The Lake House
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Quinn
Era réveillon. Meia-noite. Estávamos oficialmente em 2012. O ano do fim do mundo pra muitos, pra mim era o ano de Rachel. O ano em que ela começou a me escrever cartas. Era dela. Todos comemoravam na casa de Santana. Eu sorria, eu estava melhor, mas nunca havia deixado de pensar nela.
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Rachel
Eu estava admirada. Pra muitos era um prédio velho, completamente decadente, mas pra mim iria se tornar minha casa. Estava mais do que na hora, já que eu e Finn estávamos juntos há dois anos. Meu apartamento ficou pequeno demais pra nós dois e Jackie. Ouvi batidas na porta.
“Entra!”
Finn apareceu logo atrás de mim.
“Oi..” Falei pra ele.
“Oi..” ele respondeu. Olhava com descrença para o grande apartamento. Pra ele era só um lugar caindo aos pedaços. “Eu abri mão do meu almoço para ver... isso?”
“Eu sei que precisa de uma reforma mas..”
“Uma reforma não.. uma demolição.
“Marquei uma hora pra amanhã com um arquiteto especializado em reformas..”
“Ah é?”
“É...”
“Que cilada...”
“Finn, não podemos continuar no meu apartamento, você sabe disso...eu quero tocar a vida em frente.”
A única coisa que ele fez foi me dar um sorriso de apoio.
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No dia seguinte...
“Você sabe o que está fazendo? Tem certeza?” Ele perguntou enquanto seguíamos para o escritório de arquitetura.
“Sim, é claro Finn.. eles são novos..”
“Novo.. você quer dizer inexperiente?” Finn já parecia aflito.
“Não, não muito cara..”
“Ahh sim..”
“Chegamos..” era um escritório envidraçado. E na parede da sala de espera estava a logomarca deles.
Vanguarda Visionária.
Eu havia contratado essa empresa, não só pelo preço, mas porque eu havia gostado do nome. A recepcionista pediu que aguardássemos.
Sentamos no sofá e eu me lembrei.
“Antes que eu me esqueça...” Puxei um envelope vermelho de dentro da bolsa. “Feliz dia dos namorados...” Finn me olhou em choque. Ele havia esquecido.
“Ahh Rach.. me perdoe.. eu não.. eu não comprei nada pra você..ando tão ocupado com os treinos e o campeonato...”
“Tudo bem Finn...” Eu fiquei triste? Sim. Ele mal lembrava das pequenas coisas. Então uma mulher loira apareceu, seguida por uma morena de traços latinos.
“Srta. Berry? Sou Kitty Wilde e essa é Santana Lopez, é a nossa consultora. Mostrei o projeto lembra?”
“Sim, Claro..” Me levantei, cumprimentando-as. “Esse é Finn, meu namorado.” Ele as cumprimentou e seguimos para a sala de reuniões.
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Quinn
Estava um frio terrível pela manhã e agora, na hora do almoço um calor infernal. Kitty riu do meu desconforto.
“Hey, vamos beber alguma coisa Kitty? Uma cerveja, pra aliviar esse calor..”
“Não posso..”
“Por que não?”
“Prometi à Marley que iríamos comemorar o resto do dia dos namorados juntas..”
Estaquei no meio do caminho.
“Como? Repete isso..”
“Vou passar o resto do dia dos namorados com a minha namorada, Marley.. talvez vá ter champanhe, chocolates , morangos com chantili..” Kitty estava devaneando. Eu não precisava saber sobre a vida dela com a Marley.
“Hoje é dia 14 de fevereiro...”
“É...”
“de 2012...”
“É... Quinn você tá legal?”
“Nunca estive tão bem..” Meu sorriso era gigantesco. Eu sabia onde iria passar o resto do dia dos namorados. Com Rachel.
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Rachel
“Mais uma vez obrigada... e obrigada pelas dicas, Santana.. elas serão muito úteis...”
“De nada, o projeto é todo da Kitty, eu só ajudei com os tramites jurídicos e tudo mais..”
Mas eu já não estava mais ouvindo elas, porque uma das imagens expostas na sala me chamou a atenção. Era um desenho da casa do lago, mas ela parecia ter sido modificada.. aprimorada.
“Rach? Eu preciso ir Rachel..” Finn estava falando.
“Quem fez esse projeto..?” Kitty se aproximou de mim.
“Foi minha prima.”
“Quem é sua prima..?” Que pergunta idiota, mas ela precisava ser feita.
“Quinn Fabray..” Ouvi um suspiro pesado do outro lado da sala. Tinha certeza que não era do fim, me virei de relance e vi Santana cobrindo a boca, com a mão trêmula. “Conhecia ela?”
“Sim.. eu.. eu a conheço.. sabe.. como eu posso entrar em contato com ela? algum telefone..”
Ouvi um suspiro seguido de um soluço e Santana me olhou rapidamente e ela parecia estar.. chorando? Então saiu da sala. Kitty pigarreou. Ela estava com os olhos vermelhos.
“Eu.. lamento.. Srta. Berry.. ela morreu..”
Senti um calafrio e minhas pernas bambearam. Quinn estava morta?
“Hoje.. faz dois anos..”Santana havia voltado pra sala. Ela estava com um lenço e falou.
“Exatamente hoje.. foi em um acidente de carro..”
Então o choque. Eu estava tremendo visivelmente, mas eu tinha que perguntar, tinha que ter certeza.
“Onde?”
A resposta de Santana foi um sussurro, mas ficou reverberando na minha cabeça.
“Em uma praça, próxima ao Hospital de Chicago.”
Eu saí em disparada pela porta. Deixei Finn para trás. Ele não era importante. Eu não tinha muito tempo. Ainda bem que estávamos em carros separados. Enquanto descia as escadas eu ouvia ele gritar meu nome.
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Quinn
Eu seguia com a caminhonete em direção a casa do lago. Eu iria pegar as cartas. Eu sabia onde Rachel estava agora.
Entrei facilmente, a tranca da porta estava enferrujada então subi para o sótão. Peguei o maço de cartas e voltei. Eu iria vê-la.
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Rachel
Dirigia desesperada até a casa do lago. O tempo estava passando. Quando cheguei, tirei um caderninho do porta-luvas e comecei a redigir uma carta. Corri e a coloquei na caixa do correio.
Então esperei. E rezei. E esperei.
“Quinn, agora eu sei porque você não apareceu no Il Mare naquela noite. Era você no acidente de carro, você era a moça. Por favor não vá até a praça. Espere. Por favor, não me procure, não tente me achar..”
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Quinn
“...Eu te amo...
Demorei muito pra te dizer isso, mas eu te amo Quinn.
E se você me ama de volta, por favor espere. Seja paciente.. espere.. espere...
Espere mais dois anos. Venha até a casa do lago.
Eu estou aqui.”
A tentação era gigantesca. Eu estava vendo ela. Ela conversava com um homem que era seu pai. Estava há poucos metros de mim. Tão perto.
Então olhei para a carta na minha mão. Eu esperaria.
Dei meia volta e fui embora.
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Rachel
Meu coração deu um salto quando vi a bandeirinha da caixa de correios abaixar. Ela tinha visto!
Eu estava ajoelhada segurando a caixa do correio. O tempo passou. E se tivesse sido outra pessoa a ler a carta? Não! Não.. essa possibilidade não poderia existir!
Então eu ouvi. O barulho de carro. Distante, mas vinha naquela direção.
Uma caminhonete antiga parou e quando a motorista desceu eu chorei. De felicidade. Eu ria e chorava.
Era Quinn.
Ela sorriu também. E se aproximou.
Ela estava tão linda.
“Você está tão linda..” Passei meus dedos pelo maxilar, pela testa, nariz.. só pra ter certeza de que era ela mesmo ali. “E você está aqui.”
Ela gargalhou suavemente. Deus! Eu poderia me derreter só com essa risada. Eu queria ouvi-la pelo resto dos meus dias.
“Eu estou aqui Rach... não vou a lugar nenhum..” Ela sussurrou, passando a mão pela minha cintura, nos deixando a poucos centímetros uma da outra.
“Isso é ótimo...” Sussurrei em resposta.
“A propósito..” Ela se aproximou ainda mais, colando nossas testas uma na outra. “Eu te amo Rach, te amo muito..” a voz dela saiu baixinha e rouca. Então eu fechei a distância entre nós duas.
O beijo começou lento. Nós estávamos nos reconhecendo. Ela me segurava com força e delicadeza ao mesmo tempo. Era como se estivesse com medo de eu ir embora ou coisa parecida. Então o beijo se aprofundou, trazendo um misto de saudade, alegria, alívio, amor. Quando nos separamos eu fitei os olhos dourados marejados e sorri, abraçando-a.
Aquela era a nossa 2ª chance.
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