The Last Choice
1 Neve
Notas iniciais
Tudo começou na neve.
Estava nevando tanto que metade do Castelo resolveu não ir para o passeio em Hogsmead, o que significava ainda menos gente, uma vez que muitos alunos não voltaram para Hogwarts depois da guerra.
Eu, como monitora chefe, ajudava a organizar as carruagens e acalmar os alunos que até então nunca tinham visto um testrálio antes. Do outro lado do pátio, Draco Malfoy, monitor da Sonserina, contava quantas pessoas já tinham saído, segurando um pesado bloco de autorizações em suas mãos compridas e pálidas.
McGonagall dizia que Malfoy havia se redimido durante a guerra e merecia o posto que estava. Para mim? Ela não tinha escolha melhor e teve que ficar com o único Sonserino que parecia remotamente arrependido pela guerra.
Havia acabado de conferir a penúltima carruagem, onde Harry, Rony e Gina estavam, quando uma aluna apareceu correndo e arfante, claramente frustrada por não conseguir pegar o veículo.
— Eu... Eu-Eu não acredito! Não acredito que corri tudo isso e perdi de novo a carruagem! — falava alto, consigo mesma, balançando a cabeça e deixando seus cabelos loiros ainda mais em pé.
Ela vestia uma capa preta para a chuva, que não deixava que eu visse o emblema de sua casa ou algo do tipo. Olhei calmamente em sua direção, vendo a expressão negativa e triste em seu rosto.
— Você pode vir conosco na última carruagem, não precisa se desesperar. — disse, apontando a carruagem que eu e os outros monitores iríamos pegar em alguns minutos — Só precisa entregar sua autorização de visita e saímos. Todos os outros alunos já foram.
Ela levantou a cabeça, olhando-me de forma esperançosa e rapidamente tirou dois papéis do bolso, erguendo em minha direção.
Peguei os papéis e verifiquei. Astória Greengrass. Corvinal. 6 ano. Assinatura dos pais. Tudo de acordo com o esperado.
Andei em direção a Malfoy, que estava na porta da última carruagem disponível no pátio e entreguei em suas mãos. Ele verificou os papéis e assim que leu o nome virou rapidamente seu rosto em direção a Astória, mas manteve-se em silêncio.
Desde o dia que foi considerado inocente de seus atos, no Ministério da Magia, pouco antes das aulas se iniciarem, não ouço sua voz. Malfoy está em total silêncio, claramente abatido e solitário, mas imagino que isso seja apenas um reflexo de tudo que ele fez.
Me sinto mal por ele.
Sei que não deveria, já que Draco fez da minha vida um inferno durante todos estes anos que passei em Hogwarts, mas isso pode ou não ter a ver com o fato de que fui, sou, e provavelmente sempre serei um pouco apaixonada por ele.
Demorei anos para entender o que era e mais ainda para admitir a mim mesma que nutria sentimentos pela pior pessoa do Castelo. Não sei se foi seu jeito, seus olhos ridiculamente claros, o cabelo outrora perfeito que hoje está mais comprido do que o normal ou apenas o conjunto da obra, mas devo admitir que Draco Malfoy era o perfeito bad boy que meus sonhos clichê adolescentes esperavam.
Mas isso não era real. Ele não era perfeito e provavelmente nunca nem olhou para mim com nada além de escárnio e nojo pelo sangue que corre em minhas veias, apesar de ser tão mágico quanto o dele próprio.
Segui em frente, subindo na carruagem e me sentando no lado mais afastado, passando na frente de um Malfoy ainda confuso com algo que não parecia fazer sentido. Colin, monitor da Lufa Lufa entrou em seguida, assim como Cho Chang.
Greengrass subiu em seguida, mostrando um sorriso perfeito para todos na carruagem e olhando rapidamente para Draco, ainda parado do lado de fora.
— Não vem conosco, Draco?
Meu estômago revirou. Nos últimos meses nenhuma pessoa se deu ao trabalho de falar com Malfoy e muito menos de chamá-lo de "Draco".
Ele correu os olhos pela garota, claramente apreciando sua figura. Astória era bonita, simples, mas ainda sim bonita. Sua pele era clara, como a minha, seus cabelos cacheados, como os meus. Era magra, mas eu também era. Éramos parecidas em vários aspectos.
Quando ele entrou na carruagem, sentando-se ao seu lado, quase vomitei.
— Sabe, lá em Hogsmead abriu uma daquelas lojas que Daphne sempre ia com a Pansy. — cochichou Astória, tão baixo que se a carruagem não estivesse em total silêncio eu mesma nunca teria ouvido. — Se quiser te ajudo a comprar algo para ela. Daphne está a semana inteira falando sobre a festa de aniversário super chique que Pansy planejou.
Draco balançou a cabeça, dando um leve sorriso. Não era exatamente um sorriso, mas sua expressão normalmente apática estava mais feliz. Ele balançou positivamente seu rosto e Astória sorriu.
Quando a carruagem parou e Rony estendeu a mão para eu descer, não pude deixar de seguir Malfoy com os olhos, vendo-o andar com Astória em direção a uma das lojas.
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