Inglaterra, 1854.

Antes que a noite terminasse, Alice sentou-se na poltrona de seu falecido avô – onde ele deitava e contava histórias de sua vida – e começou a desenhar. Ela era boa nisso, era a forma mais agradável que achara para expressar seus sentimentos.

Uma noite fria e calma, o calor da lareira lhe dava uma tranquilidade inexplicável. Estava tudo perfeito ou quase tudo. Ouviu passos vindos do corredor e torceu pra que ninguém lhe atrapalhasse.

Tarde demais. Entrou na sala um homem magro e alto, seus olhos eram escuros, quase negros, porém contrastavam com seu belo cabelo loiro.

- Oi – disse ele com um tom de dúvida e felicidade – Ainda está aqui? – Então abaixou seus olhos para sua mão, pensando se deveria ter feito essa pergunta. Mas para sua surpresa, ela se levantou e foi em sua direção.

Parou a centímetros de distancia dele e ficou olhando em seus olhos, por uma simples fração de segundo, mas que pareceu uma eternidade. – Queria ficar um pouco mais aqui com você, ouvindo sua respiração enquanto dorme – Hesitou, entretanto continuou – Mas sabe que preciso ir, nós juntos não é seguro.

- E onde é seguro? Sozinhos nos enfraquecemos e ficamos vulneráveis, um ao lado do outro somos mais fortes! Iria à qualquer lugar e faria quaisquer coisas para tê-la ao meu lado. – Respondeu ele, com um tom de desespero.

- Se eu ficar vou lhe trazer dor e sofrimento, mas se vou embora quem sofre calada, sou eu. Não sei mais o que quero – Ela hesitou por um segundo mas respirou fundo e continuou- Na verdade eu sei. Eu quero você.

Durante uns minutos, ficaram em silencio apenas ouvindo o bater de vossos corações, que estavam em uma linda harmonia. Naquele instante, ele se aproximou e a beijou, um beijo que lhe mostrava o porquê de estar ali, de existir. Seus lábios se tocavam, mas nada disso era novidade, sempre era assim, sentiam isso quando estavam juntos.

- Então esse é o nosso destino? — Disse ela, se afastando lentamente dele. — Estarmos condenados um ao outro?

- Alice, entenda que você e seu jeito de ser não irá me atrapalhar, você me completa e não importa o que aconteça ou qual maldição enfrentaremos, eu amo você e nosso amor é tudo pra mim. – Respondeu, com um tom de súplica.

Ela não sabia mais o que dizer, aquelas palavras ficaram flutuando em sua mente e ela não sabia de mais nada, não sabia o que aconteceria em seguida, mas suspirou e criou forças para dizer “Eu também lhe amo”.

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Uma linda manhã, o sol invadiu seu quarto e lhe acordou. Jake havia sonhado e ainda pensava em seu último diálogo com ela. “Alice” um nome bonito pra uma mulher ainda mais bonita, era a mais linda flor de seu jardim, aquela sua pele clara e seus cabelos negros e compridos lhe transmitia uma paz interior.

Seus olhos claros, lembravam a mais bela cascata que já vira. Mas por dentro, um mistério, um segredo que guardava consigo, que somente os outros de sua espécie e ele, sabiam. Ela era um anjo.

Há muitos anos antes de tudo que conhecemos hoje, havia uma aliança entre Anjos e Mortais. Tal aliança era sagrada, até que chegou no poder um homem que acabou com toda a paz, mas nunca o acharam pois ele fugiu pra depois da muralha – um lugar desconhecido por todos- e nunca mais voltou.

Depois disso, o mundo nunca mais foi o mesmo, os humanos começaram a atacar os anjos e a aliança foi quebrada. São raros os anjos que vivem na terra, pois muitos não confiam mais nos humanos e criaram seu próprio habitat.

Alice, era um desses que vieram buscar paz, fazer um novo acordo, mas no meio de seu caminho ele apareceu. Eles se apaixonaram e ela ficou aqui, mas na noite passada, ela recebeu a notícia de que seu mundo estava em perigo e que precisava voltar.

Assim tinha que ser, eles finalmente se separariam e provavelmente ele nunca mais iria vê-la, ficaria apenas com seus pensamentos mais ingênuos e a saudade constante. Disso, Jake tinha medo, de se levantar da cama e perceber que ela já teria ido.

Se levantou, trocou-se e colocou seu mais simples traje, tomou o café da manhã e foi até sua varanda, apreciar a vista –ele sabia que no fundo, o que queria mesmo era ver se ela já tinha partido- mas quando chegou, havia uma mulher pouco angelical, com um vestido preto e batom vermelho, seu cabelo era ruivo, um tom divino que lhe dava um ar sexy.

Ela mal notou a sua presença, então ele pigarreou tentando chamar a atenção da bela dama. Ela se virou e surpreendeu Jake, com um tom de voz doce, disse:

-Ah você, era exatamente com quem eu queria falar. – E assim, o silêncio pairou no ar, Jake não pensava em outra coisa mais, só pensava em quem era aquela mulher e porque ela queria falar com ele, porque estava o procurando.

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Após sua conversa com Jake, ela não sabia mais o que fazer, não sabia se ficava ou partia, qual seria a escolha certa? Deixar seu amor e ajudar sua espécie ou ficar ao lado dele? Ela não suportava a dúvida, logo ela que sempre foi tão decidida.

Ela foi para seu quarto e voltou a desenhar, mas agora não era um simples desenho, ela estava desenhando ele tão perfeitamente, sabia cada veia e cada curva de seu rosto. Era sem dúvidas, o mais bonito desenho que havia feito.

Se deitou e ficou observando as estrelas pela janela, tentando procurar nelas alguma resposta para suas perguntas. Mas de nada adiantava, então fechou os olhos e adormeceu. O dia seguinte não seria muito agradável.

O sol estava se pondo, e Alice já estava acordada. Não conseguiu dormir muito bem na noite passada, sua mente estava lotada de pendências. Levantou-se e foi direto para o jardim, caminhar e tentar relaxar e tomar uma decisão.

Quando percebeu já era mais ou menos 7hrs e precisa voltar para o casarão. Chegando na entrada da casa, ela avistou na varanda, Jake falando com uma mulher. Alice se escondeu atrás de uma árvore e num momento em que a mulher misteriosa se virou, ela reconheceu. Era sua mãe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.