Abri a porta do quarto escuro, e pisei em algo. A maldita revista de madrinhas. Bufei, logo a colocando sobre a cama. Tomei um banho rápido e me vesti, com meus habituais jeans e uma blusa de lã vermelha. Prendi meus cabelos em um alto rabo de cavalo.


Antes de sair, me lembrei que minhas roupas ainda estavam uma zona. Me forcei a dar meia volta, e começar a dar um jeito na bagunça.


Quando terminei, segui em direção a sala dos guardiões. Eu precisava me atualizar. Afinal, não era como se eu estivesse de férias aqui.


Quando fui abrir a porta para entrar na sala. Tomei um susto. Quase dei de cara com Tasha Ozera. Ótimo. Minha inimiga estava na Corte. Não que eu tivesse algo sério contra ela. Mas só de pensar em Dimitri perto dela, meu sangue fervia. Ela havia declarado guerra, quando juntou as peças, logo depois da minha louca obsessão por ir atrás dele na Sibéria. Tasha tinha diversos métodos de saber dessas coisas, dentre eles, ela contava com seu sobrinho Christian Ozera, que era seu informante oficial.


Para minha total surpresa, ela não estava sozinha. Tasha estava ao lado de um guardião, que não reconheci de imediato. Abri um sorriso forçado e os cumprimentei. Tasha me saudou com um verdadeiro sorriso amarelo.


–Rose quanto tempo — Ela me abraçou por pura educação, percebi. Pude notar um desconforto em sua pessoa, que refletia em seu sorriso amarelo. — Este é Philip — Ela puxou levemente o braço do guardião.


Philip era mais alto do que eu e tinha o cabelo ruivo. Seus olhos eram esverdeados. Até que bonito. Fui educada respondendo a altura, mas não neguei o sorriso retribuido.


–Você então é a famosa Rosemarie Hathaway — O homem parecia pensativo, enquanto processava a informação.


–Famosa eu não sei — dei de ombros — Mas prazer em conhece-lo Philip — acenei de leve.


–Tasha falou muito de você — ele ainda tinha o mesmo olhar esquisito.


–Ela falou é? — Lancei um olhar significativo para Tasha, que ainda sorria amarelamente. No mínimo, Tasha havia espalhado que eu deveria ser a mais vagabunda da Corte, se eu tivesse muita sorte. Tasha não respondeu, apenas ficou me encarando. Me senti com vontade de partir imediatamente.


–Preciso ir. Até logo — fui dando um passo para longe deles, quando Tasha me interrompeu.


–Você viu Dimitri? — Ah sim! Estava faltando essa pergunta crucial. Me virei para encara-la.


–Não, não vi — Menti. Eu havia o deixado com Lisa e Christian na lanchonete, mas uma parte bem mesquinha de mim, não queria que ela falasse com ele.


Tasha ergueu uma sobrancelha pra mim.

–Que estranho — ela comentou — Acabei de trombar com Hans, e ele me disse que te viu com Dimitri mais cedo.


Merda de mentira.

–Ah sim — fingi surpresa. — Mais cedo só... Eu havia esquecido. — dei de ombros. — Mas o caso é que agora, estou sem ele. — Tentei fazer uma piada e Tasha afiou de leve sua voz.


–Obrigada Rose — ela disse. — Mas acaso o ver, diga que estou precisando falar com ele. — Sinalizei em entendimento, antes de sair de perto deles.



–Só me faltava essa — murmurei aborrecida, enquanto adentrava a sala. A sala dos guardiões estava mais cheia do que de costume. Eddie Castilhe estava lá também. Um grande mapa estava posto na mesa central. Olhei para lado e vi Dimitri. Ele estava bem concentrado em um bolo de papéis na sua mão. Diferente de mim, eles estavam usando seus habituais uniformes. Me aproximei de Dimitri. Eu não poderia perder a piada.


–Hey Belikov — disse, lançando um olhar para seu bolo de papéis. Dimitri levantou os olhos para mim.


–Olá Rose. — ele disse simplesmente.


–O que é isso? — perguntei curiosa.


–São mapas simplificados da Corte — ele girou um dos papéis na sua mão e entregou para mim, logo em seguida.


–Hum — disse enquanto analisava o pequeno mapa. Era do dormitório Moroi percebi.


–Para que tudo isso? — perguntei


–É para distribuirmos bem os guardiões durante a cerimônia. — Dimitri me lançou um olhar curioso. — Você tem algo para falar?


Droga. Ele me conhecia bem demais.

Devolvi o mapa para ele. Eu já entendia esse mapa de cabeça para baixo.

–Na verdade... — ponderei por um momento. — Sua namoradinha estava te procurando. — Pronunciei namoradinha com uma careta.


Dimitri me olhou curioso.

–Que namoradinha?


–A sua namoradinha Tasha Ozera — cerrei meus olhos, enquanto encarava seu olhar perdido.


Quando Dimitri ouviu o nome de Tasha, sua expressão se suavizou, se transformando em algo ilegível. Ele virou os olhos.

–Tasha Ozera não é minha namoradinha Rose — ele disse cansado.


–Aé? — lhe lancei um olhar aborrecido.


–Ela estava sozinha? — Que tipo de pergunta era essa? O ciúme estava me deixando cega. Me forcei a responder a pergunta. Eu não tinha nada haver com a vida amorosa deles.


–Na verdade ela estava com o tal de Philip — dei de ombros.


Dimitri sorriu.

–Ah ela estava com o namorado dela — Ele disse de uma forma, que parecia que estava esperando por isso.


–Namorado? — ergui uma sobrancelha para ele. — Do tipo namorado mesmo? — Meu humor estava mudando para melhor.


–Do tipo namorado Rose — Dimitri gargalhou.


–Hummm — pensei por um momento. Será que Tasha estava realmente namorando? Isso era uma das melhores noticias que eu havia recebido recentemente. Talvez ela finalmente deixasse Dimitri em paz.


Notando minha súbita mudança de humor, Dimitri se aproveitou da situação.

–Eles já estão namorando há alguns meses. — Agora Alberta e Hans tinham entrado na sala. Sua voz foi um sussuro perto do meu ouvido.


–Que bom para ela — respondi no mesmo tom. Dimitri não iria ganhar dessa vez. Resolvi prestar a atenção, quando Alberta começou a falar.


Realmente foi oque Dimitri havia dito. Preparativos para a cerimônia. Como nem eu e nem ele estaríamos disponíveis para ajudar com a segurança, tivemos que deixar tudo bem explicado e resolvido para o grande dia. Dividimos os grupos para vigilância. Mais guardiões iriam chegar. Uma festa dessa magnitude, exigia muita segurança. Nada impedia um bando de Strigoi, de se aproveitar de uma falha.


Quando tudo terminou, segui para ó palácio. Eu senti pelo laço que Lisa estava precisando de mim. Quando abri a porta, me deparo com uma confusão de coisas pelo seu quarto. Lisa estava sentada próximo da cama, em uma cadeira. De frente para ela, estava uma moça jovem Moroi, lhe mostrando um outro catálogo. Ela sorriu quando me viu.


Enquanto seguia em direção a ela, notei que Christian estava dormindo em sua própria cadeira. Em seu colo, um livro totalmente desajeitado. No mínimo, ele estava tão cansado com isso tudo, que não aguentou ficar acordado.


A mulher era a responsável pela decoração. Fui informada quando ela se apresentou. Seu nome era Elizabeth. Ela tinha os olhos verdes e cabelos cor de mel. Aos poucos, ela foi mostrando para mim e Lisa suas idéias sobre a cerimônia. Eu não gostei muito da cor rosa para tudo. Mas fazer o que? Lisa amava rosa.


Quando Elizabeth se despediu, informando que viria no dia seguinte com as coisas, voltei minha atenção para Lisa.


–Liz...Tasha Ozera tem um namorado? — Sim. Eu adorava sofrer.


Ela ponderou por um momento. Vi surpresa pela sua expressão.

–Você viu Tasha? — ela perguntou, ao invés de responder. — Eu preciso falar com ela. — Lisa depositou uma enorme revista na cama. Sua expressão era exausta.


–Sim eu vi — respondi a encarando — E sobre a minha pergunta?


–Ah sim desculpa — ela tocou sua testa. — Sim ela está namorando. — Lisa tentou puxar em sua memória o nome do homem.


–É Philip — respondi para ela.


–Isso mesmo — ela sorriu. — Ela está namorando com ele já faz uns meses ai.


–Dimitri me disse isso — desviei os olhos dela.


–Falando em Dimitri.... — ela aproveitou. — Vocês dois estavam bem íntimos hoje hum?


–Não tem nada de intimo. — respondi voltando a olhar para seus olhos verdes.


–Bom... que seja — ela piscou para mim. Logo em seguida, ela lançou um olhar aborrecido para Christian, que estava esparramado — Ele sempre dorme.


–Talvez ele não tenha a mesma garra que nós — eu ri e ela também.


–Rose vou tomar um banho e descansar. Estou exausta — Sim ela estava. Notei pelas manchas escuras debaixo dos seus olhos. — Faltam três dias para a festa e eu tenho tanta coisa para fazer.


–Eu sei — beijei de leve o seu rosto, antes de me levantar. — Eu vou estar por perto. Se precisar de algo me chame.


–Obrigada Rose — ela sorriu gentil para mim — Nos vemos mais tarde certo? — ela estava otimista. O que era bom. Eu precisava de alguém assim nesse momento. Eu estava um tanto confusa.