The Last Kiss.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Não era difícil para o anjo-demônio imaginar a reação da harpia quando o visse, provavelmente brigaria com ele e sentiria uma imensa vontade de machucá-lo. Suspirou já se acalmando, enquanto seguia em direção a energia demoníaca dela.
O anjo-demônio possuía longos cabelos num azul peculiar, pele clara e músculos definidos, era extremamente alto e isso chamava ainda mais a atenção dos humanos enquanto percorria as ruas atrás da harpia. Seus olhos eram num dourado perfeito, quase sempre expressando sua indiferença com o mundo.
Ele sempre foi um conflito, o anjo dentro dele implorava para a destruição da harpia por ser um demônio; seu demônio lutava por controle e se mantinha afastado, apenas para protegê-la. Mas sabia que a magoava quando sumi sem dar nenhuma explicação, também se magoava quando fazia isso.
Observou a mulher a sua frente, sua expressão irritada. Ilya possuía cabelos castanhos e presos em um rabo-de-cavalo, seus olhos também eram da castanhos, a pele alva e clara.
-Primeiro some por meses e agora me chama como se isso fosse algo normal. –Bufou, cruzando os braços. –O que quer?
-Conversar e me desculpar... –Falou friamente, enquanto a expressão da mulher se tornava surpresa.
-Se desculpar? –Repetiu incrédula. –Acho que simples desculpas vão mudar a preocupação que sinto quando você some?
-Não vai mudar. –Suspirou, se aproximando dela em passos largos, logo estando em frente da mesma. –Só quero arrumar as coisas, mas se continuar irritada ficara difícil.
-Quer que eu simplesmente te ouça quieta? –Indagou, cerrando os punhos.
-Primeiro me ouça e depois diga o que quiser. –Murmurou.
-Não dá, você some e quer que eu aceite isso...
Sentiu os lábios do anjo-demônio a calarem, e não resistiu em retribuir o beijo. Sabia que sentia algo forte por ele, mas a maldita parte de anjo sempre os afastaria de alguma forma, por que o pedido de desculpas dele mudaria isso. Sentiu os lábios alheios se afastarem e protestou em um gemido baixo, trazendo um sorriso de canto ao anjo-demônio.
-Vai me ouvir? –Murmurou, vendo-a assentir. –Me desculpe sumir sem te avisar, mas é a minha forma de te manter segura... –Pausou, vendo o olhar de repreensão da mulher, suspirando. –Sabe que por ser mestiço, minha parte anjo deseja te matar e eu não quero isso.
-Não consegue lutar contra isso? –Murmurou, desviando o olhar dos olhos dele.
-Não sou tão forte... –Falou tristemente. –O máximo que consigo fazer é me manter afastado por algum tempo, e voltar querendo que você me desculpe. –Riu sem humor, segurando o queixo da mulher fazendo-a fitá-lo. –A verdade é que te amo demais para ficar longe, e te odeio demais para me manter ao seu lado por mais do que algumas semanas.
-Eu consigo entender isso... –Murmurou irritada, fixando o olhar ao dele. –Há uma parte sua que nunca conseguiria agüentar ficar perto... Mas há outra que eu não consigo esquecer, mesmo que eu tente.
A harpia não se conteve, dando alguns socos sobre o tórax do anjo-demônio, que não parecia se importar em sentir aquilo. Sabia que sempre iria magoá-la, era a condição por ser um maldito mestiço de anjo e demônio, sua vida nunca foi fácil, não mudaria mesmo que estivesse ao lado dela.
-Me desculpe, mas isso não vai mudar. –Sussurrou tristemente. –Mesmo que eu queira, não vou arriscar sua vida.
-Podia pelo menos avisar quando for ir embora... –Sussurrou, ficando levemente cabisbaixa.
-Eu vou começar avisar. –Ponderou, logo sorrindo. Abraçou a harpia pela cintura, essa deitando o rosto no peito do anjo-demônio.
-Ira avisar pra onde vai ir? –Falou calmamente.
-Provavelmente não. –Riu, ouvindo um muxoxo vindo da mulher e logo a fitando.
Ilya mantinha os olhos fechados, como se esperasse que o tempo congelasse ali e não precisasse mais se preocupar com o anjo-demônio, mas era fácil imaginar que logo ele se desvencilharia do abraço e sumiria. Sentiu-o aperta-la ainda mais contra si.
-Tenho que ir. –Murmurou, ficando levemente mais sério.
-Por que eu já sentia que diria isso? –Falou sarcasticamente.
-Por que eu me tornei previsível. –Sorriu com o canto dos lábios.
Antes que essa resmungasse algo, puxou-a pela nuca e voltou a beijá-la.
-Me avise quando sumir, maldito. –Murmurou contra o lábio alheio.
-Eu vou avisar... –Falou calmamente, afastando-a aos poucos. –Prometo!
Não esperou que ela falasse algo, virando-se de costas e caminhando novamente para longe da única pessoa que amava, era um homem egoísta e sabia disso, sempre seria.
Ilya apenas o viu partir mais uma vez, incapaz de entender completamente o que havia dentro do coração e mente do anjo-demônio, pensou que seria melhor deixar tudo como estava.
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