Notas iniciais
Hey pessoas.. :) Esse capítulo é o marco da reta final, creio eu que ainda teremos uns 4 ou 5 capítulos, vai depender de como vou dividi-los ok? Espero que gostem :*

Quinn

O hospital estava uma bagunça de pessoas gritando e chorando. Passei pela recepção e me identifiquei. A recepcionista disse pra procurar pela Dra. Sylvester,que era a responsável pelo caso do meu pai. Encontrei ela no corredor. Uma loira alta de expressão séria.

“Dra. Sylvester? Eu sou Quinn Fabray..”

“Oh.. Sim, a filha de Russel Fabray. Bem seu pai teve um infarto. Não foi nada muito grave mas nos exames descobrimos uma obstrução em uma das artérias principais. Está marcada para a amanhã uma cirurgia. Foi com muita relutância, Srta. Fabray, o seu pai é um homem extremamente teimoso.”

Sorri com o comentário da Dra. Sylvester.

“Posso vê-lo?”

“Claro..” Ela abriu uma porta no final do corredor. Era um quarto privativo. Russel estava na cama, ligado a um monitor cardíaco, e por cima dele uma espécie de bandeja cheia de papéis, lápis e alguns cadernos. Ele estava projetando! Nem depois dde um infarto ele dava um tempo!

“Vejo que nem um infarto foi capaz de pará-lo..” Falei sentando em uma poltrona ao lado dele.

“Oh não.. eles ligaram pra você? Não era necessário..não foi nada”

“Kitty me ligou. Infarto até onde eu sei, é algo com o que se preocupar..”

Ele me olhou com um meio sorriso no rosto.

“Não era necessário você estar aqui Lucy...”

Me levantei. Nem quando estava doente, Russel se prestava a mudar.

“Acho melhor eu ir então, já que pra você eu não sou necessária...” Fui em direção à porta e quando estava pra sair ouvi ele falar.

“Café.”

“O quê?”

“Você ouviu. Café. Já que você quer se fazer necessária me traga um café.”

Olhei incrédula parar Russel, que não parou de olhar para os papéis.

“às suas ordens senhor..” e saí batendo a porta com força, recebendo olhares repreensivos de algumas enfermeiras que passavam ali.

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“Tem algo que eu não contei. A casa do lago foi construída pelo meu pai, Russel Fabray, muito antes dele ser famoso. No tempo em que ele ainda era um esposo dedicado também era um pai amoroso. Ele a fez de presente para minha mãe, Judy. Ela escolheu dedicar sua vida à ele. Porém quanto mais ele crescia, mais ela era deixada de lado. Ele a abandonou quando eu tinha uns 10 anos. Ela entrou em depressão,porém depois de 2 anos ela o acolheu novamente. Só pra ela sofrer ainda mais com o descaso dele. Durante os anos seguintes eu vi minha mãe definhar e Russel se tornar um dos arquitetos mais renomados do país. A única coisa que eu poderia fazer era ficar ali, por ela. Ela o amava, sempre amou. Depois de anos de descaso ela definhou. Se tornou a sombra do que era minha mãe. Quando fiz 21 anos a levei de volta para sua cidade natal. Russel já tinha ido embora outra vez. Desde então ela está em uma casa de repouso, sendo muito bem cuidada. Ele nunca foi visitá-la. Passei os últimos 2 anos lá. Ele nunca foi visitá-la. Ele disse...”

“Diga Quinn..o que foi que ele disse?” Rachel parecia curiosa. Suspirei e voltei a escrever.

“Que ela era uma fraca. Que a doença era puramente culpa dela e que ele não perderia tempo com isso. E finalizou dando um sorriso por ser bem sucedido.”

Lembrar disso me dava náuseas.

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Mais tarde...

“Aqui está seu café...” Entrei no quarto. Ele continuava a desenhar. Deixei o café na mesinha e fui sentar na poltrona. “No que está trabalhando?”

“Na verdade estou avaliando uma proposta. Para um museu.”

“De quem?” Perguntei observando as projeções.

“De um desconhecido...” Ele falou tomando um gole do café.

“Gostei das alamedas...onde bate a luz. Quais são os materiais?”

“Granito e alumínio.”

Avaliei mais uma vez.

“As luzes da frente são diferente. O projeto não é original, mas é simples. Claro e muito bom. Gostei..”

Ele colocou o café de lado e pegou os papéis.

“Quando foi a última vez que esteve em Barcelona?”

Arqueei a sobrancelha para a pergunta. Estive em Barcelona pouco antes de voltar para os EUA. Adorava o Parque Güell, todo aquele simbolismo me atraía.

“Há uns 3 anos atrás.. por que?”

“Lembra-se da Casa de La caridad?”

“Sim, o asilo de pobres.”

“Esse projeto é inspirado em Meier.. o Museu dele em Barcelona fica na mesma área da Casa de La caridad. Os dois lugares recebem a mesma luz, porém Meier projetou uma série de claraboias que refletem a luz e a emitem para dentro do museu, iluminando as obras de arte, porém indiretamente porque a mesma luz que as realça pode danificá-las. Mas você já sabe de tudo isso não é pequena Lucy..?”

Ele bagunçou meus cabelos com uma das mãos e voltou a organizar os papéis. De repente uma crise de tosse fez com que ele parasse.

“Onde você acha que ele será construído..?” Ele me perguntou quando voltou a falar.

“Nem imagino..”

“Ora vamos.. você sabe muito bem que a luz de Barcelona é diferente da luz de Tóquio, que é diferente da luz em Praga.. um grande projeto, bem estruturado, feito para resistir ao tempo, nunca ignora o ambiente. Um arquiteto que se preza deve levar isso em conta, ele deve respeitar a natureza! Ele precisa estar atento a luz. Sempre a luz, sempre..”

Fiquei com aquilo na cabeça, mesmo depois de Russel ter ido dormir , fiquei tentando me lembrar que lugar ele havia feito sem ignorar a natureza e a luz. Só havia um.

“Você falava da casa do lago não é?” ele não me ouviu, estava dormindo.

Mesmo ele sendo o homem que era, eu fiquei ali, velando o sono dele a noite inteira.

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Rachel

Estava na sala de antigos prontuários. Procurando pelo do pai de Quinn. Encontrei.

“Russel Fabray, certidão de óbito. 20/10/2010. Médico responsável pelo caso: Dra. Sue Sylvester.”

Olhei no calendário. 20/10/2012.

“Não, não...”

Corri pra fora da salinha e encontrei Mercedes.

“Mercedes eu preciso que você me cubra durante algumas horas, preciso fazer algo urgente!”

“Tá, mas o que aconteceu Berry? Parece desesperada..”

“Não tenho como explicar agora.”

Corri para o vestiário e peguei minhas coisas.

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Quinn

Hoje era a cirurgia de Russel. Fui para o trabalho para espairecer, mas não adiantou. Sam me olhava daquele jeito e me tratava com certa indiferença agora. Paciência.

Voltei mais cedo porque não conseguia me concentrar. No caminho de volta pra casa meu celular tocou:

“Alô?”

“Srta. Fabray? Aqui é a Dra. Sylvester. Lamento informar que estou ligando para lhe dar más notícias. Houve uma complicação durante a cirurgia do seu pai. Infelizmente ele não resistiu. Sinto muito.” E desligou.

Em choque eu segui para casa.

Olhei para a caixa de correios. A bandeirinha estava levantada.

“Sinto muito Quinn, pelo seu pai. Queria estar aí com você pra que pudéssemos sentar e olhar para o lago e a luz na casa que seu pai construiu. Eu poderia lhe dar apoio como você tem me dado, poderia te dar um abraço e te dizer que vai ficar tudo bem. Se eu puder fazer algo, mesmo que seja algo pequeno, daqui do futuro... eu espero que seja isso..”

Notei que o papel estava manchado de lágrimas em alguns pontos.

“Ele só será publicado agora, em 2012, mas acho que você não merece esperar tanto.. espero que ajude a saber que, mesmo de uma maneira diferente, ele amava você..”

Olhei para o livro em minhas mãos.

“Russel Fabray: uma vida de trabalhos.” E o apertei contra o peito.

Entrei em casa e me surpreendi ao abri-lo. Em uma das primeiras páginas havia uma grande foto. Eu me lembrava da época em que ela foi tirada. Na foto, eu e meu pai estávamos de frente para a casa do lago e ele me explicava sobre a luz. Li a legenda.

Russel Fabray e sua filha Quinn, na casa do lago.

E naquele momento a única coisa que consegui fazer foi chorar.

Notas finais
E então... Pra quem não conhece este é o Parque Güell de Gaudí: http://www.parkguell.es/en/portada (O site está em espanhol) e este é o MACBA (Museu de arte contemporânea de Barcelona) que foi projetado pelo arquiteto citado por Russel, Meier: http://www.macba.cat/en/index (Site em inglês) Enfim.. Até o próximo pessoas :*