The Lair Of Hell

2 A Ordem dos Paladinos da Luz.


Notas iniciais
Boa leitura!

“ Há tempos Gaon fora devastado, e sem forças permaneci somente como observadora da cruel desgraça, e por mais angustiante que tenha sido não encontrei forças para lutar, para salva-los.”

...

- Está pronta, senhorita?

- Logo estarei.

O observava ultimamente o horizonte, ao norte o sol acabara de nascer, iluminando as montanhas verdes; a brisa da manhã corria pelo meu rosto até o fim dos fios de prata. Despedi-me deles depositando uma rosa branca em seus túmulos, e com a promessa de vingança parti de Gaon.

- Está vendo aquela fenda entre a montanha do leste? Ela á levará até os Paladinos, prepare-se para o pior minha pequena, o mundo é cruel e devastado por monstros. _ Preparava o belo cavalo de crinas negras como a noite. Apertava cuidadosamente sua sela, logo guiando o animal em minha direção.

- Conheço o terror na pele, Soleon. O que me preocupa é o senhor. _ Montei ao garanhão calmamente para não atiçá-lo.

- És uma deusa, Lin. _ Sorriu gentilmente. – Não se preocupe, este velho aqui sabe se cuidar. Não irei a lugar algum, nasci em Gaon, morrerei em Gaon. _ aproximou-se vagarosamente do animal o acariciando. – Cuide bem dela, meu amigo. _ Pronunciou tuas palavras ao cavalo, despedindo de seu amigo de anos.

Apenas sorri por um momento.

– És meu destino seguir em frente, Soleon. Almas vagam cansadamente entre nós, só descansarão quando derrotar os inimigos, com minhas próprias mãos.

Olhou-me com lagrimas, prestes a escorrer.

- Compreendo sua dor, Lin, mas não é sua culpa...

- Eu voltarei. _limpei suas lagrimas que discretamente desciam. – Obrigada por tudo, vovô. _ Depositei em sua testa um ultimo beijo antes de partir.

...

Corria junto aos raios de luz que iluminava fortemente meu caminho, olhei pela ultima vez para Soleon que cada vez ficara para trás, no passado. Fechei meus olhos deixando minhas ultimas lagrimas caírem, com isso conclui meu destino, seguiria de cidades á cidades até encontrar a magia perdida.

A montanha do leste estava próxima. Atravessei a fenda na escuridão das rochas, amedrontei por momentos, a escuridão entristecia-me, não demorou á avistar meu primeiro desafio.

Á frente o mar de areia me esperava, e não muito longe avistei o vilarejo dos paladinos. Horas cavalgando no deserto, somente eu, o cavalo e o horizonte alaranjado, sem descanso, sem comida. Não tinha tempo.

- Quem vem lá de tão longe?

Desci do cavalo e cambaleando me aproximei.

- Sou Lin, a sacerdotisa de Gaon.

Arregalaram seus olhos de medo, e erguiam ainda mais suas lanças em minha direção.

- Por divino...O que faz em terras sagradas, seu monstro? _ Um dos soldados dizia ferozmente enquanto tremia.

- Acalme-se, não irei ferir nem um de vocês. _ Cabisbaixa tentava acalmar os soldados nervosos, não me surpreendia os Paladinos terem tal reação ao me verem, era de se esperar, como grandes fiéis como eles iriam abaixar sua guarda para uma garota como eu, que aprisiona dentro de mim o maior mal de todos.

- Ora, sua...

Ele atacou-me, atingindo o braço direito violentamente, sentia a pele sendo esfolada pela lança divina, que era manchada aos poucos pelo sangue de um monstro. Rangi meus dentes com força tentando controlar a dor que sentia no momento enquanto pressionava o ferimento com minha mão. – Por favor, excute. Meu povo foi atacado há tempos por um monstro terrível, muitos morreram e outros foram gravemente feridos. _ Olhei-os com o máximo de calma que pude buscar dentro de mim. – Por favor, leve-me até o Papa.

- Você deve estar maluca, não? Pensa mesmo que iremos levar até o Papa um monstro feroz que poderia devastar a guilda a qualquer momento! _ O mesmo guarda que atacara-me momentos atrás dizia tais palavras a mim apavorado, não pude compreender o por que de tanto nervosismo, já havia estado sob a Ordem dos Paladinos da Luz quando criança, e por mais que seja vaga as lembranças sobre eles, não recordava de tal agressão vindo dos mesmos.

- Já chega! _ Ouvia uma voz irritada vindo de trás do guarda.

- Mais...

- Já disse, acalme-se.

O guarda abaixa a lança manchada de sangue e logo se ergue em reverência ao homem.

- Então, a senhorita é Lin, a sacerdotisa de Gaon? Não poderia vim em hora melhor.

- Aconteceu algo, meu senhor? _ Franzi as sobrancelhas enquanto observava a expressão de medo dos guardas, pareciam que não haviam descansados pela palidez e enormes olheiras em suas peles.

O Paladino superior me encarou. – Não foi somente Gaon que fora atacado, senhorita Lin. Os monstros estão devastando Vermécia, e nossa guilda não foi poupada.

- Compreendo perfeitamente a situação senhor. Peço perdão por causar alguma suspeita a todos, mas vim em paz, quero somente informações sobre o poder perdido do vento. Pretendo aprender tal poder e vingar com minhas próprias mãos destes monstros que vem trazendo discórdia ao nosso mundo. _ Me curvei diante ao senhor, que logo ergueu meu rosto com seus dedos mostrando-me um sorriso abatido.

- Levante-se Lin.

O obedeci sem questionar.

- Você não deve se lembrar da minha pessoa. Sou um grande amigo do seu pai, e fui eu quem cuidou de ti quando vieste para a Guilda dos Paladinos. _ deu uma gargalhada desajeitada. – Era apenas uma pequena garotinha indefesa, mas olhe para você! Tornou-se uma grande mulher, forte de espirito e corpo, e capaz de aguentar qualquer dor pelos seus objetivos.

Retirou de seu bolso um lenço comprido, o amarrou em meu braço ferido. O agradeci em um sinal de cabeça, e ele voltou com seu semblante de seriedade. – Sou Alenkart, membro da Ordem dos Paladinos da Luz.

- Senhor Alenkast, por favor... Preciso falar com o Papa Constantino, sem isso não poderei seguir com meus objetivos.

O encarei da forma mais seria que pude, ele teria de entender.

- Tudo bem. Guardas abram os portões.

E assim feito, Alenkast olhou-me novamente, porem com uma expressão entristecida, aquela expressão que tanto conhecia. – Guiárei-la até os aposentos do Papa.

...

A imagem que via se assemelhava ao meu cotidiano dês do ataque, não era diferente além das tendas recém-montada dos Paladinos. Passávamos entre os destroços da vila, relembrando do dia em que vivi o inferno na terra, em que vi meus pais e meus amigos queimando até a morte, e não pude fazer nada, era fraca de mais para lutar contra meu próprio medo.

Logo á frente avistei os aposentos do Papa, não estava diferente dos demais, porem por ser uma construção recente e bem maior do que as outras casas, ainda estava utilizável, pois bem, não havia um monstro com tal força para derrubar um castelo.

Após alguns bate-boca com os guardas do castelo, Alenkast conseguiu permissão para poder se encontrar com o Papa em minha companhia. Paramos de frente aos aposentos do mesmo.

- Senhor Constantino sou eu, Alenkast.

- Sim? _ questionou uma voz abatida detrás da grande porta de madeira. – Alguma noticia do grupo de busca?

- Não senhor... _ Alenkast fitou o chão, sua expressão séria na qual vinha mantendo ao curto tempo que andávamos juntos fora desaparecendo com o comentário do Papa. – Mas... Eu possa vim a ter uma solução para isso. Permita-me entrar.

O silencio foi privilegiado naquele momento, gotas de suor foram se formando pelo rosto de Alenkast.

- Tudo bem. Entre.

Lentamente a gigantesca posta de madeira fora se abrindo, e entre elas uma flecha de luz atingia o corredor escuro na qual nos encontrava.

...

Entre olhares de reprovação Alenkast manteve sua cabeça baixa, não compreendia tal situação na qual me encontrava porem não podia me manifestar naquele momento. O papa me fitava com seu olhar sereno, sua pele estava pálida, não demonstrava um sinal de saúde enquanto descansava encima de uma enorme cama forrada.

- E quem és tu? _ Ergueu sua voz rouca.

- Sou Lin. _ Respondi cabisbaixa, não sabia o porque, mas não conseguia encará-lo, sentia-me culpada mesmo não tendo feito nada. – Sacerdotisa de Gaon, meu senhor. – Completei.

- Mais o que... _ Franzia suas sobrancelhas em sinal de reprovação, já sabia o questionamento que viria à seguir, mas por motivos, na qual não imaginava quais, Alenkast ergueu sua cabeça pela primeira vez dês de que adentrou aquele aposento.

- Não a questione meu senhor. _ Direcionou seu olhar firme em minha direção, pude sentir a necessidade de ajuda naquele homem, porem seu orgulho não o permitia dizer.

- O que significa isto, Alenkast? _ Constantino fuzilava tais palavras furiosas. – Por acaso, não percebe a posição na qual estamos? Trazendo um monstro como ela até aqui...

- Não podemos evitar, estamos sem recursos. Nossos melhores soldados saíram em uma missão muito perigosa e não retornaram. _ A voz do paladino perdia forças a cada palavra que prosseguia. – Faz uma semana.

- E o que pretende trazendo esta garota amaldiçoada até nossa vila? _ Mesmo ainda mantendo suas duvidas, Constantino resolveu ceder aos caprichos e escutar o paladino.

Foi curto o debate na qual ouvi, mas o suficiente para entender minha posição naquele lugar. Se quisesse ajuda não seria de graça.

- Com sua licença, Papa Constantino. _ Ergui minha voz firmemente em sua direção. – Ofereço-me a ajudar no que preciso.

No curto tempo, a respiração de ambos pararam, e ergueram seus olhares em minha direção. Alenkast sorriu discretamente.

- Você entende, garota? Por chegar até aqui, deve ter visto o inferno na qual estamos passando. Não temos mais tempo para brincadeiras...

- Eu perdi tudo. _Caminhei em direção ao papa firmemente, ele se aquietará por um momento. – Família, amigos, companheiros. _ Imagens vagas dos tempos felizes passaram em minha mente, tempos que não voltavam mais. – Até mesmo os mais bravos soldados. Tudo foi levado de mim, no momento em que aquela criatura colossal invadiu o vilarejo de Gaon.

O papa olhava-me surpreso naquele momento.

- Por favor, aceite minha oferta, e em troca ajude-me a encontrar a magia dos ventos.

...

O alaranjado do por do sol adentrava pela frecha da cabana. Alenkast entregava minha armadura, junto a um leque feito do material mais solido na qual já havia tocado.

- Qual a utilidade deste leque? _ Perguntava ao paladino enquanto recolhia minha armadura, direcionando meus passos até um cômodo separado da cabana.

- Quando uma sacerdotisa ergue seu leque, consegue ouvir as preces dos Deuses do vento. _ Não o entendia, mas suas palavras pareciam ter um significado oculto. – Leve-o consigo.

- Entendido. _ Terminava de colocar minha armadura. Revestida de aço, tanto nas pernas quanto no antebraço, uma saia rodada completamente feita de seda, junto á blusa trançada nas costas que não cobria praticamente nada de minha pele, sua única segurança era um colete feito do mais duro aço.

- Está ótima, uma completa guerreira. _ Alenkast sorria enquanto amarrava minha bota da cor marfim, que combinava com a saia e o leque que levava comigo. – Tem certeza que partirá neste momento? O sol já está se pondo, a noite é perigosa.

- Dia ou noite, o covil de Berkas é mortífero á qualquer hora. _ Brincava com minhas palavras tentando distanciar meu nervosismo.

Alenkast manteve-se em silêncio durante um tempo, caminhava até uma pequena escrivaninha pegando uma fita de seda avermelhada, logo amarrava meus cabelos claros em um alto rabo-de-cavalo.

- Perdoe-me Lin, não era meu objetivo lhe colocar em tal situação perigosa. _ Dizia cabisbaixo, e antes que prosseguisse com sua culpa, o parei.

- Não existe um futuro para aquele que não arrisca. _ Lhe ofereci um sorriso terno, não queria que se culpasse por minha escolha. – Voltarei com as informações, e espero assim poder tranquiliza-los enquanto restauram a vila.

Ele sorriu e pousou os braços sobre meus ombros. – Boa sorte.

...

Guardava meus mantimentos em minha bolça, olhei ao meu redor e coloquei o leque no suporte de arma em minha cintura junto à katana. Ajustava a cela do cavalo e preparava-me para a partida.

- Atente-se soldado. _ Alenkast caminhava firmemente até meu lado, seu olhar fuzilador e voz firme o classificava muito bem como um líder.

- Sim senhor. _ Erguia-me em reverência.

- Mantenha em mente, soldado. Estas a caminhar em direção à morte. Tem seu ultimo momento de hesitação. _ Era visível o exagero em suas palavras, mas entendia o que queria fazer.

- Não se preocupe senhor. Não irei desistir, nem pior me arrepender. _ A certeza em minha voz foi assustador, até mesmo para mim.

Ele sorriu satisfeito. – Ergam os portões.

E assim feito. O vento seco soprará em minha direção, levando meus cabelos em direção á floresta escura que me aguardava em frente. Alenkast caminhou em minha direção, e enquanto montava sobre o cavalo prosseguiu com suas informações finais.

- Há uma semana, dois grandes grupos de paladinos desapareceram. Os primeiros eram de grandes soldados que partiram em uma missão em busca de informações sobre os monstros que atacaram nossa vila, um grupo de vinte paladinos, não retornaram. Logo em seguida um grupo menor, de 10 paladinos, saiu em busca em uma missão de resgate dos soldados, e igualmente não retornaram. Por causa deste acontecimento, uma baixa muito grande ocorreu no número de soldados ativos em nossa vila, se porventura algum monstro voltar a atacar, é notável que sejamos devastados.

Confirmei com a cabeça.

- O lugar mais óbvio é o covil de Berkas. _ Ele se silenciou por um momento. – Sabes o quanto este lugar é perigoso, não sabe Lin?

- Não se preocupe senhor, faz anos que não tem um registro da aparição de Berkas. _ Respondi confiante.

- Mesmo com essa informação, não podemos abaixar a guarda. _ Ele finalizou sua explicação. –Siga em frente, atravesse a floresta das sombras o mais rápido que puder, a primeira montanha que avistar é seu objetivo, saberá quando a ver.

Abaixei meu olhar verificando as prendas que seguravam os mantimentos sobre a cela do cavalo, curvei meus ombros ao olhar por fim a densa floresta. – Então, até mais.

Ele assentiu com a cabeça e deu de costas, voltando para a vila.

...

Continua...