The Last Storm (A Última Tempestade)
11 Capítulo 11 - Gestos Simples
Notas iniciais
Faltava um dia para a cerimônia. Apenas um dia e eu me sentia tão ansiosa quanto Lisa. Finalmente todos os enfeites estavam em seus lugares. Os convidados estavam quase todos na Corte. Inclusive meus pais. Abe Mazur e Janine Hathaway estavam procurando por mim. Prometi ir falar com eles, depois de comprar meu vestido. Apropósito. Nem o meu vestido eu tinha ainda.
Era meio da tarde e estavamos eu e minha recente dupla dinâmica, Dimitri, esperando Mia e Eddie em frente a uma SUV preta, perto dos portões de entrada. Lisa havia insistido para irmos com eles a uma loja no centro da cidade. Mia ainda não tinha comprado sua roupa. Bom, pelo menos eu e Dimitri não éramos os únicos perdidos.
Quando eles chegaram, seguimos em silêncio para a loja. Dimitri dirigindo e eu ao seu lado. Atrás, Eddie sempre alerta e Mia abraçada com ele. Hoje eu estava com um mal humor dos diabos, e isso só fez tudo parecer pior. Dimitri percebendo isso, evitou falar comigo. Aqueles malditos pompons que Carl insistia em colocar no meu vestido de madrinha, estavam acabando com meu humor.
Meus pensamentos foram interrompidos, quando chegamos a loja. Loja não. Aquilo era uma propriedade gigante. Eddie pegou a mão de Mia assim que saímos do carro. Eu, tentei me distanciar o máximo de Dimitri no processo. Seu cheiro estava começando a me deixar tonta.
A porta principal, só foi aberta depois de dois guardiões armados, notei, virem pessoalmente para ver nossos rostos. A expressão deles, suavizou quando viram Mia. Agradeci mentalmente, por termos trazidou uma Moroi autêntica conosco.
Depois que passamos pela segurança, uma grande porta marrom foi aberta. Tive que segurar meu queixo, para não ir direto ao chão.
–Oh meu Deus! — derrepente me senti uma infeliz, por não estar melhor vestida.
Duas atendentes Moroi viram ao nosso encontro.
–Em que posso ajuda-los? — uma ruiva perguntou para Mia e ela falou que íamos precisar de vestidos, para uma festa de noivado.
A atendente nos guiou por um extenso corredor, e uma porta de vidro automática foi aberta. Havia dezenas de vestidos, expostos em manequins.
Parei em frente a um vestido marrom que era tomara que caia. Ele era apertado até a altura da cintura, e solto até os pés. Delicadas flores estavam depositadas na parte de cima. Me imaginei vestida nele. Ri quando a imagem de uma princesa em perigo me veio a mente.
–É lindo Roza — Dimitri apareceu perto de mim. Foi a primeira vez que ele me chamou pelo meu apelido Russo. Derrepente, o ar tinha ficado pesado.
Empurrei meus sentimentos para longe de mim. Eu não precisava de mais preocupações por hoje.
–Acho que vou ficar com esse. — Chamei a moça e mostrei o vestido.
–Uma excelente escolha — a Moroi sorriu levemente e foi buscar o meu tamanho.
Me voltei para Dimitri.
–E você camarada? — ergui uma sobrancelha para ele. Ele estava distante. Seus olhos encarando outro manequim, sem vê-lo realmente.
–Eu não faço idéia — Dimitri ergueu os ombros. Virei para o lado e vi que Mia, que já havia provavelmente escolhido seu modelo, estava ajudando Eddie a comprar um terno.
Respirei fundo.
–Vamos lá eu te ajudo — toquei seu braço gentilmente. Ele sorriu para mim.
Segui com Dimitri para a ala masculina, pedindo para a moroi segurar um pouco meu vestido, que eu já iria experimenta-lo.
Olhei alguns modelos masculinos e parei em um que me chamou a a atenção.Um paleto grafite, com uma camisa linda de linho branca.
–Experimenta esse camarada — empurrei para Dimitri, que analisava a peça com cuidado.
–Acha que fica bom? — ele ergueu uma sobrancelha para mim.
–Vai cair como uma luva — pisquei para ele — Agora experimenta — Disse o empurrando em um dos provadores.
Enquanto Dimitri estava vestindo sua própria roupa, eu me vi pegando o vestido e indo experimenta-lo. Quando finalmente consegui fechado, fiquei admirando minha aparência nele. Realmente a vendedora estava certa. Era uma peça única.
–Rose? — Escutei Dimitri me chamando do lado de fora. Provavelmente já estava com seu terno para eu analisa-lo.
Tirei rapidamente o vestido e me troquei.
–Estou aqui — disse quando abri a porta do provador. Pedi para que a moroi embrulhasse a peça e fui atrás de Dimitri. Ele estava no provador ao lado.
–Ficou realmente bom camarada — disse depois de algum tempo o observando. Dimitri estava vendo seu próprio reflexo no espelho, e seu olhar, dizia que ele estava totalmente perdido com aquela roupa toda. Isso na verdade não importava muito. Ele estava divino.
Dei alguns passos para frente, em sua direção. Dimitri me viu pelo reflexo do espelho, e sorriu torto. Deus, como eu amava aquele sorriso. Eu tinha certeza que depois que tudo isso passasse, eu poderia tranquilamente me inscrever naqueles programas, onde as pessoas passam por situações extremas para sobreviver. Sem piscar, eu sabia que podia ganhar. Meu autocontrole vivia na corda bamba esses dias.
–Vira pra mim — novamente me forcei a ser profissional. Isso iria acabar logo.
Dimitri virou para mim e o olhei, como quem pede permissão para tocar outra pessoa. Ele me encarou, como se a resposta fosse obvia. De alguma forma, depois e suas negações em ser tocado por mim a um ano atrás, eu me senti receosa.
Arrumei o colarinho e ajeitei melhor sua postura. Para finalizar, passei um cinto preto para ele e um par de sapatos, da mesma cor.
–Perfeito — pisquei para ele e ele sorriu devolta. — Estão um gatão Belikov. — Quando ele me olhou, foi que eu percebi que havia pensado alto demais. Merda.
Dimitri ainda me encarava sorrindo. Havia algo ali. Algo que eu não paguei para ver. Sem esperar algum incentivo de sua parte, peguei o pacte da mão da vendedora e segui em direção ao caixa.
–Rose? — Abri e fechei os olhos várias vezes antes de virar para encara-lo. — Aonde você vai? — Ele ainda estava plantado no lugar, olhando para mim.
–Estou indo pagar camarada — dei de ombros — Vamos logo com isso.
Não demorou muito tempo, para que Dimitri e o casal me encontrassem na entrada da loja, Era inverno e a temperatura estava rigorosa. Apertei-me contra meu casaco fino, enquanto Dimitri abria a porta da Suv.
–Você está bem? — Ele perguntou quando entramos no carro.
–Só estou com um pouco de frio — olhei para seu rosto.
Dimitri se soltou do cinto que já havia colocado e fez algo que me surpreendeu muito. Ele tirou seu longo casaco marrom e me passou.
–Hey eu não preciso — o olhei espantada. Ele estava vestindo somente uma cacharrel verde musgo agora.
–Eu insisto — ele me empurrou mais uma vez o casaco. Relutei antes de aceitar, mas acabei aceitando.
Quando voltamos a corte, eu tentei me desfazer rápido de seu casaco. O cheiro de seu pos-barba estava me dominando por completo.
–Obrigada — tirei a peça e o entreguei, para logo em seguida, começar a caminhar para o dormitório.
–Roza — Ele gritou atrás de mim. Me virei para encara-lo. Meu Deus, como ele conseguia ser tão lindo?
Dimitri deu vários passos em minha direção, e fechou a distância entre nós.
–Eu gostaria de agradecer pelo que você fez hoje — ele sorriu tímido e meu coração parou. — Sabe... você não tem obrigação nenhuma de fazer essas coisas, mas.... — ele pausou e encarou o chão.
Depois de um longo momento, ele voltou falar. Era como se ele estivesse tentando driblar sua recente descoberta. Sua tímidez. — Mas você faz... — Congelei quando senti sua mão quente em meu rosto. — Mesmo depois de tudo, você faz e você está sempre lá para mim.... — Sua voz era doce e eu vi sinceridade em seus olhos. Mas sua última frase, havia acabado com minha sessão de piedade.
–Bom... eu não sou mal educada — disse depois de tirar sua mão quente do meu rosto. — Além do mais, eu devo isso a Lisa. — Arrisquei olhar para ele. Era o momento certo, percebi. O momento que eu iria dar o tão sonhado xeque-mate em Dimitri Belikov. O momento que eu iria finalmente dizer, as palavras que estavam entaladas em minha gargante, e que eu minuciosamente havia ensaiado messes últimos meses. O momento da minha liberdade.
–Dimitri eu não quero que pense que faço isso por você. — tentei soar o mais fria que pude.Pela sua cara de decepção e choque, percebi que ele havia caido na minha armadilha.
Como se tudo estivesse perdido mesmo, eu continuei.
–Eu faço isso pela Lisa e somente por ela. — eu soquei as palavras — Ela me pediu que fosse madrinha do seu casamento, e aqui estou. Mas não pense nem por um momento que isso tem haver com você. — Tive que juntar muita força para dizer as próximas palavras.
Mesmo me corroendo por dentro, elas sairam.
–O que eu cheguei a um dia sentir por você, não existe mais.
Quando voltei a olhar para ele eu vi desespero. Desespero misturado com decepção. Estava feito. Meu mundo tinha desmoronado de vez. Qualquer conversa, qualquer sorriso havia morrido ali. Eu não iria perdoa-lo nunca pelas noites que eu passei chorando por culpa dele. Pela distância que eu era obrigada a manter da minha melhor amiga, por culpa dele. E principalmente, eu não iria perdoa-lo por esmagar meu coração com tanta facilidade como ele havia feito. Como ele vinha fazendo. Deus, eu o amava. Amava de uma forma que eu nunca imaginei um dia amar alguém. Mas isso tinha que acabar.
Sem esperar por sua reação, eu caminhei de encontro ao meu dormitório, o deixando ali atordoado, como se estivesse a ponto de chorar. Coisa que eu já estava fazendo desde que havia lhe dado as costas.
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