The Last Bet
10 Titios e titias
Notas iniciais
– Vamos lá gente. — digo olhando para aquelas pessoas entusiasmadas pra fazer uma compra de super mercado.
Onde eu fui amarrar meu jegue na hora de distribuição de amigos?
– Todos tem suas listas? — eles dizem que sim em coro enquanto o Jackson ao meu lado não sabe onde se enfiar. Qual é? Eu já me acostumei que quando eu saio com meus amigos as pessoas encaram como se fossemos doidos. Eu até acho graça na verdade.
– Cada dupla tem 15 minutos certo? — Okay. Vou explicar. Da primeira vez que nos viemos fazer compras todos juntos, demoramos 4 horas e fomos expulsos do supermercado por sair derrubando as coisas (tirando as brigas por quem queria comprar qual marca, que deixemos bem claro, eu ganhava). Então quando chegamos em casa eu pensei em alguns jeitos para irmos mais rápido no supermercado, ser mais divertido e sem brigas. A primeira ideia lógica foi cada um se separar e comprar o que queria. Mas essa ideia foi rapidamente descartada.
Porque, cada um comprando o que desse na telha, gastaria muita comida e muito dinheiro desnecessário.
A minha segunda idéia foram as duplas. Mas não adiantaria colocar como dupla, por exemplo, eu e a Call indo no mercado juntas? Ela gosta de alface e eu de hambúrguer. Nada a ver, só se você fizer um pão com alface e hambúrguer, mas sem os elementos certos ficaria muito simples.
E foi nessa lição de vida que eu fiz um questionário alimentar pra cada um da casa. Os mais compatíveis formariam as duplas para ir no supermercado.
As duplas foram :
1 — Call e Silena (nossa! Que inesperado!)
2 — Leo e Charles.
3 — Clarisse e Frank.
4 — Luke e Nico (isso sim foi inesperado.)
E por fim, incrivelmente, eu e Grover.
É verdade. Não gosto de conservante. Ele também não. Nada de carne mal passada. Nada de chocolate amargo. E nem de produtos de tigela. A única coisa em que discordamos é em questão de gordura. Quer dizer, quem não ama um BOM BIFE ACEBOLADO? OU UMA BOA LASANHA DE CARNE MOIDA? OU UM BOM DUM CHURRASCO COM UMAS COSTELAS?
O Grover!
A frase perfeita pra ele seria "um bom bife de soja". Quem em sã consciência difere essa frase?
Enfim, continuando. O tempo ainda seria o mesmo.
Então, para esses energúmenos acerarem o passo eu fiz a pequena brincadeira: "as duplas teriam 15 minutos pra comprar tudo o que tava na lista e mais algumas coisinhas e ir pro caixa 03, a primeira dupla que chegasse passava primeiro no caixa e ficava esperando no carro sem carregar sacolas, a última pagava a pipoca de geral no dia do cineminha".
E bem, funciona até hoje. Cada um faz sua lista empenhado no que Grover pede, por exemplo, ele sempre pede pra Call e pra Sile comprarem congelados. O por que? Elas vêem a validade, a gordura, o sódio, o açúcar dos alimentos. Se fosse comigo eu já pegava qualquer um que eu achasse o preço razoável.
A minha dupla com o Grover, sempre foi a que chegava em terceiro, por ai.Por quê? Por que ele pegava os orgânicos e eu o que eu gostava. Chegamos a uma conclusão que eu só sabia escolher o que eu gostava. Então eu sempre ficava com as pequenas coisas. Vamos a parte educativa, um exemplo.
O Grover fez o cardápio do mês dele. No primeiro dia tem, han, que tal macarrão? Macarrão pizza então. O que vai no macarrão pizza?
– Milho. Ervilhas. Bacon. Calabresa. Massa de tomate (aquela diva) e várias coisas mais. Entendeu agora? — término de contar as coisas ao Jackson e ele fica meio abobado, mas depois de um tempo, começa a fazer as perguntas.
– Annabeth?
– Chora.
– Quem fica com os temperos?
– Que temperos? — pergunto — Ta falando de sal? Sal vem na sexta básica do prédio, aquele roubo. — Sim. Eu pago 70 contos em uma sexta básica. Problema? Comprar sal e açúcar é um saco!
– Não! To falando de cheiro-verde, salsa, alecrim. Essas coisas sabe? — não. Termino de empacotar a última azeitona preta (eu escolho mesmo! Porque eu já vi cada coisa dentro de azeitonas que até Zeus duvida!) e percebo que só se passaram 7 minutos. Provavelmente seremos os primeiros hoje.
E é com esse pensamento feliz que a peste bubônica me tira dos meus queridos devaneios.
– O que é, Meu Deus? — pergunto fazendo a minha contagem dos alimentos.
– Ainda temos tempo?
– Temos oito minutos. Vamos logo e — sinto minha mão sendo puxada e agarro no carrinho como se ele dependesse da minha vida. Infelizmente, o Jackson é quarterback do time da escola e é mais forte que o Hulk (metaforicamente, claro) e me levou junto com o carrinho até uma área inexplorada da supermercado.
Claro que eu não fui quieta. Fui gritando que um maníaco roubador de carrinhos queria roubar minha comida não paga ainda.
Mas, as pessoas apenas riam e tiravam fotos. Babacas. Chegamos a um local inexplorado do supermercado. Os temperos.
Essa parte da história se resume basicamente em Percy me arrastar atrás de uns negócios chamados Sazon e Kinor (que ele não me deixou experimentar. Desaforado.).
Chegamos na fila do caixa faltando 5 minutos para o tempo acabar. Inacreditavelmente como se fosse num universo alternativo onde uma molécula de átomo estivesse perdidamente desolada no tempo, nós fomos os primeiros. E eu não teria que carregar sacolas. Amém. Obrigada céu, obrigada terra, obrigada vento e obrigada pomba que cagou no Jackson alguns minutos atrás quando saímos do carro .
Enquanto passava os alimentos vi Grover correndo com sua namorada pra chegar antes de Luke que andava vagarosamente até o caixa. Dei um xauzinho a ele que sorriu distraidamente enquanto Grover passava correndo por ele gritando "SAI DA FRENTE QUE ATRÁS VEM GENTE" e parava atrás de mim.
Meio sem fôlego ele falou:
– Vai na Smoore hoje?
– Vou daqui a pouco com o Jackson — passei a última dos meus 17 molhos de tomate de sabores diferentes quando Grover e Juniper conseguiram retomar o fôlego.
– Pode ir. Eu cuido disso aqui. Só não leva o carro. Vai de taxi.
– Tem certeza? — pergunto vendo um Luke bem mal humorado e querendo xingar alguém pelo susto vindo até o caixa.
– Não. Poderia ficar e me ajudar ...
– Não! — respondi rapidamente — Vambora Percy.
***
Pego minha chave reserva do bolso e abro o porta malas do carro.
– Vai fazer o que com essa caixa cheia de comida? — ele pergunta ao ver eu retirar a caixa com um pouco de esforço.
– Eu vou... Nós vamos... Fecha o porta malas por favor — peço, tentando explicar a situação. — Nós vamos levar essa caixa ao Smoore. Doação Percy.
– Smoore? Oque é isso? Um orfanato? — pergunta fechando o porta malas e se virando pra mim — Quer que eu te ajude com a caixa?
– Não. Eu aguento sozinha. — digo meio envergonhada. Ta olha só. É claro que eu não vou aguentar carregar essa caixa ate a Smoore. E é CLARO que eu tava esperando ele pedir pra carregar a caixa. E é SUPER claro que se ele não pedisse pra carregar a caixa eu ia obriga-lo.Mas quando ele pediu por, vamos deixar claro, espontânea vontade, alguma coisa, eu não sei, qualquer coisa, aconteceu. Uma coisa importante. Não faço ideia. Eu realmente precisava perguntar se ele tinha sentido a mesma coisa.
– Percy...
– Sim? — disse olhando nos meus olhos. Essa era a hora.
– Você também... Ta com fome?
– O que ? — perguntou meio decepcionado. Cara decepção e comida não dão na mesma frase.
– Fome idiota. Acho que eu to com fome palhaço.
– Annabeth, acho que o peso da caixa ta demais pro seu cérebro. Da pra mim, deixa eu carregar. -Ele avançou e na hora que quase pegou na caixa , querido leitor, ele pegou na minha mão, e que minha mãe não saiba disso, mas eu gostei. Por um instante olhei em seus olhos e eles estavam sorrindo. Um segundo depois alguma coisa passou por eles. Alguma luz, como uma lembrança. E foi ai que ele pegou a caixa e tossiu.
E eu queria virar um avestruz e sumir da terra.
– Mas, fala ai gata, vai demorar? — gata? Gata? Eu vou matar ele na base da voadora mortífera.
– Gata vai ser a minha mão estralando na sua cara, caro Watson.
– Caro quem?
– Literatura. Não vem ao caso. O negócio é que não vai demorar. E as suas tentativas de me dar um apelido estão sendo tão hilariantes quanto a briga com seus amigos.
***
– Meus Deus mulher!!! Você falou que não ia demorar. A gente ta na rua faz 50 minutos!!!
– Se você não fosse um mulherzinha que fica reclamando a gente já ia estar lá.
***
– Annabeth, pelo amor de Deus. Uma hora e meia. Cadê. Esse. Lugar?
– Jackson, se me apressar de novo eu vou te espancar no meio da rua.
***
– Annabeth, vamos pegar um taxi?
– Não.
–Annabeth sua família não é rica?
– O que tem?
– Manda enviarem um helicóptero que eu não to mais aguentando.
– Annabe...
– CALA A BOCA!!!
– Aff, mal humorada. Não saio mais com você.
***
– Tamo chegando?
– Não.
10 minutos depois.
– Tamo chegando?
– Ainda não.
16 minutos.
– Annabeth?
– Eu juro por tudo que é mais sagrado que se me perguntar de novo eu te dou um murro na orelha Jackson.
Meia hora depois.
– Annabeth será que você poderia me chamar uma ambulância?
E essa foi a gota d'água.
– OH PESTE BUBÔNICA!!! JÁ FALEI QUE A GENTE VAI DE-MO-RAR!!! DA PRA SOSSEGAR ESSA BUNDA! GAFANHOTO EM FRIGIDEIRA! TIPO UMA MERDA FALA COM VOCÊ! — okay, admito. Eu ri muito internamente da cara que ele fez e me segurei pra não tirar uma foto.
Um minuto depois eu virei bruscamente para a entrada de um jardim que pareceria o da casa branca ! Percy ficou meio "onde estou? Quem sou eu?" mas logo depois me seguiu. Entrei e logo cumprimentei Jordan, um senhor que cuidava dos jardins da Smoore. Ele tinha quase dois metros de altura e a voz mais grossa do mundo. Ele botava medo até no Thor (aquele Deus de homem! Literalmente!). Mas tinha a mentalidade de uma completa criança.
– Hey tio Jordan! — disse igual uma criança falando com seu vovô. Quase era mesmo.
– Fala ai Loira! — disse tio Jordan e eu vi Jackson se encolher. — Faz tempo que não vem. Ainda se lembra do toque dos manos? — Tio Jordan adora falar mano. É bem incomum pra um senhor de 87 anos, claro que ele aparenta ter cinquenta, mas não justifica muita coisa.
– Claro que lembro, tio. Eu sou mais esperta que o Einsten lembra? — Levantei a mão para um gesto aparentemente normal, mas ai que começa. Depois de três toques com a mão, nós pulamos para o outro lado e mexemos os glúteos. Depois eu passo por debaixo do braço dele e ele da um pulinho e faz a dança do faraó.
É mais ou menos assim. O Jackson, tadinho, não sabia onde se enfiar. Eu estava muito feliz, até ouvir a voz mais legal do mundo.
– Para de se agarrar com essa adolescente oferecida Jordan — disse a senhora Penny.
Ah como eu amo essa tia.
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