The Last Goodbye
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Naquela noite seus olhos brilhavam como sempre, ele estava me fazendo rir e era apenas um dia normal, esse era o problema, eu queria saber que aquele seria meu último momento com ele. A parte ruim quando você perde alguém é lembrar da última vez que viu ela, porque quando você vê aquela pessoa pela última vez você ainda não sabe que aquela é a última vez.
Então ele me beijou docemente e foi, para sempre.
Se de alguma maneira eu soubesse o que ia acontecer eu nunca teria o deixado ir, mesmo assim eu não o falaria o porque e arrumaria alguma desculpa, mas nunca teria o deixado ir. Às vezes eu penso que bastava que eu ter pedido para ele ficar mais alguns segundos, porque cada coisa que aconteceu foi definitiva, cada coisinha.
Eu fechei a porta da frente, dei um abraço de boa noite em meu pai argumentando que estava com uma dor de cabeça estranha e deitei na cama olhando para o teto, pensando em Blaine. Cai no sono poucos segundos depois, feliz.
Eram 4:00 da manhã quando meu celular começou a tocar no bolso do meu casaco, lembro de ter considerado não levantar para atender, mas deveria ser algo sério, e realmente era. Lembro de cada uma das palavras que a moça falou sobre o que havia acontecido, apesar de eu querer muito esquecer.
“Blaine Anderson se envolveu em um acidente de carro e estou tentando comunicar o máximo de pessoas.”
É verdade que eu não podia saber a gravidade do acidente ainda, mas eu senti na voz daquela desconhecida que as coisas eram sérias, eu queria tanto que fosse mentira. Queria voltar a dormir e ignorar aquilo, mas era verdade que aquilo havia acontecido.
Quando a ligação acabou eu não consegui cair na real, poucas horas atrás ele estava na cama que eu estava sentado falando o quanto ele me amava, eu podia vê-lo ali quase nitidamente perguntando se eu não ia deitar.
Os dias que se passaram fora miseráveis, e em uma tarde de Sábado ele fechou seus lindos olhos avelã para nunca mais abrir. Era tão surreal todas as pessoas que eu genuinamente amei na minha vida me deixaram de alguma maneira.
A escola passou a me desanimar apenas por saber que Blaine não estaria me esperando nos armários para me dar bom dia e para seguirmos para nossas respectivas classes. Glee club perdeu a importância porque depois do dia do acidente eu nunca mais senti vontade de cantar.
É claro que houveram dias felizes, como quando meu pai viajou comigo para NY de carro, mas esses dias começaram a se tornar raros e eu comecei a me sentir solitário.
Antes de dormir eu costumava mandar uma sms para Blaine, e quando acordava. Eu nunca considerei acordar um dia e não mandar uma mensagem para ele então mesmo depois de semanas de sua morte eu ainda lhe desejava um bom dia ou uma boa noite mesmo sabendo que ele nunca leria aquelas palavras.
Ainda me sinto culpado por não ter ido ao seu enterro porque aquilo lembraria ao enterro da minha mãe, Sr. Anderson entendeu totalmente, mas a verdade é que eu não suportava a ideia de ver a minha alma-gêmea sendo enterrada a sete palmos do chão, e também não queria olhar para seu lindo rosto e para seus olhos fechados melancolicamente sabendo que eles nunca abririam novamente. Apesar de saber que todos nós vamos morrer e apodrecer em um caixão ainda é impossível pensar que alguém tão lindo como Blaine vai desaparecer gradualmente desse mundo, e junto dele suas memórias.
Na semana passada eu tive que me esforçar para lembrar como sua voz normalmente soava, eu sinto como se estivesse esquecendo de cada detalhe e a cada dia esqueço mais. Mesmo com uma foto dele na minha frente ainda é difícil de imaginar como seria se ele estivesse aqui, inevitavelmente eu estou esquecendo e isso esta me matando por dentro. Eu não quero esquecer, eu não posso.
Carole disse que eu estava criando muros a minha volta em vez de portas e que ela estaria disposta a me ajudar, sinceramente eu apreciei seu ato mas não é como se eu fosse contar como eu me sinto para qualquer um.
Minha cabeça é uma bagunça porque alguma parte dentro de mim ainda acha que Blaine esta vivo e aqui, eu costumo sonhar com ele em algumas raras noites, nas melhores noites ele apenas aparece e diz o quanto ele me ama. E eu o amo.
Eu sinto sua falta tanto que é impossível existirem palavras para descrever, às vezes eu imagino como seria se ele estivesse ali em determinado momento. Não consigo mais passar na frente do Lima Bean sem ter um ataque de choro constante, e comecei a pensar que nunca vou parar de sentir falta dele, nunca vou superar o que aconteceu.
“Superar” é uma palavra que as pessoas vem falando pra mim, que eu devo “superar” a morte de Blaine e pensar no meu brilhante futuro, o problema é que eu nunca imaginei um futuro sem ele.
Nós iriamos casar no verão e na praia, quando ele sugeriu a praia eu apenas neguei porque as coisas seriam uma bagunça, mas se ele voltasse eu casaria em qualquer lugar. Teríamos uma vida maravilhosa e quando eu estivesse instavelmente bem e com vários prêmios adotaríamos Molly, nossa pequena garotinha. Também teríamos Chad, para que Blaine pudesse o ensinar a jogar futebol e falar sobre garotas, nós seriamos os pais mais corujas de todos os tempos.
Não haverá casamento, nem Molly, nem Chad, e infelizmente não haverá Blaine.
Não haverá futuro, não sem ele.
Para papai: Eu te amo muito e me sinto egoísta sabendo que vou te deixar sozinho, mas você tem Carole e ela vai ficar com você não importa o que aconteça. Quero salientar que você foi o melhor pai do mundo, você foi o melhor pai e teve que ser a melhor mãe também. Obrigada por nunca me abandonar mesmo quando mamãe se foi, obrigada por ser a pessoa mais corajosa que eu já conheci.
Para Carole: Por favor tome conta do meu pai, eu sei que não costumo dizer, mas eu te amo, muito.
Para Finn: Você foi o melhor meio-irmão por 1 ano que eu podia pedir, não que eu tivesse dúvida disso antes ,mas um dia você vai ter um futuro lindo Finn porque mesmo que você não ache tem muito talento ai. Seja forte por você, por sua mãe e por meu pai.
Para Mercedes: Cedes, você é a melhor amiga que eu já tive e eu te amo MUITO, você é linda e nunca duvide disso. Sinto muito que não pude ficar até ver o belo príncipe encantado que você vai arranjar, um dia ele vai chegar, eu prometo, de mindinho. PS: Deixo para você todas as minhas roupas fabulosas, e lembre-se, moda não tem sexo.
Para Rachel: Lembre de me mencionar no seu discurso quando estiver ganhando todos os seus Tony’s, desculpe por não te acompanhar para NY, mas Finn irá faze-lo. Eu te amo.
Escrevi essa nota há dois dias e minha decisão foi tomada, não há futuro sem Blaine e eu preciso dele mais do que tudo.
Coloquei uma playlist da Lady Gaga e tranquei a porta devagar, eu não chorei em nenhum momento fui corajoso guardando minhas lágrimas. Não irei entrar em detalhes sobre como aconteceu porque não há necessidade de ninguém saber.
Então eu encontrei aqueles olhos bem na minha frente, como nos meus sonhos.
“Eu não esperava te ver aqui tão cedo”
Ele pegou minha mão e riu da minha reação, sua voz, fazia tanto tempo que eu não a escutava. Olhei para baixo, era meu corpo no chão e meu pai chegando no quarto e ele arrombou a porta e gritou. Por um momento eu me senti sozinho, aos poucos aquela imagem foi desaparecendo.
“Eu morri?”
Olhei para frente de novo, Blaine parecia como no dia em que nos conhecemos.
“Não ainda.”
Não era Blaine falando, era minha mãe. Ela parecia tão linda, eu apenas a abracei apertado e chorei em seu ombro.
“Senti tanta falta de vocês”
“Eu sei que sentiu, mas amor, não é a sua hora ainda”
Então eu percebi, aquilo era um lugar entre a vida e a morte.
“Não, não quero voltar”
Blaine colocou a mão na minha bochecha e depois depositou um beijo ali.
“Querido, você tem um futuro inacreditável pela frente e não vai nem dar uma chance pra ele?”
“É, nem tudo esta acabado! Você tem muitas músicas para cantar e muita gente para amar”
“Mas e se eu não quiser amar mais ninguém além de você?”
Disse entre lágrimas.
“Kurt, você é uma pessoa incrível e muitas pessoas vão te amar e você vai amar muitas pessoas. Mesmo assim eu vou estar aqui te esperando no tempo certo”
Os dois me abraçaram também em lágrimas e me mostraram um caminho para voltar, enquanto andava olhava para trás.
“Não ouse voltar aqui até que eu possa ver seus cabelos brancos!”
Blaine gritou e eu apenas continuei a andar e chorar.
Minha mente estava meio confusa e então senti um vento batendo contra meu rosto, fechei os olhos e quando eu abri de novo estava em um quarto branco estranho.
“Eu te amo tanto Kiddo.”
Meu pai falava apertando minha mão.
“Eu te amo também”
Sussurrei de volta e ele me olhou espantado.
“NÃO OUSE FAZER ISSO COMIGO DE NOVO KURT, NUNCA”
“Eu prometo, de mindinho.”
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