The Last Goodbye
1 The Last Goodbye
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem! :p
O nome das músicas, para quem não conhece (o que eu duvido):
I was here, da diwa Beoyncé
I'll stand by you, The Pretenders
~~
The hearts that I have touched
Will be the proof that I leave
That I made a difference
And this world will see, I was here.
~~
–– Eu amo você, Beth –– ela sussurrou, encarando o verde avelã dos olhos da sua garotinha. –– Eu amo você mais do que tudo nesse mundo. Não se esqueça disso. Nunca se esqueça disso. Eu tomei algumas decisões erradas no passado, e não me orgulho delas... Mas você? Você é a melhor coisa que já aconteceu em minha vida. Você é tão amada, Beth. Por mim. Pelas suas avós. Pelo seu pai. Ele ama você, querida. Papai ama você, tanto quanto eu, e nós sempre estaremos por perto, sempre. Seja corajosa, Beth. Tenha a coragem que eu nunca tive. Seja feliz. Lute por aqueles que ama. Não deixe que a vida escape por entre seus dedos... Tão nova... Você não poderia compreender, não agora, mas um dia você vai. Um dia você vai amar alguém, e casar, e ter filhos, e você vai sentir por si mesma o que eu sinto por você. Até lá, você vai chorar. Você vai rir. Você vai ficar com raiva, e triste, e não entender porque coisas injustas acontecem... Eu sei, querida. Eu sei disso melhor que ninguém. Eu amo alguém, e nunca contei a ela... Nunca disse... –– ela suspirou, e fechou os olhos por alguns instantes. Estava tão cansada. Tudo o que queria era poder dormir. Ela sabia que dormir faria tudo ficar melhor. Levaria embora as dores. Acabaria com o sofrimento. Não deixaria nada. Abriu os olhos novamente e voltou a observar a garotinha. Estendeu a mão o quanto pode e tocou seu rosto, limpando suas lágrimas. –– Um dia você vai amar alguém tanto, que vai fazer seu coração doer. Vai te deixar assustada, e você vai querer fugir, e guardar isso no peito, e se esconder. Não faça essas coisas. Nunca se esconda. Faça suas escolhas, querida, e enfrente suas consequências. Seja corajosa por você, por mim, pelo seu pai... Seja quem você quiser ser. Se você fizer isso, mamãe não poderia ficar mais orgulhosa. Você é tão perfeita, Beth. Tão perfeita. Eu te amo, filha. Lembre-se disso, por favor, e carregue essas palavras pelo resto da vida. Eu. Amo. Você.
E então, com os últimos esforços que lhe restavam, ela sorriu. Beth parou de chorar, e sorriu, também. Tudo estava bem. Mamãe estava sorrindo. Papai estava ao seu lado, dormindo. As luzes estavam acesas, mas pareciam vir de muito longe. Ao seu redor, tudo estava escuro. Era hora dela dormir, também.
–– Canta –– ela disse, agitando as mãozinhas gordinhas para tocar no rosto da mãe. –– Canta, mamãe.
Ela segurou a mão da filha. Não lhe restava muito fôlego. Doía tanto. Mas ela precisava cantar. Cantar para Beth se sentir segura. Cantar para o amor de sua vida poder se lembrar do som de sua voz. Cantar para mostrar a ela que a amava mais do que tudo, mais do que todos. Cantar para ver o sorriso em seu rosto. Cantar para ver seus olhinhos brilhando. Cantar para ela e por ela. Acariciou o rosto da filha. Tossiu um pouco, tentando clarear a garganta o máximo que podia, e cantou, num sussurro:
Oh, why you look so sad?
Tears are in your eyes
Come on and come to me now
When the night falls on you
You don't know what to do
Nothing you confess
Could make me love you less
So if you're mad, get mad
Don't hold it all inside
Come on and talk to me now
When you're standing at the crossroads
And don't know which path to choose
Let me come along
'cause even if you're wrong
I'll stand by you
And when...
When the night falls on you, baby
You're feeling all alone
You won't be on your own
I'll stand by you
I'll stand by you
Quando Beth fechou os olhos, ela chorou. Ela sentiu seu coração se despedaçar. Ela sentiu medo, e dor, e arrependimentos, e amor. Tantas coisas que gostaria de fazer novamente. Tantas chances perdidas. Agora era tarde demais. Suas oportunidades tinham acabado. Ela rezou, então, silenciosamente, para que Beth pudesse ser feliz de uma forma que ela nunca foi. Ela rezou, então, pelo coração de sua filha, desejando, com todas as suas forças, que ele pudesse ser curado com o tempo. Ela desviou o olhar de sua garotinha e se virou para ele, sentado ao seu lado, os olhos abertos, a boca escancarada, o sangue cobrindo seu rosto. Chorou por ele, também. E tocou delicadamente seu rosto, fechando seus olhos. Virou-se novamente para a filha, e pegou sua mão. Segurou-a com força. Fez dela seu porto seguro. Recostou-se contra o banco do carro –– ou o que restava dele –– o mais confortável que pode. Sorriu. E fechou os olhos.
~~~
Rachel Berry saiu correndo pelo aeroporto, empurrando todos em seu caminho, sem se importar com os olhares tortos que muitos lançavam em sua direção. Tudo o que se passava por sua cabeça era entrar num táxi e ir o mais rápido possível para o Lima Memorial. Ela precisava vê-los. Precisava saber que estavam bem –– embora houvesse uma sensação, no fundo de seu peito, que a fizesse sentir que havia algo de muito errado. Ela não se permitia pensar nisso, embora. Imaginar que alguma coisa ruim tinha acontecido às pessoas que ela amava só a deixavam ainda mais desesperada, e o desespero não a faria chegar mais rápido no hospital. "Acalme-se", ela disse para si mesma, enquanto entrava no primeiro táxi que viu pela frente. "Está tudo bem, eles estão bem, não foi nada grave"
Mas tinha sido. Caso contrário, Santana não teria ligado no meio da madrugada pedindo para que ela fosse para Lima o mais rápido possível, porque Quinn, Noah e Beth haviam sofrido um acidente.
–– Beth está bem –– ela disse. –– Não sofreu um arranhão.
E isso foi tudo. Nenhuma informação sobre Quinn. Nenhuma informação sobre Noah. E ela não perguntou. Ela não queria saber. Embora parte dela já soubesse. Embora parte dela apenas não quisesse aceitar. Rachel sacudiu a cabeça e tentou afastar esses pensamentos. Quinn estava bem. Ela precisava estar bem. Rachel sequer contara a ela sobre seus sentimentos... Ela sequer tivera a coragem de lhe dizer que a amava... Soltou um longo suspiro e cobriu o rosto com as mãos. Em algum lugar, nos últimos cinco anos, ela se descobriu perdidamente apaixonada pela garota que atormentou sua vida no primeiro ano do colegial. Mas, a partir do segundo, tudo mudou.
Foi a gravidez de Quinn que possibilitou a amizade. Quando a loira foi expulsa de casa, Rachel prontamente ofereceu seu quarto de hóspedes. Ela esteve lá pela loira em cada etapa da gravidez. Ela segurou sua mão quando estavam na sala de parto. Ela foi a primeira a ser autorizada a segurar Beth nos braços, para logo em seguida levá-la até Quinn. Rachel nunca pensou que pudesse amar tanto alguém, especialmente alguém tão pequeno –– mas, então, com apenas um olhar daqueles olhos verdes avelã, e Rachel já estava apaixonada. "Tão linda quanto a mãe", ela se lembra de ter pensado, ao segurar a pequena Beth nos braços. Havia alguns traços de Noah, também, mas não eram tantos, e nem tão acentuados. Ao menos, não quando ela era um bebê. Mas, então, ela cresceu, e com cinco anos, ela tinha os cabelos castanhos do pai, os olhos verdes da mãe, e uma personalidade que era uma espécie de mistura dos dois. Às vezes, Rachel podia jurar que Beth também adquirira alguma de suas manias –– o que não seria surpreendente, já que, desde seu nascimento, ela esteve presente ao lado da pequena todos os dias ––, como, por exemplo, poder ser uma verdadeira diva. Ou fazer beicinho. Ou o gosto por musicais. Ou a necessidade de ser o centro das atenções (embora, claro, isso pudesse estar relacionado ao fato de ela estar sempre cercada de vários "tios" e "tias" que a mimavam o tempo todo).
–– Você está estragando minha filha –– disse Quinn certa vez, quando viam O Rei Leão e Beth cantava todas as músicas junto com o filme.
–– Veja o lado bom –– Rachel lhe respondeu, observando Beth com carinho enquanto a menina dançava pela sala. –– Pelo menos ela é uma boa cantora.
–– É claro que é –– retrucou Quinn, ofendida. –– Ela é minha filha, o que você esperava?
Ainda era na risada de Quinn que ela estava pensando quando o táxi finalmente parou em frente ao hospital, e ela desceu o mais rápido que pode, correndo até a recepção. Não foi difícil saber quem procurar. Todos estavam lá. Todos. O senhor Schuester e a senhorita Pillsbury, Sue Sylvester, a mãe de Quinn, a mãe do Noah, o seu irmão, Jake, e todas os seus amigos do New Directions. Santana, Brittany, Finn, Sam, Blaine, Kurt...
–– O que aconteceu? –– Rachel perguntou, aproximando-se deles, e começando a se desesperar. –– Onde está a Quinn? E a Beth? E o Noah? Eles estão bem? Onde está minha afilhada, Santana? Por que ninguém me diz nada?! –– ela gritou, quando ninguém lhe respondeu.
–– Rachel –– disse Santana, lançando um olhar incerto em sua direção. –– Precisamos conversar.
E, com mais delicadeza do que ela poderia imaginar, Santana a guiou para fora do Hospital. Foi quando ela soube. Foi quando ela desabou. Santana foi rápida o suficiente e a segurou antes que ela pudesse cair, abraçando-a forte contra seu corpo. Rachel chorou, esperando receber tapinhas nas costas e a voz rouca da latina lhe dizendo que estava tudo bem. Mas Santana não fez nada disso. E quando Rachel ergueu os olhos, ela percebeu que a amiga também estava chorando. Porque não estava tudo bem. Porque Quinn, a garota que ela amava em segredo, e Noah, o seu melhor amigo, estavam mortos.
~~~
–– Uma moeda pelos seus pensamentos.
Beth riu e ergueu a cabeça. Rachel estava parada ao seu lado, em pé, observando a mesma coisa que ela –– uma menininha loira correndo ao lado de um garotinho de cabelos castanhos correndo pelo jardim. Eles estavam rindo, e gritando, e se sujando com o barro que havia se formado por causa da chuva.
–– Só uma moeda? Desculpe, mamãe, mas meus pensamentos não são tão baratos assim.
–– Quando você se tornou tão mercenária? –– perguntou Rachel, franzindo o cenho. –– Isso é com certeza uma coisa que você herdou do seu pai.
Rachel se sentou na cadeira vazia ao lado da de Beth, observando-a com atenção. A menina –– mulher, agora, Rachel precisava constantemente se lembrar –– sempre tinha uma expressão triste no rosto quando pensava nos pais. Alguns dias após a morte deles, Rachel foi informada que Beth tinha sido deixada sob sua custódia. E, nos anos seguintes, ela fez de tudo para dar todo o amor e carinho que a pequena merecia, mas não era fácil. Ela desistiu de sua carreira na Broadway, e resolveu ficar em Lima, treinando o clube do coral ao lado do senhor Schuester, e depois sozinha, quando ele se aposentou. Ela pensou que todas as suas chances de se tornar atriz haviam acabado –– mas estava errada. Quando Beth tinha quinze anos, elas fizeram uma viagem à Los Angeles, e a garota insistiu para que Rachel fizesse uma audição para um filme de Hollywood. Rachel fez, por insistência da filha, e acabou ganhando o papel. Sua carreira decolou desde então, embora ela tenha sempre se preocupado em arrumar tempo, todos os dias, para ficar ao lado de sua filha. Ela não queria que Beth se sentisse sozinha.
Rachel nunca se casou. Namorou algumas pessoas, por pouco tempo, mas nenhuma delas foi capaz de suprir a dor que a ausência de Quinn fazia em sua vida. Ela se arrependia amargamente por nunca ter dito à loira sobre seus sentimentos –– ela tinha Beth, embora, e por mais que não fosse tudo, era o suficiente.
–– Estava pensando neles –– disse Beth, por fim, arrancando Rachel de seus próprios pensamentos.
–– Imaginei que sim –– Rachel disse, num suspiro. –– Eu também estava. Na verdade, não tem um dia sequer que não pense neles.
–– Você a amava, não é? –– perguntou Beth. –– Você amava minha mãe.
Rachel encarou Beth surpresa, mas a loira só fez dar de ombros.
–– Eu sempre soube. O jeito que você fala sobre ela... E como você me olha, às vezes, e eu sinto como se você estivesse vendo a sombra dela em meu rosto, e eu posso ver em seus olhos o quanto você a amava.
–– O quanto eu a amo. Nunca deixei de amá-la. Nem mesmo por um dia.
–– Você não acha que ela teria querido que você seguisse em frente?
–– Claro –– ela disse, dando de ombros. –– Eu também quis isso. Eu tentei. Fiz o que pude para seguir em frente, encontrar outra pessoa... Só não deu certo para mim. Por sorte, eu tenho você. Você é a razão da minha felicidade. Você sabe disso, não sabe?
Beth sorriu.
–– Eu nunca disse isso antes, mas eu me lembro daquela noite.
–– Vo... Você se lembra? –– indagou Rachel, chocada.
–– Não de tudo –– Beth disse, suspirando. –– Algumas coisas que, curiosamente, nunca esqueci. Nunca fez sentido para mim, você sabe. Não completamente, então eu deixei de lado. Mas, então, quando eu comecei a perceber que você talvez a tivesse amado... Ela me disse para ser corajosa. Ela me disse, também, e eu lembro das suas exatas palavras... "Eu amo alguém, e eu nunca contei a ela"... Ela estava falando de você. Sei que estava.
–– Eu não sabia que... Que depois do acidente... –– Rachel murmurou, sentindo as lágrimas descerem pelo seu rosto. –– Seu pai?
Beth balançou a cabeça.
–– Não o vi. Só mamãe estava... Só ela estava acordada.
–– Ela disse mais alguma coisa?
–– Disse que me amava. E cantou para mim.
Rachel abriu um pequeno sorriso triste. Voltou a observar, então, os filhos de Beth, imaginando se, talvez, ela poderia ter tido Beth e seus filhos com Quinn brincando um jardim. E pela primeira vez em todos aqueles anos, ela soube que sim.
–– Você acha que ela sentiria orgulho de mim? –– perguntou Beth, insegura. –– Que eles sentiriam orgulho de mim?
–– Você é feliz?
–– Sou.
–– Então, sim, eles sentiriam orgulho de você.
E, dizendo isso, Rachel segurou a mão de Beth e a apertou com força. Beth sorriu. Por trás dos seus olhos avelã, Rachel viu a sombra de outra garota, e de outro sorriso. Pensou, então, que naquele momento, ela também era feliz.
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