The Lady In My Life

10 Uma serpente que rodeia Emma Swan.


Notas iniciais
-Agradecemos a todos que estão acompanhando, comentando e favoritando. -Boa leitura!!!

[Emma]

Já faz dois dias que David reagiu violentamente ao descobrir sobre meu envolvimento com Regina. Nesse período conversamos várias vezes e ela está muito preocupada por não poder me ver.

Nenhuma de nós duas tem ideia de como meu irmão tomou conhecimento da nossa relação, já que Regina não lhe revelou o real motivo de terminar o namoro com ele.

Felizmente, meus hematomas já estão bem menos visíveis, inchados e doloridos. O clima na mansão não é dos melhores nesse momento, pois meu irmão continua aqui, uma vez que, por orientação médica, David não pode voltar a Nova York.

Não tanto pelos machucados, mas em virtude do surto psicótico diagnosticado pelo doutor Robert Gold, um psiquiatra amigo da família, que veio conversar com ele a pedido de mamãe.

Papai e Ruby, desde que souberam do ocorrido, passaram a nos visitar com mais frequência e, tanto David quanto eu, estamos cercados de carinho, atenção e cuidado.

Lembrando que não falo com o pivô da nossa briga desde hoje cedo, pego o meu celular, afastando esses pensamentos, e procuro nos contatos o nome formado por seis letras que provoca risos bobos e apaixonados em mim. Ao encontrá-lo, chamo o seu número.

Quando Regina atende, já falo, sem dar oportunidade para que me cumprimente:-Estava pensando em você, mesmo que indiretamente, e resolvi te ligar!- comento, demonstrando toda a minha empolgação.

[R]:-E no que estava pensando diretamente?- pergunta, sagaz.

[E]:-Em toda essa confusão que o início da nossa relação se transformou!- respondo, pensativa.

[R]:-Como você está se sentindo agora, querida?- indaga, um tanto formal.

[E]:-Bem, doutora! Porém, estou necessitando de cuidados psicológicos.- digo, tentando parecer séria.-Preciso de uma psicóloga para cuidar de mim... Mas, ela tem que ser morena e bonita!- acrescento, brincalhona.- Você me indicaria alguma com essas características?- finalizo e ouço sua risada provocante.

[R]:-Deixe-me ver... faz um pouco de suspense.- Acho que a doutora Eva Zambrano, minha amiga, encaixa-se perfeitamente neste perfil. Vou lhe passar o número dela!- acrescenta, entrando na brincadeira.

[E]:-Sei... Mas ela é nova-iorquina e torce para o Knicks?- indago, dando prosseguimento a nossa conversa boba.

[R]:-Não! Creio que ela é de Miami e torce para o Heat¹!- responde e noto que está controlando o riso.-Emma Swan, esclareça-me uma coisa: você está procurando uma profissional ou uma mulher para casar?- pergunta, num falso tom de censura.

[E]:-Depende... Se, além de tudo isso, ela ainda morar perto do Central Park, corre um grande risco de se tornar uma Swan em breve!- provoco, deixando de lado minha timidez.

[R]:-Sua boba!- diz, rindo.- Nunca pensei que fosse ver a face atrevida de Emma Swan.- comenta, ainda se divertindo.

[E]:-Não se assuste, estou sob o efeito de fortes remédios! Quando você voltar a me ver, estarei corando as faces novamente.- concluo, feliz, como se estivesse numa propaganda de creme dental.

Neste instante, ela me pede um momento e fico esperando que volte a falar comigo.

É quando ouço uma voz masculina do outro lado da linha, dizendo:Regina, desculpe interromper... Surgiu um problema na universidade e estão me chamando com urgência.

Então, escuto a voz grave da minha namorada respondendo ao estranho:–Tudo bem! Depois continuamos a nossa conversa.

Após isso não consigo ouvir mais nada do que acontece do outro lado, pois mamãe entra no quarto perguntando-me o que desejo comer no jantar, com sua habitual tagarelice.

Quando ela sai, enfim, Regina já está de volta à linha dizendo “Alô” repetidas vezes.

[R]:-Ah, pensei que você tivesse me abandonado!- fala, num tom brincalhão.

[E]:-Com quem você estava falando agora há pouco, Regina?- questiono, e não consigo disfarçar a secura e a rudeza da minha pergunta.

[R]:-Era Daniel, meu ex-namorado, que passou aqui para conversamos.- explica, séria, mostrando-se incomodada, possivelmente por causa da mudança no meu comportamento.

Ficamos caladas por um instante que parece uma eternidade e eu me controlo para não demonstrar ainda mais os meus ciúmes.

Quando o silêncio já está ficando insuportável, falo:- Bem... Preciso desligar, pois mamãe veio me avisar que está na hora de tomar um dos remédios.- minto, dizendo a primeira idiotice que me ocorre.- Podemos nos falar mais tarde?- pergunto, dominada pela insegurança.

[R]:-Você não precisa me pedir autorização, pode me ligar quando quiser, Emma!- responde e pelo seu timbre gelado, percebo que ainda está chateada comigo.

[E]:-Então... até mais tarde!- falo e, depois que ela se despede também, desligamos.

Nessas horas, tenho raiva de mim mesma por ser tão pouco autoconfiante, pois o fato de Regina receber o ex-namorado em seu apartamento pode não ter nenhum significado oculto, afinal não há mal nenhum em eles serem amigos.

Ademais, embora eu já a considere minha namorada, não sei se ela também me vê assim, já que não falamos abertamente sobre isso ainda.

Portanto, não tenho motivos reais para estar sentindo tantos ciúmes e ter me comportado de uma forma tão possessiva com o que ainda não sei nem se é meu.

No fundo, ela tem razão em ter ficado chateada com a minha pergunta indiscreta e um tanto grosseira.

Queria ter certeza que não me comportarei assim novamente, mas conhecendo Emma Swan como conheço, posso dizer que isso é quase impossível.

***

(Três dias depois...)

[David]

Vejo minha “adorável” irmã, sentada em uma das espreguiçadeiras que ficam perto da piscina. Ela está de óculos, aparentemente absorvida na leitura de um livro, pois não se dá conta que estou à espreita.

Felizmente, consegui 10 dias de repouso do trabalho e decidi permanecer em Boston. O tratamento com o sr. Gold tem surtido efeito, já que, neste momento, não sinto a necessidade de ser agressivo com ela, embora ainda não tenha dado a batalha como perdida, apenas vou mudar de estratégia, pois não penso em desistir de Regina tão facilmente.

Aproximo-me dela como a serpente acercando-se a Eva no paraíso, ou seja, cheio de más intenções.

[D]:- Emma...- chamo seu nome, quando já estou bem próximo e noto que minha irmã se retrai, provavelmente temendo que lhe faça algum mal.

[D]:- Calma, só quero conversar com você e pedir-lhe desculpas por ter reagido de maneira violenta naquela noite.- prossigo, numa atuação digna de um grande ator.- Talvez você esteja estranhando esta minha atitude, pois não sou dado a ficar escusando-me pelos meus atos.- acrescento, percebendo que ela permanece numa posição defensiva. — No entanto, até eu mesmo assumo que o que fiz foi muito grave.- concluo, marejando os olhos para abrilhantar a minha interpretação.

[E]:- Não precisa se desculpar, David! Entendo que, nesta circunstância, você deve ter se sentido duplamente traído... Mas, nunca foi nossa intenção magoá-lo!- diz, num tom pesaroso, abrindo a guarda.

Porém suas desculpas, por mais sinceras que pareçam, não apaziguam o meu sofrimento e, infelizmente para ela, estou verdadeiramente apaixonado por Regina, assim como disposto a mantê-la comigo.

[D]:- Posso me sentar?!- peço, sinalizando a espreguiçadeira ao lado.

Ela assente com a cabeça e me acomodo, pensando no que direi a seguir:- Pode não ter sido a intenção, mas vocês me enganaram direitinho.- prossigo com a conversa e, para suavizar o comentário, dedico-lhe um sorriso de canto.- Se vocês não tivessem aparecido nas imagens do jogo entre o Knicks e o Celtics e eu não tivesse visto uma reprise da partida, creio que ainda estaria pensando que Regina me deixou por Daniel, seu ex.- acrescento, notando que ela ficou surpresa quando mencionei a forma como descobri sobre as duas e, mais ainda, ao citar o nome de Daniel, denunciando que já deve ter ouvido falar dele.

[E]:- Por que você achava isso?- pergunta, curiosa e percebo que a minha estratégia está começando a dar seus primeiros frutos.

[D]:- Sobre Daniel?- questiono, num tom falsamente desinteressado.- Porque eles sempre estão próximos.- digo e olho de soslaio para ela, percebendo que Emma, assim como eu, é bastante ciumenta.

Mas descobrir esse traço nela não me surpreende, uma vez que somos gêmeos e tenho consciência que compartilhamos algumas características.

[E]:- Você o conhece bem?- indaga, tentando disfarçar o seu mal-estar.

[D]:- Na verdade, não!- falo e, desta vez, estou sendo absolutamente honesto.- Nunca quis ter muito contato com ele, porém Daniel faz aquele tipo sensível que as mulheres, geralmente, adoram. Sem falar que ele é professor universitário e metido a intelectual.- concluo, sentindo a bile subir para a garganta ao recordar as poucas vezes que estive perto dele.

[E]:- Você sabe por que eles terminaram?- inquere, retirando os óculos e me encarando com expressão tensa.

[D]:- Acho que teve algo a ver com a doença dele! Ele é cheio de manias e esquisitices.- explico, dando de ombros.- Às vezes, penso que Regina perdeu o interesse por mim, porque eu não podia ser objeto de estudo.- acrescento, venenoso, encarando-a.

[E]:- O que exatamente você quer dizer?- questiona, um tanto irritada, pois notou a ironia do meu último comentário.

[D]:- Você sabe... Regina é aficionada pelo trabalho e, às vezes, não consegue muito separá-lo da vida pessoal. É por isso que não se afasta de Daniel e...- faço uma pausa, preparando-me para o xeque-mate.- ...quando ela conheceu você, ficou fascinada e não falava de outra coisa, só em como seria interessante estudar um transexual a fundo para entender como sua mente reage às situações cotidianas e coisas assim...- falo, lançando-lhe um fingido olhar de compaixão e observando como Emma está caindo na minha armadilha.- Desculpe, mas tive a impressão que ela te queria para cobaia.- finalizo e seu “rei está morto”*.- Claro que tudo isso mudou agora, Regina está apaixonada por você e não deve pensar mais nisso.- acrescento, soando apaziguador para não levantar suas suspeitas acerca de minhas reais intenções.

Todavia, percebo que plantei a semente da dúvida na cabeça da minha ingênua e insegura irmã, que fica pensativa, quando a deixo após cumprir meu intento, com a desculpa de não poder ficar muito tempo exposto ao sol, em virtude dos medicamentos que estou tomando.

[Emma]

Quando David se retira ainda estou chocada com o que ele me disse. Não posso acreditar que Regina esteja me enganando. Mas, ao mesmo tempo, ele pareceu tão seguro e sincero que me deixou cheia de dúvidas.

No meio disso tudo ainda há Daniel, uma pessoa aparentemente problemática, com quem ela teve uma relação e que continua em sua vida.

Será que Regina realmente tem uma tendência de se aproximar de pessoas que lhe forneçam algum material de estudo?

Com o meu histórico de desilusões amorosas, tenho medo de me decepcionar novamente e temo me arrepender de ter quebrado a promessa que me fiz, quando Camila** me rejeitou: nunca mais me entregar totalmente a alguém.

Até conhecer Regina não tive nenhum problema em manter-me fiel ao que havia decidido. No entanto, desde a primeira vez em que conversamos, senti que minha promessa estava ameaçada e, agora, faço uma súplica silenciosa para que não tenha errado novamente.

Notas finais
¹Time de basquete da cidade de Miami que disputa a NBA. *Referência à jogada de xadrez (xeque-mate), quando o rei é atacado sem possibilidade de defesa ou movimentação, resultando no final da partida. ** Camila é a brasileira por quem Emma se apaixonou e foi rejeitada. Pensamos que ela pareceria com a atriz Camila Pitanga, por isso o nome. -Até o próximo!!!