Notas iniciais
Já postei junto do primeiro pra alcançar o Social Spirit. Sentido? Ausente. Boa leitura :)

Ethan havia acordado no dia seguinte, mais controlado do que antes, mas igualmente desconfiado. Não havia muito o que fazer para acalmá-lo. Mas ele não poderia tampouco continuar na ala hospitalar. E muito menos ser liberado para receber o próprio quarto, sem supervisão. Ainda não confiavam o bastante nele.

De modo que designaram o quarto de...

– Ah, qual é, logo o meu quarto? — Indagou Jack. Justo a pessoa com quem Ethan brigara.

– Sim — disse Norte, grande e troncudo, risonho do mesmo jeito que todos haviam se acostumado. — Mérida e Astrid já dividem o delas e Sammuel é muito mais ocupado do que você.

Jack foi forçado a admitir a derrota. Encarou Ethan pelo canto dos olhos. Ethan não emitia expressão, mas demonstrava tanto desgosto quanto Jack.

– Se anime, poderia ser pior. — Dizia Norte.

– Duvido — murmurou Jack quando Norte já não podia mais ouví-lo.

Ethan se aproximou de Jack com certo receio.

– Então... — Diferente da intriga que Ethan demonstrava anteriormente, agora ele demonstrava até mesmo certo consolo.

Jack se viu desarmado com essa abordagem.

– Vem. — E seguiu ao lado de Ethan, indicando os corredores que os levariam até os dormitórios.

As pessoas demonstravam indiferença pelos corredores, o que agradava Jack. Nenhum dos dois puxava assunto de nenhuma maneira. O quarto de Jack era relativamente espaçoso. Cabiam duas camas ao invés de apenas uma como nos outros quartos, e até tinha direito a um armário.

– Essa cama está vaga faz bem uns dois meses. — Disse Jack.

– Que a ocupava? — Perguntou Ethan, talvez inocentemente demais.

O silêncio foi a resposta de Jack.

– Só tente dormir essa noite sem ser nocauteado novamente.

– Por que não podem me levar de volta? — Perguntou Ethan mais uma vez, quando Jack estava para sair novamente.

– Precisamos ter certeza de que...

– De que não sou um psicopata? Bom, eu não sou um psicopata.

Jack apenas riu.

– Boa tentativa, Ethan.

E já estava se virando para sair novamente.

– Hiccup.

Jack parou de andar novamente.

– Como é?

– Meu verdadeiro nome é Hiccup. — Disse ele novamente. — Eu venho da noruega. Tinham lendas de que nomes estranhos afastavam criaturas monstruosas. Gnomos e trasgos, essas coisas.

Jack ficou em silêncio por um tempo, notando como a saudade estava expressa na voz do outro. Por fim, Jack fechou a porta, sentando-se de frente para Hiccup.

– Então de onde vem o Ethan?

– Hiccup é o nome do meio. Meu nome completo é Ethan "Hiccup" Sølberg.

– Nome forte esse.

– Assim como Jack Frost. — Comentou, o que fez com que Jack risse.

– Você não é um Evoluído? — Hiccup balançou a cabeça, negando. — Sabe que isso dificulta para te levar nas nossas buscas.

– Eu sei me virar. — Respondeu Hiccup, na defensiva.

– Não foi o que pareceu quando te resgatamos.

– Eu consegui me manter vivo por duas semanas, sozinho, durante um desses ataques. — Hiccup foi ríspido, mas conseguiu chamar a atenção de Jack. — Foi quando pegaram meu pai... e minha irmã.

E se silenciou por um momento.

– Sinto muito Ethan. — Disse Jack, e sentiu o coração pular uma batida também. Contudo, nenhum dos dois chorava.

– Hiccup. De qualquer maneira, eu pude me manter vivo por todo aquele tempo. Saí de lá sozinho. Eu sei me virar.

Jack ponderou por um momento. Então se levantou, apenas para se sentar ao lado de Hiccup.

– Não costumamos levar não-evoluídos conosco. — Disse, baixo.

– Ainda é minha mãe que estaremos procurando. — Respondeu Hiccup em mesmo tom. — É a última pessoa da minha família que restou.

Jack demorou ainda alguns segundos antes de abraçar Hiccup pelos ombros.

– Poderíamos ser amigos, sabe? — Disse Jack, com o queixo sobre a cabeça de Hiccup.

– Eu sei. — Disse Hiccup. Abafando um soluço.

+++

Mérida era incrivelmente simpática, mesmo sendo uma das pessoas mais letais que Jack já havia visto em combate. Mas conseguiu a amizade com Hicucp em apenas um sorriso e piadas auto depreciativas. Jack invejava esse carisma em algumas pessoas. Carisma que Hiccup também demonstrou que possuía ao conquistar ambos Sandy e Azel, esta última ainda receosa depois do episódio na ala hospitalar.

Astrid ainda era extremamente reclusa. Não apenas com Hiccup, mas com quase ninguém ela se comunicava. Apenas Jack conseguia sustentar uma conversa com a garota.

– Hey. — Disse ele, se aproximando de Astrid na hora do almoço. O refeitório estava apinhado de pessoas, e os colegas de Jack estavam ao redor de Hiccup, onde havia um bombardeamento de perguntas por parte de todos. Mas Astrid estava em um canto mais afastado do salão, segurando sua bandeja com comida calculada milimetricamente para cada pessoa. A Arca podia ser bem rigorosa em determinados aspectos.

– Hey — cumprimentou ela de volta. — Como vai o novo recruta? — Mas ela não parecia realmente querer saber.

– Vivo. — Respondeu Jack. — Ele quer que o levemos de volta.

– Humph. Boa sorte com isso.

– Eu preciso levá-lo de volta, Astrid. A mãe dele foi deixada para trás.

Astrid se aquietou por um momento, absorvendo as palavras de Jack. Astrid era arisca, mas não era feita de pedra.

– Como planeja fazer isso? — Indagou ela. — Norte não vai deixar você sair com um garoto que acabou de chegar, ainda mais qunado se tem parentes, ou o fator emocional em jogo. Comprometeria toda a missão.

– Eu não pensei nisso. — Admitiu Jack.

– Sabe, tem um grupo de busca de alimentos com uma saída agendada para essa noite. — Disse ela. Jack virou o rosto, aproximando o ouvido dos lábios da loira. — Hoje as dez, eles vão levar um dos caminhões. Eles vão vasculhar a cidade de Delta, eu ouvi um deles dizer.

– Já estivemos em Delta. — Disse Jack. — É muito mais ao sul de onde pegamos Ethan.

– Eu sei, mas lembra quando fomos até aquele armazén da avenida principal... e eu escondi aquela caminhonete?

Jack encarou os olhos cinzentos da loira, captando o plano aos poucos.

– Dez horas em ponto. Eu não vou estar lá.

E então a loira se retirou. Jack já tinha um plano pronto. Agora era apenas avisar Hiccup.

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Astrid era de confiança. E não que Jack não confiasse nos outros. Mas era melhor que eles não soubessem. Jack queria era realmente poder confiar em Hiccup, pois o plano inteiro era para que ambos fugissem. E Jack não admitiria para outro, mas odiava ficar na Arca. Queria sair de lá. Os vampiros que viessem, mas tambpem sua liberdade.

Hiccup já estava pronto as nove e vinte. Ele era impressionantemente bom em esconder a excitação antes da busca. Ninguém havia suspeitado de nada. Mas Hiccup também não sabia o que iriam fazer. Jack apenas lhe disse: "Fique pronto para sair as nove. Prepare um kit de sobrevivência para uma semana. E me espere no quarto, não avise ninguém.".

Hiccup apenas torcia para que não fosse uma piada de mau gosto. E de fato, nove e vinte, Jack chegou no quarto, onde Hiccup esperava com uma mala pronta. Jack carregava consigo duas pistolas, e virou uma para Hiccup.

Andaram normalmente pelos corredores. Não haviam câmeras de segurança na Arca, a pouca energia elétrica que possuiam era para coisas mais urgentes, como a manutenção do Hospital, redes de comunicação ou a manutenção dos dutos de ar. O que sobrava da energia solar era guardado para reserva. Sistema esperto, mas milagroso para Jack.

Demorou uns dez minutos até que ambos chegassem ao estacionamento. O caminhão havia sido carregado as seis da tarde. Jack esteve o acompanhando durante todo o dia.

Ambos saltaram para dentro do caminhão por uma das portas entreabertas. Esconderam-se sob caixas de madeira, onde seriam depositados os mantimentos que os saqueadores encontrassem. Jack e Hiccup tiveram que ficar incorfortavelmente próxmos. Ótimo, pensou Jack.

– Você ainda me paga. — Sussurrou para Hiccup.

Ele também não estava confortável com a situação.

– Aonde estamos indo? — Sussurrou Hiccup.

– Já foi até a cidade de Delta?

+++

A viagem foi arrastada demais para que os dois mantivessem o bom humor. Vez por outra, o caminhão fazia uma curva brusca para os lados, jogando os garotos um em cima do outro. Decidiram parar de tentar se afastar para serem jogados de volta depois de um tempo, então ambos se espremeram nas paredes do caminhão. Nenhum ousava dizer um nada para o outro, rezando para não atrair a atenção das pessoas que estavam nos bancos da cabine.

Depois de uma hora, chegaram até a cidadezinha de Delta. Os saqueadores saltaram para fora do caminhão, contornando-o até as portas do contâiner

Não faça nenhum barulho! – Sussurrou Jack aos ouvidos de Hiccup.

As portas se abriram, e a fraca luz da noite invadiu o interior do vagão. O coração de Jack praticamente parou de bater quando um dos saqueadores se aproximou, removeu uma caixa de madeira próxima e se retirou. E então saíram, deixando as portas abertas.

– Saímos em um minuto — Sussurrou Hiccup, contando mentalmente.

Esperto, pensou Jack. Saíram com um sinal de Hiccup, cabeças baixas, curvados, passos silênciosos, saltando fora do caminhão.

Não haviam vampiros na avenida. A lua brilhava, reinando no céu escuro.

– Rápido! — Murmurou Jack, correndo para o lado oposto ao qual os saqueadores seguiram.

Os dois correram, quietos, virando em uma esquina. Jack sabia aonde era o armazém, mas era uma longa caminhada, e ainda precisavam despistar os saqueadores. Em uma cidadezinha tão quieta, com certeza o barulho seria ouvido com facilidade.

O primeiro morto-vivo foi visto depois de umas três esquinas. Estava sozinho, mas não teve tempo de dar um passo antes que Hiccup lhe desse um tiro certeiro na cabeça. O silenciador da arma abafava o som, mas a maior preocupação era de salvar as balas.

Viram apenas mais dois vampiros pelos caminho até o armazém. Era um prédio cinzento de apenas dois andares. Mas a caminhonete ficava na rua, junto de outros carros em pior estado. Um esconderijo que por não ser discreto, acabava sendo o mais perfeito.

– Vamos esperar. — Disse Jack. — Eles ainda podem ouvir o som do motor dessa distância.

– Certo. — Concordou Hiccup. — Mas vamos esperar aqui fora?

Jack ponderou, encarando os prédios ao redor. Havia uma fileira de prédios de tijolos em frente. Escadas de emergência que levariam aos andares superiores. E parecia deserto.

De fato, Hiccup e Jack montaram acampamento no segundo e último andar, onde a mobília havia sido comida por traças e cupins, mas nenhum sinal de vampiros.

– Parece seguro. — Saudou Jack. — O que quer fazer?

– Não estou cansado, se quiser pode dormir, vou ficar de guarda. — Disse Hiccup, resoluto.

+++

Embora tentasse, Jack não sentia o sono. Decidiu se levantar do cobertor que forrava o chão, e não via Hiccup.

Hiccup estava sentado em frente a janela, observando a rua, abraçando as próprias pernas. A pistola estava repousada ao seu lado. Jack se levantou com silêncio, sentando-se ao lado de Hiccup. Ambos se mantiveram em silêncio por um momento.

– Nada? — Disse Jack, apontando para a rua.

– Nada. — Confirmou Hiccup.

Um morto-vivo se arrastava ao final da rua. Nada que os preocupasse. Estavam seguros ali.

– Tudo mudou de uma hora pra outra. — Disse Hiccup. Jack o encarou, ansioso para ouvir falar do mundo no qual ele nunca viveu. Do qual ele não se lembrava de ter vivido. — Antes essas ruas teriam carros passando. Um assalto a mão armada. Aviões atravessando o céu.

– Nunca vi um avião nem de longe. — Comentou Jack.

– Eu me lembro do dia no qual eles caíram. Pessoas deveriam ter se transformado em pleno voo para que eles caíssem de uma vez. Eu ainda era criança, mas me lembro dos estrondos, dos flashes... De tudo.

Hiccup encarou Jack, tão intensamente que nenhum deles quebrou o contato visual.

– Eu queria ter vivido só mais um dia daquilo. — Continuou Hiccup. — Mais um dia com os meus pais nos quais sairíamos para comprar sorvetes. Um para mim e outro para Sophie. Iríamos ao parque. Eu a empurraria no balanço, ela era quatro anos mais nova. Carregaria ela nos meus ombros. Não discutiríamos tanto. Ia gostar que meu pai tivesse um dia de folga, no qual não tivesse que atender o telefone para tudo, pedir que eu ficasse em silêncio para ele marcar reuniões. Não sairia de repente para voltar para a empresa. E minha mãe, não recusaria meus beijos, não diria o quanto eu estava sujo.

Hiccup seca uma lágrima quando termina. E Jack apenas o observa, espantado por imaginar o quanto uma vida comum na realidade é maravilhosa.

– Eu queria ter conhecido meus pais. — Disse Jack. — Para que eles me comprassem coisas. Saber se eu já sequer tive irmãos. Saber se nós brigávamos. Saber como eram meus pais. Saber como era ter uma família.

Os olhos de Hiccup encontraram os de Jack, e nenhum dos dois sabia o que dizer para se confortarem. Sem que dissessem nada, se abraçaram. E as lágrimas vieram. Deveria ser a primeira vez que um dos dois deixassem a tristeza se expressar.

E também a primeira vez que tinham alguém para confortá-los.

Notas finais
Tadáa, comentem por favor o que estão achando, personagem favorito e tals, inflar meu ego ahua mentira, até o próximo capítulo ;)