The Lady In My Life
32 O luto de Emma Swan Mills.
Notas iniciais
[Flashback]
Eric/Emma – 7 anos.
“Os meninos” estão brincando na parte externa da mansão dos Swan, como sempre fazem à tarde, após finalizarem suas lições de casa, quando são supervisionados de perto pela mãe, que também faz questão de observar estes momentos lúdicos, uma vez que seu instinto superprotetor nunca descansa.
“Eric” e David, como a maior parte dos irmãos gêmeos, possuem uma estreita conexão e sempre estão juntos, dividindo tudo, fazendo com que Margaret pense se haverá espaço para o pequeno Jefferson, nessa relação simbiótica. O irmão menor de “Eric” e David, que agora tem três anos, está sentado no colo da mãe e olha atentamente para a brincadeira “dos dois”, e, de vez em quando, dá sua risadinha infantil, divertindo-se, mas talvez sem entender muita coisa.
David sempre é o líder entre os dois e “Eric”, que tem uma personalidade mais dócil, não parece se importar e segue o irmão em todas as suas decisões. Apenas quando as brincadeiras propostas parecem muito perigosas, há certa resistência de sua parte, que geralmente é resolvida, em seu favor, por Margaret, que jamais permite divertimentos assim. Mas isso nunca se mostra um problema, porque logo encontram um ponto de concordância.
Num dos raros momentos que Margaret se ausenta para fazer a papinha de Jefferson, que começou a choramingar com fome, David aproveita para desafiar “o gêmeo”, sugerindo-lhe mais uma de suas aventuras: — Eric, se você subir naquela árvore, te dou minha coleção dos X-Men – propõe, chamando a atenção “do irmão” que recém-descobriu o interesse pela famosa HQ.
“O loirinho” olha para onde sua mãe estava sentada, antes de entrar na mansão e, depois, volta-se para o irmão: — Não sei, David... – soa “indeciso” — Você sabe que não gosto dessas brincadeiras e mamãe também não quer...
— Tudo bem, “seu medroso” – interrompe “o outro” parecendo aborrecido — Quando Jeff for maior, tenho certeza que vamos brincar muito e que vou me divertir mais com ele – diz com intenção de magoar “o gêmeo”.
“Eric” fica “cabisbaixo”, enquanto vê David se distanciar, andando até a árvore, já tirando os tênis para subir nela — David, espere – chama-o, correndo para o lugar onde o irmão está, com medo que ele não queira mais ser seu amigo — Eu subo! – diz, pegando no braço “do outro”, impedindo que o irmão continue o que estava fazendo.
David sorri, feliz por “seu irmão” finalmente se mostrar tão “aventureiro”.
— ‘Tá esperando o quê? Mamãe vai voltar logo – diz, olhando para a porta entreaberta do jardim — Você tem que ir até o último tronco – desafia, olhando para o alto e apontando o topo da árvore.
“O loirinho” também olha para cima e sente medo, perguntando-se porque árvores precisam ser tão altas. Com um suspiro resignado, começa a escala-la, ouvindo frases de incentivo de David que ficou no chão, vigiando a retaguarda.
— Vai “Eric”, só faltam três galhos! – David “o” incentiva, quando “o irmão” parece hesitar, olhando para baixo a todo instante.
— David, esse tronco é muito fino, acho... – “Eric” não consegue terminar a frase, o barulho de algo quebrando prenuncia a queda “do menino” que cai de uma altura de dois metros, conseguindo ainda reduzir o impacto ao agarrar-se no último galho, antes deste também ceder com o solavanco. — Ai, ‘tá doendo! – choraminga, sentindo os antebraços arderem, devido aos arranhões que conseguiu ao tentar segurar-se nos galhos para não cair.
— Droga, se mamãe vir isso, vai brigar com a gente – David diz, apreensivo, olhando para a porta e torcendo para Margaret ainda estar ocupada com Jefferson — Temos que entrar para limpar seus braços – continua, ajudando “o irmão” a se levantar — Não chore, Eric! – suplica, ao notar algumas lágrimas escorrerem pelo rosto “do gêmeo” — Meninos não choram! – repete o clichê que sempre ouve os adultos dizerem.
— Isso é mentira, eu já vi o papai chorar – rebate o comentário bobo do irmão, com voz chorosa — Devíamos contar para mamãe que eu ‘tô “machucado” – pede, quando já estão dentro da mansão, mas ainda distante da figura materna.
— Não! – David rejeita a sugestão — Vou cuidar de você, prometo! – o futuro médico jura, sorrindo para “o irmão”, enquanto limpa cuidadosamente os braços “dele” na pia do banheiro dos empregados.
— O que está acontecendo aqui?
Como se possuísse um radar interno, Margaret os encontra ali, e logo vê os arranhões nos braços de “Eric” que David já estava tratando com um antisséptico.
Os gêmeos se entreolham e, sem saber o que dizer, começam a chorar, imaginando que aquela travessura não ficará impune, pois, muito provavelmente, a mãe os castigará, proibindo que eles brinquem no jardim pelo resto da semana.
E David aprende que qualquer homem pode chorar, principalmente quando desperta a raiva de uma mulher como Margaret...
[Fim do Flashback]
***
[Setembro de 2016 – Em Boston]
{Margaret}
— Certa vez um poeta disse “que o amor não tem pressa, que ele pode esperar em silêncio, num fundo de armário...¹” — Emma inicia sua preleção e a voz dela é o único som que se ouve nesse final de tarde, na capela do antigo colégio St. Louis. Os poucos convidados presentes na celebração estão calados, parecendo hipnotizados enquanto a simples cerimônia de casamento se desenrola no pequeno altar.
Acho que minha filha não podia ter escolhido uma citação melhor para definir o sentimento que me uniu a Constance. Sinto que nosso amor permaneceu guardado, num fundo de armário, esperando ser novamente descoberto, e finalmente vivido.
Quando olho para o passado e lembro-me da mulher na qual eu me transformei e que eu era até pouco tempo atrás, fico encantada com a vida e sua capacidade de sempre nos surpreender. A guinada de 360 graus pela qual passei, foi que me permitiu estar aqui hoje, pois eu resolvi aceitar a felicidade, aceitar viver esse amor por tantos anos adormecido...
Minha felicidade só não está mais completa porque David não pode vir à cerimônia, mas, ao mesmo tempo, fico aliviada por ele finalmente ter encontrado um ponto de equilíbrio na vida, pois sua atitude geralmente tão agressiva e egoísta me assustava e fazia com que eu me sentisse culpada, já que cheguei a pensar que os preconceitos que eu alimentei durante anos, por me sentir frustrada, pudessem ter influenciado o comportamento dele, transformando-o no homem intolerante que David demonstrou ser a partir da adolescência.
Infelizmente, jamais saberei o quanto fui responsável por moldar o caráter do meu filho, então só me resta torcer para que a mudança pela qual ele também passou no último ano seja definitiva.
Emma pede para lermos os votos e, após Constance me emocionar ao proferir suas juras, é chegado o momento de eu revelar os meus: — Uma das maiores dádivas que se pode alcançar, é encontrar no seu amor, um amigo. Então, o que dizer de descobrir o amor na sua melhor amiga? – faço uma pausa e tento controlar o tremor da voz — Constance e eu nos apaixonamos desde o instante em que nos conhecemos, mas a vida, naquele momento, tinha outro plano para nós. Hoje, quase cinquenta anos depois, parece um sonho que estejamos unindo nossos destinos e há bem pouco tempo isso pareceria impossível – olho para ela e percebo o quanto está comovida com minhas palavras — Agradeço a você, meu amor, por ter entendido as coisas melhor do que eu, e insistido naquilo que era certo. Gostaria de finalizar dizendo, diante de todos os presentes, algo que a “velha” Margaret não diria nem para si mesma: você é a mulher da minha vida, Connie, e eu te amo! – termino meus votos e ouço um coro de “owns”, enquanto enxugo delicadamente as lágrimas que rolam pela face da minha noiva.
Depois de trocarmos as alianças, uma Emma igualmente emocionada, anuncia: — As noivas já podem se beijar! – olho para Connie, que está sorrindo, e me inclino na direção dela. Quando estamos prestes a selar os lábios, um assobio alto quebra o silêncio dentro da capela, fazendo os convidados se desmancharem em risos, e imagino que isso só pode ter sido obra de Jefferson, que segura minha neta, Spencer, no colo.
Quando a cerimônia termina, ficamos em pé, lado a lado, recebendo as felicitações de todos e, em seguida, vamos para a área externa da capela, onde mesas ornamentadas com toalhas de linho, buquês de lírios brancos e pequenas velas dentro de taças ocupam o gramado do bonito jardim.
— Que tal deixarmos os convidados se divertindo aqui e irmos revisitar o nosso refúgio? – Constance sussurra junto ao meu ouvido, enquanto tomo um pouco de champanhe.
— Não é uma má ideia! – concordo, sorrindo para ela — Eu vou primeiro e te encontro lá – sugiro, relembrando uma vez mais a nossa adolescência, quando, por temer a madre superiora, só nos encontrávamos no campanário e jamais chegávamos ao mesmo tempo no nosso local de refúgio.
Dou um casto beijo nela e olho ao redor, notando que os convidados estão distraídos, bebendo, conversando e alguns, inclusive, dançam na pequena pista armada no canto do gramado, enquanto a orquestra toca uma antiga canção.
Disfarçadamente, levanto-me e ando pelo caminho que tantas vezes percorri na minha juventude. Subo os vinte degraus que me levam até o nosso refúgio e já na torre do campanário, aproximo-me da borda para observar a festa que continua lá embaixo.
As pequenas luzes jogadas sobre os arbustos ao redor do jardim me dão a impressão que até as estrelas desceram do céu para prestigiar a celebração do meu matrimônio com a mulher que é o amor da minha vida.
— Acho que a noite está especialmente linda hoje! – como se soubesse que estava pensando nela, Connie chega e me abraça por trás, verbalizando o pensamento que tive há pouco. — No que está pensando? – pergunta e me viro para encará-la.
— O mesmo que você! – respondo, suspirando, e colocando os braços ao redor do seu pescoço.
Ela encosta a testa na minha: — Quem diria que a gente se casaria aqui!? – comenta, rodeando-me pela cintura — Ainda bem que a madre superiora morreu há muito tempo – acrescenta, sorrindo e espelho sua reação, imaginando que nossa carrasca não ficaria nada satisfeita com esse casamento no lugar que julgava pertencer a ela, mas que, há bastante tempo, deixou de ser um colégio e transformou-se em um museu.
— Consigo imaginá-la em outro plano espiritual, dizendo: “Que essas duas pervertidas queimem no inferno por profanar assim um solo tão sagrado!” – imito-a, recordando de seus comentários sempre tão maldosos e carregados do mais puro ódio.
Connie sorri e suas mãos sobem pelas minhas costas, enquanto nos movemos, iniciando uma dança. Neste instante, a orquestra passa a tocar uma melodia que me transporta ainda mais ao passado, ao início do nosso romance puro, doce e proibido.
♫ And they called it puppy love
E chamavam de namoro de criança
Oh I guess they'll never know
Oh eu acho que nunca saberei
How a young heart really feels
Como um coração jovem se sente de verdade
And just why I love her so
E por que eu a amo tanto
And they called it puppy love
E chamavam de namoro de criança
Just because we're inour teens
Só porque nós éramos adolescentes ♫
— Foi você que pediu para a orquestra tocar essa canção? – pergunto-lhe, abraçadinha a ela, sentindo-me tão plena e feliz que chego a temer que tudo isso seja apenas um sonho.
— Sim! – confirma, e vejo ternura em seus olhos cor de mel — Passei anos ouvindo essa música e pensando em você, lembrando-me do meu amor adolescente. Do meu amor mais forte e verdadeiro – afirma, apertando-me ainda mais no círculo dos seus braços.
Acho que ela também não acredita que estamos aqui, no mesmo lugar onde tudo acabou de uma maneira tão triste, dando um novo rumo a uma história que havia ficado congelada no tempo.
♫ Tell them all
Então diga-lhes
Please tell them it isn't fair
Oh, por favor, diga-lhes que não é justo
To take away my only dream
Desistir de meu único sonho...
…I hope and I pray
Eu espero, espero e rezo
That maybe someday
Para que algum dia
You'll be back in my arms once again
Você esteja em meus braços novamente ♫
Mas eu sei, e ela sabe também, que não estamos sonhando. Que tudo isso é real. E que o nosso final feliz está apenas começando.
***
[Novembro de 2018 – Em Boston]
{Regina}
— Henry, por favor, leve os gêmeos para o quarto! — Peço ao adolescente que faz as vezes de babá para Noah e Rachel desde que nos mudamos para esse bairro, há quase três anos, um pouco depois dos gêmeos nascerem.
— Ma – Noah balbucia, apontando para Emma que está sentada no sofá com expressão abatida.
— Ma está cansada, meu amor, não pode brincar com vocês agora! — digo, vendo Henry correr atrás de Rachel que se soltou da mão dele e anda vacilante para perto de Emma. Ela consegue ser mais rápida que o adolescente e chega até a mãe, subindo no sofá e se sentando perto dela.
— Ma, ‘tá ‘tiste? — pergunta, deitando a cabeça no colo de Emma que lhe sorri, mesmo não conseguindo conter o pranto enquanto afaga os cabelos castanhos da nossa filha.
— Estou, meu amor! Ma perdeu alguém que amava... — explica, com voz contida.
— Perdi meu ‘toelhinho – diz, subindo no colo de Emma – Também ‘tô ‘tiste! — fala, abraçando-a e percebo que, mesmo em sua inocência, tenta se solidarizar com a mãe, apesar de não entender muito bem o que acontece, pois ainda não é capaz de compreender a diferença entre perder uma pelúcia e perder uma pessoa querida.
Digo a Henry que eu mesma colocarei Noah e Rachel para dormir, pago-lhe e agradeço por ele ter cuidado dos gêmeos enquanto estávamos no funeral. O adolescente me dedica um meio sorriso e faz um sinal de despedida, saindo em silêncio, aparentemente também influenciado pelo clima triste que se abateu sobre o nosso lar.
Ando até onde minha esposa e filha estão e me sento, aninhando um Noah sonolento em meus braços. Emma permanece atada a Rachel e vejo as lágrimas ainda rolando por sua face, enquanto nossa pequena está calada, aparentemente consciente que a mãe precisa apenas de sua presença ali.
Depois de alguns minutos, Rachel, assim como o irmão, finalmente perdem a batalha para o cansaço, pois devem ter passado as últimas horas brincando e se divertindo com Henry, e já ressonam profundamente, ela chupando o mindinho e ele cobrindo o rosto com a mão.
— Amor, vamos colocá-los nos berços? — chamo a atenção dela, que parece distraída, fitando o vazio.
Faz um meneio positivo com a cabeça e levamos nossos bebês para o quarto. Coloco Noah em sua caminha e Emma faz o mesmo com Rachel, ficando por alguns instantes olhando de um para o outro e tenho a impressão que seus pensamentos não estão no momento presente.
Ao voltarmos para a sala, decido romper o silêncio que já me incomoda, pois não gosto de ver Emma assim, tão absorvida em sua própria dor: – Será que alguém conseguiu localizar Mary? Fico pensando como ela irá reagir quando souber da notícia... – murmuro, observando-a parada perto da janela, olhando para a chuva fina que começou a cair lá fora.
Ela parece não ter ouvido meu comentário, mas, segundos depois, vira-se e se aproxima de mim, sentando-se ao meu lado e deitando a cabeça no meu colo: – Não creio que seria diferente se ela estivesse aqui... Mas, de qualquer forma, acho que será muito doloroso, afinal, é sempre chocante perder alguém tão próximo, jovem assim — faz uma pausa, enquanto passo os dedos pelos seus cabelos – Eu queria tanto que eles tivessem se acertado... Pelo menos, ele poderia ter sido feliz nesses últimos anos, antes de... — não completa a frase e percebo que voltou a chorar.
Solto um longo suspiro e reflito sobre o que vou dizer a seguir, tentando não parecer dura demais: – Eu também queria... Mas não podemos negar que David teve a sua chance e deixou escapar. A vida real é assim, nem sempre nos é dada uma nova oportunidade depois que erramos. E no caso dele, não foi apenas um erro!
Emma fica silenciosa por alguns minutos, e imagino que está pensando sobre o que eu disse: –Eu me sinto culpada...
Franzo o sobrolho e pego em seu queixo, virando o rosto dela para que eu possa encará-la: – Pelo quê, meu amor?
Ela baixa o olhar, evitando manter o contato visual comigo e diz: – Eu sinto que todo o rancor, a mágoa e até mesmo o ódio que David sentia por mim, era porque eu matei seu gêmeo... Na cabeça dele, Eric deixou de existir para dar lugar a Emma, e acho que David nunca me perdoou por isso. Era como se eu tivesse rompido com o laço mais forte que ele conseguiu estabelecer com alguém. Se eu tivesse conseguido fazê-lo entender que Eric, na verdade, nunca existiu, poderia ter sido diferente.
Passo a mão pelo seu lindo rosto e faço ela me encarar: – Você diz isso, meu amor, porque ainda está muito chocada pela forma repentina que seu irmão morreu, e essa reação é compreensível, porque sei que o amava. Porém, temos que ser realistas: ele jamais conseguiria entender isso! O preconceito de David ia muito além da transfobia. Seu irmão era uma pessoa cheia de problemas e frustrações e a única forma de ser aceita por ele, seria não sendo você mesma, continuar vivendo uma vida que não era a sua e negando sua própria identidade. — faço uma pausa e depois de algum tempo continuo – Mas me lembro que, certa vez, no início do nosso relacionamento, você deixou claro que não abriria mão da sua felicidade por David. E não acho que estava errada em pensar assim, até porque cabe a cada um buscar sua própria realização pessoal. Por tudo isso, não acho justo que você se sinta culpada pela infelicidade do seu irmão.
Depois que termino de falar, noto que parou de chorar, embora ainda continue com o semblante melancólico: – O mais triste é que sua morte tenha sido tão violenta e trágica! Não consigo nem pensar no estado que o corpo dele ficou — sua voz volta a embargar – Ver mamãe e papai debruçados no caixão dele, sem poder vê-lo pela última vez, nem se despedir direito... Ninguém merece desaparecer assim...
Seus olhos se cerram e ela contrai os lábios, tentando controlar o choro e aproveito para beijar sua testa: – Pense que ele morreu naquela explosão enquanto ajudava outras pessoas... E para Margaret e James, que acreditam em uma vida além dessa, saber disso pode, depois, trazer algum tipo de conforto para eles.
Mais uma vez, o intenso verde do seu olhar cruza com o meu e Emma esboça um sorriso sutil. Aproveito para acariciar sua face, espelhando o gesto dela: – É impressionante essa capacidade que você tem de fazer com que eu me sinta forte, mesmo quando estou tão vulnerável...
Meu sorriso se amplia e junto meus lábios aos dela, beijando-a com ternura e carinho.
— Ma — a voz doce de Noah nos interrompe e olhamos para ele, assustadas – ‘Tô fome! — queixa-se, engolindo algumas palavras.
Nos entreolhamos e sorrimos: – Acho que já está na hora de subirmos um pouco mais as grades do berço — Emma sugere, levantando-se e pegando nosso pequeno príncipe nos braços.
— Acho uma boa ideia! — concordo, aproximando-me dos dois e os observando com ar apaixonado – Não queremos que este pequeno Frank Morris² fuja outra vez — faço uma brincadeira, citando o famoso fugitivo de Alcatraz.
— Hum... Já disse o quanto amo suas referências?! — meio questiona, meio afirma e mais uma vez nos beijamos, sob a vigilância atenta de Noah que permanece nos braços de Emma, assistindo essa demonstração de afeto entre suas mães – Eu vou fazer uma comidinha gostosa para o nosso pequeno fugitivo e, depois, podemos esquentar os pés uma da outra, debaixo do edredom, enquanto assistimos um bom filme, que tal? — propõe, quando o contato cessa.
Acato sua sugestão com um sorriso complacente nos lábios e vou para o nosso quarto, escolher os filmes e fazer um dos programas caseiros que adoro ter na companhia dela.
Sei que Emma sugeriu isso como forma de esquecermos o dia triste e nebuloso que enfrentamos. Mesmo que a morte e ausência de David ainda estejam muito presentes em nossas vidas, é inevitável que, com o tempo, tudo volte ao normal e restará em nós apenas algumas poucas lembranças boas e a grande lição que ele nos deixou: que devemos saber reconhecer e aproveitar as boas coisas que a vida nos traz, tentando evitar sentimentos negativos, mesmo que a gente não consiga tudo que quer.
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