The Last Sigh I
1 Prólogo
Notas iniciais
21 ANOS ATRÁS
…
Já virara quase rotina eu ir para a casa de Anthon todo domingo. As nossas casas nem eram tão distante, só virar a esquina e já estaria lá, mas como só tenho dez anos, meu pai e minha mãe vão comigo. Você é muito novo para andar só em uma rua perigosa como a que vivemos! Era o que eles diziam quando perguntava se poderia ir só para lá. Eles realmente não estavam errados, vem acontecendo muitos assaltos diariamente por aqui, as vezes arrombamentos também.
– Pai, quando poderia vir sozinho para cá? – Perguntei, esperançoso.
– Você não pode vir por aqui sozinho, filho, não enquanto estiver ocorrendo esses assaltos! – Exclamou ele.
Fui andando cabisbaixo até a casa de Anthon.
Ele já estava do lado de fora da casa, me esperando, ou melhor, eles estavam nos esperando, o pai e a mãe do meu amigo, sempre ficam conversando enquanto nós jogamos no seu videogame.
– Olá! – Cumprimentou o pai dele. – Como vocês vão?
– Bem, e você? – Falou o meu pai enquanto minha mãe falava com a Sra. Glen.
Fui entrando casa a dentro a procura de quem eu realmente queria falar.
– Ei, você. – Disse o Anthon, chegando por traz de mim. – Vamos jogar ou assistirTV?
– Prefiro jogar.
Ele assentiu.
A gente jogava muito Mário, é muito divertido, ou é pelo menos o melhor jogo já criado desde que nasci. Anthon não era tão bom quanto eu, e olhe que quem tem o jogo era ele, e eu realmente não tinha nem um videogame para treinar, e ele com vários jogos, só pega neles apenas quando venho para cá aos domingos. Acho que a mãe dele não deixava, mas ele passava a tarde toda só, se não joga, é porque não é interessado mesmo.
Eu estava quase no level do castelo, quando ouvi tamanho estrondo. A princípio, pensei ser algo que havia caído, mas frustrei as expectativas quando vi um sujeito vindo em nossa direção apontando uma arma para nós. Acabou. Pensei.
– Ei, vocês, não se movam, senão eu atiro! – Disse ele eufórico.
– Não, senhor, por favor não nos mate! – Disse o Anthon. – Eu dou tudo que tenho para o senhor, por favor não me mate!
Ele olhou para nós, bufando, e respondeu:
– Olha aqui moleque, eu não vou matar os dois, se obedecerem o que eu disser.
Desconfiados, assentimos.
– Então, vamos jogar Mário? – Disse o homem, olhando para a TV.
Eu pensei que ele pediria algo mais absurdo, mas ele disse que a gente sairia vivo se não fizéssemos nada de errado até ele querer nos liberar.
– Onde estão nossos… – engoli seco – pais?
Ele deu um sorriso maldoso, sei que coisas boas não aconteceram. O nosso futuro assassino, foi para a janela e tirou as cortinas do meio, onde dava para ver exatamente onde nossos pais estavam. Ele nos chamou, e pediu para olhar lá fora.
Quando olhei, minha garganta começou a se fechar, lágrimas dos meus olhos começaram a sair, não sabia ao certo se eram de ódio ou de tristeza. “Você é muito novo para andar só em uma rua perigosa como a que vivemos!” “Cuidado quando for andar pela rua.” “Não fale com estranhos, nunca.” Várias frases que os meus pai me diziam começaram a invadir a minha mente, se tornando a cada segundo que se passava, os meus pensamentos se tornavam todos em ódio, tudo que eu queria era socar a boca daquele infeliz até não ver mais sair sangue.
Olhei para o Anthon, ele estava com a mesma expressão que a minha. Dava para ver nos seus olhos que ele estava com a mesma vontade de matar aquele homem, não seria o ato mais religioso, mas não conseguia segurar a vontade. Tinha que botar plano em ação.
Pedi para eu ir no banheiro, e o Anthon, com desgosto na voz, também. Já tinha tudo na minha cabeça. No banheiro deles, sempre tinha papel ofício e canetas. Iria mandar o plano todo para o Anthon pelo papel quando ele fosse ao banheiro.
Tive que ficar fazendo zoada de choro, pois o assassino estava na porta, caso eu queria fugir. Mas eu não queria sair daquela casa antes de mata-lo.
“Assim que terminar de ler, faça tudo de acordo com o que está escrito! A arma do infeliz que matou nossos pais, está em cima da mesa, eu vou tentar pega-la, enquanto você estiver no banheiro, assim que ouvir ele dizendo algo, sai de fininho do banheiro, e ataque-o no nervo em baixo da orelha, vai fazer ele desmaiar. Quando ele desmaiar, vamos pegar as cordas que tem na cozinha, e amarramos ele. Quando acordar, a gente atira nele, ele vai sentir o que estamos sentindo! Bata na porta quando terminar de ler” Foi o que eu escrevi no papel.
Colei em cima do sanitário, e sai do banheiro. E Anthon entrou no banheiro, e fechou a porta. Tive que esperar um tempo para ele poder ler, pois ele não tem uma leitura rápida. Ele bateu na porta, tá na hora de por o plano em ação.
Eu fui devagar até onde estava a arma do homem, fingindo estar tentando não ser percebido. Quando tava chegando perto, ele disse:
– Ei, seu moleque! Sai de perto da minha arma! – Disse ele correndo na mesma direção.
Ele pegou a arma, e apontou para mim. Pude ver o Anthon se aproximando dele.
– Olha aqui seu garo...
E ele apertou embaixo da orelha, exatamente como disse. O homem caiu duro no chão. Um salve para as habilidades do meu pai passadas para mim!
– Vamos logo, não temos muito tempo! – Disse agitado.
Demorou um tempo até terminarmos de fazer tudo, mas finalmente tínhamos terminado. Ele estava amarrado em cima de uma mesa, as pernas estavam amarradas juntas, e cada uma tinha outra corda amarrada e presa a mesa, do mesmo jeito estava os braços. E colocamos um em volta do pescoço também, mas não com força o bastante para enforcar.
– Esse vai pagar por ter nascido. – Disse o Anthon.
Tinha começado a pensar que tínhamos matado ele só de apertar o seu nervo, até ele começar a abrir os olhos. Sorri só de ver o seu espanto por estar amarrado a uma mesa, prestes a ser morto por dois garotos de 10 anos.
– O que está acontecendo? O que vão fazer comigo? – Indagou o velho.
– Não se preocupe – disse o Anthon -, vai doer só um pouco. Ou não. – Ele deu um sorriso psicopata.
Ele começou a se mexer na mesa, querendo se soltar. Aquilo era ótimo. Não via a hora de atirar na testa daquele infeliz. Pessoas como ele, não mereciam ter começado a viver, deveriam morrer assim que saíssem da barriga da mãe, ou morrer dentro, isso não importaria, contando que ele não acordasse seria ótimo para o mundo.
Depois de termos conversado um pouco com ele, matamos com um tiro. E o retiramos da mesa para que pudéssemos criar a cena do assassinato. Peguei um pouco do sangue que estava no chão e espalhei pela parede, como se fosse um estouro que ali ocorrera, e era essa a ideia. Ele matou nossos pais e nos trancou aqui, e ele deixou a arma em cima da mesa, daí atiramos nele. Isso que a gente ia dizer para a policia. Eles nunca suspeitariam que dois garotos de apenas dez ano de vida, fizessem algo tão extraordinário assim.
…
Ninguém saberia que, daqui a alguns anos, os mesmos garotos que honraram a morte da mãe e do pai, começariam a matar outras pessoas.
Aliás, eles era apenas garotos de dez anos…
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