverno, denunciando derrepente aonde ela estava.
–Benta.... — Christian suspirou irritado — Eu já te disse para não andar lá fora anoite que pode ser perigoso.
–Me desculpe Sr. Ozera, mas eu precisei visitar minha irmã que estava doente. — Seus olhos pararam em mim. Ela sorriu antes de continuar. — E também houve a greve dos...
–Nem me fala isso Benta... — Christian interrompeu irritado. — Nós ficamos parados horas no aeroporto também.
Eles continuaram conversando mas eu ignorei. Derrepente minha fome indo embora. Benta estava com uma expressão serena em seu rosto, mas algo ali me incomodava. Era como se ela soubesse mais coisas do que eu, e que não quisesse contar.
Quando dei por mim, Christian estava subindo a escadaria e só tinha eu ali sentada, com minha comida esfriando. A vontade de cercar Benta era imensa, mas eu tinha coisas para fazer primeiro. Adrian estava encerrando seu turno e eu precisava ficar no lugar dele para ele descansar. Dessa forma, ignorei Benta. Minha conversa com ela, teria que esperar.
Quando meu turno acabou, era quase amanhecer. Todos os funcionários estavam na cama, inclusive Christian. Ponderei esperar por Benta acordar na cozinha, mas essa idéia, foi esmagada pelo meu sono.
Eu estava correndo. Eu não sei o por que ou de quem, mas eu estava correndo. Eu corria sem parar, ignorando a grito dos meus pulmões cansados e a forma como minhas pernas, estavam parecendo partir ao meio. Eu sabia que tinha que correr, que precisava proteger... Proteger o que? Proteger de quem? Em algum momento eu parei. Ouvi um choro abafado de uma criança. Olhei para os meus braços, e como se simplesmente tivesse aparecido ali, eu vi um bebê de olhos chocolate, que estava me encarando.
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